Browsing Category

Destaque

0 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque/ Saúde no dia 28.10.2020

Apologia à obesidade?

Quem nunca já se meteu em alguma conversa sobre body positive e autoaceitação e teve que ouvir argumentos do tipo: “mas isso é glamourizar a obesidade!”? Ou: “isso é fazer apologia à doenças!”? Esse assunto já foi falado por aqui algumas vezes nesses últimos anos (aqui, aqui, aqui) mas parece que o argumento continua em voga.

pergunta feita no stories do nutricionista Ricardo Durante

Bem, já comentamos sobre como é gordofóbico querer pautar o que é um corpo saudável com base no olhômetro. Mas isso vai além. Você já parou para perceber o quanto essa preocupação com a autoaceitação alheia nada mais é que uma estratégia de controle?

Estratégia essa que faz a gente ficar parada sempre no mesmo lugar, isso é, obedientes ao padrão de beleza vigente. E sem desenvolver nenhum pingo de consciência sobre o nosso corpo.

Já recebemos inúmeras mensagens de mulheres que explicam a dificuldade que elas tiveram ao aceitar esses discursos de autoaceitação. E que isso levou a uma permissividade e até mesmo negligência com o próprio corpo. Mas cada mensagem dessas é sobre questões individuais. E debates coletivos não devem ser invisibilizados porque não deram certo com algumas pessoas.

Ao mesmo tempo, a gente entende que é complicado estabelecer nossos próprios limites e criarmos um equilíbrio saudável para a nossa realidade. Fomos criadas uma vida inteira com mensagens gordofóbicas. Aprendendo quais dietas seguir desde muito novas. Lendo e ouvindo em todos os lugares que nossos corpos não eram certos. Tudo isso fez com que a gente se tornasse obediente às regras do jogo (alou Mito da Beleza), e sem nenhuma possibilidade em relação às escolhas que fazemos com nosso corpo. Até pouquíssimo tempo muitas de nós nem sabíamos admirar nossos corpos com as particularidades que eles têm.

E aí, como vamos aprender sobre equilíbrio se ele nunca nos foi ensinado?

Não é à toa que nosso discurso de autoestima e autoaceitação nunca foi fácil de engolir. A gente bate mesmo na tecla de passar por esse processo acompanhada por médicos, nutricionistas comportamentais, terapia. De explorar grupos de apoio (como o nosso, por exemplo, sem nenhuma modéstia rs), caso pagar por esses serviços não seja uma opção.

Seria lindo falar que autoaceitação e amor próprio se constrói apenas seguindo as pessoas certas no instagram ou decorando frase de efeito. Mas sabemos que na prática pouquíssimas pessoas conseguem passar por esse processo sozinhas.

Mas o que podemos falar, para acender uma luzinha de alerta, é para prestar atenção. Se você se sente incomodada com o processo de autoaceitação alheia, isso com certeza diz mais dos seus incômodos, medos e dificuldades do que as tais “apologias” que as pessoas estão fazendo em seus perfis pessoais.

0 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Convidadas/ Destaque no dia 21.10.2020

Minhas sombras me libertam

“Somente quando temos coragem suficiente de explorar nossa escuridão, descobrimos o poder infinito da nossa própria luz” (Brene Brown – Livro A coragem de ser imperfeito) 

O que vivo como mulher me faz pensar em como sou filha, mãe, tia, irmã, amiga, trabalhadora. Sou luz, sombra, virtude, vícios, monstro, poesia, adrenalina. Em geral, só queremos postar as fotos bonitas, lembrar dos bons momentos, dos sorrisos, das conversas sobre as boas coisas. Pensar em nossas vacilações, carências, erros, medos, o fundo do poço dói. Mas é aprendizado, tanto quanto os momentos felizes.

Aprendi em cada dor que tive, em cada desamparo, em cada fome, nas partidas, nas lágrimas.

Não é preciso alguém ir embora ou morrer para partir. Já vivi o adeus de alguém que estava ao meu lado, de amigos que amava, de gente que me excluiu, que não me acolheu. Mas eu também aprendi com minhas monstruosidades, minhas sombras, minhas ansiedades, até mesmo com os momentos em que não escutei o que me diziam, os que gritei minhas verdades (seriam elas verdades?).


É preciso elaborar meu brilho e o espaço obscuro em mim, equilibrar as forças e entender que sou a soma de todas as coisas, completa e não perfeita. Ufa, que bom isso! Às vezes, a realidade é opressiva, mas também libertadora. Como pode ser isso? Como podemos viver uma experiência opressiva e libertadora? Quando percebi que estou viva, me amo, reconheço o que de pior há em mim e sigo inteira, me sinto livre.

Como assim livre?

Livre de tantas gaiolas, de tantas prisões que eu e a sociedade colocam. Ao mesmo tempo que sou oprimida como mulher, como mãe, como trabalhadora, me liberto porque enxergo as barras que me prendem. Elas perdem a força quando não as temo mais. Morri ano passado, esse ano não morro mais, já dizia um profeta. E assim sigo um pouco mais em paz.

0 em Comportamento/ Destaque/ entretenimento no dia 19.10.2020

Enola Holmes, um filme que podia ser série

Tá afim de ver um filme fácil de assistir? Que te prende na medida certa e te deixa com vontade de saber mais? Com uma história curiosa mas contada de forma leve? Esse filme é Enola Holmes.

Comecei a assistir Enola Holmes sem nem saber do que se tratava. Só vi a sugestão lá na página principal da Netflix e cliquei para ver. Com um elenco cheio de nomes famosos – Millie Bobby Brown, Helena Bonham Carter, Henry Cavill e Sam Claffin são alguns deles – eu imaginei que não tinha como ser ruim.

Eu achei leve, divertido, curioso, meio bobinho adolescente, tudo que eu precisava depois de um dia cheio de mudanças. Uma das coisas que mais gostei é que mesmo tendo o famoso Sherlock Holmes no elenco (ele é irmão de Enola), ele é só um pano de fundo para uma história onde o protagonismo feminino domina.

Inclusive uma das cenas mais compartilhadas é justamente uma cena em que a personagem Edith explica para Sherlock Holmes, de forma bem didática e rápida, o que é privilégio. Aliás, a série é polvilhada de momentos onde questões atuais são discutidas de forma breve e fáceis de entender.

Talvez quem já esteja mais por dentro de assuntos como privilégios, feminismo, lugares de poder e afins ache bobo demais. Como disse, é um filme adolescente. Mas acho que para um público geral, é um bom jeito de abordar assuntos necessários.

Assim como todo mundo que compartilhou, essa é uma das minhas cenas preferidas de Enola Holmes. Tem uma outra também, que não vou compartilhar porque ela dá spoilers.

um filme me disse

Para mim, o único problema é que eu achei que exploraram muito pouco a história de Eudoria, a mãe de Enola, interpretada por Helena Bonham Carter. O contexto do filme se dá por causa do sumiço de Eudoria, mas a sensação que eu tive é que nada relacionado a ela foi muito bem explicado. Tinham algumas dicas soltas pela história que me fizeram acreditar que ela sumiu para fazer algo importante. Mas eu senti falta de saber mais.

A sorte é que, quando dividi isso nos stories do Papo, algumas seguidoras me avisaram que Enola Holmes é uma série de 6 livros (eu disse que só apertei o play, nem sabia que era uma adaptação). Então, talvez teremos um segundo filme que – espero! – explique a história e o paradeiro de Eudoria.

Terminei o filme com uma sensação que deveria ser uma série. Depois que fiquei sabendo dos 6 livros, tive mais certeza ainda. Mesmo assim, indico aqui porque é o tipo de programa que dá para pegar a pipoca e relaxar no sofá, principalmente naqueles dias que você não tá afim de pensar muito.

Alguém já viu? O que achou?