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0 em Autoestima/ Destaque/ entretenimento/ feminismo/ séries no dia 01.02.2019

Netflix: Grace and Frankie, 5 motivos pra assistir!

Recentemente Lívia Forte escreveu sobre séries aqui e mencionou Grace and Frankie. Pois bem, coloquei na minha lista, mas confesso que ao ver a foto de duas senhoras, não me empolguei. Achei que não era pra mim. Claramente fui preconceituosa.

Em janeiro eles mudaram as capas do seriado, e uma delas era uma foto de duas mulheres jovens. Eu, bem bocó, achei que podia ser a história de antes das duas. Resolvi dar uma chance e dei play. Quando pisquei havia assistido o primeiro episódio inteiro, e morri de rir. Chamei meu namorado para me acompanhar e fizemos dessa série algo pra nós dois.

Não demorou para a turma aumentar. Agora vemos eu e ele, meu pai e minha mãe, que também se divertem demais.

Então agora venho aqui falar um pouco de Grace and Frankie. Uma série que entra em tantos pontos do #paposobreautoestima que nem sei por onde começar.

1º motivo – Muitos talentos reunidos em um só lugar.

Eu sei que é quase uma redundância falar Jane Fonda e boa atriz na mesma frase. Mas além dela, Lily Tomlin e todos os outros personagens são sensacionais. E não para por aí, afinal, o roteiro também é maravilhoso e trabalha questões familiares de todos os tipos.

São 8 histórias dentro de 4 principais. E isso garante com que todos os tipos de dramas e desafios de uma família apareçam desenhados com graça, leveza e seriedade. Muitos talentos reunidos não poderiam resultar em nada diferente.

2º motivo – a ideologia.

Sem falar em feminismo ou usar palavras da militância, o seriado coloca de forma bem clara a importância de olhar pro papel da mulher na sociedade. Traz questionamentos fundamentais pro cenário atual, mostrando pontos de vistas diferentes, mas complementares.

Num cenário onde duas mulheres de pensamentos tão distintos se unem, a gente, do outro lado da tela, é quem aprende. Ao longo das 5 temporadas ficam muito claras questões desafiadoras do envelhecimento das mulheres, algo que já teve até post por aqui. Elas falam disso com humor mas não deixam de abordar as temáticas mais importantes do mundo contemporâneo.

3º motivo: nunca é tarde pra recomeçar, mudar e ser feliz.

Isso vem junto com uma desconstrução de crenças que carregamos sobre a velhice que, na prática, são diferentes daquelas que nos foram ensinadas. Envelhecer não deve ser sinônimo de ócio à espera da morte, deve ser tempo de se conhecer, se conectar, se redescobrir e se reinventar.

4º motivo: o foco na homofobia

Esse é um dos motivos mais sérios, e acredito que a série dá uma aula do peso das consequências da sociedade homofóbica em que vivemos. Mostrando o que pode causar viver uma relação de fachada para agradar os outros, que pode diferir do que você é ou sente, mas tem medo de admitir. Afinal, o medo do julgamento está presente em nós devido ao inerente pavor que temos de não sermos aceitos.

Eu amei como a série conseguiu mostrar todo esse peso de fingir ser outra pessoa pra poder conviver em sociedade. Com leveza, bom humor mas muita seriedade e reflexões.

5º motivo: sororidade

Hoje em dia é comum vermos essa palavra sendo usada para definir empatia entre mulheres, mas em muitos casos, na prática ela só vale entre iguais. Isso é, mulher querendo exercer empatia com a outra que partilha da mesma verdade, julgando quem não pensa parecido.

Em Grace and Frankie vejo a sororidade de uma maneira muito bacana, ainda que com doses homeopáticas de julgamento! Vejo as duas protagonistas apostarem na sororidade de um jeito incrível ao longo das temporadas. Assim sendo, acho que podemos aprender muito com essas personagens.

Quando eu falei de Grace and Frankie no stories do @futilidades recebi centenas de respostas elogiando o seriado. Foi das coisas mais unânimes que postei nos últimos tempos, então eu sei que não há muita novidade nessa indicação, mas mesmo assim, eu não quero e não vou deixar de te lembrar, assista! Vale muito a pena!

Beijos

Veja também:

0 em Comportamento/ Destaque/ maternidade/ séries no dia 30.01.2019

As renúncias da maternidade – ou, como enxergar as coisas pelo lado certo

Nunca pensei que uma série na Netflix pudesse exprimir tão bem as questões das renúncias na maternidade. Mas assim é The Let Down. Uma série australiana que eu indico para toda mulher que é mãe, ou pensa ser um dia.

Ela aborda a vida de várias mulheres que participam de um grupo para puérpueras. Toda mãe vai se identificar com alguma coisa. Seja a vontade (e a dificuldade) de querer fazer as mesmas coisas que fazia antes de ser mãe. A necessidade de mostrar para o mundo que você domina o jogo da maternidade, quando na verdade você está tão perdida quanto todo mundo. A importância de ter rede de apoio.

Enfim, tudo aquilo que a maternidade desromantizada aborda, está nessa série.

Mas não teve frase que me pegou mais no fundo do que essa que está no título. Ainda mais na maternidade. Porque essa pessoa que teimava em olhar para trás fui eu, por muito tempo.

Eu estava sempre olhando para as situações e comparando com a vida pré filho. Aliás, eu queria dar um jeito de ser a mãe que não mudou por causa do filho. Queria acreditar piamente que “o filho tem que se ajustar à rotina dos pais, e não o contrário”. Não foi assim que banda tocou, pelo menos não aqui em casa.

Sim, é claro que existem renúncias na maternidade, assim como perda de liberdade e traços de melancolia.

Por mais que a gente leia, se informe, não tem como se preparar para o momento em que a nossa vida muda. Nem controlar a intensidade da mudança. Não tem como a gente minimizar nossas perdas, até porque para cada mulher é diferente. Cada uma sabe onde o calo aperta, sabe? É bem por aí…

Mas tal frase é uma verdade. Ao olhar para trás, a gente de fato foca no que foi embora. Principalmente quando somamos à isso a privação de sono, a falta de privacidade, situações que antes eram tão simples e agora exigem toda uma preparação (tipo ir no mercado), entre tantas outras coisas. É natural querer comparar e achar que a vida antes dos filhos era melhor. Mais leve. Mais simples.

Mas caramba, quanta coisa boa também veio? Se eu parar para pensar, vejo que passei a saber administrar muito mais o meu tempo. Vejo que eu aprendi a parar para respirar. A me encantar com coisas que eu tinha esquecido que eram de fato encantadoras. A ver felicidade em momentos tão simples. E venho amadurecendo desde então.

Eu queria muito ter visto essa frase há mais tempo. Porque tive que bater muito a cabeça para chegar nessa conclusão. Tive que viver todas as renúncias na maternidade para enxergar que tinha mais do que isso. Tive que ver a vida com olhos mais duros por meses a fio para perceber que estava indo pelo caminho errado.

E tá tudo bem, faz parte dos ensinamentos da maternidade. Mas, ah…quem me dera que eu pudesse ter absorvido isso de uma maneira mais simples. Como vendo The Let Down e levando um belo tapa na cara enquanto assistia uma série tão bacana.

0 em Autoestima/ Comportamento/ entretenimento no dia 13.11.2018

Aparência e talento não estão interligados. Ou melhor, não deveriam estar.

Você já foi assistir “Nasce uma Estrela?” Caso a resposta seja não, então preciso avisar antes de você começar a ler esse texto que ele contém alguns spoilers do filme. Se você já assistiu, vamos conversar sobre uma parte do filme?

Para quem não assistiu mas não se importa em ler sobre o filme, ele é sobre uma história de amor entre o Jack (Bradley Cooper), rock star super famoso, e Ally (Lady Gaga), uma cantora iniciante cheia de talento. Jack se encanta por Ally de primeira, quando a vê interpretando uma versão de La Vie en Rose em um bar de drag queens. A noite se estende e ele passa a conhecer um pouco mais de sua história e de sua música, depois disso ele passa a convidá-la para diversas participações em seus shows. É uma história de parceria musical, amor, cumplicidade e dor. O filme é lindo e super emocionante. Mas esse texto não tem a pretensão de ser um review do filme. Quero mesmo é falar da tal cena que me chamou a atenção logo no começo, quando eles se conheceram.

Logo no início, assim que eles se conhecem, Jack fica curioso sobre a carreira artística de Ally. É aí que ela diz que já havia mostrado o seu trabalho a diversas gravadoras e que eles até gostaram dela, disseram que ela tinha talento, mas que ela não estouraria por conta de sua aparência, mais especificamente o seu nariz. Jack na hora revidou a crítica das gravadoras elogiando sua beleza e seu nariz. O nariz vira, inclusive, uma piada carinhosa entre eles e aparece em diversos momentos importantes do filme. 

aparencia

Você pode achar que essa história de não ter feito sucesso por causa de um nariz é balela. Que foi posta ali no filme só para trazer um elemento que os telespectadores possam se identificar. Mas a verdade é que isso existe, muito mais do que a gente imagina. Saí do filme imaginando o tanto de gente talentosa que deve existir por aí que pode perder a chance de brilhar e encantar as pessoas com o seu talento por causa de sua aparência física…Quantos produtores, empresários, casting, gravadoras devem cortar pessoas por isso? 

Nem precisei fazer muito esforço para lembrar de exemplos que foram notícia. Ou vocês não lembram da Susan Boyle? Que ao entrar no palco de um show de talentos inglês foi vista pelos jurados com um certo olhar de deboche? Que ao falar que tinha 47 anos recebeu um olhar de “o que essa mulher está fazendo aqui” de Simon Cowell? E que durante sua apresentação fez toda a plateia – e os jurados – chorarem? Todo mundo ali naquele auditório duvidou de seu talento unicamente por causa de sua aparência. Talvez, se ela não tivesse se apresentado em um auditório com milhões de pessoas assistindo, ela nunca conseguisse um contrato.

Aparência não tem nada a ver com talento. Nem mesmo nas modelos de passarela ou de capa de revista. Não se esqueçam que nem Gisele Bundchen escapou disso. “Eu me lembro de algumas pessoas me dizendo que meu nariz era grande demais ou meus olhos pequenos demais, que eu nunca poderia estampar a capa de uma revista. Não foi fácil ouvir esse tipo de crítica aos 14 anos. Isso fez com que eu me sentisse insegura.” 

Voltando ao filme, Ally claramente acreditou que seu nariz era um problema de verdade. Que ele eclipsava seu talento. Seu pai, por exemplo, passou o filme dizendo que não virou Frank Sinatra por causa de sua aparência. Se não fosse Jack mostrando para Ally que isso era uma crença infundada, talvez nada acontecesse em sua vida. E aí eu penso: quantas pessoas super talentosas acham imediatamente que aparência e talento estão interligados?