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Autoconhecimento

2 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Comportamento/ Destaque no dia 15.05.2019

A falta que a falta do filtro da Kylie Jenner faz

Essa semana, no grupo, começou uma discussão sobre o tal filtro da Kylie Jenner. O tal filtro – que era presença constante no Stories do Instagram e conferia imediatamente uma maquiagem completa – foi retirado do aplicativo. E uma enxurrada de mulheres foi para a rede social dizer que não sabia o que ia fazer sem ele.

Como a retirada de um simples “filtro da beleza” poderia gerar tanta comoção – e mostrar tamanha dependência?

Não duvido quem em breve o Instagram traga esse filtro da Kylie Jenner de volta. E ela provavelmente fique uns milhares de dólares mais rica. Mas to trazendo aqui esses questionamentos que fizemos no grupo. Sobre os motivos de querermos mostrar perfeição, até mesmo em uma função do aplicativo que visa trazer mais vida real para os seguidores.

No mesmo dia dessa discussão, entrei no stories de um casal que estava relatando uma experiência estranha na casa que eles tinham alugado. E fiquei meio chocada com a quantidade de vezes que a mulher justificava sem parar a sua cara de cansada. Sendo que a história quase de terror que o casal contou já era a justificativa. Mas sabem o que me deixou mais intrigada? Eu nem sei dizer para vocês se a cara dela estava tão ruim quanto ela teimava em dizer. Afinal, todos os stories foram feitos com um filtro de gatinho!

A verdade é que nós passamos a conviver com a nossa imagem por muito mais tempo. Antes a gente reservava o momento de auto análise para o espelho do banheiro. Agora é só rever qualquer stories ou selfie que fazemos para começar a chuva de auto críticas. Por isso, não é de se espantar que tanta gente fique dependente de filtros que deixem a pele mais lisa, nariz mais fino, maxilar mais definido. Ou que apenas botem uma maquiagem para mostrarmos nossos rostinhos na internet bem naturalmente (só que não).

Mas vamos aproveitar o chacoalhão que a falta do filtro da Kylie Jenner fez para acordar. Tudo isso é cilada, Bino!

Existem vários estudos comprovando como esses filtros estão prejudicando nossa auto imagem e nossa saúde mental. Pessoas que se sentem dependentes deles sofrem uma desconexão entre o que elas estão mostrando para o mundo e o que elas realmente são. E por causa disso, existe um link com o aumento de depressão, narcisismo e disformia. E apesar desse estudo ter sido baseado em adolescentes, e já ter lido matérias comentando como aumentou a procura de procedimentos estéticos depois dos filtros, me assustou ver quantas mulheres adultas – e totalmente dentro do padrão de beleza – estão presas nessa mesma armadilha.

Mas sabe qual é o problema? Essa armadilha é facinho de cair. Lembro do dia que problematizei um teste de Facebook que mostrava como seríamos se fossemos estrelas de cinema. Eram pequenas alterações aqui e ali apenas. Quando vi, já estava vendo problemas em lugares do meu rosto que eu nunca questionei.

Agora, imaginem vocês como não deve ser para quem vive de postar fotos impecáveis – e ganhar muitos likes por causa de toda essa perfeição? Como essas pessoas devem se sentir ao se olharem na tela do celular e perceberem todas as imperfeições naturais de qualquer ser humano sem maquiagem? Não é de se espantar que exista tanta dependência de um filtro embelezador. É uma cobrança sem fim para um padrão de beleza que vai ficando cada mais inalcançável.

Como eu disse, tenho certeza que o filtro da Kylie Jenner vai voltar. Ou se não voltar, não vai demorar muito para que outro filtro parecido apareça. Mas que tal usar esse momento para tentar se enxergar como você é de verdade?

Se você olha para a sua imagem no espelho e gosta do que vê (mesmo que existam ressalvas), por que essa necessidade de filtro ao pegar o celular? Por quê tanto medo de mostrar a sua imagem real? E trazendo a responsabilidade desse ciclo de perfeição, por quê a necessidade de apontar defeitos nas pessoas que se mostram como são? A internet tem nos mostrado padrões cada vez mais inatingíveis, mas cabe à nós mudar essa equação. E é preciso trabalhar muito a autoestima para realmente não sermos afetadas.



1 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque no dia 07.05.2019

A vida não é uma corrida contra o tempo para se “chegar lá”

Acho que nunca na vida as pessoas procuraram tanto atingir objetivos, bater metas, conquistar coisas. Não me entenda mal. Claro que esse desejo sempre existiu na maior parte das pessoas, porém, acho que nunca existiu de forma tão acessível todo tipo de conteúdo nos ensinando meios e caminhos para realizar tudo.

Parece que a vida virou uma corrida interminável com um único objetivo: chegar lá. Não importa onde é esse lá.

Adoro estímulos. Acredito demais neles e sou totalmente a favor de procurar ajuda e suporte para traçar estratégias rumo ao que desejamos. Mas com limites. No meio de tantas frases, palestras e pessoas motivadoras, tem muita gente se frustrando desnecessariamente. Justamente porque ficamos com a ideia que tudo tem que ser conquistado e resolvido para ontem.

Tem uma historia próxima à mim de uma pessoa que fez uma viagem inesquecível. Na volta, ela se prometeu levar à mãe naquele lugar no ano seguinte. O mundo girou, a vida aconteceu, e ela só conseguiu cumprir a auto promessa três anos depois. Não houve um momento em que ela contasse sobre essa conquista sem se lamentar que levou mais tempo do que ela tinha estipulado para si mesma. Como se aquela viagem tivesse tido menos alegrias só por ter levado mais tempo para acontecer do que o previsto.

A nossa vida não precisa ser uma corrida contra o tempo.

A gente realmente não pode perder tempo quando se trata de ser feliz. De sair de relacionamentos abusivos ou de um trabalho que está nos fazendo mal. De fazer uma viagem dos sonhos. E é claro que estipular um tempo para isso é bom, até mesmo para nos organizarmos. Mas até mesmo essas coisas, se precisarem de um certo planejamento, podem demorar mais do que havíamos planejado na nossa cabeça. Justamente porque a vida acontece, e os prazos vão se refazendo. Vamos reorganizando as prioridades, adiando aqui, mudando algo ali.

Você não tem que se sentir frustrada por não ter conseguido bater sua própria meta. Muito menos se sentir incapaz diante de uma mudança de ordem das coisas. Vão existir coisas que você vai conquistar antes do que imaginou. Outras você pode chegar ao fim da vida sem concluir, e isso e absolutamente normal.

Pare de criar mais uma demanda para se frustrar.

Você não precisa deixar de estipular metas, de procurar apoio de alguém que te direcione até seus objetivos, de repetir frases motivacionais, nada disso. Mas você pode, sim, realinhar suas expectativas e tirar de cima das suas costas esse peso extra que você não precisa carregar.

Eu sei que as mensagens que nos são passadas estão sempre relacionadas à eficiência, excelência, determinação, e tantas outras palavras motivacionais. E que elas deveriam ser usadas como estímulo. Mas eu também sei que elas podem ser sufocantes. Principalmente quando elas são passadas de uma forma quase mecânica. Como se ao seguir cada dica, todo mundo conseguisse trilhar o mesmo caminho para “chegar lá” (que mais uma vez, não tenho ideia onde é esse lugar).

Não caia em mais uma cobrança.

1 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 06.05.2019

Mulheres seguras são apenas mulheres com autoestima saudável

Com frequência vejo mulheres seguras serem confundidas com pessoas prepotentes. Ou arrogantes. Somos instruídas a não sairmos por aí dizendo que somos boas em algo. Que nos achamos bonitas. Ou apenas reconhecemos nossos pontos fortes e qualidades. Muitas vezes temos que ficar ali, fazendo uso de falsa modéstia, quando estamos, sim, nos achando o máximo. Seja na vida, seja com determinada roupa ou maquiagem , seja por termos concluído uma tarefa com sucesso.

Prepotência, por definição, é quando alguém se sente de alguma forma superior a você. Seja por estar numa condição supostamente mais favorecida ou numa posição hierarquicamente acima. E, baseado nisso, se sente no direito de dizer o que você deve fazer. Tenho certeza que você pensou em pelo menos uma pessoa ao ler isso.

É por causa de gente assim que provavelmente somos educadas de maneira contrária. E, claro, sendo mulher, a gente também é educada para acreditar que, se nos tornarmos mulheres seguras, podemos “assustar os homens”. Prova disso foi esse experimento social onde uma mulher resolveu concordar com homens que a elogiavam depois que davam match.

Acreditamos que não pega bem valorizar o que temos de bom em nós, e por isso, nos diminuímos. Mas é completamente diferente você ser boa em algo e admitir isso do que sair por aí se considerando melhor do que alguém.

ilustra: Marylou Faure

Então, qual seria a diferença entre mulheres seguras e confiantes e pessoas prepotentes?

A confiança fala por si em atitudes. Você pode, sem dúvidas, admitir que é boa em algo, ou que tem uma característica muito interessante. Mas a pessoa verdadeiramente confiante não sai dizendo isso a todo momento, gratuitamente, para todas as pessoas. Ela age com confiança e os outros simplesmente percebem. A pessoa confiante é muito mais reconhecida do que se autoproclama.

Já a prepotente é, na verdade, alguém inseguro. Uma pessoa que briga de todas as formas consigo mesmo, precisando provar talento, competência e/ou beleza a todo instante. E muitas vezes, faz isso pisando nas demais pessoas. Isso quer dizer você pode ser, sim, uma pessoa confiante, segura de si, das suas qualidades e pontos fortes, sem se tornar uma pessoa prepotente.

Acho inclusive que é importante que sejamos confiantes na vida. Que a gente acolha o fato que podemos ser mulheres seguras. Seguras de quem somos, dos nossos desejos e ambições. Nas qualidades e pontos fortes que temos. Em tudo aquilo que nos orgulhamos, seja na nossa competência, seja na nossa imagem. Não há problema algum em exaltar.. Em uma sociedade que lucra com a nossa insegurança, saber calar os ruídos e saber se enxergar com carinho e valor é um dom. Inclusive, acho que é uma das maiores provas de uma autoestima saudável, e esse deveria ser o objetivo de todas nós.