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0 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Comportamento/ Destaque/ Deu o Que Falar/ maternidade no dia 05.02.2018

A gravidez de Kylie Jenner e uma lição de maturidade na maternidade

Sabem como eu fiquei sabendo que a Kylie Jenner finalmente apareceu para dar fim ao mistério do seu sumiço de meses e revelar que, de fato, ela estava grávida? Por causa de um comentário que uma leitora fez no meu insta, lembrando de um texto que eu fiz há alguns meses sobre os boatos que estavam surgindo em torno da Kylie.

Eu não vejo o reality das Kardashians, eu não sigo a vida da família, mas claro, as vezes me deparo com alguma matéria que sai sobre o clã e clico, porque não sou imune à elas. Apesar de não ser fã, elas me fascinam pela habilidade de conseguirem transformar a vida de tanta gente (afinal, estamos falando de pelo menos 8 pessoas – e com certeza estou esquecendo alguém e ignorando as crianças) em um espetáculo midiático.

Nesses meses de Kylie desaparecida das redes sociais, eu fiquei curiosa. Não quis acreditar nas teorias da conspiração de que ela poderia ser a barriga de aluguel de Kim e fiquei bem incomodada com todas as suposições que ela deveria estar odiando o corpo, a gravidez, como vocês leram no outro post. Afinal, só por esse motivo ela poderia estar mantendo distância da mídia, não?

kylie-jenner

 

Só vamos lembrar que a mesma mídia que ela preferiu se manter distante foi a responsável pelas capas mais crueis que eu já vi com uma grávida. “Pesadelo das grávidas – Kim engordou 20 quilos (e ainda faltam mais 4 meses para parir”, “Kim ignora hábitos saudáveis e come bolo, sorvete e massa”, “Largada aos 90 quilos – Devastada pelo pé na bunda que levou de Kanye, Kim acha conforto na comida”. E isso porque eu só estou falando das capas de revista e deixando de lado a quantidade blogs de fofocas e comentários recebidos nas redes sociais.

Ou seja, acho que realmente existiam motivos mais graves para ela ter decidido manter distância da mídia do que estar odiando seu corpo ou sua gravidez, não é mesmo?

Quando finalmente vi o vídeo que ela fez, acho que eu fiquei tão feliz quanto as fãs que mais acompanham a vida de Kylie. A maturidade de ter decidido fugir dos holofotes apesar da família que ela faz parte me deixou impressionada, mas a forma delicada que ela anunciou sua filha ao mundo, não deixando espaço para questionamentos sobre ódio a qualquer coisa e focando apenas no amor, me deixou emocionada de verdade.

Provavelmente ter visto a experiência de suas irmãs e o constante julgamento que elas estavam expostas a ajudou a tomar tal decisão, mas nem sempre podemos esperar esse tipo de consciência de alguém, ainda mais de uma mulher que mal saiu da adolescência. Mais difícil ainda esperar isso de uma pessoa que passou a maior parte de sua existência dividindo cada respiro que dava.

Mas maternidade é isso. É deixar as estruturas balançarem e respeitar-se acima de tudo, afinal, mãe feliz é criança feliz também. Pelo jeito Kylie parece ter entendido isso bem mais cedo que muita gente, inclusive eu. 

 

8 em Comportamento/ maternidade/ Reflexões no dia 24.03.2016

#babynofuti: a gravidez por uma não grávida (uma reflexão da Jô)

Eu nunca dei bola para os momentos mais romantizados “da vida de uma mulher”. A verdade é que eu sempre fui um paradoxo. Em parte clichê, em parte antagonismo. Nunca quis um casamento napoleônico, uma grande festa de 15 anos, um marido de cinema ou muitos filhos. No entanto, tenho o coração romântico de uma adolescente ansiosa por viver grandes amores.

Sabe príncipe no cavalo branco? Sonho com isso! Como conheço o mundo em que vivo faço muita terapia pra desconstruir esses sonhos estereotipados. (deu para sacar o paradoxo? Acho que sim).

Assim, que nunca tive absolutamente nenhum sonho de engravidar, me vi vivendo a experiência de estar perto de uma grávida. Não tão perto fisicamente quanto eu gostaria, mas perto através dos aplicativos da vida moderna, além de viagens e outras coisas que passamos juntas durante esses meses. Eu que fui uma das primeiras a saber acompanhei de tabela esse período.

Eu descobri que pouco sei sobre gravidez, que pouco sei sobre bebês e que corajosa é a mulher que escolhe viver isso. Sim, a meu ver é uma escolha. Também aprendi que se o pai estiver tão envolvido quanto a mãe, as coisas tendem a ser bem melhores, mais suaves talvez.

Por mais distante que toda essa experiência de gravidez pudesse parecer pra mim, ver a Carla lidando com isso foi uma super referência. Se um dia eu optar por esse caminho eu quero me lembrar de tudo que eu vi nela, dos aprendizados bons e talvez ruins.

O que eu, como amiga, vi de mais especial? A calma e tranquilidade com que ela TENTOU levar tudo. Evitando criar expectativas, super estimar dramas vividos por tantas outras mulheres e fugir das coisas horríveis que algumas pessoas falam para as grávidas.

Sou tão mais dramática do que ela. Não me imaginaria passando tão bem por tantas coisas naturais. Ela tentou levar todos os aspectos da sua vida com normalidade e isso foi o que eu mais admirei. A gravidez da Cá me fez acreditar naquela máxima: gravidez não é doença e cada um pode levar esse processo da forma que acha que deve. 

Nesse meio tempo, passamos uma semana na Europa. Apenas mais uma das diferentes viagens que ela fez durante a gestação e me vi preocupada com coisas que antes não passariam na minha cabeça. Ao mesmo tempo que eu queria que ela dormisse mais, não se cansasse tanto e coisas desse tipo, eu ficava impressionada com o quanto a vida dela seguia normal. Ela ia aprendendo a aceitar ajuda e as filas preferenciais e eu aprendendo que a gravidez não era o pesadelo que eu tinha em mente.

Tá, ao ler minha última frase vejo que não só não era o tipo de pessoa que romantizava a gravidez, como era do tipo que tinha pavor dela. Não só o medo de o corpo mudar, dos desejos piorarem (eu tenho desejos a vida toda, já que lido com a compulsão desde muito nova) e dos hormônios ficarem doidos. De uma forma geral, acho que eu tinha medo da mudança, medo de nunca mais ser a mesma pessoa, por dentro e por fora.

Por essas questões ver a gravidez da Carla foi tão importante pra mim. Tudo mudou na minha forma de ver. Ainda que durante nem tudo sejam flores, ainda que eu ache que os hormônios de nós duas caminhavam em direções opostas e ambas estavam meio impacientes (sorry amiga, sei que eu não estava fácil, mas você também não estava igual). Tudo foi aprendizado de tabela.

Arthur-e-Jo

Pessoas dizem que a melhor coisa é morar junto antes de casar, mas acho que incluo nessa lista a dica de que todo mundo tinha que acompanhar uma gravidez de perto antes de ter filhos. Pode ser tão elucidativo, vocês não têm ideia. Por tamanho aprendizado de minha parte, eu sempre incentivei que ela trouxesse essa naturalidade para os textos do #babynofuti, ainda que eles a tornassem diferente da maioria.

Algumas pessoas podem não ter entendido, afinal, a Carla não usou laçarotes em baixo do peito, 2o0 roupas de grávida, não fez ensaios fotográficos ou tirou fotos fazendo carinho na barriga todas as semanas. Ela não levantou a bandeira de qual parto era melhor (afinal, ela só queria o melhor para os dois, não importava a forma que ele viesse ao mundo!).Ela foi ela mesma, não cedeu a clichês ou pressões, ela tentou fazer tudo do jeitinho dela. Isso foi de se admirar, tem que ter personalidade para fugir do óbvio.

Em parte ela era “chata” por não aceitar ajuda, mas depois eu entendi. Ela aceitou quando se tornou necessário. Ela me pareceu apenas estar tentando manter a normalidade da sua vida. Depois que ele chegou, passei 24 horas com ela e o Bernardo quando o Arthur ainda não tinha nem 1 mês. De cara vi que a coisa não é mole, não mesmo. Achei bonito de se ver tal trabalho feito em equipe (mãe e pai juntos).

É engraçado fazer uma reflexão sobre esse momento estando de fora. Percebi que nunca romantizei a minha possível gravidez, mas romantizava a gravidez como um todo. Com essa experiência, passei a entender que cada um vê a vida como acha que deve, com as suas dificuldades e com seus ganhos. Não é porque todo mundo faz a coisa de um jeito que você tem que fazer também. Você só precisa ser você mesma, sempre.

De tudo que vivi nessa experiência de terceira pessoa, o fato mais curioso não diz tanto respeito à Carla. Não me sai da cabeça o sentimento mágico que senti na hora que o pequeno Arthur chegou no mundo. Eu não sabia que ao ver alguém que você ama tanto grávida você já passava a amar aquela nova vida instantaneamente.

Para minha surpresa – mesmo! – eu chorei muito quando ele nasceu. Eu, que nunca na vida sonhei com a maternidade e que nem estava na mesma cidade, soluçava com cada foto do parto. Com um vovô médico que estava na sala e foi me atualizando minuto a minuto, cada primeiro respiro foi um flash.

Não posso dizer que tudo isso me fez querer ser mãe, mas não posso dizer que não fez. Isso eu entrego para Deus , mas mexeu comigo. Era como se naquele segundo eu tivesse podido experimentar um pouquinho daquele sentimento mágico que é ver uma nova vida começar no mundo. Era tudo muito preenchido de amor.

A photo posted by futilidades (@futilidades) on

Chorei várias vezes naquele dia e eu vi que a vida tem muito mais a oferecer do que a gente pode planejar ou imaginar. Em todas as fases existem boas surpresas quando estamos abertas pra isso. Quem podia imaginar que eu experimentaria algo totalmente novo naquela noite? Eu não. Achava que receberia a notícia e ficaria feliz, mas foi tão além de tudo isso que me impressionei.

Esse é um texto egoísta, feito por alguém que viveu apenas a parte boa da coisa, mas que entendeu um pouco mais sobre amar o próximo a partir daquele dia. Talvez tenha quebrado paradigmas e “pré conceitos”.

Daquela sensação, me permiti ter a liberdade poética de imaginar a alegria que deve ser fazer uma grande festa de casamento para celebrar um grande amor, a satisfação que deve ser ter um filho saudável, a felicidade que deve dar fazê-lo feliz e outros “sonhos clichês” que inicialmente “não eram os meus”.

É sensacional ver que há magia em todos os tipos de sonhos. Eu vou seguir perseguindo os meus. Agora só vou parar mais vezes para admirar as realizações do outro. Por mais que os objetivos sejam diferentes, a mágica em viver pode ser igual.

Foi assim, nessa pegada tão reflexiva, que eu passei a achar a gravidez algo bem mais natural do que imaginava.

Beijos


( que na verdade é apenas mais uma tia babona)

15 em Gravidez no dia 23.12.2015

Gravidez (na visão dele): Carta para o Arthur

Filho, falta muito pouco para você chegar. Estamos ansiosos. Planejamos cada detalhe, montamos seu quarto com todo carinho.

arthur

Seu quarto é uma mistura de um bando de coisas legais que eu e sua mãe escolhemos e ganhamos. Tem um skate pintado pela Rafinha, tem um quadro que comprei do tio Almirante, tem seu nome comprado e pintado na 25 de Março, tem um berço muito legal da Mundo do Bebê (filho, isso se chama publipost), tem um sapato igualzinho ao do papai dado pela tia Beta e pelo tio Wagner e tem um bando de gente que vai ficar chateada porque não os citei aqui.

Volta e meia eu falo contigo. Te dou bom dia, às vezes coloco Beatles pra você escutar e frequentemente falo do Jack, seu futuro companheiro e guardião. Tenho certeza que ele já sabe quem você é, ele entra no seu quarto e fica quietinho. Ah, e volta e meia ele deita na barriga da mamãe, como se quisesse te abraçar e te dar as boas-vindas.

Filho, estamos mais felizes do que nunca. Mas às vezes papai fica se perguntando:

Pra quê trazer ao mundo uma criança durante a maior crise moral, política e financeira da história do país? Pra quê trazer ao mundo uma criança numa época de tanto descaso com as classes menos privilegiadas e tanta desigualdade social? Pra quê trazer ao mundo uma criança em meio a tantos atentados com vítimas inocentes? Pra quê trazer ao mundo uma criança num período de crescente desvalorização da educação? Para quê trazer ao mundo uma criança que vai sofrer cada vez mais com as consequências do aquecimento global e queimadas?

Pois é filho, sabe para quê? Pra mudá-lo.

Arthur, que você e que as milhares de crianças dessa nova geração sejam a mudança que a gente tanto espera pro nosso planeta.

Te amo e estou te esperando para juntos, tentarmos fazer a diferença.

Papai.