2 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 26.09.2019

De volta para casa, um texto sobre nadas e tudos

Quem me segue no Instagram já sabe que após um ano morando em Amsterdam, por motivos que talvez virem textão um dia, peguei minhas coisinhas e cruzei o Atlântico de volta para casa. E esse é o principal motivo para eu ter sumido daqui em agosto!

Primeiro pela correria da mudança. E segundo porque voltar para o Brasil foi meio surreal. E se tudo ficou confuso na minha cabeça, não teria a menor possibilidade de colocar o que estava sentindo em palavras.

Acho que foi a primeira vez em muito tempo em que Mayara não sabia o que dizer nem sentir.

Mas agora que estou há mais de um mês me readaptando, as coisas parecem estar mais “normais”. Entre aspas porque eu ainda não tenho um trabalho. Porque fiquei quase 10 dias de repouso em casa por conta de uma caxumba e as roupas que ficaram um ano guardadas no armário não me cabem mais e, bom, não tenho a rotina que eu tinha antes de ir embora. Não ter rotina é algo que me incomoda bastante e não me ajuda a sair do modo “férias”. Sinto que vou voltar para Amsterdam a qualquer momento (ou para o trabalho que eu tinha antes de ir para lá). 

Na real mesmo, parece que Amsterdam aconteceu num universo paralelo, tipo Upside Down de Stranger Things.

Não que não existiu, já passei da sensação de que foi apenas um sonho. Mas é como se existissem duas vidas: minha vida de Amsterdam e minha vida de São Paulo. Muito louca essa sensação, e eu nem to em condições físicas ou mentais de tentar entender tudo de uma vez. To indo aos poucos, sentindo a temperatura da água antes de entrar, um passo de cada vez, suave na nave (insira aqui outro ditado). Mas se alguém ficou um tempo fora, voltou para casa e se identifica com alguma baboseira que escrevi até aqui, por favor me manda um alô. Vamos trocar figurinhas, me ajuda, HELP!

Eu pensei muito e por alguns meses antes de tomar a decisão de voltar. E quando eu finalmente decidi sobre a volta pra casa, decidi também não pensar muito sobre o que isso significaria.

Troquei de trabalho para poder passar mais tempo curtindo Amsterdam e os amigos que fiz lá. Juntei um dinheiro, planejei algumas viagens e foquei nesses momentos, no pré-volta, sem expectativas do que seria ou deixaria de ser. Comi muito, bebi mais ou menos, dancei mais do que imaginava, conheci gente nova aos 45 do segundo tempo, andei de moto pelas ruas de Madri, bebi champagne no pé da Torre Eiffel, agradeci por tudo em Jerusalém, revi amigos que há anos não via. Deixei para me preocupar com o que eu precisasse me preocupar quando chegasse aqui. 

Enfim, gente. Vim aqui falar sobre nadas e tudos. Vim falar sobre ter fechado um ciclo e ter deixado a Holanda com o coração leve, alegre e cheio de gratidão por cada coisinha que pude vivenciar. Dos perrengues ao gramú, porque todos eles fizeram da Mayara quem ela é nesse exato segundo. Ainda não tenho as respostas para tudo e não sei o que vou fazer “para sempre”.  Porque não dá para ter todas as respostas e porque, apesar de ser uma romântica assumida, mais do que nunca entendo que “para sempre” é sim relativo. No final, o importante mesmo é entender o que faz sentido na minha vida agora. E agora, faz muito sentido estar em casa. 

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2 Comentários

  • RESPONDER
    Maria
    28.09.2019 às 14:19

    Vim só sugerir, como pessoa que mora fora do Brasil e foi aconselhada a entender culture shock, pra vc dar uma olhada nisso – se ainda não deu, vai que não deu, então fica a dica. O processo de reentrada na sua cultura é sempre caótico tbm! =D

    • RESPONDER
      Mayara Oksman
      29.09.2019 às 15:58

      Oi! Nunca dei um Google porque nem sabia o que procurar, mas eu já sabia que voltar para o Brasil teria um impacto grande no dia-dia que eu estava acostumada em Amsterdam. Obrigada por dar um nome ao que estou sentindo 😂 vou lá fazer uma busca nesse segundo!

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