0 em Autoestima/ Destaque/ feminismo/ Relacionamento no dia 30.05.2019

O tal nome de casada

Semana passada rolou um debate super interessante no Papo sobre Autoestima. Ele começou no grupo de Facebook, se estendeu para o Instagram e agora trago para cá. O assunto? O nome de casada. Ou melhor, a escolha de usar ou não o sobrenome do marido ao se casar.

Houve um consenso que trocar todos os documentos era um trabalho enorme. Esse foi o motivo que muita gente não cogitou a troca do nome. Outras quiseram manter seu sobrenome pois fizeram sua carreira profissional em cima dele. Teve quem disse que, na época do casamento, não se questionava sobre isso. Teve gente que trocou para poder tirar o nome do pai que foi ausente, omisso ou até mesmo abusivo. E em alguns casos, os dois mudaram os sobrenomes.

Alguns dos muitos comentários no nosso post do instagram. Vai lá ver, a discussão foi muito bacana, e os relatos, inúmeros.

Quando o assunto é nome de casada, a escolha acaba sendo pessoal e intransferível.

O que não significa que não podemos questionar a tradição. E ver se faz sentido para a gente. Tradicionalmente, o nome de casada de uma mulher era criado ao retirar o sobrenome materno, mantendo o paterno. Por fim, incluía-se o nome do marido. A ideia, assim como a da noiva ser levada ao altar pelo pai, é que ela deixaria de ser propriedade do pai e passaria a ser do marido. E notem que as mulheres saíam total da equação.

Atualmente é possível fazer todo tipo de combinação possível. Inclusive a de não mudar nada. As opções podem ir desde cada um ficar com seu sobrenome ou o marido incluir o da mulher. Pode acontecer de ambos incluírem o sobrenome do outro. Esse último me parece realmente uma solução igualmente justa, mas as mudanças dos documentos continua sendo uma coisa bem chata.

Mas isso parece mexer com as pessoas.

Percebo que muita gente que ainda resiste a pensar sobre essa tradição, ainda tem por trás uma ideia romantizada de família. Como se o fato de ser uma família precisasse ser validado pelo sobrenome. Ou que isso é uma prova de amor. Ou que os filhos precisam ter o mesmo sobrenome que a mãe.

Trocar o nome atualmente é uma decisão feita com base na sua escolha, na sua vontade e no seu sentimento. Mas é importante trazer essa discussão à tona. Em tempos onde falamos tanto sobre liberdade feminina, por que não questionarmos os conceitos antigos por trás de um gesto que só perpetua uma cultura machista? Por quê não trazer um pouco mais de clareza para quem ainda pode fazer essa escolha? Mostrar as opções? Informação nunca é demais, afinal.

Lembrando sempre que, se em algum momento da sua vida você fez essa escolha, isso não te torna menos feminista. E também não é um ataque ou crítica. Se você está segura dos motivos que te levaram até a sua decisão e vive em paz com sua escolha, com certeza vê a importância de poder trazer esse debate e dar à todas as mulheres o que elas deveriam ter desde sempre: clareza para que se faça uma escolha consciente.

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