0 em Autoconhecimento/ crônicas no dia 11.03.2019

O dia que eu saí do seleto grupo de quem não gosta de café

Eu sempre fui uma pessoa que falava em alto e bom som que não gostava de café. Batia no peito mesmo, cheia de orgulho, a cada oportunidade que aparecia. De preferência, quando a conversa girava em torno da bebida, com pessoas dizendo quão dependentes são de um bom cafézinho.

“Como assim você ousa não gostar de café?” “De que planeta você veio?”

Ao explicar que eu simplesmente não era fã de espressos, macchiatos nem café com leite, eu me sentia especial. As atenções se voltavam para mim. E eu me sentia como se fizesse parte de um seleto grupo de pessoas imunes à combinação de cafeína + aroma irresístivel (esse eu nunca neguei).

Isso também era motivo para um leve bullying. Afinal, dizem que quem não bebe café, não é adulto. Mas eu nem me importava. Levava a provocação como uma inveja de quem não conseguia se entregar ao vício. Bem adulta, eu, cof cof.

Tá bom, eu vou admitir. Eu adorava acompanhar o ritual de quem comprava a bebida, abria a tampinha, jogava leite/açucar/canela, pegava o palitinho, misturava, botava a tampinha de novo e ia embora. Ou seja, eu gostava do aroma, eu gostava do ritual. Mas eu não gostava da bebida por pura e simples teimosia. Não queria provar, correr o risco de gostar e não ter mais essa carta na manga para iniciar conversas.

Sim, amigas. Eu não gostava de café por pura insegurança. Bem adulta, eu, vocês já sabem.

Até que um belo dia – muito frio – eu estava na rua esperando a hora de um compromisso. E bateu uma vontade incontrolável de beber café. Eu precisava de uma bebida quentinha. Podia ser chá, podia ser chocolate quente. Mas eu senti que só café iria resolver. Eu não sei de onde essa vontade veio, já que nem quando estava grávida tive desejos assim. Mas Comprei um capuccino.

E foi assim que eu saí do seleto grupo.

Agora eu não era mais tão especial assim. E quer saber? Eu não podia me importar menos.

Eu tenho características mais importantes para me orgulhar. E acredito que consigo achar outros assuntos para iniciar conversas. Ou o próprio café pode ajudar nisso.

Um brinde (com xícaras, claro) à isso.

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