0 em Autoestima/ Moda no dia 24.09.2019

O problema não está em você na hora de comprar roupas.

Dia desses eu estava ajudando a Jô a montar uns looks por whatsapp. Obrigada, internet e tecnologias, que nos aproximam de quem está a quilômetros de distância! E uma reflexão surgiu entre tantas mensagens de texto, de áudio e muitas, mas muuuuitas fotos:

“É MAIS COMUM VOCÊ TER DE FAZER AJUSTES EM PEÇAS COMPRADAS PRONTAS DO QUE O CONTRÁRIO”

E daí surgiu a ideia pra esse post. Calma, eu explico.

A Jô é uma mulher alta. Ela se autointitula no “limbo”. Isso é, aquela pessoa que não tem tanta facilidade pra encontrar peças nas lojas de grade regular, mas que não é plus size o suficiente pra buscar nas lojas especializadas em tamanhos grandes. Já falamos disso há um tempo no blog.

E aí que ela tinha acabado de comprar uma saia midi que, para o gosto dela, estava comprida demais. A essa altura, todo mundo que lê esse blog sabe que a gente não trabalha com certo ou errado. Muito menos regras do tipo “baixinhas podem usar tais coisas ou altas podem usar outras tais coisas”. Pois bem, eu falei pra ela exatamente o que escrevi em letras garrafais aí em cima. E foi aí que caiu uma ficha.

Afinal, falando com milhares de mulheres pela internet e com as clientes da Assinatura de Estilo , já deu pra sacar que uma das principais questões que enfrentamos é o fato das roupas não caírem certinho na gente.

Ora porque precisa fazer uma barra de calça pra se adaptar à nossa altura. Ora porque precisa apertar a cintura. E é muito louco pensar no tanto que isso mexe com o nosso psicológico. Muita gente simplesmente detesta comprar roupa porque tem preguiça desse tipo de providência.

Outras tantas pessoas detestam comprar roupas porque elas acreditam que esse tipo de situação só serve para lembrá-las de que o corpo delas não é o certo, não segue o padrão.

ilustra: agathe sorlet

E por mais que a gente esteja aqui, fazendo trabalho de formiguinha diariamente, pra lembrar que NÃO, ISSO NÃO É VERDADE, preferi partir pra parte técnica da coisa. Quis tentar te explicar por que você não é todo mundo e por que você não tem que se frustrar se a roupa não caiu certinho no seu corpo. Vem comigo.

Todas as marcas, sejam elas as próprias fabricantes das roupas que comercializa ou não, têm um modelo de prova. Um corpo que serve de exemplo pra testar caimento da peça, pra produzir as peças piloto, pra decidir se aquela roupa entra na coleção ou não. Ou seja, é uma pessoa com um formato de corpo específico que vai servir de parâmetro para a criação das peças daquela marca.

Essa pessoa pode ser alta, baixa, magra, gorda, com quadril assim, cintura assado, não importa. O que importa é que as peças piloto das marcas normalmente nascem das medidas do corpo de uma modelo de prova. E, ao entrar em produção, essas medidas servirão de parâmetro para aumentar ou diminuir o tamanho daquela peça conforme a grade da loja. Ou seja, se as peças nascem do corpo de uma pessoa e seguem, de alguma maneira, as medidas do corpo dessa pessoa como base para serem produzidas.

Dito isso, qual é a chance de você se encaixar PERFEITAMENTE nessas medidas?

Pequenas, eu diria. Segundo estudos anatômicos, se levarmos em consideração as proporções de altura, largura e profundidade do corpo feminino, existem mais de sete milhões de possíveis combinações. Interessante, não?

Veja bem, não estou dizendo que você NUNCA vai encontrar uma peça que sirva direitinho no seu corpo. Mas entender esse processo ajuda muito a não ficar frustrada na hora das compras. Ou na hora fazer um ajuste simples pra que a peça caia certinho em você. E isso é absolutamente libertador.

Da próxima vez que você tender a achar que problema está em você, que tal lembrar que seu corpo apenas não é igual ao da modelo de prova?

Agora, a dica da consultora de estilo aqui: se a peça não cair bem porque a modelagem não tem nada a ver contigo, com seu gosto pessoal ou seu corpo, esquece. Não tem ajuste que vá salvar. Afinal, ajuste é diferente de reforma, e uma reforma nem sempre dá certo. Quando falamos de ajustes estamos falando de coisas simples como encurtar uma barra (de saia, vestido, calça), ajustar uma cintura, encurtar uma manga.

E pra esse ajuste ser simples a dica de ouro é: compra a peça que sirva bem na maior parte do seu corpo. Exemplo típico: mulheres de cintura fina e quadril mais largo. Muita gente que tem essa configuração de corpo escolhe uma calça de número menor pra não sobrar na cintura, e assim mal consegue se mexer pois ela está super apertada no quadril. Experimente comprar a calça que serve certinho no quadril (ou seja, um pouco maior) e fazer depois um ajuste simples de cintura. Você vai se sentir muito mais confortável.

Idem pra quem é mais baixa mas não tem cintura fina. Compre a calça que dê na sua cintura confortavelmente, ainda que sobre tecido na barra, e mande ajustar o comprimento depois.

O único jeito da roupa cair “perfeita” em você é fazendo por encomenda (e bem entre aspas, porque perfeito não existe, rs). Por isso, não se cobre tanto, não se frustre se a peça não servir perfeitamente em você. E se não servir certinho, não há nada que um ajuste não resolva, certo?

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