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8 em #paposobremulheres/ Autoestima/ Comportamento/ maternidade no dia 30.03.2018

Papo Sobre Mulheres: Comparações, fracassos e coragem!

As meninas do Futi me convidaram novamente para conversar com vocês sobre um tema da minha escolha. Eu tenho pensado sobre o final da adolescência e as dificuldades desta fase, pois sou mãe de uma jovem mulher de 19 anos, e estamos, juntas, na tarefa de fortalecer a autoestima dela e controlar o pavor do fracasso que a assombra.

Como fazer minha filha entender que ser mulher é antes de tudo, ser corajosa?! Minha aposta tem sido nas conversas. Algo só nosso, conversas longas, algumas vezes impacientes, porque afinal, somos mãe e filha.

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Em nossos momentos, procuro mostrar para minha filha que na vida nem tudo vai dar certo. Pelo menos não de primeira. Mas isso não significa que não vale à pena tentarmos. Não podemos simplesmente desistir do que almejamos por medo das comparações, ou por medo do fracasso. Também devemos nos preparar para prováveis mudanças de planos. Sim, tudo o que está vivo, está em constante evolução, portanto, podemos (e devemos) reavaliar nossos desejos e projetos o tempo todo. E talvez um fracasso não seja exatamente um fracasso, mas uma necessidade de revisão do planejamento original.

Estes ensinamentos são pra vida, sabe?! Às vezes um relacionamento que é visto como fracassado, não é bem assim – dele podemos tirar conhecimento sobre o que nos faz mal, e o que nos faria mais feliz. E nada que nos traga autoconhecimento deveria ser considerado um fracasso.

Talvez aquele “felizes para sempre” precise ser revisto e perceber que as vezes ele se faz necessário para mudar o curso desta história. E está tudo bem. De tudo o que vivemos, precisamos tirar algum aprendizado. Precisamos entender que nossas experiências são únicas, e não podemos nos comparar às experiências de outras pessoas.

Aqui em casa, não curtimos comparações pois estas são, quase sempre, desleais com os comparados. Mas tenho notado que os tempos modernos são basicamente constituídos por comparações. O tempo todo nos interessamos pelos interesses dos outros, por parecerem bem mais interessantes do que os nossos próprios interesses. É assim nas redes sociais por exemplo. Adoramos observar as vidas (maravilhosas?) dos outros nas redes socais e fazer comparações inconscientes com nossas próprias vidas. E muitas vezes sofremos com estas atitudes.

Geralmente a baixa autoestima tem a ver com a nossa auto imagem. E com a maneira como nos enxergamos comparativamente à maneira como enxergamos os outros. Comparação. Fazemos isso o tempo todo. Estimulamos a competição de maneira pouco saudável e depreciativa. Queremos ter o melhor filho. O mais lindo, o mais inteligente. Mas muitas vezes acabamos piorando a situação deles com estas percepções equivocadas. Muitas vezes, na ânsia de ajudar, acabamos piorando a situação drasticamente.

Por exemplo, na primeira reunião de pais no colégio de segundo grau do qual eu participei, o diretor perguntou quem gostaria que seu filho fosse aprovado em primeiro lugar no vestibular. Eu fui a única mãe presente que não levantou a mão, o que obviamente foi um escândalo. Daí o diretor me perguntou sobre o motivo pelo qual eu não gostaria que a minha filha fosse aprovada em primeiro lugar. Eu respondi apenas que a posição dela no ranking me era indiferente. O que eu adoraria experimentar seria a emoção dela por ter sido aprovada. E eu não precisava jogar sobre ela mais esta responsabilidade – de ter que ser aprovada em primeiro lugar. Isso, honestamente, serviria somente para criar expectativas sobre ela e o futuro dela, que certamente nos frustrariam a todos, pois nem tudo depende somente da gente. Sem saber, eu estraguei toda a palestra do homem, porque ele queria nos vender a competição pelas primeiras colocações.

Falamos bastante também sobre o ranço machista na vida das mulheres. Por exemplo: Eu me empenho em criar uma mulher independente, que terá consciência de que deve ter companhia, não cabresto. Também conversamos sobre namoro e casamento, e a maneira como os relacionamentos ainda são vistos hoje pelas mulheres. Não condeno quem entende que precisa se casar aos 19 nos com o primeiro namorado, mas sinceramente acredito que isso é resquício do machismo entranhado, que casava meninas após a primeira menstruação para “evitar problemas”. Há tanto para se descobrir, tanta coisa para fazer antes de casar. E ainda criamos mulheres que buscam um príncipe, e não o protagonismo da própria história. Em nossas conversas, falamos sobre outros objetivos na vida, outras fontes de realização além destes clichês – estudos, viagens, horizontes.

Há que se ter coragem. Viver requer coragem. Ser mulher requer mais coragem ainda. Até pra decidir que não quer ter filhos, ou que quer ter filhos ou qualquer outra coisa que afete diretamente sua própria vida. Infelizmente mulheres tem suas vidas julgadas, e precisamos saber lidar com este julgamento, seja ele qual for. Coragem!

E assim, de maneira bem orgânica, vou desenhando a maternidade para mim e a forma como vamos atravessando estes mares turbulentos do final da adolescência e início da vida adulta. Não sei as respostas pra todas as perguntas, mas sei o que funciona pra mim e pros meus filhos. Não digo que resolvemos todos os problemas, mas afirmo que conversamos sobre todos os problemas, e penso que este ainda é o melhor caminho. 

2 em #paposobremulheres/ Autoconhecimento/ Autoestima/ Comportamento/ Saúde no dia 30.03.2018

Papo Sobre Mulheres: o padrão de beleza em uma mulher de 50 anos

Fui convidada mais uma vez para escrever algo para vocês, aqui no Futilidades. E fiquei muito honrada por isso, acreditem.

Eu pensei em dois temas para abordar: menopausa e padrões de beleza atuais. O primeiro eu ainda não domino bem, pois antecipei a menopausa com a quimioterapia e isso ainda está muito recente para mim. Não quis arriscar falar com vocês sobre algo que nem eu mesma sei como está. Hahahaha!

Então, me restou falar sobre os padrões de beleza em uma mulher de 50 anos. Caraca, meio tenso, não acham? Mas vamos lá.

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Sempre fui muito cuidadosa com o meu corpo, principalmente com a minha pele. Sempre tive pavor de sol e isso acabou sendo um facilitador para minha vida. Agora vocês imaginem uma carioca que não gosta de sol? Sofri muito bullying por isso. Mas nunca liguei, afinal doía mais em mim uma queimadura (sim, eu tive queimaduras por pegar sol – não se esqueçam que nos anos 70 não tinha protetor solar, muito pelo contrário. Tinha pasta d’água ou Hipoglós no máximo. E para tirar no banho era um sofrimento) do que um deboche de alguém.

E pensando no sol, lembrei do poema do Pedro Bial “Filtro Solar”. Ele está certíssimo galera. USEM FILTRO SOLAR.

Hoje muitas pessoas elogiam a minha pele. Mas todas elas já deduzem que ela é bem cuidada e soltam logo “mas você não pega sol, né?” Não, não pego de jeito nenhum. Mas, claro, e com toda razão, vocês vão me perguntar sobre a minha vitamina D. E eu respondo: reponho com medicação. Fim.

O cuidar da pele precocemente é muito importante para um bom envelhecimento da mesma. Aliás, todo cuidado que temos precocemente com nosso corpo – incluo aí a saúde física e mental – são grandes facilitadores de um bom envelhecer.

Sou adepta dos mil cremes para se usar. AMO! Mas o que me diferencia de muitas de nós é que eu os uso de verdade, diariamente, sem pular uma etapa. E uso também em qualquer viagem que eu faça (minha necessaire é quase maior que minha mala – hahahaha).

Um cuidado com a pele é um resultado que se vê a longo prazo. E todas nós vamos envelhecer, é fato.

Sou adepta dos procedimentos também mas com toda a precaução possível. Temos que ter cuidado com isso. Eu não quero que vocês me olhem e digam que eu pareço mais nova. Eu quero que vocês digam que eu estou bem para a minha idade. Acho que esse é o pulo do gato (pelo menos o meu pulo): saber que temos uma idade e sabermos vivê-la.

Sou uma mulher que ama moda. Sempre estou antenada com tudo que acontece no mundo fashion. Mas sempre tive o cuidado de adaptar o que está na moda à mim. Sempre soube estar atual sem ser escrava dos padrões. Ai vocês podem perguntar: mas como?

É isso que eu quero muito que vocês entendam: eu criei um estilo para mim e sigo esse estilo desde sempre. Faço uma releitura do que é in no momento para o meu estilo. Por exemplo: o lurex está na moda. Eu me vejo com um body decotado de lurex? Não. Mas me vejo com um conjunto de pantalona e blusa wrap de lurex. Deixei de usar o lurex? Não. Mas o adaptei ao meu estilo e gosto.

Adaptar é o melhor verbo para não se deixar levar pelos padrões impostos. Tudo pode ser adaptado, até porque ninguém é igual à ninguém. E essa autoconfiança é que devemos ter para seguirmos em frente, para entendermos que a idade chega mas não nos engessa, que podemos ser modernas e atuais sem termos que pensar como (ou tentar parecer com) uma menina de 20 anos, por exemplo. A maturidade é benéfica. Ela pode ser até precoce mas, com certeza, ela chega e devemos abraça-la, sabermos tirar proveito dela da melhor maneira possível.

E com essa maturidade vem um equilíbrio emocional, fundamental em qualquer idade, né? Quando temos esse equilíbrio tudo fica mais tranquilo. E com tranquilidade fazemos tudo certo. Ou quase tudo! Hahahaha!

Ah, e ler. Ler muito. Não deixar que seu cérebro funcione lentamente. Ative-o, alimente-o. Nos é permitido sermos antenadas.

A minha receitinha de bolo que eu divido com vocês, para chegar aos 50 com os mesmos 50 bem vividos?

Usar filtro solar;

Colocar o corpo para trabalhar;

Alimentar a mente diariamente;

Adaptar o que tentam nos impor para o nosso bem estar;

Acreditar em nós mesmas – termos a autoconfiança de não nos deixar influenciar por nada e ninguém;

E ser feliz, muito feliz. A felicidade é a cereja do bolo que vamos tentar fazer com essa receita.

3 em #paposobremulheres/ Autoestima/ Comportamento no dia 29.03.2018

Papo Sobre Mulheres: Pelo meu direito de ser feliz como eu sou

Viver sendo diferente do que a sociedade considera padrão é uma árdua tarefa. Todo momento alguém vai te lembrar dos motivos pelos quais você é diferente. Todo dia alguém vai te dizer que você não é suficiente. Lutar contra isso é uma batalha diária. Não é fácil encontrar o caminho da aceitação, mas quando conseguimos nos entender e ficar bem com nós mesmos, não existe nada mais libertador.

Eu praticamente não tenho nenhuma memória da minha vida em que eu não tenha sido uma menina gorda. Desde muito pequena eu tive que aprender o que é ser mulher em uma sociedade machista, mas se já não é fácil saber lidar com toda opressão que as mulheres sofrem, eu também aprendi muito cedo o que era o preconceito: a gordofobia.

Quando se torna difícil conseguir comprar uma simples roupa para trabalhar, como também pegar um transporte público, você se dá conta que o mundo em que vivemos não foi feito para as pessoas gordas. Consequentemente você está à margem, e vai ter que buscar um jeito de se adaptar.

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Não são as mulheres gordas que estão em destaque na TV, no cinema, nas revistas, nas passarelas, nos palcos. É no conceito de magreza que está depositado “segredo da felicidade” e a “beleza”. A mídia condena o tempo todo os corpos gordos, nos bombardeia com dietas malucas, com tratamentos estéticos caríssimos, com remédios que colocam nossa saúde em risco. Ser uma mulher gorda é muitas vezes considerado uma sentença de infelicidade eterna, o pior que pode te acontecer.

A gordofobia está até nos menores detalhes, no comentário de um parente quando fala a clássica frase que toda menina gorda já ouviu: você é tão bonita de rosto, pena que é gorda. Ou alguém que sem você perguntar absolutamente nada já vem te sugerir uma dieta da moda. Aquela vendedora da loja que diz “aqui não tem roupa para você”. Tem também aquele carinha que te curte, mas não assume para galera, porque pega mal namorar uma gorda.

Mas como lutar contra tudo isso? O que fazer para mudar essa situação? Nós precisamos nos empoderar, bater de frente com as verdades absolutas que nos foram impostas, entender que o padrão que impera, foi socialmente construído por uma sociedade que só valoriza o homem, os corpos das mulheres são reduzidos a meros objetos descartáveis. Nós não somos simplesmente gordas, isso não pode ser a única coisa que sabem sobre você, isso não pode te definir. Nós somos infinitas coisas mais. Muito mais.

Ter problema com autoestima não é exclusivo da mulheres gordas, todas as mulheres em algum momento da sua vida já se sentiram desconfortáveis em sua própria pele, afinal a pressão estética se faz presente desde o nosso primeiro dia de vida.

O amor próprio é uma verdadeira jornada de autoconhecimento. Ele não aparece de um dia para o outro, é um processo interno e externo. É se respeitar, entender quem você realmente é, ter um olhar de carinho para si próprio, não desejar ser mais ninguém além de você mesma.

O feminismo me libertou de todas as amarras que a sociedade quis me colocar, me ensinou a me amar ainda mais, me direcionou a ajudar todas as mulheres que cruzarem meu caminho, me despertou a vontade de tentar fazer a diferença. Sabe aqueles comentários ali em cima que toda menina gorda provavelmente já escutou? Não tenha medo de respondê-los, aproveite esse momento e mostre que você é maior do que isso. Você não tem que ter vergonha de ser quem é, e sim a sociedade tem que ter vergonha de reproduzir tanto preconceito e intolerância.

Eu joguei fora todos os rótulos que me colocaram. Ninguém nunca mais poderá me dizer o que vestir, como falar, o que comer, como andar, o que pensar. A maior beleza está em se amar por inteiro e entender o que isso significa. Eu sou linda, e não vai ser seu olhar preconceituoso que vai me convencer de que eu não sou.

Precisamos ocupar todos espaços, estar em todos os lugares, inspirarmos umas as outras. Sei que ainda temos um longo caminho para percorrer, mas se estamos juntas, somos mais fortes. Ser feliz exatamente do jeito que somos já é um ato de revolução.