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Autoestima

0 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 19.11.2019

Pelo desuso do perfeccionismo como qualidade

“Me diz uma qualidade sua?” -“Sou muito perfeccionista”. “E um defeito?” -“Sou muito perfeccionista”. Quem nunca já viu, ouviu ou até mesmo deu essas respostas em uma entrevista de emprego que atire a primeira pedra. A verdade é que eu odeio perfeccionismo, e agora vou contar por quê acho que essa palavra – seja ela como defeito ou qualidade – tinha que cair em desuso.

Ser perfeccionista te torna obcecada, controladora, rígida e, pior que isso, cruel demais com você mesma.

Faz você passar um bocado de raiva, também. Porque você pode virar a noite fazendo aquela apresentação importante no trabalho, que ao terminar tudo, você não se sente orgulhosa de si mesma por ter feito um bom trabalho. Você pode ter se comprometido com aquilo 100% mas, no fim, é aquele detalhe no canto direito que não está alinhado como você gostaria que recebe atenção. E aí, toda a sensação boa de dever bem cumprido vira a sensação de que você falhou miseravelmente. Isso quando o tal perfeccionismo não é a sua melhor desculpa para evitar sair da sua zona de conforto e tentar algo novo.

Veja bem, pra começo de conversa, o perfeccionismo é uma característica relacionada a algo que nem existe, que é a perfeição. Mas, na verdade, ele é mesmo um derivado do medo. É atrás dele que se esconde a nossa insegurança e o medo de estar vulnerável.

O perfeccionismo é o maior inimigo da sua liberdade.

ilustra: Mayra Arvizo

Agir de maneira tão dura consigo te mantém refém de um padrão de comportamento que não te faz bem. Além disso, ele te impede de se concentrar em tudo de bom que você já fez até aquele momento. Embora ninguém goste de cometer erros, precisamos aprender a aceitá-los e saber que isso não muda nosso valor ou nosso valor pessoal. Uma vez que podemos fazer isso, temos liberdade. Seja ela a liberdade de fazer o bem, a liberdade de bagunçar ou até mesmo a liberdade de aprender com tudo isso, sem permitir que os erros nos definam.

Quando somos perfeccionistas, só existe sucesso e fracasso, nada no meio.

Quer coisa mais cruel do que esse 8 ou 80? Ou a gente se cobra loucamente para ser a melhor, ou a gente se culpa loucamente por não ser tão boa quanto gostaríamos. Se existe um comportamento autodestrutivo, eu diria que é esse. E além disso, viver nesses extremos não nos permite criar espaço para aprender e crescer. E consequentemente, nós funcionamos puramente dentro de nossa zona de conforto e não desenvolvemos novas habilidades.

Por isso eu sou a favor de que façamos o possível para retirar esse tipo de palavra e comportamento das nossas vidas. E que possamos entender e mudar a maneira como enxergamos o perfeccionismo. Em vez de nos concentrarmos nele, que possamos nos concentrar em sermos o melhor que pudermos, entendendo que perfeição é uma ilusão.

0 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Relacionamento no dia 13.11.2019

Como ter amizades na idade adulta

Amizades podem surgir em qualquer lugar e em qualquer momento da vida. Porém, quanto mais velhas ficamos e mais compromissos vamos incluindo na nossa vida, as possibilidades de criarmos vínculos reais com as pessoas vai diminuindo. E a gente precisa admitir.

Nessas horas, sem dúvidas que a internet é uma excelente fonte de relacionamentos. Taí o nosso grupo do Papo Sobre Autoestima no Facebook para provar como muitas meninas encontraram amigas reais e que se tornaram pessoas importantes nas suas vidas. E mesmo assim, geralmente vemos muita gente tímida antes dos eventos que realizamos. Com medo de ir e não conhecer ninguém, ou não se enturmar.

A verdade é que todo mundo passa por isso.

Eu tenho certa facilidade e ainda estou no processo de fazer novas amizades no Canadá. A Carla tem mais dificuldade, mas precisou de novos amigos ao se mudar para os Estados Unidos. A Jô tem muita facilidade, mas mesmo assim ela se vê em momentos de insegurança em lugares que ela não conhece ninguém. O que prova que é algo que temos sim que dar atenção nas nossas vidas.

Por mais importante que a independência seja, amigos são não apenas boas companhias, mas também a nossa rede de apoio. Mas afinal, como se faz amigos num mundo onde os celulares parecem mais interessantes e nos falta tempo para investir em relações?

ilustra: Xuan Loc Xuan

Saiba aproveitar sua companhia

Ué, mas não era um texto sobre fazer amigos? Sim, mas saber ficar na própria companhia pode ser importante para ter amigos à sua volta. Quanto mais confortáveis ficamos com nós mesmas, melhor nos entendemos. E assim, podemos saber que tipo de amizade estamos procurando. Você pode descobrir, por exemplo, que não quer amigas para ir para a balada, mas as que topem um café num domingo pela manhã ou um passeio no parque. Ou que quer amigas que gostem de ir à shows, jogar videogame, debater um seriado e por aí vai. Isso a gente só sabe quando realmente se conhece e evita se empenhar em amizades que não vão pra frente depois.

Seja você mesma

Se você é tímida ou extrovertida. Se é basiquinha ou extravagante. Seja como você realmente é, da forma que você mais gosta de você mesma. As pessoas que escolhemos para nos cercar precisam gostar de nós do jeito que somos. Ninguém precisa mudar para fazer parte de um grupo, isso é receita pra não dar certo. Tenha toda certeza que gente boa atrai gente boa e você encontrará pessoas pelo caminho que gostam de você do jeito que você é. Deixe que te conheçam!

Saia da sua zona de conforto

Novamente isso pode parecer uma contradição com o que acabei de dizer, mas não é. Amigos não aparecem do nada. Até mesmo os amigos virtuais, é preciso fazer algum movimento. Seja entrar em um grupo ou de começar uma conversa. A mesma coisa na vida real. Se aproxime de alguém que você achou a energia boa, puxe conversa. É difícil se colocar vulnerável a ser rejeitado, mas é importante tentar! Aproximações de amizade podem ser mais fáceis do que vocês imaginam e podem render excelentes surpresas!

Gente interessada se torna interessante

Lembre-se que amizade é uma via de mão dupla. Queremos companhia, mas também precisamos oferecer a nossa. Não basta apenas falar sobre si, mas também se interessar pelo outro. Aliás, quanto mais você se interessa pelas pessoas, mais interessante você se torna.

Amizades tomam tempo

Eu sei que é difícil, mas é importante encontrar tempo para suas amizades. Você não precisa ligar todo dia para saber das amigas, mandar mil mensagens ou encontrar com elas toda semana. Mas dentro do seu tempo, do jeito que você achar confortável, encontre tempo para as suas amizades. Elas só crescem se a gente investir nelas.

E aí? Como você faz para driblar a dificuldade de fazer novas amizades?

1 em Autoconhecimento/ Relacionamento no dia 11.11.2019

O mês em que eu sai de casa.

Quem nos acompanha no instagram já leu alguns argumentos desse post, mas como sigo aprendendo com essa experiência, resolvi falar um pouco mais sobre tudo isso aqui no blog.

Até outro dia eu morava no meu antigo quarto, com “minha” linda vista verde, em uma casa que funcionava independentemente de mim. 25 anos olhando o céu na mesma janela, 33 na mesma rua, em diferentes endereços. Há duas semanas, tudo mudou. Ou melhor, eu me mudei. Então, esse post é sobre mudança. Ou mudanças, pois foi muito além de algo físico.

Sempre achei que um dia iria contar pra vocês que iria morar sozinha. Na minha cabeça esse post seria completamente diferente, não só porque achei que moraria sozinha, mas por achar que seria bem mais simples. As expectativas são mesmo diferentes da realidade, em todos os sentidos. Fiz muitos planos pensando no futuro apartamento, onde eu viveria feliz comigo mesma e sozinha viveria todos os processos. No fim, tudo isso está sendo bem diferente pra mim.

A vida prega peças, e hoje faz pouco mais de 3 semanas que Rodrigo e eu temos agora a nossa casa.

Foram quase 14 apartamentos visitados em 4 meses até acharmos nossa casa do futuro. Aliás, agora casa do presente. Procuramos em tudo quanto é site e aplicativo, mas no fim, alugamos um que estava debaixo do nosso nariz. Estamos bem certos de que essa mudança era algo necessário pra gente, mas conforme uma galera avisou: não é fácil no começo. 

Estamos nos adaptando à mudança.

Cada um foi criado de uma forma, já tem suas prioridades e maneiras de fazer as coisas. Cada pessoa tem seu jeito de se organizar dentro dos espaços e nem sempre é fácil unir essas duas vivências tão distintas. Mas com diálogo estamos tentando chegar na nossa maneira de levar uma vida compartilhada.

Pra mim, na minha vivência completamente pessoal, essa parte prática é chatinha, mas mais de boa. Com pequenos ajustes a gente está aprendendo junto e levando cada semana que passa de um jeitinho mais leve.

Enquanto isso, minha sala com o pouco que tenho chega pra dizer: aguardem, vocês me verão muito por aqui!

De toda essa mudança, diria que deixar meus pais sozinhos não foi a tarefa mais simples do mundo, emocionalmente falando. Abrir mão da sensação do lugar de filha e ser, a partir de agora, responsável por tudo é desafiador. Eles e eu vivíamos uma jornada emocional muito misturada. Sair dessa dinâmica para criar a minha tem sido impactante pra mim e pra eles. No entanto, com o passar das semanas começou a deixar de ser muito difícil e passou a ser até mesmo libertador.

Esse ano estou investindo muito tempo e dinheiro em mudanças em geral. Gastei muito na obra do escritório e agora vou fazer as coisas em outro ritmo. Então abraçar o processo de que minha casa apesar de espaçosa e bem distribuída ficará meio vazia e não decorada. Nós dois investimos em eletrodomésticos e produtos que poderiam nos ajudar a manter a casa com uma boa dose de autonomia e praticidade, ou seja, pra nossa sala a gente só comprou um sofá. Com o tempo quero aproveitar os espaços e deixar do meu jeitinho, mas tudo no seu tempo e com as prioridades.

Esse ano não tá fácil para minhas mudanças emocionais. Mas tem muita coisa incrível acontecendo. To tentando me equilibrar entre essas maravilhosas e as outras bem difíceis também. Afinal nenhuma vida se faz de um só extremo, abraçar uma política de positividade tóxica também não rola pra mim. To vivendo processos positivos e negativos, buscando equilibrar tudo isso da forma mais gostosa que consigo. Quero lidar com tudo isso com leveza, tranquilidade e humor, sempre que dá.

No fim, tenho poucas certezas nesse processo e to tentando não me apegar em nenhuma verdade, pois tudo está vivo em transformação. A única certeza que tenho é que por mais complexo que esteja sendo tudo isso, eu quero construir minha vida do lado dessa pessoa que eu tanto amo. O Rodrigo e o noivado são a parte mais sólida de tantas construções ainda voláteis que estou fazendo.

Aos poucos, no meu tempo, vou organizar o quarto da bagunça e preparar esse apartamento pra ter a nossa carinha. No nosso tempo, sem pressa ou sem precisar provar nada pra ninguém.

Estou aprendendo muitas coisas pela primeira vez. Desde que voltei da Noruega ano passado, autonomia ganhou um peso muito forte na minha rotina. Tem sido assim esse momento de aprendizados, buscando juntos dar conta do todo. Fazer TUDO sozinhos pela primeira vez prega peças no nosso emocional, por mais conscientes que estejamos de vários privilégios que nós temos. Essa foi uma mudança completa, mas planejada e organizada. Nos preparamos financeiramente pra ela, mas talvez não exista preparo emocional suficiente quando sua vida muda tanto de uma hora pra outra. Tudo isso nos convida ao autoconhecimento. Sinto que virão reflexões por aí, nas redes e nos eventos.

Vocês se interessam pelo tema?