0 em Comportamento/ maternidade no dia 23.04.2019

Sobre tentar se enturmar com as mães da escola

Em dois meses eu completo 3 anos morando em Nova York. Mas posso dizer que meu grande passo só aconteceu mesmo há uns 3 meses, quando eu comecei a tentar me enturmar com as mães da escola.

Eu achei que seria fácil. Lembro que uma amiga minha, que botou a filha na escolinha mais ou menos na mesma época que eu, se enturmou super fácil. Todo dia ela tinha coisa para fazer na casa das outras mães. Eu achei que seria igual.

Bem…Arthur entrou na escolinha com 1 ano e meio. Ele está com 3 anos e 4 meses, então faz as contas. Foram basicamente 2 anos inteiros sendo uma pessoa simpática, que ri, fala oi, mas que não dava nenhuma chance de aproximação.

Toda vez que eu tentava, eu sentia certa dificuldade para entender boa parte do que elas estavam falando. Sentia mais dificuldade ainda de seguir a conversa. Não só por causa da língua, mas também porque muitas vezes elas estavam falando de coisas que eu não sabia dar opinião. Quando ele foi para essa nova escolinha, tive outra dificuldade. As mães da escola já se conheciam do ano anterior, então todas já se falavam e sabiam coisas umas das outras. Por causa disso tudo, toda vez saía meio frustrada, e muito cansada, na maior parte das vezes.

O fato de conhecer muitas mães brasileiras – e já falei de algumas aqui – fez com que eu me isolasse constantemente. Muitas vezes sem perceber, e sem intenção. É muito fácil você se manter na zona de conforto quando está insegura.

Só que, no caso das mães brasileiras, cada uma mora em um canto. A que eu tinha mais perto de mim, no meu prédio pra ser mais exata, foi morar em outro país. Muitas moram em New Jersey. E eu me vi ficando cada vez mais sozinha. E o isolamento começou a pesar. Somos seres sociais – e sociáveis – no fim das contas.

Via mães passeando juntas com seus carrinhos e crianças pela rua, e sentia inveja. Via mães da escola nos parques enquanto os filhos brincavam, e me enfurnava no celular para tentar me sentir menos sozinha.

O que mudou? Arthur.

Foi ele que puxou pra fora dessa zona de conforto ao fazer amigos. Mateo e Cruz, o nome deles. Eles começaram a pedir playdates nas casas um dos outros, e foi assim que eu passei a conviver mais com as mães deles (no caso do Cruz, inclusive, são duas mães). E assim eu fui me sentindo mais acolhida, mais por dentro das conversas, e mais segura também.

Outro dia eu fui para o parque depois da escola, e lá estavam outras mães da escola. Fiquei impressionada quando me toquei que, enquanto Arthur estava brincando com as meninas, sem nem perceber, eu estava ali, sentada conversando com elas sobre vários assuntos. Alguns que, inclusive, eu puxei. No outro dia, fui para casa de um deles e voltei quase 9 da noite, de tanto que o papo tava bom.

Enturmada. Finalmente.

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