0 em Comportamento/ Destaque no dia 20.11.2019

Praticando o antirracismo

Se tem uma coisa que me marcou muito no Fim de Semana do Papo foi o primeiro bate papo que teve, sobre autoestima da mulher negra. A Luciana Barreto trouxe na conversa – que tinha muitas mulheres brancas – o pacto antirracista. Esse é o momento onde nós, como pessoas brancas, precisamos não só entender que o racismo existe e que nós o reproduzimos, mas combatê-lo dentro do nosso lugar na hierarquia social.

Hoje é o dia da Consciência Negra, e conversando com algumas amigas, percebi que também acaba sendo o dia em que muita gente acaba cobrando das pessoas negras para que elas ensinem e falem sobre esse racismo que elas sofrem tanto santo dia.

Então, achei que essa data vale a para que nós, como pessoas brancas, reconheçamos nosso papel nesse sistema. Então, estou aproveitando o momento para trazer a série Praticando o Antirracismo que a Joicy Eleiny criou no seu instagram @soutipo4.

1 – Não fale racista

Lembro da primeira vez que nos chamaram atenção para alguns desses termos. Coisas simples que a gente nunca tinha se dado conta, mas que fazem todo o sentido quando simplesmente paramos para escutar por quê elas incomodam. E não dá para ignorar que ao manter expressões racistas, a gente está contribuindo com esse sistema.

Não vamos dizer que é a coisa mais fácil do mundo se livrar de palavras e expressões que a gente passou a vida falando sem ter noção do que elas significavam de verdade. Mas com um pouco de atenção, elas vão saindo naturalmente do nosso vocabulário. Ou, quando aparecem, a gente imediatamente percebe o erro.

“Ah, mas que pentelhação, agora não se pode falar mais nada porque todo mundo se ofende”. Se você já usou essa frase quando alguém tentou te alertar, apenas pare. Não é (só) sobre ofensas, é sobre mudar uma estrutura que, infelizmente, é muito enraizada.

2 – Questione os espaços

Você já ouviu falar em “teste do pescoço”? É quando você entra em um ambiente e olha as pessoas que estão nele. Quantas pessoas brancas você vê? Quantas pessoas negras estão ali? Qual a cor da pele das pessoas que estão se divertindo e das que estão trabalhando?

Depois que você passa a enxergar isso, fica difícil não se incomodar com lugares onde a disparidade é enorme. Questionar os espaços que estamos é incômodo, sim. Mas é assim que conseguimos reconhecer nossos privilégios e saber como podemos mudar certas estruturas.

3 – Quantas pessoas negras são referências para você?

Diria que de todos os exercícios que ela propôs, esse é o mais fácil para nós. É claro que isso aconteceu porque saímos da nossa bolha (que era essencialmente branca, diga-se de passagem) e começamos a seguir cada vez mais mulheres negras. Elas foram indicando outras pessoas e nós fomos atrás de seguir. Hoje temos no nosso feed jornalistas, dermatologistas, artistas, escritoras, cantoras, atrizes, humoristas, professoras de yoga, blogueiras, psicólogas, militantes. Ter um feed com mais mulheres negras é essencial para a gente entender nosso sistema com outra perspectiva.

Esse TED Talks da Gabi Oliveira fala um pouco sobre referências e representatividade, vale cada segundo:

4 – Não endemonize

Religiões como umbanda e candomblé (as mais comuns no Brasil) são muito estigmatizadas. Essas duas religiões nasceram no Brasil mas dividem a mesma matriz africana. Seus praticantes são chamados de macumbeiros (da forma mais pejorativa possível), adoradores do demônio, satanistas. Tem quem diga que quem pratica essas religiões o faz para o mal. Um video bem fácil de entender a situação é esse:

Reproduzir esse discurso é racista e intolerante. E além disso, não vamos esquecer que a liberdade religiosa está na Constituição brasileira e na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Você pode acreditar na sua religião e segui-la sem demonizar a religião alheia.

5 – Desconstrua Estigmas

A mulher negra sofre com diversos tipos de estereótipos. Seja nos seus cabelos, considerados ruins (que bom que o boom das crespas e cacheadas aconteceu e estamos evoluindo nesse quesito!). Seja no seu corpo, onde o imaginário da mulher negra sexualizada as encaixam em um padrão de mulher voluptuosa, boa de cama, fogosa. Olho só esse post do canal da Nátaly Neri:

O impacto que todos esses estereótipos têm na autoestima das mulheres negras é enorme. Muitas mulheres negras passaram a vida negando seus corpos e suas belezas por causa disso. Entender esses quadros e ajudar a desconstruir essas ideias com outras pessoas brancas também é nossa responsabilidade.

6 – Compre de negros

De todos esses exercicios, esse foi o que mais mexeu com a gente. Porque nós sabemos o quanto é difícil empreender no Brasil. E, levando em conta que nosso público é esmagadoramente feminino, é mais difícil ainda para uma mulher negra. Os dados não mentem. Mulheres negras estão em último lugar na pirâmide social. São as que ganham os salários mais baixos, as que mais estão submetidas à empregos informais, muitas vezes abrindo mão de seus direitos para ganharem menos que um salário minimo. Para driblar essa conta que não fecha, as oportunidades que não surgem e a vulnerabilidade que muitas se encontram, o empreendedorismo negro tem sido uma saída. Esse TED da Ana Karoline Lima fala muito sobre essa questão:

E mesmo sabendo disso tudo e sabendo que estimular o negocio de pessoas negras é ajudar na luta antirracista, percebemos que podemos botar nos dedos de uma mão as mulheres negras empreendedoras que nós de fato ajudamos. A boa parte disso é que entendendo esse contexto, fica mais fácil de fazer mudanças nas escolhas. 

7 – Não tome o protagonismo

Uma coisa muito importante nisso tudo é a questão do lugar de fala. Estamos aqui, nesse dia, usando esse exercício que a Joicy criou para refletir sobre nossas atitudes como mulheres brancas. E usando nosso espaço, que sabemos que é majoritariamente branco, para trazer esse assunto. Nos consideramos aliadas, mas não somos as protagonistas dessa discussão. Esse vídeo do Murilo, do Muro Pequeno é bem bacana para entender mais sobre o que a Joicy falou:

Então, se você quer saber mais sobre atitudes e comportamentos que podem ser mudados e como ser um aliado no antirracismo, siga influenciadores e ativistas negros. Ouça suas histórias sem fazer julgamentos. Entenda seu lugar na estrutura social, e entenda também seus privilégios.

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