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Autoestima

0 em Autoestima/ Relacionamento no dia 09.09.2019

Eu não quero mais dizer “tá tudo bem” quando não está

“Tá tudo bem”. Eu já disse isso um milhão de vezes. Se eu for pensar bem, terei que admitir que eu nem sempre digo o que gostaria de dizer. Mesmo quando as coisas não vão bem, me parece mais fácil apenas dizer isso do que encarar que as coisas não estão indo como o esperado.

É bem comum que a minha primeira reação seja dizer “Tá tudo bem”. Mesmo quando estou bufando de raiva ou indignação.

Vemos por aí milhões de piadas (quase sempre bem babacas) com uma mulher claramente puta dizendo “tá tudo bem”. Essas piadas existem porque há uma verdade óbvia para elas. Mas acho que isso realmente levanta a questão: por quê a gente não diz o que realmente queremos dizer?

Quem nunca se deparou com uma piada dessas?

Fico aqui pensando nesses motivos, e acho que isso pode estar diretamente ligado ao fato de que as mulheres não podem ser uma fonte de problemas para o homem. Passamos uma vida ouvindo que a mulher legal é aquela que sempre diz que tá tudo bem, mesmo quando o cara chega em casa 3h da manhã dizendo que voltaria cedo. Ou quando não reclama do cara que larga todas as suas coisas pela casa, e por aí vai.

A mulher que se impõe e deixa claro suas insatisfações é sempre a maluca, a controladora, a mandona.

Precisamos parar de perpetuar essa imagem da garota legal que aceita tudo calada e que engole seus sentimentos (junto com mil sapos) para não desagradar ninguém. O “tá tudo bem”, nessa situação, só beneficia quem ouve mesmo. Nunca quem está falando. Percebam.

Não, eu não quero dizer que você deve descarregar todos os seus problemas no colega de trabalho que casualmente pergunta como você está quando passa por você no corredor. Eu quero dizer que você deveria parar de deixar de lado suas emoções como estúpidas ou inválidas. As pessoas que se importam com você não querem (ou não deveriam querer) saber de você apenas quando tá tudo bem.

E se formos pensar, é bem chato uma vida em que sempre “tá tudo bem”. Onde não há dúvidas, questionamentos ou desafios também não há a menor emoção. Não existe nenhum crescimento. Além disso, esconder nossas emoções pode nos fazer parecer felizes, mas não nos faz mais felizes de fato.

Da próxima vez que estiver chateada e estiver prestes a mandar um “tá tudo bem”, vamos parar para pensar primeiro. Não vamos mentir só porque achamos que é isso que as pessoas querem ouvir.

Eu quero ser uma mulher que sente coisas. Eu quero ser uma mulher que tenha voz e não tenha medo de usá-la. Se isso me faz parecer louca, bem, que seja.

0 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque no dia 29.08.2019

A “melhor fase da vida”. Por quê precisa ser apenas uma fase?

A gente ouve com frequência a expressão “a melhor fase da vida”. É muito comum em depoimentos de viradas de décadas. Seja na passagem para os 20, 30, 40, 50, etc, anos. Mas também pode vir como conselho para determinar alguma experiência marcante: entrada na faculdade, casamento, anúncio de gravidez, etc. Ou então essa ideia pode vir de nós mesmas, numa fantasia de que se conquistarmos ou fizermos algo, viveremos a melhor fase das nossas vidas. E ainda tem quem lamenta por já ter vivido a melhor fase da vida, como se a oportunidade já tivesse passado.

Mas, me diga: o que seria essa tal “melhor fase da vida”?

Eu tenho certeza que cada pessoa vai responder de um jeito. Para uns é uma determinada faixa de idade. Para outros, esse conceito estará atrelado a conquistas. Para muitos, infelizmente, a uma forma física, peso ou alguma questão estética. 

Mas essa coisa de criar essa tal “melhor fase da vida” limita um bocado, não acha? Aliás, essa ideia de que apenas um período da nossa vida é o melhor me parece tão triste! E também me parece cruel criar uma condição para a felicidade, seja ela qual for. 

Ao longo da vida, mesmo no meio de fases muito felizes, podemos experimentar tristezas. As coisas até podem estar em perfeita harmonia em todos os aspectos, mas sempre vai ter algo que em algum momento vai desandar e isso é normal. Faz parte da vida e da nossa total falta de controle sobre ela. Então, por quê alimentar expectativas alheias sobre momentos específicos? Ou se prender à ideia de que a melhor fase da vida é algo tão definido e tão passageiro?

E se você limita essa tal fase a uma questão estética, é mais cruel ainda. Porque o nosso corpo vai mudar. Nossa aparência também. E associar a tal “melhor fase da vida” a apenas um corpo é algo muito efêmero, que nos prende em uma caixinha bem cruel. Onde olhamos para trás com saudosismo da aparência que não mais temos e não conseguimos enxergar tudo de bom que nos acontece agora.

Queria sugerir que você tirasse essa frase e esse conceito da sua vida.

Ter uma fase feliz ou até mesmo um bom dia depende apenas de nós e da forma como enxergamos as coisas. Não se prenda a ideias inatingíveis de felicidada. Ou a padrões. Você pode escolher ter momentos felizes todos os dias, não importa como você se pareça ou como tenha escolhido viver. Desde que você esteja em paz com as suas escolhas, é isso que eu chamo de “melhor fase da vida”.

0 em Autoestima/ Book do dia/ Comportamento/ Destaque no dia 27.08.2019

Comunicação não violenta não é sinônimo de passividade

Eu sou uma pessoa muito direta e prática. E ser assim, como ser de qualquer outro jeito, tem seu lado bom e ruim. A parte boa é que as coisas na minha vida se resolvem mais rapidamente. Eu deixo bem claro as minhas intenções e não tem muito espaço para má interpretações. A ruim é que, muitas vezes, eu sou percebida pelos outros como uma pessoa grossa.

Passei um bom tempo achando que isso é um problema de quem ouve, e não meu. Afinal de contas, eu sei a intenção que usei ao falar, e acabava indo para o mantra do “eu sou responsável pelo que digo, não pelo que você entende”. Mas a verdade é que a gente precisa ser responsável pela maneira que os outros entendem o que dizemos, sim. E isso resolve a vida e muda relações.

Nessa jornada, repensando muito, cheguei a um dos clássicos da comunicação com empatia e queria dividir com vocês. O livro se chama “Comunicação Não Violenta”, do PhD Marshall Rosenberg. Eu sei que não estou indicando nenhuma novidade. Aliás, eu confesso que achava relevante, mas não dava muita bola. Até que finalmente li o livro.

Para comprar o livro físico ou e-book é só clicar aqui.

No grupo do Papo Sobre Autoestima no Facebook, acontece de algumas leitoras pedirem ajuda para terem conversas difíceis. Muitas estão à procura de aprender a escutar de maneira ativa. E, nessas horas, os métodos da CNV sempre estão presentes por lá. Até mesmo com pessoas que nunca leram o livro, mas estão dispostas a exercitar a empatia.

Muitas vezes é difícil mesmo baixar a guarda, especialmente quando o outro chega de maneira mais agressiva.

A questão é que muitos discursos encarados como agressivos acontecem por causa da invisibilização dos mesmos. E a culpa não é da falha de comunicação desses grupos, e sim de estruturas cheias de preconceito da sociedade. Enxergar isso nos permite a exercer uma escuta ativa, sem levar para o pessoal. E permite que a comunicação aconteça com menos falhas.

Veja bem, Comunicação não Violenta não é um livro que te ensina a ter sempre razão. Mas ele definitivamente te faz repensar a forma como duas pessoas podem se ajudar mutuamente.

Outra coisa que eu achei muito importante foi perceber que exercitar uma comunicação não violenta não é sinônimo de ser passiva. A gente não tá aqui pra ficar engolindo sapo, mas até mesmo para que isso não aconteça esta forma de se comunicar é eficiente.

É claro que se comunicar de forma não violenta é um processo. Leva tempo, prática e temos que ficar atentas a todas as oportunidades que aparecem para que possamos praticá-la até que se torne algo natural em nós. Mas, acredite, as oportunidades são inúmeras em qualquer tipo de conversa que você tenha. E o quanto a gente aprende no momento que nos permitimos ouvir e trocar, é o mais valioso. Virei fã, me juntei ao coro e agora venho aqui indicar essa leitura!