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Autoestima

0 em Autoestima/ Destaque no dia 13.02.2019

Selfie Harm, um projeto sobre imagem nas redes sociais para se refletir

Dia desses assisti um documentário chamado “Social Animals”. Ele aborda como os adolescentes têm utilizado as redes sociais, e como estão lidando com as consequências desse uso. Achei que o filme abordou vários pontos interessantes: os impulsos para conseguir números, a forma que as fofocas se espalham e suas consequências, a ansiedade trazida pelos comentários, entre outras coisas.

Mas deixou uma coisa muito importante de fora, ou pouco explorada: como as adolescentes lidam com auto imagem nas redes sociais.

Por isso, achei muito bacana ter cruzado com o projeto Selfie Harm, feito pelo fotógrafo Rankin. Ele tirou foto de 15 meninas de 14 a 19 anos e pediu para elas editarem suas próprias fotos de forma que elas ficassem ideais para serem usadas nas redes sociais.

Sua principal motivação para criar o projeto Selfie Harm foi a facilidade de modificações que temos hoje ao alcance de nossos dedos. O nome é um trocadilho com a palavra self harm, que nada mais é do que o ato de se fazer mal. O fotógrafo inglês quis se questionar como a facilidade de editar as próprias fotos age na cabeça de adolescentes que vivem nas redes sociais.

O que não falta é aplicativo de edição focado em auto imagem. Há uns meses, inclusive, eu descobri que um desses aplicativos está com uma nova versão que permite que você mude o tamanho dos seus olhos, da sua boca, do seu nariz e ainda alise sua pele em tempo real. Sim, você consegue fazer essas modificações todas em vídeo. É assustador.

Não é à toa que hoje em dia existe uma enorme demanda por procedimentos estéticos no rosto.

Não me surpreendeu o resultado desse projeto Selfie Harm.

A maior parte fez basicamente as mesmas mudanças que eu consegui fazer em segundos no vídeo que eu postei acima. Olhos maiores, nariz mais finos, queixo mais pontudo, boca mais carnuda.

Notei que a única adolescente negra que participou dessa experiência foi a que menos fez modificações em seus traços. Confesso que em um primeiro momento eu achei que isso tivesse a ver com o fato que mulheres negras estão se empoderando e passando isso para suas filhas.

Mas conversando com a Maraisa, acabei descobrindo que faz sentido, mas o buraco é muito mais embaixo. Segundo a Mara, o motivo dela ter alterado pouco pode ter a ver com o fato que mulheres negras têm tantas outras pautas mais urgentes para se preocupar que não faz sentido perder tempo alterando traços que, na verdade, nunca a farão entrar no padrão de beleza. Enquanto adolescentes negras, já preteridas, se preocupam com a inserção na sociedade, adolescentes brancas estão preocupadas com o corpo.

E eu sei que parece tentador demais utilizar esses recursos. É tão acessível, tão fácil, tão intuitivo, tão tentador. Com poucos cliques você pode virar uma pessoa diferente! Mas a que preço?

Outro dia eu estava revendo umas fotos antigas que eu postei e me peguei olhando para meus braços. “Eles eram mais finos, né?”, “poxa, como eu tava magra aqui”. Até que uma hora me caiu a ficha que eu editava todas aquelas fotos. Não era muita coisa, mas era o suficiente para eu notar uma diferença ao comparar com hoje em dia. Imagina….há 4 anos eu pensava que essas pequenas modificações só para a gente “se sentir bem” eram o equivalente a uma maquiagem.

Mal sabia eu que o buraco podia ser tão mais embaixo.

Curioso pensar que quando uma blogueira é pega num fundo super distorcido de uma edição mal feita, as pessoas se sentem enganadas. Mas, na verdade, a maior enganada é a pessoa que faz isso. Porque, dependendo do grau de modificação que ela faça para postar, no fim do dia ela estará olhando para a sua real versão no espelho. E essa versão não poderá ser modificada tão facilmente. Esse preço a se pagar não me parece baixo.

A boa notícia do projeto Selfie Harm é que, segundo o fotógrafo, a maior parte das adolescentes preferiram suas fotos sem retoques. Talvez essa geração de mulheres esteja mais bem resolvida com sua própria imagem do que a nossa.

0 em Autoestima/ Destaque no dia 12.02.2019

Grammy 2019 e o discurso sobre acreditar em si mesma

Vamos falar sobre poder? Aconteceu No último domingo (10/02), nos Estados Unidos, o Grammy, a maior premiação da música. Foi uma festa e tanto. Alicia Keys voltou a ser a única mulher apresentando o evento depois de um intervalo de 14 anos. E foi, sim, uma noite marcada pelas mulheres. No Grammy 2019 tivemos: artista do ano, Dua Lipa; álbum do ano, Kacey Musgraves; a apresentação de Janelle Monae; Lady Gaga com Shallow; Cardi b. e seus money moves; J.Lo arrasando num especial da Motown; Diana Ross, mais musa do que nunca, comemorando seus 75 anos no palco.

Alguma dúvida de quem está mandando muito bem na indústria musical? 

Ainda com todas essas provas mais do que óbvias, houve um momento sobre o qual precisamos falar. Alicia, logo no começo da apresentação, convidou para subir no palco uma seleção e tanto de mulheres: J.Lo, Lady Gaga, Jada Pinkett Smith e Michelle Obama. Que squad!

Do instagram da @michelleobama

Pensa num time dos sonhos que você quer ser amiga? Esse sem dúvida seria um dos que eu adoraria participar. Juntas, elas falaram sobre o poder da música nas suas vidas e deram start nos diálogos do Grammy 2019.

Lady Gaga disse algo que a gente já espera desse tipo de indústria: “Eles me disseram que eu era estranha… E a música me disse para não ouvi-los”. E J.Lo disse que no meio da vida no Bronx, a música “fez com que eu me movesse do meu espaço para grandes palcos e para telas ainda maiores”. E depois que a fama chegou, a música estava sempre ali, lembrando de onde ela veio, mas mostrando todos os outros lugares que ela poderia estar.

O que Michelle Obama estava fazendo ali? Ela basicamente fechou com chave de ouro: “A música nos ajuda a mostrar nossa dignidade e tristezas, esperanças e alegrias. A música nos permite escutar uns aos outros, e chamá-las para dentro de nós”, disse Michelle.

Mas não vim aqui para falar sobre música e seu poder de união. Vim aqui para chamar atenção sobre algo que essas 4 mulheres que subiram ao palco têm em comum. Mas não só entre elas, com todas nós.

Esse discurso que iniciou o Grammy 2019 não era bem sobre música. Era sobre dúvidas e inseguranças.

Ouviram incontáveis nãos. Críticas, que na indústria em que estão, podem ser bem duras. O tempo inteiro estão sendo avaliadas. Seja pela sua habilidade vocal e musical. Seja pelo seu talento. Mas o talento não é suficiente, então elas também precisam mostrar que têm uma aparência interessante, um estilo único. Sem sombra de dúvidas, independente do caminho que cada uma trilhou, se elas chegaram nesse Grammy 2019, cada uma com sua história de sucesso, foi porque elas acreditaram nelas mesmas. Independente do que ouviram.

Todas nós em algum momento fomos desacreditadas por alguém ou por alguma situação. Ouvimos nãos pelo caminho. Mas o que faz a diferença entre quem chega na sua realização (o que nem sempre envolve sucesso e fama) é quem segue em frente. Confiante em si mesma, apesar de tudo isso.

via GIPHY

Sem dúvida, nesse caminho, elas procuraram aprimorar suas vozes ou habilidades de dança. Trabalharam no seu discurso e sua relação com fãs. Mas o que esse time tinha em comum foi o fato que elas nunca deixaram que esses obstáculos ficassem na frente do que elas acreditavam que seriam capazes.

Eu sei que muitas vezes é difícil não se abalar com alguma crítica negativa a nosso respeito. Um feedback ruim no trabalho pode nos desestabilizar mesmo. Muitas vezes é um exercício de fé (em nós mesmas) juntar os caquinhos, erguer a cabeça e continuar tentando. Mas que tal trabalhar um pouco mais essa fé em si mesma? E nos seus talentos? Pode não fazer o caminho ficar mais fácil, mas com certeza vai deixar sua trajetória mais clara.

0 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque no dia 07.02.2019

Palavras têm poder. Você já pensou no peso das suas?

As palavras tem poder. E por mais que pareça óbvio, nem sempre isso fica tão claro assim. Quando digo isso, não quero falar apenas da escolha de palavras positivas para atrair coisas boas ou desejar outras tantas. As palavras também podem acabar com a autoestima das pessoas. Elas têm o poder de impactar alguém positiva e negativamente, deixando marcas. E esse poder não tem força apenas momentaneamente.

Já que palavras têm poder, devemos ser mais responsáveis com as palavras que escolhemos.

Pense em casos de pessoas que carregaram medo, culpa, outras angústias e inseguranças. Provavelmente em algum momento, alguém disse algo para elas que causou isso. Algo que construiu essa crença limitante. Palavras deixam legados. Em crianças e adolescentes, elas podem deixar marcas pesadas.

Frequentemente vemos casos, seja na vida ou no grupo do Papo no Facebook, em que pessoas ficaram emocionalmente abaladas com o que para o outro foi apenas um comentário. Muitas vezes algo falado sem intenção de maldade. Apenas por falta de tato ou por falta de consciência. Só que não controlamos como o outro recebe essa informação, e isso pode ter, sim, um impacto mais profundo. Afim de evitar isso, precisamos lembrar que palavras têm poder. E que podemos dosar e rever se nossos comentários têm doses de preconceito, crueldade ou carregam algum estigma que pode fazer mal à outra pessoa.

Buscando uma escolha mais responsável e produtiva no que falamos é que a empatia se faz tão importante!

Não podemos controlar o impacto que as nossas palavras terão sobre a vida da outra pessoa que vai ouvir. Por isso, se botar no lugar do outro é tão importante.

É egoísta demais pensar que “eu sou responsável pelo que eu falo, não pelo que o outro entende”. Um argumento como esse nos isenta de pensar com responsabilidade no peso que nosso julgamento tem sobre a vida do outro. Justamente porque o outro é um ser humano, e tem suas falhas, assim como eu e você! O outro pode ser impactado de uma maneira péssima porque alguém, no auge do próprio egocentrismo, não pensou em como a outra pessoa iria se sentir ao ouvir o que foi dito.

Isso não significa que você não possa ser sincero e honesto com as pessoas que você ama. Muito menos que não possa alertar alguém que esteja fazendo que não seja tão legal. Eu sou daquelas que acredita que amizade verdadeira é aquela que puxa a sua orelha quando necessário. Porém, é possível dizer coisas duras sabendo que minhas palavras têm poder. Dessa forma, consigo encontrar um jeito que não magoe ou que prejudique a autoestima do outro.

“Ah, mas se eu viver tendo cuidado com fulana, ela nunca vai amadurecer. O mundo não é assim”.

Realmente não é, mas você pode ser! Você pode ser quem vai começar a mostrar às pessoas ao seu redor que podemos ser mais amorosos, cautelosos e gentis com quem gostamos e convivemos. Pessoas diferentes respondem a estímulos diferentes, nem todo mundo reage de forma positiva e produtiva à comentários cruéis.

Tenha sempre em mente que as palavras têm poder. Mesmo quando parecem brandas, mesmo quando parece que não é grave. Nós não estamos na pele do outro para saber a dimensão que isso pode ter. Por isso, e justamente por isso, é importante que sejamos sempre empáticos e façamos o possível para se colocar no lugar do outro.

Traga pra você: seria útil e proveitoso receber esse conselho? Ótimo, dê o conselho sem diminuir o esforço do outro, escolha bem as palavras. Você se magoaria com as palavras que está usando? Se sim, reformule a frase. Ao repensar, viu que era apenas um julgamento por você pensar diferente do outro? Repense se vale a pena impor sua verdade, dado que seus valores são diferentes!

Dar o verdadeiro peso para o legado das nossas palavras é também um ato de auto responsabilidade.

Quanto mais refletimos sobre o que realmente queremos dizer, menos julgamos o outro a partir do nosso umbigo. Projetamos menos de nós nele e assim podemos aprender mais com essa troca.

Esse cuidado pode mudar completamente a nossa forma de se expressar e, consequentemente, melhorar significativamente a qualidade das nossas relações.

Trabalhar a nossa autoestima de uma forma generosa é entendermos que temos responsabilidade com o processo de desenvolvimento da autoestima do outro. Então, que tal não prejudicarmos a autoestima de quem a gente ama? Que tal assumirmos que nossas palavras têm poder e entender o que podemos fazer para sermos melhores?

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