0 em Autoconhecimento/ Destaque no dia 17.12.2018

Por momentos de tristeza sem culpa

As vezes nossos planos não andam como imaginávamos. Outras vezes a vida nos surpreende de maneira negativa. E com tudo isso não é apenas normal, como também aceitável, sentirmos algum grau de tristeza. É como se tivéssemos permissão para tal. Mas e quando tudo vai exatamente de acordo com o planejado? Ou então, até mesmo supera qualquer expectativa? Essa licença é expirada?

Acredito que a tristeza também faz parte da felicidade.

Nos permitirmos dias de melancolia não é ingratidão. Acho que, na verdade, faz parte do pacote. Ninguém é feliz 100% do tempo e tudo bem! Isso não é uma coisa ruim! Sei que digo isso quase como um auto convencimento, e também como parte de uma autoanálise compartilhada com vocês.

Vou exemplificar com um relato pessoal recente:

tristeza

Há seis meses vivo a melhor experiência da minha vida. Esse, sem dúvidas, tem sido um ano incrivelmente feliz e surpreendente. Sinto-me realizada como nunca. Até que, há algumas semanas, tive os primeiros dias de tristeza desde que me mudei para Portugal. Veio aquela vontade de chorar compulsivamente, sem nem saber ao certo o por quê.

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Junto a isso, veio aquele sentimento de culpa por me sentir triste sem um motivo concreto e real para isso. Repetia para mim a todo momento: “Você não pode se permitir ficar triste. Não agora. Não aqui. Você está vivendo o seu sonho e o choro não cabe nele”.

Passada essa crise, quando tudo ficou mais calmo, me veio o questionamento: Por que não?

Por que a culpa tem que invadir até minhas lágrimas? É claro que não podemos deixar a tristeza fazer da nossa vida o seu lar. Mas, em um dia não tão feliz, deixar as lágrimas caírem enquanto nos entregamos ao aconchego da cama quente, com o edredom que conforta e um chocolate que adoça, também faz parte. E mais: faz bem!

São esses momentos que nos trazem reflexão e servem para recarregar as energias. São com os dias de tristeza que aprendemos a reconhecer a felicidade.

Não existe linearidade. E ainda bem. Já carregamos pesos demais para nos privarmos de sentir. Seja lá o que for. Viver é isso, afinal. Guimarães Rosa já escreveu um dia:

“O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta”.

E se o que ela quer de nós é coragem, que sejamos corajosos também para aceitar nossas fraquezas e a elas nos entregarmos, ainda que por um breve e passageiro momento.

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