0 em Sem categoria no dia 19.02.2019

Medos, precisamos falar sobre eles.

Outro dia, numa conversa, uma amiga relatou pra gente seu maior medo atualmente. O que é, não importa. Mas depois dessa conversa, me peguei pensando sobre a coragem dela em falar tão abertamente sobre algo que a aflige. E percebi que não falamos muito sobre medos.

Eu não tenho uma memória recente que me lembre de algum momento em que alguém próximo a mim foi capaz de expressar um medo tão grande de maneira tão natural. Dentro do possível, claro. O que me surpreendeu foi a segurança dela ao expor o que sentia com tanta consciência, questionando ali tantas decisões importantes na sua vida conosco. De lá pra cá comecei a divagar sobre isso. Primeiro, pensei na clareza de ideias que ela chegou ao ponto de já conseguir falar sobre isso com alguém.

Depois, pensei porque discutir sobre nossos medos não é algo mais comum.

ilustra: Lali Pantone

Claro que ninguém quer ficar falando sobre seus maiores medos a todo tempo! Muito menos com qualquer pessoa ou em qualquer circunstância, mas será que chegamos ao ponto em que a sociedade só nos quer ver falando de coisas boas? Será que perdemos a capacidade de sermos completamente abertos com nossos amigos?

É comum vermos por aí as pessoas falando que “no Instagram todo mundo é feliz”. Ou “ninguém posta foto chorando”. Ou ainda “ninguém conta derrota”. Parece mesmo verdade. E me questiono se esse pensamento está se transferindo para a vida real também. Onde só se comenta sobre as conquistas e pouco se fala sobre medos ou derrotas, nem mesmo para buscar apoio dos amigos.

Não me entendam mal, eu não acho que a gente tem que ficar falando só de coisas tristes.

Sou a primeira a querer ouvir coisas boas e alegres. Mas é importante também podermos falar sobre um dia que não foi bom! É parte do processo de autoconhecimento falar sobre algo que aconteceu e não foi legal. Ou até mesmo de um medo, como foi o caso da minha amiga. Porém, hoje em dia nos cobram uma postura onde temos que ser florzinhas felizes onde tudo parece estar sempre bem. Só que nem tudo que parece é.

Chegamos num ponto onde precisamos explicar o óbvio. As pessoas querem tanto ser perfeitas que se faz necessário lembrar que está tudo bem em não estar tudo bem o tempo todo. A cobrança por uma vida perfeita faz com que tenhamos medo de conversar sobre tudo que nos deixa vulnerável, com medo de algum comentário ou julgamento.

O medo do julgamento nos impede de falarmos dos nossos sentimentos mais profundos, isso inclui o próprio medo.

Nós devemos nos lembrar da importância de reconhecer que não está tudo certo, que temos medos, imperfeições e vulnerabilidades. Nada disso precisa nos paralisar. E quanto menos negarmos a existência desses sentimentos difíceis, mais poderemos conviver com eles sem medo. Outras pessoas podem nos ajudar a enxergar outros pontos de vista sobre nossos medos, podemos descobrir que nem todos eles são reais ou mesmo podemos trabalhar o que está por trás desses sentimentos difíceis de elaborarmos sozinhas.

Só que pra isso precisamos poder conversar com pessoas capazes de nos ajudar a nos libertar.Falar é uma ótima forma de processar o que mais nos angustia. Você pode falar na terapia, com sua melhor amiga, namorado ou com alguém da família. Até mesmo em grupos físicos ou virtuais. Havendo algum interesse ou valor em comum a empatia do outro pode ajudar no nosso processo.

Se cerque de pessoas com quem você pode falar dos seus medos.

Pessoas que você sabe que vai encontrar conforto no fim de um dia ruim. Ou mesmo apoio durante uma fase que parece não acabar. Que entendam que é mais do que normal que nem sempre esteja tudo bem. E que, acima de tudo, te apoiem e te ajudem no que for necessário pra que tudo melhore e vocês possam dividir também as coisas boas.

Muitas vezes nossa inteligência emocional se desenvolve através da troca, se não conversarmos sobre nossas questões mais profundas perdemos uma oportunidade bem bacana de trabalharmos o que nos apavora. Se falarmos sobre nossos medos tendemos a elaborar o que tem por trás deles e assim, aos poucos eles deixam de nos paralisar.

Não devemos julgar quem nos fala sobre seus medos, devemos é parabenizar, porque só assim é possível se libertar.

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