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Autoconhecimento

1 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque/ Saúde no dia 16.07.2020

O corpo carente

Esse corpo não está carente de likes ou comentários. Tampouco de aprovação coletiva nas redes sociais. Mas não se engane, há muita falta aqui.

Esse corpo não está completo em sua essência. Há carência. De coisas que antes “tinha a percepção de que era garantido”.

Hábitos que não valorizava tanto quanto deveria. Esse corpo sente na pele a escassez de sol, de movimentos de rotina e de atividades ao ar livre. Caminhadas na natureza ou mesmo nadar. Esse é um corpo sedento por exercícios que dão prazer, caminhadas longas e movimentos naturais de uma rotina muito agitada de alguém que ama andar.

Se eu for honesta, eu não gabaritei a “quarentena”, nem de longe. E se teve uma coisa que ainda não consegui, foi organizar um jeito coerente e sustentável de me exercitar em casa. Mas me conheço bem. São 33 anos habitando esse corpo, com direito a muitos conflitos.

Por mais falta que isso faça pra mim como um todo, inclusive pra saúde física e mental, a falta que tenho não é só essa.

O que vai saciar esse corpo no futuro é a liberdade de me movimentar livremente. De valorizar cada caminhada de 7 minutos no sol até o escritório. De me alongar, me mexer e andar no pôr do sol. Viajar para subir montanhas, nadar em cachoeiras, mergulhar no mar e conhecer o mundo a pé, em longas jornadas por onde quer que eu vá.

Esse corpo está carente de se alimentar da vida que há lá fora. Da alegria que só o sol dá. Esse corpo promete a mim e eu prometo a ele que jamais vamos nos esquecer da importância de suas funções. Vou me levar a lugares incríveis com ele, vou cuidar dele pra realizar feitos que ainda nem planejei. Vou ser parceira dele e ele será meu parceiro.

Juntos, vamos ser movimentos mil, mas por agora só me comprometo em buscar mais frestas de sol e movimentos possíveis. Prazeres viáveis e cuidados simples.

Quero honrar mais e amar mais esse corpo que muda a cada dia. Que ressente essa experiencia até com dores, mas que seguirá comigo sendo morada da minha alma e me levando onde quero ir. Ele tem faltas claras, eu sei, mas ainda não tenho como suprí-las. São muitas emoções sentidas na pele. Mas me prometo levar comigo lições que ainda nem concluí. Não será em vão.

1 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 10.07.2020

Está adiado para amanhã. Mas e hoje?

Foi de repente que o mundo mudou. Fui colocada para dentro de casa, como se minha mãe me chamasse de volta depois de passar o dia fazendo travessuras. Não sou mais a criança de outrora, mas sinto medo e insegurança. Como se voltasse aos tempos de infância em que nada tínhamos a não ser nós mesmas (no caso eu, minha mãe e minha irmã). Me vi em reflexão.

Como lidar com meus próprios sentimentos amplificados? Meus medos?

Medo de sair na rua, medo de não sair. Medo de encontrar a família, medo de nunca mais conseguir seguir. Como lidar com tudo que aflora nestes tempos de agora? Como reconhecer minha potência com tantas coisas para dar conta? Para entender? Como transformar sentimentos de solidão em solitude?

Fico pensando se em um país com tantas desigualdades, as pessoas se dão conta do quanto muitas vezes estão sozinhas. Falo isso no sentido de luta por direitos. De sororidade real, de redes de apoio. Sim, porque antes da pandemia estávamos aprendendo como era importante oferecer ajuda a quem mora sozinho, ao idoso, à mãe solo. E agora? Agora aquela euforia do início acabou. Como ficam essas questões?

“ Ainda tenho a angústia e a sede
A solidão, a gripe e a dor.” (Vanessa da Mata, Bolsa de Grife)

Como criar conexões virtuais, se estávamos engatinhando nas conexões reais? Está adiado para um certo amanhã: o café com os amigos, o bar, o abraço. O que temos agora é potencial virtual, que necessita de um esforço ainda maior de todos os lados da equação. Perguntar se dormiu bem, como tem se sentido. Procurar fazer chamadas de áudio e vídeo para escutar e rir são bons caminhos para começarmos. Aprendi a enviar sacolas com alimentos, a oferecer ajuda, um bolo deixado na portaria, um pão, um gesto e aliviar a solidão.

“Afetos extraordinários deveriam ser diários para fazer a revolução” – Carla Pepe

1 em Autoconhecimento/ Destaque no dia 07.07.2020

Não sejamos papagaios e vamos construir a nossa verdade

Construir sua própria verdade dá trabalho. Por isso, precisamos nos manter críticas. Leva tempo repensar, desconstruir e reconstruir nossas verdades. É preciso investir nossa moeda de tempo em trocas, conversas, aulas, vídeos e estudos. Construir verdades passa por questionar as que nos foram ensinadas ou as que nos são ditas hoje. Demanda ter pensamento crítico e a forma de chegar a isso varia.

E por que isso importa? Desde que o mundo é mundo, a arte e a informação têm a intenção de nos fazer pensar de forma crítica. Filmes leves, seriados e comédias também nos ajudam a elaborar crenças coletivas, inclusive. Conteúdo na internet não deveria ser diferente. Por mais que haja conteúdo para distrair, é bem importante que a gente acompanhe também pra pensar, pra gente não se alienar.

Foto: Jason Leung

Quando a gente opta por repetir sem pensar, passamos a correr o risco de absorver a verdade do outro.

Talvez em busca de pertencermos, as vezes, é mais fácil reproduzir as ideias que irão gerar aceitação. Em nome de sermos acolhidas, temos a sensação de que haverá validação se fizermos parte de algum grupo. Nosso ego busca aprovação e tudo isso é natural. Tá tudo bem, mas não devemos cair em uma ilusão.

Militância vazia. Ideologias pra ganhar aceitação ou dinheiro. Tudo isso pode nos levar a um esvaziamento de assuntos importantes. Assuntos que precisam da nossa luta diária por informação, da nossa escuta ativa e da nossa transformação. Por isso, não abra mão da sua própria reflexão. Tudo faz parte de um sistema e se entender dentro dele com as nossas verdades e nossa ética dá trabalho. Mas também nos dá argumentos e ferramentas pra mudar as coisas.

Aprender com o outro nos faz pensar e repensar as coisas que nos foram ensinadas como verdades prontas. Nos faz ir pro lugar de desconforto de desconstruir qualquer ideia de “fada sensata” pra pensarmos por nós mesma. Debatendo em ambientes de trocas, nos informando através de pontos de vista diferentes.

Aliás, não é porque alguém manda muito bem que devemos atribuir o selinho da “perfeita sem defeitos” de forma literal.

ilustra: @mari.ilustra

Endeusar alguém e idealizar seus argumentos é muitas vezes uma forma de terceirizar ao outro a reflexão. Uma certa preguiça de pensar. Sendo que nosso cérebro tem a brilhante capacidade de conectar ideias e juntar as informações. Nada do que vem sendo debatido é isolado, tudo está conectado, tem uma motivação pra ser.

Por isso é tão importante a gente somar as informações e nos conscientizar do sistema no qual estamos inseridas. Aos poucos, juntando as peças desse quebra cabeça interminável, enxergamos que muitas das opressões estão conectadas porque tem quem ganhe com isso. Muitas coisas não mudam porque são melhores pra alguns. Por isso, enxergar os problemas de forma sistêmica nos faz ir além. Nos ajuda a buscar nossa parte nisso tudo, porque com a consciência vem a responsabilidade!

É fundamental que a gente ALIMENTE NOSSO SENSO CRÍTICO.

Não devemos terceirizar nossas ideologias, devemos aprender sobre o que nos interessa. Quem sabe, entendendo as muitas camadas das questões, seja mais fácil criar ações para uma verdadeira transformação.

A meu ver, pra tudo isso acontecer bem, tempos que tirar um tempo para nos conhecer, estarmos seguras de quem somos e abrir a escuta. Parar de levar tudo pro pessoal e escutar o universo do outro. É um ato revolucionário questionar as verdades ensinadas e construir as suas…

Não devemos ficar em silêncio com as opressões desse sistema que cria tantas injustiças e preconceitos.

Mas quanto mais estudarmos sobre isso, mais faremos mudanças de verdade. Para além de frases de efeito e palmas pro ego. O autoconhecimento nos dá base pra autoestima, pra autoconfiança e pro pensamento crítico.

Ideologia sem senso crítico é fanatismo, uma vez me disse minha professora Claudia Quadros. E pra mim é por ai, e desde então vivo repetindo isso. Quero muito ouvir opiniões muito bem fundamentadas pra me fazer pensar, quero compartilhar pensamentos que me fazem provocar minhas verdades e quero estudar pra lutar pelo mudança de consciência na qual acredito. Mas pra fazer isso de forma menos rasa, não dá pra ter preguiça de se informar.