0 em Autoestima no dia 16.01.2020

E os corpos femininos sempre no centro da mesa (o texto contém ironia)

Mal o ano começou e já tivemos uma treta formada: Cleo Pires postou uma foto de biquini e foi alvo de vários comentários nas salas das famílias brasileiras que estavam todas se preparando para jantar. Em contraposição, apareceu Bruna Marquezine, magérrima em um vestido branco. Detalhe: tempos atrás ela já havia falado dos seus distúrbios alimentares. Mulheres belíssimas as duas.

E ambas alvo das perseguições aos corpos femininos.

O corpo feminino é objeto histórico de comentários. Está magra demais. Não cansa de tirar fotos pelada. Está gorda e tem uma coragem enorme de se mostrar. Parece um homem de tanto que malha, entre outros.

Corpos femininos são objeto da cirurgia plástica, da arte, da religião, da moda, mercado de consumo. Existem modelos hegemônicos de corpos femininos e corpos que “insistem” em desviar desse padrão. O corpo é o que somos? Com certeza. Mas é também o que nos escapa, o que transcende e que é objetificado e deixa de nos pertencer.

O discurso é o da preocupação com a saúde, mas o que está por trás dessa preocupação? Quantas vezes nos perguntamos à pessoas que mudaram seus corpos como está sua saúde mental? Quantas vezes oferecemos escuta, espaço de elaboração à mulheres que pensam em fazer intervenções? Os cirurgiões alertam sobre as possíveis alterações de sensibilidade em regiões altamente sexuais? E sobre as mudanças nos corpos, caso volte a engordar?

Vejo mulheres lindas (eu considero todas as mulheres lindas) buscando padrões inalcançáveis.

E vejo também todo um tribunal de julgamentos pelas fotos postadas nas redes sociais. Nossos corpos são um lugar pelo qual deveríamos nos comunicar com o outro, e o outro conosco. E quando o outro valoriza padrões de corpos, ele nos comunica. Comunica que somos incompletas, insuficientes e nem a estrela da novela basta, quando ela decide mandar no próprio corpo.

Será que realmente a culpa da nossa baixa auto estima é das redes sociais? Será que é da vida líquida? Ou será que é dessa sensação de insatisfação gerada por padrões alcançados por poucos e a custa de muita saúde mental. Será que responsabilizar as tecnologias não é mais fácil do que olhar para dentro de nós e ver que parte nos cabe na construção de uma sociedade mais afetiva?

Se entendo que meu corpo, público e privado, é um conjunto de signos, produto de representações posso também utilizá-lo como forma de manifestação, um ato político de me conhecer e de dizer quem sou eu.

Muito prazer, mulher em construção, ponto de ebulição, se prepara para segurar essa pressão.

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