0 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque/ Moda no dia 06.03.2019

Parecer gorda em um look não deveria ser motivo de medo

No meu dia a dia como consultora de estilo lido com pessoas muito diferentes entre si. Aliás, digo sempre que trabalho com pessoas e não com moda, exatamente por isso. Nenhuma cliente é igual à outra, seja por questões de gosto, seja por questões de rotina, seja por questões de prioridades na vida.

Mas uma coisa quase sempre se repete: o medo de parecer gorda. Ou, se não tão declarado, o alívio – e a felicidade em parecer magra.

Explico: um dos maiores ensinamentos que podemos entregar na consultoria de estilo é que você precisa experimentar o look antes de julgar se ele funciona pra você ou não. Não dá pra saber se uma coisa vai combinar com a outra antes de colocar no corpo. É preciso ver como você se sente usando as tais peças juntas. Isso vale pra qualquer coisa: calça e blusa, colar e brinco, sapato e bolsa. Tudo isso junto e misturado.

Quando partimos para a parte prática do trabalho, a primeira coisa que fazemos é experimentar tudo o que a pessoa tem em casa. Só depois a gente pensa em comprar coisas novas. Uma vez decidida essa parte, voltamos a experimentar todos os looks que criamos ao longo do processo. E muitas vezes, nessas experimentações, ouvimos frases do tipo:

“Ai, tô gorda”. Ou “Me sinto gorda” (lembro taaaanto da Jô falando sobre isso na Glamour….). Ou então:  “Que ótimo, tô magra! Adorei”.

Vocês percebem como isso é esquisito? Como se gorda fosse sinônimo de feio e magra fosse sinônimo de bonito. 

Independente da sua opinião sobre o melhor look, não tem como ter essa discussão sem lembrar de Rihanna. A cantora/empresária é um ícone de liberdade na escolha de seus looks. Ela experimenta, ela testa, não importa se determinadas peças a fazem parecer gorda ou magra.

Antes de continuar, quero deixar claro que tá liberado não curtir o look, tá? Tem muita combinação que a gente monta na nossa cabeça e que não rola na vida real. O que me deixa pensativa e me fez escrever esse post é não gostar do look SÓ pelo medo de parecer gorda. Sendo que, muitas vezes, isso não passa de uma coisa da própria cabeça.

Cês entendem onde eu quero chegar?

Como eu disse, tá tudo bem não curtir certas combinações. Tudo bem não curtir alguns shapes. O importante é entender o que desagradou a cliente no conjunto da obra pra tentar fazer aquilo funcionar. Trocar a blusa, mudar o acabamento, o sapato, o acessório…enfim. O que não dá é simplesmente descartar um look por medo de parecer gorda.

Quer dizer, dá sim. Desde que isso seja mega pensado e internalizado e não apenas no piloto automático, sabe?

“Ai, mas como você sabe que todas elas não tiveram essa reação de forma pensada?”

Simples: por toda a diversidade que envolve a pessoa humana. Por toda a diversidade que permeia nossos atendimentos. Acho estatisticamente improvável que, num universo onde nenhuma entrega é igual à outra, 99,99% das clientes estejam genuinamente preocupadas com isso.

Digo genuinamente, porque sim, tem gente cuja prioridade é parecer mais longilínea. Mas tem muita gente que não tem essa preocupação. E muita gente que não sabe qual é a sua prioridade ao construir um look e que acaba indo na onda da galera. Que internaliza a ideia do parecer gorda ou parecer magra sem pensar muito sobre o assunto. Sem se olhar de fato e refletir.

>>>>>>Veja também: Nem todo mundo quer parecer mais alta e mais magra<<<<<<

Ou seja, voltamos ao assunto de sempre: autoconhecimento. Ele se mostra tão necessário em várias esferas da nossa vida, e quem diria, é fundamental até pra escolher o look!

Por isso, te convido a fazer uma viagem pra dentro de você mesma. E buscar, de forma sincera e genuína, o que é mais importante pra você. Seja com relação a sentimento – conforto é inegociável ou isso não é tão importante? Você prefere se sentir sexy ou passar despercebida? POR QUE você prefere se sentir sexy ou passar despercebida? Seja com relação a imagem projetada – você prefere parecer mais moderna, mais alternativa ou mais sofisticada? Qual o motivo dessa preferência?

Uma vez a Fê Neute falou sobre a cebola do autoconhecimento. Apesar de ter rido da analogia na hora, eu achei incrivelmente sábia: quando você começa a “descascar” suas próprias camadas você não para nunca.

E isso é bom, muito bom!

Você nunca mais vai usar um look só porque você parece mais magra nele. E vai ter 100% de consciência sobre a escolha dele. Nada melhor do que isso pra nos dar a autoconfiança e a autoestima próprias de quem é a dona do próprio nariz e das próprias decisões!

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