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Book do dia

0 em Book do dia/ Comportamento/ Destaque no dia 24.10.2019

Book do dia: A parabóla do semeador e a Parabóla dos Talentos, de Octavia Butler

Preciso começar a semana falando desses 2 livros que impactaram meus últimos meses, até eu terminar a última linha. Se você é do time que fica impactada, fascinada e ao mesmo tempo com o medo de O Conto da Aia (Handmaid’s Tale), provavelmente você vai gostar desses livros de Octavia Butler. Tanto Parábola do Semeador quanto Parábola dos Talentos têm todos (e até mais) os ingredientes que encontramos na história de Margaret Atwood. Ao meu ver, as duas autoras beberam de fontes muito próximas para construir suas narrativas.

Eu comprei a versão em inglês com os dois livros juntos, mas tem como comprá-los separados e em português aqui e aqui. A versão brasileira vem com uma entrevista com a própria Octavia no final, que pelo o que fiquei sabendo, vale muito a pena ler!

Ambos os livros se passam em um futuro distópico (assustadoramente próximo) e tratam de assuntos como direitos das mulheres em um cenário de fundamentalismo religioso. Porém, vou parar por aqui nas comparações, porque acho que são dois clássicos que merecem ser lidos. Não é “ou um ou outro”. Leia os dois e deixe a sua cabeça explodir!

Mas preciso fazer um parágrafo só para enaltecer Octavia Butler.

Vou começar dizendo que acho uma injustiça que seus livros só tenham começado a serem traduzidos para o português ano passado. Provavelmente para pegar carona no sucesso que Handmaid’s Tale se tornou. Octavia Butler é conhecida aqui nos Estados Unidos como a rainha da ficção científica. Quase todos os seus livros são premiados nessa categoria e sua carreira recebe prêmios até hoje, mesmo 13 anos depois de sua morte.

A Parábola do Semeador é um livro de 1993, e a Parábola dos Talentos é de 1998. Teoricamente era para ser uma trilogia, mas seu último livro nunca foi terminado. Nessa duologia, Octavia Butler claramente se inspirou em questões debatidas na época, como Aquecimento Global, violência nas grandes cidades, envio de sondas para Marte, etc. Além disso, claramente sua experiência como mulher negra ajudou a construir discussões enredos com diversidade, abordando até mesmo questões como imigração e preconceito.

A série se passa entre 2024 e 2035 (o primeiro livro vai de 2024 a 2027, o segundo termina em 2035) e conta a história de Lauren Olamina, uma adolescente negra de 15 anos, vivendo em um mundo pós (?) apocalíptico. Mas não pensem em ET’s ou zumbis, o apocalipse foi causado por nós, humanos. Esse gênero é chamado de “mundane science fiction” (ficção científica mundana). É um subgênero onde a história se passa na Terra, sem explorar o universo ou contatos com extraterrestres, quase sempre com recursos que existem na nossa realidade.

Como deu pra ver, essa foi uma série que me fez ir atrás de muita informação que eu desconhecia. Nem todo livro me traz tanta curiosidade, e eu amo quando isso acontece! Obrigada, Octavia Butler. <3

Nessa série, lemos os diários de Lauren a medida que o tempo vai passando. E acompanhamos toda a sua saga em uma sociedade totalmente destruída por questões ambientais, guerras, escassez, drogas. Nos deparamos com novas formas de escravidão, com o perigo de ser mulher e as possibilidades de silenciamento. O livro é inegavelmente político.

E também fala sobre o surgimento de uma nova religião. Lauren cria a Semente da Terra, um livro baseado em suas vivências e reflexões sobre religiões. Ali, ela assume que mudanças são inevitáveis e, por isso, precisamos ser maleáveis e adaptáveis. É a partir desses seus ensinamentos que Lauren vai criando uma comunidade, mas não vou falar mais nada.

Ah, também vemos um candidato fascista e religioso subir ao poder, cujo lema da campanha, pasmem: “make America great again”. Nesse ponto, vamos ser justas e lembrar que essa frase não é do Trump. É do Reagan, nos anos 80. Ou seja, Octavia não inventou essa frase, mas quem diria que em 2018, mais de 30 anos depois, teríamos um presidente se elegendo com esse slogan novamente?

“Escolha seus líderes com sabedoria e ponderação. Ser liderada por um covarde é ser controlada pelos medos desse covarde. Ser liderada por um idiota é ser liderada pelos oportunistas que controlam o idiota. Ser liderada por um bandido é oferecer os seus tesouros mais preciosos. Ser liderada por um mentiroso é pedir para que mentiras sejam contadas”
“E ainda assim, Andrew Steele Jarret conseguiu assustar, dividir e fazer com bullying com pessoas, primeiro para conseguirem elegê-lo presidente, depois para deixá-lo consertar o país para eles. Ele não conseguiu fazer tudo que gostaria. Ele era capaz de um fascismo muito maior. Assim como seus seguidores mais ávidos.”

Além dessa visão de mundo completamente conectada de Octavia E. Butler, existem outras questões que ela traz no livro e são totalmente atuais. Por exemplo, epidemias de doenças como sarampo, malária, dengue. O nível do mar subindo, aquecimento global, cidades costeiras desaparecendo, o surgimento de máscaras de realidade virtual…

Enfim, eu to aqui me atendo à detalhes que não são spoilers, mas que mostram um pouco do que você pode encontrar nesse livro.

Mas já adianto que não é uma leitura fácil, bonitinha. Ao contrário, caem tantas fichas das nossas responsabilidades dentro do sistema que é impossível não ficar pensativa. Impossível não se tornar mais questionadora. Mais alerta.

É uma leitura impactante, mas ao mesmo tempo achei extremamente necessária. Então, se você está procurando algo nesse estilo pra ler, vou parar por aqui com esse textão que já bateu recordes e terminar falando: leia! E depois me conta o que achou. ;)

0 em Autoestima/ Book do dia/ Comportamento/ Destaque no dia 27.08.2019

Comunicação não violenta não é sinônimo de passividade

Eu sou uma pessoa muito direta e prática. E ser assim, como ser de qualquer outro jeito, tem seu lado bom e ruim. A parte boa é que as coisas na minha vida se resolvem mais rapidamente. Eu deixo bem claro as minhas intenções e não tem muito espaço para má interpretações. A ruim é que, muitas vezes, eu sou percebida pelos outros como uma pessoa grossa.

Passei um bom tempo achando que isso é um problema de quem ouve, e não meu. Afinal de contas, eu sei a intenção que usei ao falar, e acabava indo para o mantra do “eu sou responsável pelo que digo, não pelo que você entende”. Mas a verdade é que a gente precisa ser responsável pela maneira que os outros entendem o que dizemos, sim. E isso resolve a vida e muda relações.

Nessa jornada, repensando muito, cheguei a um dos clássicos da comunicação com empatia e queria dividir com vocês. O livro se chama “Comunicação Não Violenta”, do PhD Marshall Rosenberg. Eu sei que não estou indicando nenhuma novidade. Aliás, eu confesso que achava relevante, mas não dava muita bola. Até que finalmente li o livro.

Para comprar o livro físico ou e-book é só clicar aqui.

No grupo do Papo Sobre Autoestima no Facebook, acontece de algumas leitoras pedirem ajuda para terem conversas difíceis. Muitas estão à procura de aprender a escutar de maneira ativa. E, nessas horas, os métodos da CNV sempre estão presentes por lá. Até mesmo com pessoas que nunca leram o livro, mas estão dispostas a exercitar a empatia.

Muitas vezes é difícil mesmo baixar a guarda, especialmente quando o outro chega de maneira mais agressiva.

A questão é que muitos discursos encarados como agressivos acontecem por causa da invisibilização dos mesmos. E a culpa não é da falha de comunicação desses grupos, e sim de estruturas cheias de preconceito da sociedade. Enxergar isso nos permite a exercer uma escuta ativa, sem levar para o pessoal. E permite que a comunicação aconteça com menos falhas.

Veja bem, Comunicação não Violenta não é um livro que te ensina a ter sempre razão. Mas ele definitivamente te faz repensar a forma como duas pessoas podem se ajudar mutuamente.

Outra coisa que eu achei muito importante foi perceber que exercitar uma comunicação não violenta não é sinônimo de ser passiva. A gente não tá aqui pra ficar engolindo sapo, mas até mesmo para que isso não aconteça esta forma de se comunicar é eficiente.

É claro que se comunicar de forma não violenta é um processo. Leva tempo, prática e temos que ficar atentas a todas as oportunidades que aparecem para que possamos praticá-la até que se torne algo natural em nós. Mas, acredite, as oportunidades são inúmeras em qualquer tipo de conversa que você tenha. E o quanto a gente aprende no momento que nos permitimos ouvir e trocar, é o mais valioso. Virei fã, me juntei ao coro e agora venho aqui indicar essa leitura!

0 em Book do dia/ Comportamento/ Destaque no dia 17.06.2019

Book do dia: dois livros sobre felicidade

Se tem um assunto que abordamos muito aqui no Papo sobre autoestima, mas nem sempre com esse nome, é felicidade. Queremos viver em paz com nós mesmas e com os outros. E o motivo? Ser feliz. Sempre.

Infelizmente, taí uma coisa que não existe guia, nem fórmula. Mas existe muita vontade – ao menos da nossa parte – em entender e procurar o que funciona pra cada uma de nós. E se no meio disso pudermos indicar dicas de boas leituras a respeito, é o que vamos fazer.

Andei lendo dois livros sobre felicidade recentemente e gostaria de dividir com vocês. São duas leituras que acrescentam não só na nossa vida, mas também na de quem convive com a gente (afinal, iremos indicar offline também)

O jeito Harward de ser feliz, de Shawn Achor

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“Você não precisa ter sucesso para ser feliz, mas precisa ser feliz para ter sucesso”. Foi essa a frase que me ganhou e me fez levar o livro.

Aliás, vocês sabiam que o curso mais disputado de Harvard não é sobre finanças ou Direito? Como já dá para imaginar pelo andar desse post, o tal curso mais disputado é sobre felicidade. E que agora virou livro.

É uma leitura leve e que te prende a atenção toda hora. Shawn Achor te mostra e te dá exemplos práticos que corroboram a teoria de que ser feliz é o verdadeiro segredo do sucesso. E isso vai direto nas nossas questões, onde achamos que ter o peso X, fazer a viagem y, o emprego z, o amor da vida ou qualquer outra conquista nos fará feliz, quando o que rola é exatamente o contrário. Shawn te prova isso mostrando provas de todas as áreas a respeito.

Pra mim foi fundamental para dar uma chacoalhada nas ideias. Também me abriu novas perspectivas e possibilidades de uma vida mais leve e feliz no meio de tanta carga de trabalho e estresse. Outra coisa positiva foi que reforçou o que eu sempre acreditei: encarar as coisas de maneira positiva impacta positivamente na nossa vida.

Projeto Felicidade, de Gretchen Rubin.

Gretchen Rubin tinha uma vida ótima e nada a reclamar. Bom trabalho, um marido excelente, duas filhas lindas e saudáveis. Um dia, ela percebeu duas coisas: que o tempo passa e que ela não estava focada no que era de fato importante. Eu sei que parece obvio, mas as vezes as pessoas precisam de um chacoalhão do óbvio mesmo,

A partir daí, ela decidiu se dedicar ao que chamou de “Projeto Felicidade” por um ano. E que isso a ajudaria a aproveitar melhor todas as coisas boas que ela já tinha. O que eu acho o grande lance desse livro é que ele não fala de uma reviravolta na vida, uma grande mudança ou é uma história de superação de alguém que estava na pior e deu a volta por cima. Ela apenas se limitou a olhar a vida de forma realista, estipulando metas e reorganizando prioridades. De um jeito muito agradável e com base em estudos e outras leituras que ela fez à respeito, ela vai contado suas experiências que a ajudaram nesse ano. Quando você menos esperar, já terminou o livro com um quentinho no coração.

E você? Tem algum livro sobre felicidade que mudou sua forma de agir para indicar?