0 em Autoconhecimento no dia 10.09.2018

Desculpa por quê?

“Desculpa qualquer coisa”, disse para mim uma das minhas melhores amigas depois de passar o mês na minha casa, à meu convite. Foram 30 dias de muitas risadas, saídas e ajuda mútua, onde pudemos aproveitar muito e eu só tenho boas lembranças. Mesmo assim, ela fez questão de se desculpar – e eu fiz questão de dizer que ela estava ficando doida.

“Desculpa qualquer coisa”, disse eu depois de ter agradecido os dias que eu e minha família passamos na casa de uns amigos, e fiquei surpresa comigo mesma quando terminei de proferir tal frase. Tudo correu bem, nos divertimos, rimos, bebemos e nossos filhos brincaram muito entre si, então por que eu estava ali, fazendo algo que eu sei que eu não gosto de ouvir?

Medo de incomodar, medo de ter atrapalhado a dinâmica familiar deles, medo de ter feito algo que eles não gostaram. Essas foram algumas das motivações que me fizeram falar isso. E tenho certeza que essas coisas também passaram na cabeça da minha amiga quando ela me pediu desculpas por qualquer coisa.

"Saiam daqui, todos vocês! " - tenho certeza que ninguém aqui é esse tipo de convidado, certo? rs

“Saiam daqui, todos vocês! ” – tenho certeza que ninguém aqui é esse tipo de convidado, certo? rs

Eu a convidei porque eu quis. Eu a recebi na minha casa porque eu fazia questão. Meu coração estava preenchido por tê-la conosco. Eu fiz questão de falar isso tudo para ela muitas vezes, mas é curioso pensar que mesmo assim, o medo de ter feito algo errado é maior do que os elogios que ela ouviu. Eu entendi porque eu acabei sentindo na pele. E por isso mesmo, passei a nutrir mais ódio por esse tipo de desculpa desmedida.

Fui perguntar para várias amigas e a maior parte das respostas foi praticamente a mesma. Era só estarem em uma situação de maior convivência com outras pessoas que estavam abrindo seu espaço para elas e o medo de ter feito algo ruim aparecia. Caramba, a gente já é obrigada a conviver com tantos medos na nossa vida que acho injusto carregarmos mais esse. Medo de nada, ou medo de algo que nem sabemos se aconteceu ou não.

“Ah, mas é por educação”. Discordo. Educação é por favor, obrigada, dá licença. Educação é ser gentil com as pessoas que fizeram questão de estar ali contigo. Educação é agir conforme as regras do ambiente. Se desculpar por nenhum motivo não é ser educada.

“Ah, mas é simpático”. Também discordo. Simpatia é dar bom dia quando acorda. Boa noite quando for dormir. Conversar, rir, se enturmar com os amigos dos amigos se uma situação dessas acontecer. Pedir desculpas por nenhum motivo não te faz uma pessoa mais simpática.

Aliás, como bem disse Ju Ali – que foi uma das amigas que eu perguntei – pedir desculpa sem saber o que fez é nada mais nada menos que uma desculpa vazia. Concordo e muito.

Desculpar-se é um ato digno, humilde, reconhecer seus erros quando eles acontecem e são apontados é uma qualidade maravilhosa. De nada adianta pedir desculpas se isso não te fizer refletir sobre seus atos, quem sabe até mudá-los. Então será que adianta mesmo pedir desculpas por algo que você poderia ter feito mas nem sabe se fez?

Em algum momento da minha vida, lembro de ouvir que presente não se recusa. Que o ato de presentear, principalmente quando não tem nenhum motivo específico, é feito sem esperar nada em troca, é uma forma de demonstração de amor, então recusá-lo é recusar também a forma de amor de quem presenteou. Para mim é a mesma história com o “desculpa qualquer coisa”.

Ninguém nos chama para a sua casa sem fazer questão da nossa presença ali, porque gosta da nossa companhia. Então, pedir desculpas por nada só para tentar ser simpática ou educada nada mais é que uma forma de se diminuir.

Sei que esse é um comportamento muito comum e super difícil de mudar, mas to aqui fazendo textão justamente para a gente pensar juntas sobre o assunto. Vamos começar a desencorajar esse tipo de desculpas toda vez que isso acontecer com a gente?

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