1 em Autoestima/ Saúde no dia 17.09.2019

Minha história com a tricotilomania

Olá, eu me chamo Bruna. Quem está no grupo do Papo sobre autoestima já me conhece de outras datas.  Vou aproveitar que falei sobre o grupo para começar a contar a minha história, porque ele foi um marco importante na minha vida. Mas começamos pelo começo, não é mesmo? Hoje eu vim contar um pouco sobre a minha história com a tricotilomania. Pra quem não conhece, é a compulsão de arrancar cabelos. 

A tricotilomania me acompanha desde muito cedo. Descobri de fato o que era e que eu tinha tricotilomania aos 13 anos, assistindo MTV e um programa chamado Transtornos Mais Bizarros. O que foi um tanto chocante, mas me abriu a mente para pesquisar mais sobre o que eu estava vivendo. 

Obviamente as pesquisas no Google não foram as mais agradáveis. Tudo o que você joga no Google aparece que você pode morrer. Não foi diferente com a trico (vou chamar assim para simplificar). Fiquei por semanas assustada e tentando me controlar à força. Tentei ocupar minhas mãos à todo custo. Diversas tentativas frustradas, que me deixaram muito insegura e retraída.

Durante a minha adolescência eu sempre tentava esconder as falhas que iam se formando na minha cabeça.

Primeiro usei penteados, depois uma touca. Quando cheguei no auge das minhas crises – onde realmente fiquei careca – precisei usar uma prótese capilar. Foi onde a Mari, minha cabeleireira, entrou na minha vida e nunca mais saiu. A Mari foi a única cabeleireira que se dispôs a tentar colocar a prótese nos pequenos fios que eu tinha. O que deu muito certo, apesar de doloroso. 

Usar a prótese foi uma das minhas primeiras libertações nesse processo. Finalmente eu podia fazer coisas simples de uma adolescente, como por exemplo, frequentar a educação física sem medo de ficar exposta. Mas com o passar do tempo, a existência da prótese se tornou um escudo. Eu depositava nela todas as minhas ansiedades e frustrações. Com isso surgiram as crises de ansiedade na minha vida, o que fez com que eu me escondesse cada vez mais.

E eu escondia por medo dos julgamentos. Por diversas vezes tentei buscar ajuda médica, até de pessoas próximas. Todas falavam que eu era louca de fazer aquilo com a minha aparência. Que se eu tivesse força, eu conseguiria parar (como se eu nunca tivesse pensado nisso), entre outros argumentos.

Até que eu decidi cursar Psicologia e me deparei com aulas e análises sobre a tal tricotilomania.

Dessa vez encontrei matérias e até grupos de apoios para desabafar. Foi assim que conheci o Papo sobre autoestima. Observei um tópico sobre o primeiro Picnic do papo em 2017. Como eu estava buscando lugares para ser acolhida e sair um pouco do escudo que eu criei, comecei a interagir e me comprometi em ir ao picnic. Confesso que quase desisti de ir. Tive uma crise de ansiedade na noite anterior, saí chorando de casa. Precisei que meu namorado ficasse andando pelo parque para que eu tivesse quem me socorresse, caso eu não conseguisse ficar lá.

Logo no primeiro momento que eu pisei no Parque Ibirapuera, minha vontade era sair correndo. Me sentei num canto atrás de várias meninas, e quando a Jô chegou, ela fez questão de abrir a roda. Com isso, eu tive que ficar no meio de todas. Não esqueço o quanto eu tremia naquele dia. E não era de frio, não, era de ansiedade mesmo. Até que todas começaram a se apresentar e chegou a minha vez.

Aquele momento foi tão importante na minha vida, porque pela primeira vez eu falei abertamente sobre a tricotilomania. Contei sobre minhas crises, meus medos e o quanto eu estava tremendo só de estar ali. Não pensei muito bem nas palavras que saiam da minha boca. Quando vi, já tinha contado tudo e estava recebendo abraços e ouvindo outras pessoas se identificando com a minha história. Foi surreal!

A partir daquele dia, eu comecei a falar na terapia sobre a necessidade que eu tinha de ser entendida pelas pessoas.

Eu tinha me retraído tanto que ninguém sabia ao certo o que acontecia comigo, então comecei a me abrir com amigos e familiares. E falar sobre tricotilomania tornou-se recorrente na minha vida. 

Com muita terapia e apoio da Mari, minha cabeleireira, meus cabelos começaram a crescer. Comecei a investir em produtos que me ajudassem no crescimento. E assim, a Bioextratus, que conheci através das meninas, entrou na minha vida com a linha Força com Pimenta. Ela não só ajudou no crescimento dos meus fios, mas também me ajudou a cuidar do meu couro cabeludo, retirando todas as casquinhas de machucado que eu fazia com a unha. Elas faziam a minha cabeça coçar e, consequentemente, arrancar mais fios. Hoje eu indico essa linha para todos e não tem um dia que ela não esteja no meu chuveiro!

Mas retornando. Com a ajuda da minha psicóloga e da Mari, comecei a entender que a tricotilomania não era algo negativo em minha vida.

Selecionei essa foto que tirei pouco tempo depois de tirar a prótese e colocar o aplique.
É uma foto que diz muito sobre como eu me sinto nessa fase.

Por diversos momentos de crise ela foi um refúgio. E descobri que eu tinha, sim, domínio sobre aqueles sentimentos que me faziam puxar cabelo. Comecei a tentar novamente, e agora com tentativas bem sucedidas, conseguia controlar por dias, e até mesmo semanas. Meu cabelo ficou grande demais para esconder debaixo da prótese. Então, no ano passado, eu assumi os meus fios, trocando a prótese por um aplique apenas onde as falhas ainda são maiores.

Finalmente realizei o meu desejo de fazer um coque! Sim, pode parecer bobo, mas eu sempre quis fazer um belíssimo coque desconstruído.

Hoje em dia eu tenho o meu cabelo à mostra, me reconectei comigo mesma e voltei a me enxergar no espelho. Aprendi que não devo me envergonhar das crises, e muito menos me envergonhar de pedir ajuda nos momentos de crise. Ainda arranco uns fios, mas hoje consigo entender que esses momentos são alertas sobre outras questões que talvez eu esteja ignorando. Aprendi a me entender, me aceitar, me olhar com carinho. E todos os dias tento ser menos rígida comigo mesma. Eu estou em transição todos os dias, e nada se compara ao sentimento que tenho ao me olhar no espelho e finalmente me reconhecer, sem escudos e sem disfarces.

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1 Comentário

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    Daniela Maksoud
    17.09.2019 às 18:58

    Oi, Bruna!
    Seu post me comoveu demais e você é LINDA!
    Te desejo muita felicidade e que você se divirta muito fazendo coques desconstruídos! \o/
    Beijos! ;*

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