Browsing Category

Autoconhecimento

2 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Saúde no dia 31.01.2019

Quer mudar sua relação com seu corpo?

Ótimo, saiba que é possível, libertador e transformador, mas não tem uma receita mágica ou uma única fórmula correta. É um processo profundo e individual, por isso precisamos conversar sobre ele.

Muito é falado hoje em dia sobre aceitação corporal. Os movimentos de #bodypositive e #bodykindness tem aumentado cada vez mais ao redor do mundo. É bonito ver cada vez mais mulheres entendendo a força e a potência que nossas ações podem causar no mundo. É lindo ver mulheres se tornando cada vez mais donas de seus desejos e arcando com a consequência de ser protagonista na sua própria historia e escolhas. Eu como profissional de saúde, formada a quase 2 décadas, presencio este movimento ao longo destes anos e a olhos nus no meu consultório particular, nas redes sociais e em reuniões com outros profissionais da área de saúde.

Eu recebo uma infinidade de mensagens de mulheres me agradecendo por colaborar no processo de aceitação de seus corpos, entendendo que cada uma de nós tem um corpo, um biotipo, uma genética e uma historia que faz com que nossos corpos sejam únicos e incapazes (pelo menos naturalmente) de serem padronizados.Tem dias em que durmo com um sorriso no rosto após ler uma dessas mensagens. Porém, nem só de flores vivem as mudanças…

Recebo também uma infinidade de mensagens de mulheres que já leram livros, já fizeram “Unfollow Terapêutico” (deixar de seguir nas redes conteúdos que lhe fazem se sentir diminuída ou pressionada), mas mesmo assim ainda sofrem.

Joana Cannabrava Ilustrando o texto | Foto Adriana Carolina Iwanczuk

Se você está neste último grupo, este texto é para você:

Como toda grande mudança, alterar seu foco, definir novas prioridades e aprender a lidas com as dúvidas e frustrações leva um tempo que não tem como ser definido. Mas hoje, o desafio que enfrentamos para nos adaptar a mudanças, tanto voluntárias, como involuntárias, é ainda maior.

Zygmunt Bauman, sociólogo e filósofo polonês, ficou conhecido pela sua teoria que vê o mundo através da metáfora da “liquidez” e “fluidez”. Hoje tudo é temporário, e a modernidade – tal como os líquidos – caracteriza-se pela incapacidade de manter a forma. Todos os campos da vida — o trabalho, a família, o engajamento político, o amor, a amizade e a própria identidade —  são tocados por essa instabilidade, e isso nos causa angústia.

Tememos pelo desemprego, pela violência, pelo terrorismo, e também pelo receio de ficar para trás, de não se encaixar nesse novo mundo que muda em um ritmo hiperveloz. A fluidez impede a possibilidade de manter a mesma identidade por muito tempo, o que reforça o estado temporário das relações sociais e auto-imagem. E isso nos leva indiretamente a termos que nos reinventar constantemente!

É neste ponto que eu queria chegar!

Em um mundo onde tudo muda constantemente não há nem fórmula fixa de como se adaptar às mudanças. Por isso esqueça as regras, formas e maneiras de conquistar um olhar mais gentil consigo mesma. Não existe e nunca existirá uma forma pronta, mas sim diversas maneiras de se conquistar esta mudança que depende da sua maneira única de enxergar o mundo, de como sua história, e como ela influenciou positivamente ou não sua relação com seu corpo.

Com a exposição que vivemos nas redes sociais, cada vez que você vê uma mulher expondo seu processo de mudança, não esqueça que ali não é exposto: o choro, as dificuldades, as diversas vezes em que ela se sente bem e daqui 30 minutos tem dúvidas sobre sua auto imagem, as vezes em que fez algo, mesmo com medo, os momentos em que pensou em desistir…

E lembre-se que o trajeto dela, não necessariamente será o seu. Leia, estude, busque ajuda profissional, tente, acredite, mas lembre-se: estamos em constante mudança. Se permita tentar, errar, acertar e fazer de novo.

Ser gentil consigo é também ser gentil com seu processo de mudança.

E isso significa: olhar para si de uma forma mais amável, olhar o processo de outras mulheres e não julgar (mesmo que lhe pareça estranho). Acreditar que não existe tempo ou uma linha final, mas uma constante inquietação que nos leva a ir além. Uma verdadeira autoestima está pautada em um processo individual de autoconhecimento. Sem pontos de partida ou linhas de chegada. Sem receita de bolo ou verdades absolutas. O importante mesmo é o processo ao longo da jornada.

Por mais distante ou difícil, nunca se esqueça: “Mudar não é fácil, mas é possível

0 em Autoconhecimento/ Destaque no dia 24.01.2019

Sobre mudanças, mudamos tudo ou não mudamos nada?

Não tem jeito. Mesmo que o ano já tenha começado e o trabalho já esteja de volta todo vapor. Mesmo que os compromissos (e os boletos) estejam batendo à porta, a gente ainda passa o mês de janeiro – ou ao menos as primeiras semanas – bem reflexiva. Desejamos milhões de coisas na virada do ano e não vemos a hora de começar as grandes mudanças. Mas quero propor um novo olhar sobre essas decisões.

Sei que dá aquela vontade irresistível de jogar tudo para o alto e recomeçar do zero. E isso é bom e necessário algumas vezes. Mas queria trazer esse questionamento.

foto: Maddi Bazzocco

Será que tudo precisa ser diferente mesmo? Será que mudanças gerais são sempre necessárias?

Explicando melhor… Certas coisas na nossa vida não dão certo ou não acontecem como esperamos. E muitas vezes é a nossa atitude que determina o sucesso ou a falha. Então, talvez não seria o caso não de mudar a resolução, mas procurar mudanças na forma como a encaramos?

Por exemplo, você se propôs a fazer atividade física. No mesmo dia, foi na academia e pagou o ano inteiro. No fim desse mesmo ano, você constatou que faltou mais do que foi. Não é algo que precisamos desistir, mas talvez, mudar a forma como encaramos. Como, talvez, dormir mais cedo para que a vontade de dormir mais 5 minutos (que sempre viram 50) apareça menos vezes.

Pisar um pouco no freio e não mudar todas as coisas é importante quando temos algumas mudanças grandes em alguma área da vida. Se o trabalho trouxe novos desafios, dê uma desacelerada em outra área – mas atenta que desacelerar não é deixar de lado! – e assim vamos equilibrando a vida. Do contrário, a gente acaba sofrendo por não dar conta de tudo e a vontade de jogar todas as coisas para o alto e recomeçar do zero é maior ainda.

Portanto, quero te convidar a refletir sobre quais mudanças realmente são necessárias.

>>>>>> Veja também: Estou fazendo algumas mudanças na minha vida <<<<<<

O que pode ser apenas adaptado ou o que não é prioridade de fato, apenas impulso. Avalie o quanto é de fato importante fazer certas mudanças. Pense nos impactos que isso pode causar na sua cabeça e na sua vida prática. Reavalie todas as suas decisões para este ano (ou este mês, caso você queira ir com calma).

Na vida, a gente precisa entender que as coisas têm seu tempo, e que mudanças também levam tempo. Por maior que seja a vontade e disposição de fazer tudo diferente, muitas vezes não é necessário tirar tudo do lugar e recomeçar. As vezes apenas alguns ajustes, de forma que as transições da vida possam ser mais leves e menos cansativas. Sobretudo para a nossa mente, que carrega a tarefa de coordenar todos os nossos desejos, vontades e também as frustrações quando acabamos assumindo mais tarefas do que poderíamos cumprir naquele momento. 

Entender que nem sempre mudanças revolucionárias é a solução para uma vida melhor e mais feliz não deixa de ser um grande passo. Especialmente quando falamos em viver tranquilamente e em paz com nós mesmas.

0 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque no dia 23.01.2019

Duas mulheres velhas. E com muito orgulho, por favor

Hoje eu passei a tarde com uma mina chamada Luciana Micheletti. Conheci a Lu por “culpa” desse blog aqui que você está lendo agora. Se bobear você já cruzou com uns posts dela por aqui. Futi, unindo pessoas desde que padrões foram feitos para serem quebrados. No caso, duas mulheres velhas.

Sim, duas mulheres velhas.A Lu tem 46 anos. Eu farei 42 mês que vem.

Sei que para muita gente vai soar como se a gente estivesse se depreciando. “Velhas? Imagina, vocês tão loucas!”. Calma que eu chego lá.

Estávamos conversando sobre isso em certo momento: o fato de que nos sentimos, as duas, na melhor fase das nossas vidas. Mais auto confiantes, mais preparadas para a vida. Mais animadas para realizar projetos, mais prontas para enfrentar qualquer desafio. E mais felizes do que nunca antes. E que irônico que, bem agora que sentimos na pele a veracidade daquele clichê. Aquele que até algum tempo atrás a gente tinha certeza que era só uma mentira inventada pra animar as “velhas”.

>>>>>> Veja também: Eu, 44 anos <<<<<<

A vida começa aos quarenta – o resto do mundo que quer nos boicotar. 

“Como assim?” – Você, jovem, me pergunta. Ué, mas é você que está nos boicotando, e nem se dá conta. Sim, porque é bem agora, depois dos quarenta, que a sociedade começa a invisibilizar as mulheres. Em todos os sentidos. Fisicamente. Profissionalmente. Mentalmente. Para nossa linda sociedade patriarcal, as mulheres “velhas” são feias. São acabadas. São desatualizadas. Fora da realidade. O que elas dizem não vale mais. Estão por fora. 

>>>>>> Veja também: Como uma foto da Xuxa mostra que as mulheres são criticadas até por envelhecerem <<<<<<

Não á toa, muitas de nós começam a tentar burlar a passagem do tempo. Muitas sentem-se inadequadas e ficam tentando, em vão, parecer mais jovens. Nunca vi um caso onde funcionou. A pele pode estar esticada, mas ainda assim, dá pra ver que tá pra além de quarenta.

ilustra: Juliana Ali

Que sacanagem fazer isso conosco. Mesmo porque não é real. Claro que tem velhas burras. Tem velha desatualizada. Mas tem jovem burro e desatualizado também. E tem velha ligadaça, dando aula pra vocês tudo.

Ou seja: ser esperto e bacana não é exclusividade de nenhuma faixa etária, assim como ser um idiota. 

O mesmo vale para a beleza. Tem que ser jovem para ser bonita? O que é ser bonita? Resposta: estar o mais próxima possível dos padrões impostos e aceitos pela sociedade. 

Porém somos feministas, não somos? Queremos mesmo nos encaixar nos padrões? Estamos todo dia falando sobre as vantagens de enxergar beleza fora deles. Todo dia, repito, TODO DIA, vejo mulheres “feministas” reproduzindo o tal do etarismo. Isso é, a crença de que, a partir de certa idade, a pessoa se tornou obsoleta, seja fisicamente, seja psicologicamente. 

Vou dar um spoiler aqui: você vai ficar velha, se tiver sorte, claro. E aí você não vai emburrecer, more. Você só será uma velha idiota se você já for uma jovem idiota. A tendência, para quem é esperta, é ficar cada vez mais esperta. 

Eu e a Lu Micheletti, aqui, do alto dos nossos quarenta e tantos anos, somos a prova viva de que quem sabe viver bem começa a viver aos quarenta. E nunca, mas nunquinha, eu iria querer ter vinte anos de novo. 

Estou no meu melhor momento. Abram alas que eu tô passando, por favor.