1 em Sem categoria no dia 14.06.2019

Para todos os meninos que (em tese) amei antes

Não vou nem tentar enrolar vocês, meu povo: escrevo esse texto completamente influenciada pelo texto do mês passado e por Lara Jean.

Explico: quando penso em futuros relacionamentos e nas laranjas inteiras que podem cruzar meu caminho, acabo automaticamente pensando nos rolos/crushes/namoro do passado. Penso no que me fez feliz, no que me chateou, em como eu agi em algumas situações e como agiram comigo.

Refletindo mesmo, ponderando, notando como hoje faria diferente em algumas ocasiões ou completamente igual porque sou ariana e ponto final. Lara Jean me inspirou na forma de materializar esse texto: não escreverei cartas que serão erroneamente enviadas por correio. Mas escrevo, em algumas palavras, o que diria para quatro caras que foram muito importantes na minha vida, em diferentes fases dela

Para o meu eterno “amor à primeira vista”

desde o primeiro dia que te vi, senti algo diferente. Tudo bem que foi em plena adolescência, mas senti. Razão dos meus chororôs com as amigas na hora do intervalo, você me dava atenção quando ninguém estava olhando. Na época me perguntei se era o jeito que eu me vestia, se era porque eu ainda não tinha desenvolvido o corpo que as outras meninas já estavam desenvolvendo. Se era a falta de peitos, o aparelho, meu jeito grudentinho demais.

Fazia de tudo por você, puxava seu saco, tentava chamar sua atenção “gostando” das mesmas coisas que você gostava. Acho que tudo isso faz parte de ser adolescente, né? De querer ter um primeiro amor, um namoradinho na escola?

Enfim, a lição com você na realidade é uma doce lembrança de um tempo que não volta mais e na consciência de que a gente é quem a gente é e que não precisamos mudar para agradar ao outro. Meu cuidado e carinho por pessoas que gosto, por exemplo, são qualidades que eu já tinha naquela época e que hoje me orgulho de manter. Puxar saco ficou no passado, tentar gostar de bandas de rock só porque o crush curte talvez role ainda, mas, enfim, você entendeu.

Aliás, de todos os garotos, você é o único que permanece na minha vida e que me orgulho de ter por perto. 

Para o menino que eu achava ser meu príncipe encantado

Eu te olhava todos os dias e pensava como seria estar ao seu lado. Hoje chego a me achar ridícula em colocar isso em palavras, mas era verdade. Te coloquei num pedestal antes mesmo de te conhecer. E acho que demorou muito tempo, mesmo depois do pé na bunda que você me deu, para te tirar de lá. Lembro exatamente como tudo começou e como nossos amigos arquitetaram todo um plano para finalmente me apresentarem para você.

Lembro da tequila na balada de salsa, da pizza de moletom e de já ter te entregado uma carta mais longa que esse parágrafo. Você já sabe como quebrou meu coração. Mas queria te dizer algo que nunca te disse: foi lindinha a nossa mini e breve históriaFoi muito importante também. Me ensinou a cair e a levantar.

Chorei rios por você e sofri de verdade, mas isso me ajudou a criar aquela casca que todo mundo comenta, aquela que vai engrossando pros próximos relacionamentos, pros próximos términos. No final, você foi justo. Hoje eu entendo que você simplesmente não estava pronto para ser o meu príncipe encantado. E eu não estava pronta para descobrir que não existe príncipe encantado. E deu tudo certo, tá tudo bem. Você nem precisava ter me pedido desculpas anos depois, mas achei demais que você tenha feito isso. Eu sempre te admirei e continuo te admirando, de longe, no meu canto, do meu jeito. 

Para o moleque achava ser um homem

Hoje, mais informada sobre a vida e sobre feminismo, vi que no final das contas me livrei de uma cilada, Bino. Você me deu dicas do quão machista era e na época eu ficava meio “assim” com os comentários. Mas achava que tudo bem, que era só da boca para fora. Na realidade, foi nessa época que comecei a desenvolver meu instinto de “eita, tem algo errado aqui nesse discurso”. O típico homem pode, mulher pode mais ou menos.

Te acho uma pessoa de bom coração e admiro o profissional que é, mas como namorado, marido, pai dos meus filhos inexistentes, não, obrigada! No nosso breve período juntos, você serviu sim para um propósito importante da minha vida. Mas como lidou com isso… foi realmente péssimo. A “macha” fui eu ao dizer que você não precisava mais inventar desculpas e que podia sumir de vez sem problema algum.

Vi o cara que se vendeu como homem virar um moleque em questão de dias. E tudo bem também, melhor para mim e para você. Já imaginou como seria difícil manter uma mulher como eu na sua jaulinha? No seu mundinho? Pois é, ainda bem que cada um seguiu rumo para um caminhos diferentes. 

Para o grande sonhador

Acho que você desencadeou o serzinho ciumento que existe dentro de mim quando brincou de sair com outra menina quando eu deixei de te dar bola. Aí rolou aquele chove não molha, vamos-não-vamos-então-vamos. Longas DR’s por BBM (o aplicativo muda, mas eu não nesse aspecto, aparentemente), um estranhamento e, finalmente, um namorico.

Juntos, você tentou me mostrar o mundo de outra forma, mas eu não estava pronta e acabei entendendo apenas que éramos duas pessoas muito diferentes, com gostos diferentes e com sonhos diferentes. Você tentou preencher um vazio que não dava para ser preenchido, porque foi uma época de mudanças nas nossas vidas com o final da faculdade e eu me vi sem chão e sem rumo.

Você me sufocou um pouquinho ao tentar me fazer sentir amada. Acho que até hoje vejo as coisas que você fazia como “too much”, mas a diferença é que hoje, depois do tal namorado meio abusivo, reconheço a importância em estar com alguém que me quer bem e que me faz bem. Nunca te agradeci por ter tentado, da sua forma, me fazer sorrir, então: obrigada, de verdade. E desculpa por não ter dado valor para isso, mas te garanto que aprendi a lição! Hoje eu dou muito, muito valor sim.  

Antes que vocês me perguntem, nenhum desses garotos é o Peter Kavinsky. E como já bem diz o título, não cheguei a amar esses quatro caras.

Me apaixonei sim, em duas dessas ocasiões, e é legal conseguir enxergar a diferença de forma clara. Se eu pudesse entrar em uma máquina do tempo, não mudaria nada do passado não, viu gente? Porque eu sou quem eu sou hoje graças a absolutamente tudo que aconteceu na minha vida ao longo de 30 anos. Cada um deles me ensinou algo, me fez enxergar algo, me fez feliz de alguma forma. Escrevo de coração para eles e para vocês

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1 Comentário

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    Pâmela Le.
    14.06.2019 às 12:01

    Muito legal essas “cartas”. Muitas vezes me pego pensando nas coisas que fiz no passado e que fizeram para mim. Se eu pudesse, com certeza mudaria muita coisa, mas acredito que era pra ter sido assim mesmo.

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