4 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 26.11.2018

A sensação de não pertencimento é estranha, mas vale ser ultrapassada

Outubro sempre foi o mês que mais amo nesta vida, por ser justamente o mês do meu aniversário. Espero o ano inteiro a chegada de Outubro porque eu amo celebrar a vida.

Este ano vi meu outubro chegar, e com ele chegarem juntos uns sentimentos bem ruins. Incluindo um que não sentia há muitos anos – o de não pertencer.

Mas o que seria esta sensação de pertencimento? É o sentimento de acolhimento que temos quando nos vemos como parte de um todo. Gostamos de pertencer. Iria mais longe, gostamos da relevância que o pertencimento nos dá.

pertencimento

A sensação de pertencimento permeia nossas relações.

Desde a mais elementar até as mais elaboradas. A necessidade de atenção que a criança tem, a de querer estar em todos os lugares, o adolescente deprimido porque não se percebe aceito. Até mesmo nossa vida profissional se transforma quando perdemos o senso de pertencimento.

Nossas maiores mágoas acontecem quando sentimos que de alguma maneira não estamos mais inseridas no todo. E caramba, como isso dói. Como dói quando por alguma razão somos excluídos de algo que acreditávamos fazer parte. As vezes agimos de maneira muito impensada porque não identificamos que nossas ações são fruto do pavor de não pertencer. 

Ultimamente andei experimentando este sentimento amargo. Sofri alguns dissabores e me vi muito magoada. Porém, analisando minhas mágoas, percebi que o que mais me incomodou foi a sensação de estar sobrando. De não ser de fato parte daquele todo que me era muito caro.

Percebi que para as mulheres, o sentimento de pertencimento muitas vezes lhes é negado.

E é aí que reside, na minha percepção, nosso maior problema. Não cabemos mais nos modelos antiquados e aceitos na sociedade. Porém ainda não conseguimos pertencer aos novos modelos. Estamos numa busca frenética por espaço. Por uma voz, por um novo lugar onde possamos nos sentir acolhidas, respeitadas, ouvidas. Onde possamos nos sentir parte do conjunto. Não somente como um número, mas como parte importante, que componha de fato aquele universo.

Mesmo nas relações amorosas, a parte mais delicada é a de se sentir parte daquilo tudo. Sem que, com isso, abafemos nossos sentimentos, nosso pensar, nossas vivências. Precisamos aprender a encontrar nosso espaço, nosso lugar sem que  tenhamos que abafar nossas vozes. E precisamos, também, exercer o direito de sofrer todas as vezes em que acharmos que estamos sendo privadas do nosso espaço nas relações. Sejam elas de amizade ou de amor.

Não temos que ser fortes e compreensivas sempre. Nem abafar nossos sentimentos ou nossas tristezas por conta disso.

Precisamos ter maturidade para lidar com estas sensações de peito aberto. Sem que com isso tenhamos que abdicar de nossa identidade e nossas necessidades. E precisamos de coragem, para buscarmos novamente nossos espaços todas as vezes que não nos sentirmos mais parte de determinado conjunto.

É preciso compreender que o pertencimento talvez seja a mais relevante das sensações humanas. E a que nos cause maiores danos quando ausente. Hoje reconheço que Outubro trouxe com ele mudanças profundas e importantes, e sinto que não pertenço mais a alguns espaços políticos/geográficos que me eram confortáveis, e isto me deixa inquieta. Preciso aprender a entender meus sentimentos e a administrar a estranheza do não pertencimento até que encontre novamente meu espaço.

Este caminho de autoconhecimento, associado às ações propriamente ditas, apesar de me assustarem um pouco, muito me animam e me motivam. Porque esta é uma boa lição que aprendi com o passar dos anos: buscar sempre o meu espaço. Aceitar que as vezes precisamos nos livrar de algumas coisas mais ou menos, como uma roupa que não nos cabe mais e que precisa ser substituída por outra que caiba,  que nos faça sentir confortável novamente.

Disso tudo, o mais maravilhoso é perceber que sempre podemos buscar o acolhimento e o pertencimento em outros lugares ou relações. Nada é imutável, e que podemos ter gratas surpresas também. E nunca duvidem: o novo pode dar um pouco de medo, mas também pode ser sim, muito encantador! 

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4 Comentários

  • RESPONDER
    Maiara Borges
    26.11.2018 às 10:06

    Amei o texto, Rosana! Autoconhecimento é sempre a chave! Beijo grande

  • RESPONDER
    HELEN RUBIA VIDON GARCIA
    28.11.2018 às 11:05

    Amei o texto! Conseguiu expressar exatamente o que sinto toda vez que me mudo…e olha que foram muitas!
    😘

  • RESPONDER
    Anderson Vidal
    28.11.2018 às 15:44

    Simplesmente maravilhoso!!

  • RESPONDER
    rosana
    29.11.2018 às 20:41

    obrigadaaaaa <3

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