0 em Comportamento/ Destaque no dia 24.10.2018

Como manter a esperança (e a sanidade) em tempos de eleições

Nós sabemos, não tá fácil. Para onde quer que você vá, tem alguém falando em eleições. Você entra no taxi e é obrigada a ouvir o taxista falando insanidades sobre o candidato que você despreza. Você entra no seu Facebook – antes infestado de fotos bonitinhas e memes engraçados – e encontra um verdadeiro ringue de UFC, com sangue escorrendo pela tela e pelos teclados, ou então você é bombardeada com notícias de brigas, mortes e outros assuntos que só trazem angústia. Isso quando você não vê isso tudo de uma vez só. Aí você entra nos seus grupos de WhatsApp e vê amigos desfazendo amizades. Familiares falando coisas horríveis e aquele ambiente, que antes era tão amigável, virou um lugar hostil.

Não importa seu posicionamento politico, a verdade é que tá todo mundo exausto. Estamos cansadas, preocupadas, decepcionadas, putas, ansiosas, com medo. Escolha seu sentimento ruim, e pode ter certeza que você está sentindo. Em mais ou menos intensidade, não tem como escapar (e se você não está sentindo nada, spoiler: você é uma privilegiada e talvez também não tenha empatia pelas pessoas).

Pensando nisso, resolvemos usar esse espaço para reunirmos dicas de como manter a sanidade e a esperança nesses tempos tão extremos:

ilustra: Ju Ali

ilustra: Ju Ali

Não discuta mais nas redes sociais nessas eleições

Consideramos esse o passo número 1, apesar de saber que esse provavelmente é o mais difícil. Essas eleições trouxeram à tona preconceitos que infelizmente sempre estiveram na nossa sociedade, mas escondidos. Qualquer lugar que a gente vá, a gente ouve absurdos. Em muitos casos não dá para calar porque resistir é preciso. Eu sei, nós sabemos.

Mas pensamos aqui: como discutir com pessoas que você quase nunca falou na vida pode te ajudar? Ou então completos desconhecidos que aparentemente não estão ali para escutar o outro lado? E se você achava que não dava para piorar, sinto dizer, mas sempre vai ter aquela pessoa que ‘vem xingar seu posicionamento político e argumentar que você postou na página dela. Sendo que você apenas escreveu na sua página e por um acaso – o acaso, no caso, se chama algoritmo – apareceu na timeline dela. Mas será mesmo que xingar vai ajudar em alguma coisa? Será que perder horas da sua vida brigando com gente que você nunca (ou quase nunca) viu na vida vai te acrescentar algo? Hmmm, talvez não.

Se for bom para a sua saúde mental, esconda-se na sua bolha virtual

Nunca pensamos que íamos falar isso, mas achamos que se sua saúde mental está pedindo, bloqueie, silencie pessoas, desfaça amizades.

Somos duas pessoas diferentes, mas que têm uma coisa em comum. Procuramos sempre ouvir o lado contrario ao nosso, e uma vontade enorme de entender os argumentos e as motivações por trás de certas escolhas que nunca faríamos (e que não ferem o direito ou a existência de ninguém, claro). Só que a verdade é que nunca desfizemos tantas amizades por causa de eleições. Não, não estamos falando de amigas próximas de verdade. Estamos falando daquelas pessoas que aceitamos nas nossas redes por termos amigos em comum e que, de repente, começaram a aparecer toda hora nas nossas timelines com discursos radicais, polarizados e que não dão espaço para conversa ou reflexão de nenhum lado.

Outro dia lemos em algum lugar que essas eleições serviram para a gente perceber a quantidade de amizade a gente aceitou desnecessariamente. É verdade. E sabemos que viver numa bolha nunca vai ser bacana. Ela te impede de crescer, de enxergar outras realidades, de ter empatia com outras pessoas, inclusive. Mas pelo menos virtualmente achamos que vale cada vez mais a pena cercar-se de quem te faz bem e de quem faz seu dia ficar melhor.

Respeite as opiniões e as realidades

Sabemos que tudo isso é muito difícil, mas essa questão é a mais difícil de todas. Ainda mais sabendo que um dos lados dessa eleição claramente não respeita ninguém, mas uma coisa que vemos muito é que todo lado quer estar certo. E para provar essa certeza toda, muitas vezes quem está do lado oposto deslegitima a inteligência, o senso e até mesmo as experiências que fizeram com a pessoa votasse no outro candidato que não o seu.

Nem toda pessoa que vota no Haddad é petista, comunista, corrupto e ladrão assim como nem toda pessoa que vota em Bolsonaro é machista, homofóbica e racista. O juízo de valor dessa forma tão superficial não ajuda a conversa, dessa forma você só fala com quem tem a mesma opinião que você. Transforma toda e qualquer discussão em maniqueísta. E assim, não nos ouvimos! Nos tornamos fanáticas de extremos ao invés de pensar no meio termo que precisamos alcançar. E em ambos os lados encontramos pessoas acessíveis para discutir, acredite!

A verdade é que independente de quem ganhe, um dos lados vai ficar insatisfeito. É inevitável em uma eleição como essa. E se as pesquisas se concretizarem, o outro lado vai precisar mais do que nunca de união e apoio de todos, inclusive de quem votou no tal candidato por milhões de outros motivos que não sejam a validação de discursos que diminuem uma parcela gigante da população (acreditem, essas pessoas existem, e em maior quantidade que você imagina).

Por fim, calma, respira fundo e ajude quem precisa

Em todo caos pode haver verdadeiras transformações, a gente acredita nisso de olhos fechados. O ódio e o preconceito, que sempre estiveram implícitos na nossa sociedade e que saiu do armário de vez nessas eleições dá raiva, entristece, gera um medo e uma angústia sem limites e nos faz perder a esperança. Mas de certa forma é bom ver toda a parte ruim de forma tão clara. É trazendo tudo isso para a luz que a gente consegue mudar. Mas não vai ser fácil, e por isso mesmo, o ideal é a gente ter esperança mas permanecermos atentas, até mesmo para ajudar quem pode precisar da gente.

Não vale desistir, não vale parar, mas acalmar a mente e o coração pra recalcular a rota!

Gostou? Você pode gostar também desses!

Sem Comentários

Deixe uma resposta