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Autoestima

0 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque no dia 06.06.2019

Como receber críticas e driblar a autosabotagem que existe em nós?

Receber críticas nunca é uma coisa fácil. Por mais preparada que a gente esteja, nem sempre é fácil assimilar tal informação. Você já recebeu algum comentário que te fez questionar toda a sua capacidade? Eu já. Na semana passada, inclusive. Recebi um feedback que caiu super mal.

Por mais que eu tenha me habituado a receber críticas, dessa vez eu entendi o motivo do gosto amargo de ter que engolir aquela opinião. A outra pessoa tinha total razão. No momento que ela falou, fez todo o sentido.

Mas o fato da gente ter consciência das coisas não impede a gente de sentir, né? Pois bem, por mais que eu saiba receber críticas, não teve como evitar.

ilustra: @gebelia

Eu senti. Muito. Senti tanto que cheguei ao ponto de questionar todas as minhas habilidades e meu potencial.

Como pode? Uma única frase foi capaz de derrubar a certeza de tantos anos de trabalho. Foi como se tudo o que aprendi e evoluí até aqui tivesse escorrido pelas minhas mãos. E aquela frase, ecoando na minha cabeça, até que eu conseguisse absorver a crítica e tentar entender o que poderia ser mudado.

Antes de tudo, eu tinha uma vantagem. A primeira e mais importante ficha tinha caído: admitir que a outra pessoa tinha razão. Nem sempre é assim. Ao receber críticas, tem vezes que essa sensação de inconformismo não vai embora. E fazer essa autoanálise é fundamental para resolvermos isso dentro da gente. Admitir nossos pontos fracos também.

Logo depois, precisei me lembrar tudo o que tenho feito de bom e correto. Foi assim que consegui resgatar dentro de mim que eu não sou um fracasso completo. Pelo contrário, tenho muitas qualidades, faço muitas coisas bem feitas.

E elas não perdem o valor porque eu algum momento eu tive que receber críticas que apontaram que falhei em determinado aspecto.

E enfim, me perdoei. Essa talvez seja a parte mais difícil ao receber críticas. Não deveria ser assim. A gente fala tanto em ter carinho com a gente mesma, em nos respeitarmos, em nos olharmos com mais amorosidade, mas se não ficarmos atentas, acabamos sendo nossa maior e pior sabotadora. Levou alguns dias, mas fui capaz de receber críticas, absorvê-las e me perdoar.

E assim, consegui seguir em frente, com a lição aprendida. E tentando ficar atenta para, caso aconteça isso novamente, eu nunca mais me sentir dessa maneira.

1 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 04.06.2019

Esse é um guia rápido para escapar de perguntas intrusivas

Imagina você, no meio de uma conversa normal e tranquila. Até que um amigo ou membro da família bem-intencionado começa a te bombardear de perguntas intrusivas. Isso é, perguntas excessivamente pessoais sobre seus relacionamentos, carreira, finanças ou saúde. E você se vê ali, desconfortável, tentando impor limites sem parecer grosseira.

Todos nós já estivemos nessa situação. E é difícil decidir no calor do momento como reagir à perguntas intrusivas.

ilustra: Malika Favre

Por mais que sejamos francas e tenhamos maturidade para lidar abertamente sobre alguns assuntos que trabalhamos dentro da gente, é normal que tenhamos alguns sentimentos diante dessas perguntas enxeridas. Pode ser raiva, frustração. Podemos ficar na defensiva. E quero dividir com vocês três estratégias rápidas para sair dessas sinucas de bico. E manter a sua privacidade intacta.

1. Mude o foco

Parece óbvio, mas nem sempre essa opção aparece tão clara na nossa mente. Mas uma vez que aprendemos a fazer isso, fica muito mais fácil.

Por exemplo, quando alguém faz uma pergunta intrusiva a respeito do seu corpo ou do que você está comendo. Você não precisa responder, se não quiser. Ou se estiver em um processo complicado.

Mude de assunto descaradamente. Não precisa fazer sentido nessas horas. Um “Você viu a nova temporada daquele seriado que tá todo mundo falando?”. Ou “Ah, vamos falar de outra coisa, estou lendo um livro tão bom que eu queria te indicar”. Ou ainda, vire o interesse para quem perguntou e faça alguma pergunta pessoal para ela e pronto. Mude o foco, saia do assunto.

A questão é que você não precisa participar de uma conversa que o faça se sentir exposta, desarmada ou desconfortável. Você tem autonomia para educadamente mudar de assunto sempre que quiser.

2. Fique em silêncio

Essa é uma saída muito boa quando te fazem perguntas muito delicadas, como, por exemplo, se você terminou um relacionamento. Ou como você se sente após algum acontecimento traumático.

Se acontecer aquele comentário: “Poxa, soube que você foi demitida”, diga apenas um ligeiro “Fui”, e siga em silêncio. Sei que vai ter quem ainda tente falar depois disso, mas em geral essa pausa e o silêncio criam o “climão”necessário pra que ninguém mais fale no assunto.

Você não é obrigada a ficar falando sobre assuntos que ainda doem.

3. Imponha limites

Não é fácil. Na verdade, sendo muito sincera, é bem difícil lembrar a outra pessoa onde o limite dela começa. Mas infelizmente acontece. E impor limites é importante, além de necessário.

É bem difícil não sucumbir a vontade de ser grosseira e indelicada, como uma forma de resposta à uma pergunta intrusiva. Mas dá para impor limites de uma forma educada, e que certamente fará mais efeito do que causando atrito.

Quando surgir a questão, seja clara: “Prefiro não falar sobre isso”. E tem a versão estendida e mais educada: “Obrigada por se preocupar, mas não há necessidade”. Ou ainda: “Isso é um pouco pessoal, podemos alar sobre outra coisa?”.

Você não está ofendendo ninguém simplesmente olhando para si mesma. E, provavelmente, sabe quando uma conversa trará mais mal do que bem ao seu estado mental ou emocional.

Colocar essas dicas em prática pode ser um pouco difícil ou desconfortável no começo, mas vale a pena! E com o tempo, você se sente mais forte para fazer isso naturalmente diante de perguntas intrometidas.

Como você lida com comentários ou perguntas intrusivas? O que funcionou bem e o que não funcionou?

1 em Autoestima/ Destaque/ maternidade/ Saúde no dia 03.06.2019

Um papo sobre violência obstétrica e parto humanizado

Você já ouviu falar em violência obstétrica? Sabe o que é? Saberia dizer se você foi vítima dessa forma de violência?

A Fundação Perseu Abramo divulgou em 2010 que uma a cada quatro mulheres relatam ter vivido uma situação de violência obstétrica. Além desses relatos, podemos contabilizar mulheres que vivenciaram alguma forma de violência obstétrica, mas não sabem ou não se sentem confortáveis em fazer o relato. Com isso, a estimativa é de que essa estatística seja bem maior. 

Ao longo dos anos, as práticas da equipe de saúde durante o parto foram mudando. Antigamente os partos aconteciam em domicilio e eram assistidos por parteiras tradicionais, freiras, enfermeiras, etc. (Aproveito aqui para indicar a série “Call the Midwife”, que retrata bem esse processo). A mulher ia para o hospital ou o médico era chamado apenas em casos que o parto complicava ou em gestações que apresentavam algum risco. Em geral, os médicos eram chamados para intervir.

Acontece que, com as mudanças sociais ao longo dos anos, as intervenções foram se tornando cômodas e cada vez mais frequentes. Mesmo quando não são necessárias. As mulheres entraram no mercado de trabalho. A maternidade foi dividindo espaço com outras funções. Aprendemos que “tempo é dinheiro” e que dor é sinônimo de sofrimento. A cobrança por imediatismo e alta produtividade tomaram dimensão. E, com isso, a forma tradicional de parir foi perdendo espaço. 

Quando pensamos no parto dentro do contexto social que vivemos hoje, se torna muito difícil para que, tanto a mulher quanto à equipe de saúde, se preparem para toda imprevisibilidade que um trabalho de parto espontâneo e natural propõe. Alguns exemplos de momentos que não temos nenhum controle sobre:

 – Você não sabe quando vai começar:  Pode ser no meio de uma noite de sono tranquila. Durante um passeio no shopping. Na casa da sogra, na madrugada, no trânsito às cinco da tarde, no meio da DR do casal!

Você não sabe quanto tempo vai durar: 3 horas? 12h? 20h?

O trabalho de parto representa para nós, mulheres, um rito de passagem importante. Além disso, é um momento carregado de simbologias, de vulnerabilidade, de sexualidade.

Nos colocamos nuas, expostas, abertas, entregues… A quem?

É um rito que nos coloca em contato com a nossa força e nossa fraqueza. Com o nosso melhor e o nosso pior. Dá medo, insegurança, ansiedade e, ao mesmo tempo, uma força que a gente não sabe de onde vem. Muitas de nós não estamos prontas para entrar em contato com isso. É vida e morte. O quanto de nós vai embora quando o bebê chega? A mulher, a filha, a esposa, a profissional, a amiga. A autonomia, a liberdade, o autocuidado. A mãe que quero ser, será que consigo?

É dentro desse looping de emoções que a responsabilidade das nossas decisões vai parar nas mãos de outra pessoa. Muitas vezes nas mãos da equipe médica. Para você, o seu primeiro parto. Para a equipe, muitas vezes “só mais um”. E é aí, nessa linha tênue, que a violência obstétrica acontece. De um lado, nós, cheias de expectativas, com medo, ansiosas e muitas vezes inseguras frente a uma realidade desconhecida. Do outro, a equipe ensinada a intervir. Com condições de trabalho muitas vezes insalubres, alta demanda de trabalho, medo de assumir um risco desconhecido.

No último mês, o Ministério da Saúde publicou um despacho que acompanha o Conselho Federal de Medicina. Nele, é dito que o termo “violência obstétrica” não deve ser usado de forma indiscriminada. Deve ser evitado ou até mesmo abolido em documentos públicos.

Esse movimento causou intensas discussões nas redes sociais. Esse despacho tenta mascarar uma realidade presente em grande escala no Brasil. Principalmente nos serviços públicos de saúde, com população de baixa renda. E, sobretudo com mulheres negras (estudos mais recentes apontam que mulheres negras sofrem mais violência obstétrica do que mulheres brancas).   

Um dos aspectos mais marcantes de práticas obstétricas no Brasil é a tendência a acelerar o trabalho de parto, desencadeando um total desrespeito à autonomia das mulheres. Os cuidados obstétricos acabam sendo centrados nas decisões do médico, desrespeitando a dinâmica do corpo feminino. As tentativas de controlar o tempo e reduzir a duração do parto explicam o uso excessivo de intervenções, incluindo cesarianas.

Para exemplificar, a taxa de cesárea no Brasil é a mais alta do mundo. Sendo em média 55% no sistema público de saúde e acima de 90% nos hospitais particulares/convênios. O recomendado pela OMS fica em torno de 10 a 15% de casos em que a cirurgia de fato é indicada. Em São Paulo é possível perceber aumento do número de cirurgias em vésperas de feriados (Natal, Dia de finados, Ano Novo) bem como diminuição aos domingos. O que sugere uma conveniência médica na escolha das datas.   

Esse processo começa no pré-natal, quando as mulheres não são informadas sobre as melhores práticas, os benefícios do parto normal e assistência obstétrica adequada. E continua durante o trabalho de parto. 

Esse tipo de violência é caracterizada pela apropriação o corpo e dos processos reprodutivos das mulheres. Ou seja, de sua saúde sexual e reprodutiva. O que faz com que a gente comece a pensar na violência obstétrica também com a perspectiva de violência de gênero.

As intervenções mais usadas como rotina no Brasil, apesar de não terem evidências médicas para essa prática são: 

  • Episiotomia (corte no períneo): foi observada em mais de 50% das mulheres de baixo risco que passaram por um parto normal. E quase 75% dos nascimentos de primeiro filho(a). No Brasil, a episiotomia é a única cirurgia feita sem o consentimento da mulher e sem que ela seja informada sobre suas indicações e contraindicações. As taxas de episiotomia recomendadas pela OMS estão entre 10 e 30%. 
  • Posição Litotômica (deitada): apesar dos benefícios da posição vertical (em pé/de cócoras) para a mãe e para o bebê, a posição litotômica foi utilizada em 90% das mulheres de baixo risco. Apesar do desconforto para a mãe e da inadequação pelas leis da natureza (lei da gravidade), essa posição facilita a intervenção médica. Por este motivo, é utilizada como rotina. 
  • Gotejamento de ocitocina, “dilatação” e ruptura artificial de membrana amniótica (bolsa): são procedimentos utilizados para acelerar o trabalho de parto. Ambas as intervenções foram realizadas em cerca de 40% das mulheres de baixo risco. Esses procedimentos são dolorosos, causam grande desconforto e, frequentemente, são realizados sem consentimento ou esclarecimento da paciente. O uso desses métodos faz parte do conceito de “gestão ativa de trabalho” para reduzir a duração do trabalho e a taxa de parto cirúrgico. Contrariando essa idéia, os dados estatísticos mostram que as mulheres que se submetem à indução do parto têm maiores taxas de cesariana do que aquelas que experimentam trabalho de parto espontâneo. 
  • Manobra de Kristeller: é realizada com as duas mãos, braços ou o corpo do profissional de saúde, empurrando a barriga da mulher para baixo. Além de essa manobra ter sido desenvolvida sem fundamentação científica, estudos atuais mostram graves complicações resultantes dessa prática. Alguns deles são deslocamento da placenta, trauma das vísceras abdominais e do útero, fraturas de ossos, etc.

Quanto à violência obstétrica relacionada ao tratamento desumano dos profissionais e técnicos, pesquisas recentes assinalam as seguintes recorrências:

  • Tratar uma mulher em trabalho de parto de maneira a fazê-la se sentir inadequada, humilhada, inferiorizada, incapaz. Sentimentos como esses podem ser provocados por meio de falas como: “se não ficar quieta vou te furar todinha”, “na hora de fazer não gritou, né?”; “se gritar não te atendo” etc. Mais exemplos podem ser encontrados através da campanha feita pela Revista Época chamada #partocomrespeito.
  • Impedir ou dificultar que a mulher tenha um acompanhante durante todo o seu parto e trabalho de parto. Esse direito, apesar de ser frequentemente negado, é resguardado pela Lei 11.108, de 07 de abril de 2005. Também chamada Lei do Acompanhante, garante à mulher a presença de um acompanhante de sua livre escolha durante o trabalho de parto, parto e no pós-parto.
  • Exigir que a mulher se submeta a procedimentos desnecessários e, muitas vezes dolorosos, Procedimentos que vão desde raspar os pelos pubianos, até realizar lavagem intestinal e receber exames de toque de vários profissionais diferentes sem seu consentimento prévio, manter-se em posição ginecológica com portas abertas, etc;
  • Discriminar ou ridicularizar a mulher por alguma característica ou condição pessoal. Alguns exemplos são evacuar durante o parto, ser obesa, ter pelos ou estrias. Ter muitos filhos, não ter realizado pré-natal, ter tentado ou realizado aborto, ter tentado parir em casa, ser jovem, etc.

Com a intenção de diminuir os índices de violência obstétrica e de proporcionar mais respeito e acolhimento durante a gestação, parto e pós-parto, desde os anos 70/80 existe uma série de discussões sobre as práticas obstétricas.

Elas são conhecidas hoje como Movimento de Humanização da Assistência ao Parto. O conceito de atenção humanizada é muito amplo. No que diz respeito à humanização do parto e do nascimento, podemos entender que tal conceito envolve um conjunto de conhecimentos, práticas e atitudes que têm como objetivo:

  • A promoção do parto e do nascimento saudáveis; 
  • A prevenção da mortalidade materna e perinatal; 
  • A valorização da capacidade de expressão dos desejos, medos e vontades da mulher diante o processo de parto;
  • Os cuidados imediatos com o recém-nascido;
  • Condutas profissionais benéficas para a mulher e o bebê, que evitem as intervenções desnecessárias de forma a garantir a preservação de sua privacidade e autoestima. 

Além disso, a humanização do nascimento envolve o entendimento de que o parto é um evento que tem a dupla mãe-bebê como protagonista, e não a equipe de saúde.

Essa equipe, que, em um momento de tamanha importância e repleto de significados que é o parto-nascimento, deve se colocar ao lado da mulher e da família em uma posição de quem escuta e apoia. Aproveito para ressaltar aqui que humanização do parto não define via de parto.Ao considerar a humanização relacionada ao parto, alguns cuidados merecem especial consideração:

A mulher e o bebê devem ser os protagonistas:

Toda a estrutura de assistência deve estar voltada a tornar aquela experiência positiva para todos os envolvidos. Isso é, a mulher, o bebê e a família. A equipe deve ocupar-se da saúde emocional e física da mãe, mantendo uma boa comunicação, esclarecendo angústias e questionamentos. Tudo com linguagem acessível e tranquilidade na voz. 

Acolhimento e cuidado:

Os profissionais devem estar preparados para respeitar as diferenças culturais e de crenças que envolvem o período da gravidez, do nascimento e da maternidade. A atenção deve ser sempre individualizada, acatando essas diferenças e, sempre que possível, ir ao encontro dessas expectativas. Os motivos da adoção de qualquer procedimento devem ser esclarecidos à mulher, para que ela entenda a necessidade e a contribuição dessa medida para seu bem-estar e de seu bebê.

Empoderamento da mulher para o trabalho de parto e parto:

A mulher deve ser sempre chamada pelo seu primeiro nome, ou por um apelido de sua escolha. Expressões como “mãezinha”, “dona Maria”, “minha filha”, entre outras amplamente divulgadas em entrevistas com mulheres, devem ser evitadas. A equipe deve buscar a todo momento encorajar a gestante para aquele momento. Mostrar que ela é capaz de vivê-lo e validar suas escolhas. Atitudes e palavras agressivas, mesmo que apresentadas de forma sutil, devem ser eliminadas da atenção ao parto. Assim como julgamentos e censura à mulher devem ser evitados.  

Inclusão da mulher na tomada de decisões:

A todo o instante a equipe deve buscar valorizar a mulher e suas sensações. Fortalecer sua dignidade e buscar aumentar sua autoestima. Encorajar sua participação ativa no planejamento do seu parto e no cuidado da sua saúde e de seu bebê. Além de ter clareza de todo o processo, ela deve estar ciente de que seus desejos e opiniões serão considerados e respeitados, desde que não envolva riscos para a ela e para o seu bebê. Caso sua posição gere riscos, esses deverão ser claramente apresentados a mulher pela equipe, baseados no compromisso ético com a verdade. 

Concepção da gravidez e do nascimento como processos saudáveis e fisiológicos:

Indicações atuais da Organização Mundial de Saúde e do Ministério da Saúde envolvem, durante o trabalho de parto, o fornecimento de bebidas, a adoção da posição vertical ou liberdade de movimento e o uso de métodos não-farmacológicos para aliviar a dor (massagem, chuveiro, água morna). Essas técnicas são acessíveis e de baixo custo, podendo ser fornecidas tanto nos serviços de saúde públicos quanto privados.O parto, por sua própria natureza acarreta riscos potenciais para a gestante e seu bebê, independentemente da via de realização. O parto normal com assistência adequada traz inúmeros benefícios para a mãe e o bebê. Ajuda na formação da identidade materna, facilita a recuperação pós-parto, os hormônios favorecem a amamentação e proteção do cérebro do bebê, etc. Nos partos de alto risco, a cirurgia cesariana pode ser muito bem indicada e usada para salvar vidas, porém nos partos de risco habitual, pode representar uma chance até quatro vezes maior de mortalidade ou complicações.

A gravidez é um processo natural do universo feminino.A forma como o parto acontece é considerado uma característica cultural em que os valores sociais são reproduzidos. Assim, não podemos discutir assistência obstétrica sem considerar que vivemos em uma sociedade em que o machismo e o racismo ainda são muito presentes.

A população não é preparada com educação em saúde, ainda existe preconceito com os cuidados em saúde mental, há super valorização da função do médico. Além disso, não podemos nos esquecer da tecnologia, sobretudo da internet. Hoje não precisamos lidar com processos, está tudo à mão. Bastam dois cliques e uma série de informações aparece na nossa frente sem que a gente saiba de onde vêm e a qualidade daquilo que recebemos. 

Com isso, é importante que a gente se informe, que a gente questione as imposições. É válido que a gente busque caminhos que favoreçam nossa autonomia, que a gente lute pelos nossos direitos bem como lutar pelos diretos da mulher que está ao nosso lado, mas que muitas vezes não tem condição para tal.

Violência Obstétrica é real e muito mais freqüente do que a gente possa imaginar. Por vezes é sutil, está nos detalhes… por outras, é escancarada ali, de baixo dos nossos olhos! É violência contra a mulher, ainda pior com mulheres de baixa renda e mulheres negras. 

“Enquanto viver, uma mulher se lembrará de como a fizeram se sentir durante o nascimento de seus filhos” (Anna Verwaal). Que a gente possa, de alguma forma, ser instrumento de uma lembrança de amor e não de dor. 

Links úteis:

Artemis: ONG que luta pela autonomia feminina e prevenção da violência contra a mulher.

Cartilha da defensoria pública de SP com instruções sobre violência obstétrica

Manual de apoio à vítima de violência obstétrica (pela OAB)