0 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque no dia 23.01.2019

Duas mulheres velhas. E com muito orgulho, por favor

Hoje eu passei a tarde com uma mina chamada Luciana Micheletti. Conheci a Lu por “culpa” desse blog aqui que você está lendo agora. Se bobear você já cruzou com uns posts dela por aqui. Futi, unindo pessoas desde que padrões foram feitos para serem quebrados. No caso, duas mulheres velhas.

Sim, duas mulheres velhas.A Lu tem 46 anos. Eu farei 42 mês que vem.

Sei que para muita gente vai soar como se a gente estivesse se depreciando. “Velhas? Imagina, vocês tão loucas!”. Calma que eu chego lá.

Estávamos conversando sobre isso em certo momento: o fato de que nos sentimos, as duas, na melhor fase das nossas vidas. Mais auto confiantes, mais preparadas para a vida. Mais animadas para realizar projetos, mais prontas para enfrentar qualquer desafio. E mais felizes do que nunca antes. E que irônico que, bem agora que sentimos na pele a veracidade daquele clichê. Aquele que até algum tempo atrás a gente tinha certeza que era só uma mentira inventada pra animar as “velhas”.

>>>>>> Veja também: Eu, 44 anos <<<<<<

A vida começa aos quarenta – o resto do mundo que quer nos boicotar. 

“Como assim?” – Você, jovem, me pergunta. Ué, mas é você que está nos boicotando, e nem se dá conta. Sim, porque é bem agora, depois dos quarenta, que a sociedade começa a invisibilizar as mulheres. Em todos os sentidos. Fisicamente. Profissionalmente. Mentalmente. Para nossa linda sociedade patriarcal, as mulheres “velhas” são feias. São acabadas. São desatualizadas. Fora da realidade. O que elas dizem não vale mais. Estão por fora. 

>>>>>> Veja também: Como uma foto da Xuxa mostra que as mulheres são criticadas até por envelhecerem <<<<<<

Não á toa, muitas de nós começam a tentar burlar a passagem do tempo. Muitas sentem-se inadequadas e ficam tentando, em vão, parecer mais jovens. Nunca vi um caso onde funcionou. A pele pode estar esticada, mas ainda assim, dá pra ver que tá pra além de quarenta.

ilustra: Juliana Ali

Que sacanagem fazer isso conosco. Mesmo porque não é real. Claro que tem velhas burras. Tem velha desatualizada. Mas tem jovem burro e desatualizado também. E tem velha ligadaça, dando aula pra vocês tudo.

Ou seja: ser esperto e bacana não é exclusividade de nenhuma faixa etária, assim como ser um idiota. 

O mesmo vale para a beleza. Tem que ser jovem para ser bonita? O que é ser bonita? Resposta: estar o mais próxima possível dos padrões impostos e aceitos pela sociedade. 

Porém somos feministas, não somos? Queremos mesmo nos encaixar nos padrões? Estamos todo dia falando sobre as vantagens de enxergar beleza fora deles. Todo dia, repito, TODO DIA, vejo mulheres “feministas” reproduzindo o tal do etarismo. Isso é, a crença de que, a partir de certa idade, a pessoa se tornou obsoleta, seja fisicamente, seja psicologicamente. 

Vou dar um spoiler aqui: você vai ficar velha, se tiver sorte, claro. E aí você não vai emburrecer, more. Você só será uma velha idiota se você já for uma jovem idiota. A tendência, para quem é esperta, é ficar cada vez mais esperta. 

Eu e a Lu Micheletti, aqui, do alto dos nossos quarenta e tantos anos, somos a prova viva de que quem sabe viver bem começa a viver aos quarenta. E nunca, mas nunquinha, eu iria querer ter vinte anos de novo. 

Estou no meu melhor momento. Abram alas que eu tô passando, por favor. 

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