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Autoconhecimento

0 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Comportamento/ Destaque no dia 26.11.2019

Em vésperas de Black Friday, vamos falar sobre terapia de compras?

Em tempos de vésperas de Black Friday, achamos que valia a pena falar aqui sobre algo chamado “retail therapy”, aportuguesando, terapia de compras. Aquela ideia de que fazer compras preencherá seus vazios e te ajudará a sair de momentos ruins.

Toda vez que a gente ouve esse raciocínio, um alarme toca. Porque comprar pode até aliviar alguma dor emocional imediata, mas no futuro pode te gerar dívidas, acúmulo de coisas desnecessárias e até mesmo mais infelicidade.

Ano passado a Joanna Moura, do UASZ fez um post falando sobre isso aqui. Esse ano, traduzimos essa matéria que saiu no site mental floss, e que fala mais sobre o assunto.

“Oi. Meu nome é Shaunacy, e eu tenho um vício em compras.

Isso quer dizer que você não deve comprar mais nada? Ou não aproveitar a Black Friday? Não! Mas em tempos de muitas ofertas pipocando por tudo quanto é lado, é importante a gente trabalhar nosso autoconhecimento. É importante a gente ver o que precisa de fato, para que não sejamos seduzidas por preços baixos em produtos que quase não terão uso. Então, vamos mostrar essa matéria:

“Oi. Meu nome é Shaunacy, e eu tenho um vício em compras.

Eu tenho depressão crônica, então quando eu falo que compro coisas que não preciso quando estou triste, eu não estou falando de uma ocorrência rara. Eu me sinto para baixo muitas vezes, então uso as compras como terapia o suficiente para eu me considerar com um vício em compras, mas geralmente é quando minhas doses de remédios e terapia não estão sendo suficientes que eu cedo às pequenas alegrias do consumismo.

Esse ano, quando minha conta bancária começou a ficar seriamente prejudicada por causa das minhas baixas de humor, eu comecei a pensar: valeu a pena?

Será que a “terapia de compras” era de fato terapêutica ou eu estava esvaziando minhas contas sem ter nenhum benefício?

Pessoalmente, 2016 não foi um ano muito legal para mim, emocionalmente ou financeiramente. Horas depois de um término devastador, eu gastei U$280 dólares em um robô que limpa a casa.

Esse namorado e eu não morávamos juntos. Não dividíamos as contas, bancárias ou do Netflix. Legalmente e financeiramente, não éramos ligados – tirando o fato que eu não poderia mais logar na conta dele do Amazon Prime. E mesmo assim, esse término teve o potencial de ser financeiramente incapacitante. Em uma semana, meu app de despesas ficou no vermelho por mais U$200, uma quantia que foi aumentando substancialmente a medida que as semanas passavam. E isso porque nem contei o dinheiro que estava gastando em terapia de verdade.

Eu tinha na poupança o necessário para cobrir os custos da minha perda temporária de sanidade financeira, ou então eu teria que passar o próximo mês comendo feijão enlatado todas as refeições. Talvez eu não gastasse tanto se eu não soubesse que eu tinha esse suporte, mas eu também não estava pensando claramente. Provavelmente eu gastaria mais, independente do que minha conta bancária falasse, à procura de alguma distração que me fizesse sentir melhor. A ameaça de gastar mais do que eu podia, de fato, era um pouco intoxicante. Eu ficava repetindo um bordão na minha cabeça, toda hora: “treat yo’self (que pode ser lido tanto como “cuide de você” ou “se dê algo”)”.

Eu sentia que eu merecia, por mais bobo que isso pareça. Eu precisava. E eu sentia que comprar todas aquelas coisas faria com que minha vida voltasse para o lugar.

Um desejo compulsivo de comprar coisas pode ser bem mais sério para algumas pessoas. Terapia de compras pode, de fato, ser um sinal de alguma questão psicológica real – transtorno de compra compulsiva, um vício que geralmente resulta em dívidas massivas onde as pessoas que sofrem costumam esconder de seus amigos e família. De acordo com pesquisas, emoções negativas como depressão, ansiedade e até mesmo tédio tendem a preceder compras exageradas. Uma vez que a compra é feita, o comprador costuma sentir euforia e alívio.

Os sintomas parecem assustadoramente familiares. April Benson, uma psicólogia autora do livro To Buy or Not do Buy: Why We Overshop and How to Stop (Comprar ou não comprar: por quê compramos demais e como parar), fala que uma das razões que fazem pessoas comprarem demais é para exercer algum controle sobre suas vidas. “Essa é uma situação que você pode controlar – ‘Eu vejo, eu gosto, eu compro, é meu'”. Enquanto isso, muitas outras partes estão totalmente sem controle.

Para muitas pessoas, comprar algo é um processo agradável. Você se sente satisfeita de achar algo que você quer e que possa comprar. “Pode dar uma sensação de domínio”, Benson explica. E isso só vira um problema quando é exagerado.

Eric Storch, psicólogo clínico e professor na Universidade de South Florida que estudo transtornos obssessivos compulsivos, fala que não é claro como a compulsão acontece no cérebro. Seja no TOC, seja na compra compulsiva, em pessoas que compram exageradamente, comprar algo aciona um gatilho na área de recompensa do cérebro.

“Para muita gente existe esse tipo de necessidade de precisar preencher esse impulso de comprar, e uma vez que a compra está feita, a sensação de prazer e de alívio de tensão é tão grande que reinforça.”, ele diz. Por você ficar com uma empolgação temporária, comprar vira um ato repetitivo. Você se sente um pouco pra baixo, compra algo, sente-se um pouco melhor. Quando essa empolgação vai embora, você volta a se sentir péssima, e o ciclo se repete. É um pouco terapêutico no curto prazo, mas nunca irá te satisfazer.

Terapia de compras não resolve depressão ou coração partido. Se faz alguma coisa, diria que adiciona uma nova camada de stress à uma situação ruim. Você sabe que pode se sentir um pouco melhor no momento, mas você não vai se sentir legal quando a fatura do cartão chegar.

Também é importante entender que aquela camiseta nova, ou uma vitrola, não são exatamente o que você procura. Como diz Benson, “Coisas que você não precisa de fato nunca vão ser suficientes”. Quando você está deprimida, provavelmente você precisava de outra coisa além do que você comprou. Talvez você precisasse de amor, carinho ou de um sentimento de pertencimento”. Infelizmente, segurança emocional é uma das poucas coisas que você não consegue comprar na Amazon.”

2 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Comportamento/ Destaque no dia 25.11.2019

Você precisa ter foco, força e fé

Sempre que ouço ou leio essa frase, me pergunto: foco, força e fé no quê, xará?

Para me exercitar, levanto às 5. Vejo se tem alguma coisa urgente a resolver no celular. Procuro a roupa da academia. Olho na geladeira e percebo que deveria ter comprado o iogurte. Vai o suco da filha mesmo. Preparo o leite da filha. Deixo leite e celular com despertador e vou.

Na academia. Estou na esteira pensando em tudo que falta fazer. Faço a musculação e aqueles aparelhos foram inspirados na tortura, só pode. Volto para casa. Levanto a filha, que está de preguiça. Ela se arruma e eu me arrumo. Penteio o cabelo, porque se ela estiver descabelada a culpa será minha. 

Olho o relógio e vejo que dá tempo de preparar o café. Tomo café. Meu olhar recai sobre o sofá: a filha arrumada está dormindo. Coração aperta, mas acordo a pequena e levo para a aula.

Vou trabalhar, encontro a chefe, faço mais um café. Preciso diminuir o café. Esqueci a fruta. Almoço, mais café. Só que dessa vez, acompanhado de risadas e partilha, o podcast do dia. Trabalho mais. 

Deu a hora de sair, vou para casa. Passo no mercado, compro os produtos de limpeza. Putz, esqueci o iogurte, de novo. Corro para casa, filha chegou. Vejo o jantar. Mando mensagem para quem toma conta da filha e vejo a rotina. Agradeço. Preparo tudo para o dia seguinte. Deito, as mãos da filha estão nas minhas. Adormecemos: é a melhor parte do meu dia.

Acordo. Olho para o quadro motivacional que botei um dia desses: “foco, força e fé”. Fé eu até tenho. Mas que foco? E que força? De onde tirar? Pra quê tirar, aliás?

Tiro o quadro, jogo ele no lixo. Repito tudo novamente.

0 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 19.11.2019

Pelo desuso do perfeccionismo como qualidade

“Me diz uma qualidade sua?” -“Sou muito perfeccionista”. “E um defeito?” -“Sou muito perfeccionista”. Quem nunca já viu, ouviu ou até mesmo deu essas respostas em uma entrevista de emprego que atire a primeira pedra. A verdade é que eu odeio perfeccionismo, e agora vou contar por quê acho que essa palavra – seja ela como defeito ou qualidade – tinha que cair em desuso.

Ser perfeccionista te torna obcecada, controladora, rígida e, pior que isso, cruel demais com você mesma.

Faz você passar um bocado de raiva, também. Porque você pode virar a noite fazendo aquela apresentação importante no trabalho, que ao terminar tudo, você não se sente orgulhosa de si mesma por ter feito um bom trabalho. Você pode ter se comprometido com aquilo 100% mas, no fim, é aquele detalhe no canto direito que não está alinhado como você gostaria que recebe atenção. E aí, toda a sensação boa de dever bem cumprido vira a sensação de que você falhou miseravelmente. Isso quando o tal perfeccionismo não é a sua melhor desculpa para evitar sair da sua zona de conforto e tentar algo novo.

Veja bem, pra começo de conversa, o perfeccionismo é uma característica relacionada a algo que nem existe, que é a perfeição. Mas, na verdade, ele é mesmo um derivado do medo. É atrás dele que se esconde a nossa insegurança e o medo de estar vulnerável.

O perfeccionismo é o maior inimigo da sua liberdade.

ilustra: Mayra Arvizo

Agir de maneira tão dura consigo te mantém refém de um padrão de comportamento que não te faz bem. Além disso, ele te impede de se concentrar em tudo de bom que você já fez até aquele momento. Embora ninguém goste de cometer erros, precisamos aprender a aceitá-los e saber que isso não muda nosso valor ou nosso valor pessoal. Uma vez que podemos fazer isso, temos liberdade. Seja ela a liberdade de fazer o bem, a liberdade de bagunçar ou até mesmo a liberdade de aprender com tudo isso, sem permitir que os erros nos definam.

Quando somos perfeccionistas, só existe sucesso e fracasso, nada no meio.

Quer coisa mais cruel do que esse 8 ou 80? Ou a gente se cobra loucamente para ser a melhor, ou a gente se culpa loucamente por não ser tão boa quanto gostaríamos. Se existe um comportamento autodestrutivo, eu diria que é esse. E além disso, viver nesses extremos não nos permite criar espaço para aprender e crescer. E consequentemente, nós funcionamos puramente dentro de nossa zona de conforto e não desenvolvemos novas habilidades.

Por isso eu sou a favor de que façamos o possível para retirar esse tipo de palavra e comportamento das nossas vidas. E que possamos entender e mudar a maneira como enxergamos o perfeccionismo. Em vez de nos concentrarmos nele, que possamos nos concentrar em sermos o melhor que pudermos, entendendo que perfeição é uma ilusão.