1 em Autoestima no dia 19.11.2018

Vida perfeita não existe. Nem para mim, nem para você, e nem para a Gisele.

Em geral todas nós temos, em alguma escala, uma pessoa que admiramos. Seja pelo talento, pela beleza, pelo estilo, pela carreira ou qualquer outro aspecto. E com as redes sociais, as chances dessa pessoa ser alguém que está online são muito maiores. Ali, podemos ver ela mostrando sua vida nos stories ou em um feed cheio de fotos lindas.

Com isso, a gente acaba criando aquela imagem da vida do outro. E geralmente fantasiamos uma vida perfeita. Se a gente já achava legal antes, imagina agora, que podemos saber mais ainda através de uns toques na tela do celular? Nessas horas, a vontade de comparar-se corre o risco de bater na porta. Porque não sou tão bonita/bem-sucedida/viajada/insiraaquisuacomparação como a fulana? Em algum momento eu já me fiz essa pergunta, tenho certeza que você também.

Esses dias eu vi uma entrevista da Gisele Bundchen. Ela mesmo, aquela mulher que, se tem algum defeito, aparentemente o mundo não descobriu. Ali, ela contava que teve ansiedade e ataques de pânico, que chegou até mesmo a pensar em pular do prédio onde morava.

Até esse momento, eu conhecia a Gisele como o exemplo da vida perfeita.

Ela nunca pareceu se abalar com nada. Com términos, com polêmicas, com trabalhos. Além disso, nunca ouvi ninguém falar um ai dela. Ao contrário, todo mundo que já cruzou o caminho com ela só tem elogios a tecer. Iluminada, maravilhosa por dentro e por fora, mulher incrível. Nunca é menos que isso.

Na minha casa, a gente quase criou uma antipatia por ela na época que ela disse que nem para parir sentiu dor. Depois veio a famosa cena dela amamentando um de seus filhos enquanto se prepara para trabalhar. Essa cena virou sonho de consumo das mulheres e já foi reproduzida por muita gente por aí.

vida-perfeita

Obviamente não estávamos questionando a tolerância dela à dor nem à forma como ela escolheu ter seus filhos. Mas caramba, ela realmente não tem nenhuma situação mais vulnerável? Foi tão fácil assim conciliar maternidade e trabalho?

Se isso não é uma vida perfeita, não sei o que pode ser.

Aí veio a tal entrevista. E eu fiquei ali. Um pouco em choque, um pouco chateada, mas também muito aliviada. Vê-la mostrando uma vulnerabilidade deste tamanho foi uma surpresa. Aquela entrevista fez com que ela se tornasse uma pessoa real pra mim, finalmente.

Portanto, pense nas pessoas que você admira ou que você gosta de acompanhar a rotina. Lembre-se que o que vemos é apenas um recorte do dia dela. Se você pensar, mesmo que sejam muito pontinhos ali em cima nos stories, não chega a ser nem mesmo 1/3 do dia de uma pessoa. Recortes que ela escolhe como quer mostrar.

Assim como eu e você, essa pessoa tem problemas, questões, pensa na vida ao deitar a cabeça no travesseiro e pode estar passando por coisas que nem imaginamos. Portanto, tenhamos empatia tanto no julgar quanto no endeusar as pessoas. Elas são apenas pessoas, e quanto mais você cria essa imagem de vida perfeita na sua cabeça, maiores são as chances de você se frustrar procurando um ideal que não existe.

Vida real, com problemas, com questões e dúvidas, por mais difíceis que possam parecer, é o que importa e o que todos deveríamos procurar ter.

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1 Comentário

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    Fabiana
    21.11.2018 às 17:11

    Estou lendo o livro dela, ela é incrível, mudou totalmente a visão que eu tinha dela.

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