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Reflexões

18 em Comportamento/ Reflexões no dia 19.09.2016

Com curvas, sexy e podendo comprar em qualquer lugar!

Se eu fosse politicamente correta, eu seria contra coleções “para tamanhos maiores” ou marcas plus size. Seria ótimo se em um mundo ideal todas as marcas tivessem uma grade do 34 ao 56, mas sei que essa conta não fecha fácil, principalmente no Brasil. Por isso, na prática, acabo sendo a favor de marcas especializadas em plus size e acho que esse é um nicho incrível pra ser desenvolvido por estilistas cheias de estilo.

Aliás, não estamos falando propriamente de um nicho, estamos falando de MUITAS mulheres que compram XL na Zara mas não conseguem comprar uma calça (vestindo certinho) na Animale, Bo.Bo ou Ateen. Apesar das complicações do mercado, acho que toda marca de mulher adulta precisava atender do 34 até, pelo menos, o 44/46 com naturalidade.

Que me desculpe a campanha da C&A da qual a Carla falou aqui, mas eu visto 44, sou sexy e não me acho gorda. Claro que tenho conhecidas que me acham gordinha, mas isso é a perspectiva delas, não a minha.

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Eu já estive com esse peso anteriormente e na época não gostava do que via no espelho, achava que minha vida só mudaria e eu só passaria a gostar de mim quando emagrecesse. Quando parei de brigar com a balança e fui curtir meu corpo, o mundo se tornou muito mais acolhedor do que ele me parecia antes. Eu comecei a fazer sucesso com os mais variados tipos de cara e comecei a receber elogios de muitas mulheres. Eu mudei o que vibrava, consequentemente mudei o que emanava e assim, fiquei mais bonita do que jamais fui quando magra. Pelo menos isso é o que eu senti, esse é o feedback que recebi.

Já expliquei que por causa da síndrome que tenho nos meus ovários preciso perder peso para regular minha menstruação e manter minha fertilidade em dia, além dos meus exames que não andam muito bem, por isso, estou num processo de mudanças de hábitos.Em tempos de crise, caber em 100% do meu armário também é um desejo vigente, além de ter fôlego para pedalar no spinning e fazer minhas trilhas pelo mundo sem colocar os bofes pra fora. No entanto meu maior medo de mudar meu corpo é perder a cabeça que conquistei, porque eu SEI de forma COMPROVADA na prática que ela faz 10 vezes mais diferença na minha beleza do que qualquer ponteiro na balança, pra mais ou pra menos.

Você pode perder 30 quilos, se não arrumar a cabeça nada vai mudar. Toda aquela mentirada de que você vai ser feliz quando for magra é vazia e só serve pra vender revista que ensina dieta maluca. A sensação de inadequação sempre vai permanecer se a cabeça não mudar.

Eu conheço MUITA garota magra, bonita e dentro do padrão de beleza que não se sente bem. Que precisa sempre perder mais peso, ganhar mais músculos e que não curtem sua sexualidade por causa do corpo. Elas não enxergam claramente o que têm no reflexo do espelho porque a sociedade as ensinou assim.

Nunca dei valor aos ensinamentos de aceitação da minha mãe, sempre absorvi os da ditadura da magreza e no fim? Vim a me tornar, pregar e admirar exatamente o que minha mãe fazia. Muito curioso isso, o medo de me tornar a minha mãe me fazia fazer dietas malucas, hoje eu tenho todo o orgulho de ter a autoaceitação e autoconfiança que ela sempre passou pro mundo depois que teve seus filhos.Como é curiosa essa tal de vida.

Acho toda essa falta de amor próprio um desperdício de juventude. Não importa quantos quilos serão perdidos, se a segurança e a autoconfiança não estiverem bem dentro de nós sempre vamos achar que precisamos ser melhores e mais magros para sermos aceitos pelos outros. Quando na verdade os outros só vão se sentir atraídos se a gente de fato se sentir atraente.

Já contei aqui que acreditava que tudo seria melhor e meus problemas todos se resolveriam quando eu fosse magra. Amarga ilusão essa, que inclusive que me levou a ter depressão em 2008. Quanto mais magra eu ficava mais neurótica eu me tornava e menos bem me sentia. Olho as fotos e me vejo magra, na época eu me achava gorda porque faltava uma dobra, porque ainda tinha uma curva.

Eu tinha pernas LINDAS. Aliás, eu tenho pernas bonitas, mas na época elas eram 100% perfeitas para o padrão e eu via isso? Não. Me lembro de ficar meio escandalizada quando um garoto que eu achava lindo me disse que não conseguia parar de pensar nas minhas pernas. Hoje em dia problematizo esse comentário tosco, mas por outro lado… Como eu não percebia isso? Minha cabeça era doente, de nada adiantava ter um corpo relativamente magro ali se eu não sabia apreciá-lo e não acreditava quando outros apreciavam. 

No desenvolvimento da minha autoestima tudo começou a acontecer pra mim. Foi aí que o óbvio aconteceu: tudo que sempre sonhei que viria com a magreza, veio na verdade com a autoestima turbinada. Isso tudo bem fora do “peso ideal”, preciso reforçar. 

Desde que eu comecei a me enxergar como uma pessoa bonita, vivi muitas coisas, fui cantada pelos mais diferentes tipos de caras, me descobri mais autoconfiante do que muitos deles e hoje estou mais segura do que nunca do que sou, da força que tenho e de que tudo posso no corpo que eu carrego agora. Mesmo que trabalhando com moda isso nem sempre seja fácil.

Me sinto satisfeita comigo mesma, me sinto gostosa. Não preciso da aprovação da sociedade, mas claro que acho gostoso receber elogio de quem gosto, assim como é uma delicia elogiar também.

Minhas curvas e eu estamos bem, não importa se somos 46, 44 ou 42, se somos G ou GG. A gente só quer poder comprar roupa nos mais variados tipos de lojas, como acontece quando vou a Londres. Onde acho tudo com grade para o meu tamanho, até maior. Em qualquer marca, de qualquer preço ou estilo. 

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camisa XL da Zara | Colete 42/44 Topshop de Londres | short Ateen 44

Então, a meu ver, as marcas no Brasil têm que parar de se importar só com as campanhas de marketing e focar nos seus produtos, para então poder trazer a representatividade para a divulgação. De forma coesa com o que é vendido na loja, o discurso alinhado com o que é vendido na prática.

Nesse meio tempo não vou dar mole pra minha autoestima, afinal isso não é algo que se conquista uma vez e se dê por garantido. Assim como a busca do autoconhecimento, o cuidado com a autoestima também é eterno. Seja você manequim 36 ou 56, o importante é se manter longe de relacionamentos abusivos, que nos jogam pra baixo. Sejam eles consigo mesma, de amor, amizade ou até mesmo familiar. Só soma quem nos coloca pra cima, inclusive nós mesmas.

Beijos

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7 em Comportamento/ Reflexões no dia 24.08.2016

Don’t you know that you’re toxic?

Se você tem uma amiga que não te deixa confortável para ser você mesma, que sempre dá um jeitinho de te botar sutilmente para baixo, que questiona quase tudo o que você faz ou que está do seu lado até o momento que é conveniente para ela, bem vinda ao mundo de quem tem uma amizade tóxica. 

Eu facilmente associaria uma amizade tóxica a uma droga que no início é maravilhosa mas que em pouquíssimo tempo te vicia, te transforma, te isola e, no final, pode até acabar contigo. E posso contar a má notícia primeiro? Nesses meus 30 anos de existência eu já entrei em algumas amizades desse tipo e já vi muitas pessoas próximas caírem na mesma armadilha, portanto, te garanto que por mais que você saiba julgar muito bem o caráter alheio, isso não te safa de ficar amiga de uma pessoa desse tipo.

Porque o final pode ser triste, mas o durante, amigas… o durante é maravilhoso. Por algum tempo – que pode variar de meses a anos de acordo com o grau de sutileza que a relação acontece – você se sente exclusiva, tem certeza que vocês vão dominar o mundo, são as mais incríveis da face da Terra (se isso acontece em período colegial, aumenta isso para “do universo”), tudo indica que você encontrou sua verdadeira girl gang, mesmo que essa gangue tenha apenas 2 pessoas.

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Aí em algum momento – que, mais uma vez, pode demorar meses ou anos de acordo com o grau de envolvimento entre você e a amiga tóxica – você percebe que se afastou de gente que você gostava. Ou então passou a não gostar de outras pessoas sem nenhum motivo aparente. Começou a aumentar os defeitos daquele carinha que sua intuição sempre disse que era gente boa. Resolveu entrar numa dieta doida que você trapaceava sempre que a sua amiga não estava perto. Passou a frequentar lugares que nunca te deixaram muito confortáveis e a fazer coisas que não te dão muito prazer. Quando o veneno já está circulando seu corpo por completo, você pode ter um sintoma chamado repetição de verdade alheia, ou seja, você repete um discurso que não acredita 100%. Em um certo momento você se olha no espelho e não se reconhece integralmente.

Tenho certeza que muita gente deve achar que quem cai nessas não tem personalidade, que é fraca das ideias, mas tenho certeza que só falam isso porque deram a sorte de nunca terem tido uma amizade tóxica. Nunca conheceram alguém que pode até ser uma pessoa legal, engraçada, querida e com um ótimo papo, mas que não sabe manter amizades de uma forma saudável. 

Porque o problema da amizade tóxica é justamente a amiga que não sabe manter uma relação em que vocês possam concordar em discordar, seja de um pensamento, de uma ideologia, de uma pessoa ou de um lugar. E ao invés de se afastar, ela prefere te envolver e tentar te moldar, diria que é uma relação abusiva e velada. Acreditem, essas pessoas existem e são muito mais comuns do que a gente imagina.

Amizade não tem que ser danosa para a sua autoestima, não tem que te mudar, não precisa ter cobrança. Se sua amiga te invalida mais do que apoia, te manipula com indiretas, apronta armadilhas para te deixar em saias justas ou está sempre te convencendo como você é sortuda por tê-la ao seu lado, cuidado!

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A boa notícia disso tudo é que uma vez que se percebe a intoxicação, você está livre para ser você novamente. Pode ser se afastando, pode ser mudando o status de amiga para colega (ou desafeto, dependendo de como se deu a ruptura), pode ser se impondo. E sim, vai doer, vai machucar, vai deixar dúvidas se você fez a coisa certa, mas depois vai dar para perceber claramente que ninguém merece viver para agradar aos outros.

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1 em Deu o Que Falar/ Reflexões no dia 08.08.2016

DQF: Parece que o jogo virou, não é mesmo?

Acompanhar as Olimpíadas, justamente a que está acontecendo no seu país, à distância não é das melhores experiências, preciso admitir. Não estou conseguindo acompanhar todos os jogos que o Brasil está competindo porque, obviamente, a NBC está priorizando os jogos e as notícias dos Estados Unidos e ter que assistir as partidas sendo narradas em inglês (nunca pensei que fosse dizer isso, mas saudades, Galvão) é triste.

Por outro lado, está sendo lindo acompanhar as Olimpíadas pela internet! Minhas timelines do Facebook, do Twitter e até mesmo do Instagram estão lotadas de vídeos, textões, impressões e alegria, uma coisa maravilhosa de se ver. E pelo o que eu estou acompanhando, as mulheres estão DO-MI-NAN-DO.

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Feministas compartilham, mulheres que preferem dizer que não são feministas (conheço várias, viu) compartilham, homens compartilham. Pessoas que eu nem imaginava que curtiam esportes estão compartilhando. As nossas atletas estão sendo motivo de orgulho coletivo e com razão. O pouco que eu pude ver me mostrou meninas e times com muita garra, muita determinação, muita paixão pelo esporte e espírito de equipe tão nítido que dá para sentir através da tela da TV.

A seleção feminina de futebol é o maior exemplo disso, tanto que está sendo tão comentada e elogiada. Se ganharem ou perderem, se levarem alguma medalha ou sairem de mãos abanando, não importa mais porque elas cativaram todo mundo!  No último jogo, Marta, a camisa 10 do time feminino, foi ovacionada pelos torcedores com um grito de guerra que dizia que ela era melhor que Neymar.

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Eu odeio comparações e não curto muito a ideia de que a seleção feminina provavelmente só está recebendo toda essa atenção porque a seleção masculina não nos dá nada além de desgosto desde o fatídico 7 a 1, mas fazer o quê? Fazer o quê se os homens não parecem ser um time? Fazer o quê se eles não passam a sensação de jogar com amor à camisa? Fazer o quê se eles parecem preferir se resguardar para seus times gringos que lhes pagam milhões? Fazer o quê se nessas Olimpíadas eles estão jogando contra times como Iraque e Africa do Sul e ainda não conseguiram fazer um gol? A oportunidade surgiu, elas têm mais é que aproveitar toda essa visibilidade mesmo e já que a comparação entre os dois camisas 10 começou, vamos comparar de verdade?

Porque se formos comparar Marta e Neymar, é chocante perceber a discrepância entre homens e mulheres nos esportes. É indecente até. Alguns exemplos de comparações em números? Vamos lá, pelo o que eu pesquisei para fazer esse post, fiquei sabendo que enquanto Marta estava jogando no Santos, o salário de Neymar era de R$1 milhão quando o orçamento do time feminino todo era de R$1,5 milhão. Marta é a atleta mais bem paga entre as atletas e consegue ganhar o equivalente a R$1,2 milhão por ano entre patrocínio, publicidade e salário. Enquanto isso, Neymar é o 21o. atleta mais bem pago no mundo e ganha mais ou menos 119 milhões de reais por ano. Isso porque Marta tem 5 bolas de ouro e Neymar nenhuma.

Todas as imagens são da página Empedre Duas Mulheres

Todas as imagens são da página Empodere Duas Mulheres

 

Sinceramente, com os sem comparações, eu quero é mais ver as mulheres arrasando nas Olimpíadas! Quero mais é que a seleção feminina de futebol continue honrando a fama do Brasil como país do futebol. Quero mais é que elas chamem muita atenção para que marcas entendam que vale a pena patrocinar times femininos (aliás, adoraria que, tirando futebol masculino, todos os nossos outros atletas chamassem atenção para os patrocínios, já que é praticamente a única forma deles conseguirem manter sua rotina de treinos, mas isso é outro assunto). Quero mais é que levantem mesmo a questão de diferença salarial.

E, se não for pedir muito, também seria ótimo se a partir dessas Olimpíadas, a gente entendesse de uma vez por todas que jogar/fazer/dirigir/agir/qualquer outro verbo como mulher é um baita de um elogio. Não é tanto, mas já é um ótimo começo. :)

Beijos

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