1 em Autoconhecimento/ Relacionamento no dia 11.11.2019

O mês em que eu sai de casa.

Quem nos acompanha no instagram já leu alguns argumentos desse post, mas como sigo aprendendo com essa experiência, resolvi falar um pouco mais sobre tudo isso aqui no blog.

Até outro dia eu morava no meu antigo quarto, com “minha” linda vista verde, em uma casa que funcionava independentemente de mim. 25 anos olhando o céu na mesma janela, 33 na mesma rua, em diferentes endereços. Há duas semanas, tudo mudou. Ou melhor, eu me mudei. Então, esse post é sobre mudança. Ou mudanças, pois foi muito além de algo físico.

Sempre achei que um dia iria contar pra vocês que iria morar sozinha. Na minha cabeça esse post seria completamente diferente, não só porque achei que moraria sozinha, mas por achar que seria bem mais simples. As expectativas são mesmo diferentes da realidade, em todos os sentidos. Fiz muitos planos pensando no futuro apartamento, onde eu viveria feliz comigo mesma e sozinha viveria todos os processos. No fim, tudo isso está sendo bem diferente pra mim.

A vida prega peças, e hoje faz pouco mais de 3 semanas que Rodrigo e eu temos agora a nossa casa.

Foram quase 14 apartamentos visitados em 4 meses até acharmos nossa casa do futuro. Aliás, agora casa do presente. Procuramos em tudo quanto é site e aplicativo, mas no fim, alugamos um que estava debaixo do nosso nariz. Estamos bem certos de que essa mudança era algo necessário pra gente, mas conforme uma galera avisou: não é fácil no começo. 

Estamos nos adaptando à mudança.

Cada um foi criado de uma forma, já tem suas prioridades e maneiras de fazer as coisas. Cada pessoa tem seu jeito de se organizar dentro dos espaços e nem sempre é fácil unir essas duas vivências tão distintas. Mas com diálogo estamos tentando chegar na nossa maneira de levar uma vida compartilhada.

Pra mim, na minha vivência completamente pessoal, essa parte prática é chatinha, mas mais de boa. Com pequenos ajustes a gente está aprendendo junto e levando cada semana que passa de um jeitinho mais leve.

Enquanto isso, minha sala com o pouco que tenho chega pra dizer: aguardem, vocês me verão muito por aqui!

De toda essa mudança, diria que deixar meus pais sozinhos não foi a tarefa mais simples do mundo, emocionalmente falando. Abrir mão da sensação do lugar de filha e ser, a partir de agora, responsável por tudo é desafiador. Eles e eu vivíamos uma jornada emocional muito misturada. Sair dessa dinâmica para criar a minha tem sido impactante pra mim e pra eles. No entanto, com o passar das semanas começou a deixar de ser muito difícil e passou a ser até mesmo libertador.

Esse ano estou investindo muito tempo e dinheiro em mudanças em geral. Gastei muito na obra do escritório e agora vou fazer as coisas em outro ritmo. Então abraçar o processo de que minha casa apesar de espaçosa e bem distribuída ficará meio vazia e não decorada. Nós dois investimos em eletrodomésticos e produtos que poderiam nos ajudar a manter a casa com uma boa dose de autonomia e praticidade, ou seja, pra nossa sala a gente só comprou um sofá. Com o tempo quero aproveitar os espaços e deixar do meu jeitinho, mas tudo no seu tempo e com as prioridades.

Esse ano não tá fácil para minhas mudanças emocionais. Mas tem muita coisa incrível acontecendo. To tentando me equilibrar entre essas maravilhosas e as outras bem difíceis também. Afinal nenhuma vida se faz de um só extremo, abraçar uma política de positividade tóxica também não rola pra mim. To vivendo processos positivos e negativos, buscando equilibrar tudo isso da forma mais gostosa que consigo. Quero lidar com tudo isso com leveza, tranquilidade e humor, sempre que dá.

No fim, tenho poucas certezas nesse processo e to tentando não me apegar em nenhuma verdade, pois tudo está vivo em transformação. A única certeza que tenho é que por mais complexo que esteja sendo tudo isso, eu quero construir minha vida do lado dessa pessoa que eu tanto amo. O Rodrigo e o noivado são a parte mais sólida de tantas construções ainda voláteis que estou fazendo.

Aos poucos, no meu tempo, vou organizar o quarto da bagunça e preparar esse apartamento pra ter a nossa carinha. No nosso tempo, sem pressa ou sem precisar provar nada pra ninguém.

Estou aprendendo muitas coisas pela primeira vez. Desde que voltei da Noruega ano passado, autonomia ganhou um peso muito forte na minha rotina. Tem sido assim esse momento de aprendizados, buscando juntos dar conta do todo. Fazer TUDO sozinhos pela primeira vez prega peças no nosso emocional, por mais conscientes que estejamos de vários privilégios que nós temos. Essa foi uma mudança completa, mas planejada e organizada. Nos preparamos financeiramente pra ela, mas talvez não exista preparo emocional suficiente quando sua vida muda tanto de uma hora pra outra. Tudo isso nos convida ao autoconhecimento. Sinto que virão reflexões por aí, nas redes e nos eventos.

Vocês se interessam pelo tema?

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1 Comentário

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    Renata Castro
    12.11.2019 às 14:12

    Adorei o texto, Jô!! Sair da casa dos pais realmente é um acontecimento muito importante e transformador. Desejo muitas felicidades para vocês na nova etapa!! Ah, e continue trazendo suas reflexões pro blog. Amo seus textos!! Bjo

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