0 em Saúde/ Sem categoria no dia 30.09.2019

Você já pensou nos riscos da roupa apertada?

Invariavelmente eu escuto de diversas mulheres que a grande motivação que as levam querer emagrecer é para caber em uma roupa. Voltar a caber em uma roupa apertada, em uma peça antiga ou mesmo vestir um look do qual elas não querem se desfazer é um argumento muito repetido nos consultórios mundo a fora. Visando emagrecer para “voltar a caber em uma roupa apertada”, mulheres comuns se dividem em muitas estratégias, nem sempre muito saudáveis, para emagrecer. O problema começa quando escolhas que não são boas são feitas para entrar num ciclo complicado que envolvem 3 variáveis: dieta x roupa x corpo.

Que atire a primeira pedra quem nunca usou uma roupa apertada na vida porque não conseguiu se desfazer dela. Por mais que todas tenhamos passado por isso tendo a me questionar o quanto isso é saudável, não acho esse hábito bom para a saúde. Nesse contexto me peguei refletindo sobre o lance da roupa e do tamanho que acreditamos ser e ter. Já falamos disso aqui, dessa vez me peguei pensando mais especificamente no impacto e nos riscos da roupa apertada.

A roupa apertada para alguns pode ser um termômetro, para outros um risco ao amor próprio. Encolher a barriga e ficar sem respirar direito para a calça fechar. Usar cintas ou modeladoras para a roupa “não marcar” ou até mesmo para diminuir um tamanho. Ou até mesmo passar o dia desconfortável por causa de tanto aperto.. Roupas que apertam são uma forma de machucar ou agredir nosso corpo? Acho que sim.

Será que as nossas prioridades não estão invertidas?

Por que estamos fazendo isso com nossos corpos? Por que estamos agredindo nossos corpos dessa forma? Não estou questionando a moda como adorno ou forma de expressão, mas sim o impacto das roupas apertadas que tão comumente fazem parte da rotina de uma mulher.

Por que não podemos entender que nossos corpos vão mudar ao longo da nossa vida?

Estamos em constante processo de evolução. A firmeza da pele muda ao longo dos anos, o formato do corpo também. Há um ganho de peso comum a idade, o nosso metabolismo que muda.

Me pergunto se estamos acolhendo esses processos naturais do nosso corpo. Aceitar que certas roupas da juventude não irão caber num corpo mais velho não deveria ser um processo natural de amadurecimento?

E não. Não estou falando que temos que nos acomodar então com essas mudanças e largar o corpo de mão, nada disso. O que proponho aqui é que temos que entender que o nosso corpo vai mudar. O número da roupa também e isso não é nenhum fracasso. Quanto mais insistirmos em usar roupas apertadas mais críticas, julgamentos e xingamentos com nosso corpo nós fazemos. Focar toda nossa atenção na parte do nosso corpo que está sendo massacrada a servir a uma roupa só nos leva a pensar que aquele tamanho não nos serve e facilmente entramos num ciclo de frustração.

E por que isso não é legal? A resposta é bem simples: Quanto mais eu acolho e sou gentil com meu corpo, mais estratégias efetivamente saudáveis eu faço em relação a ele. Cuidar do nosso corpo com amor e respeito é muito mais sustentável do que fazer planos mirabolantes por odiar esse corpo. Por fim, comprar uma roupa um pouco maior para não agredir meu corpo pode ser uma forma de passar por esse processo, bem como pensar em melhorar a minha relação com ele e com a comida que eu como. Me propor a melhorar a minha relação com a minha comida me livra do aprisionamento que são as dietas e invisto efetivamente em uma alimentação saudável. Passível de mantermos de maneira equilibrada ao longo da vida.

Acho que as vezes a gente esquece que na verdade as roupas existem para servir nosso corpo. Não o contrário. Nosso corpo não é uma massinha de modelar que pode ser transformado para servir a uma peça de roupa, a um estilo de look ou a uma tendência de moda. Nosso corpo é vivo e ele muda, precisamos reconhecer isso e trazer um pouco de paz pra essa relação.

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