0 em Autoestima/ Destaque/ Moda/ Patrocinador no dia 20.06.2018

#ameseucorpo, a campanha da Marcyn que eu queria que estivesse na Capricho quando eu era adolescente

O ano é 99 e a Carla de 13 anos já era uma pré adolescente que assinava Capricho e guardava uma montanha de revistas no cantinho do seu quarto, para toda vez que surgisse uma dúvida sobre o misterioso universo dos meninos e da adolescência, eu pudesse dar minha pesquisada. E toda vez que recebia a revista em casa, lá estava ela, geralmente na última página da revista: a linha de lingerie Marcyn com Capricho.

Para quem acha que minha relação com a Marcyn começou em 2016, que nada. Na verdade, quando a marca nos vestiu lá na primeira pool party, a Carla de 13 anos que ainda existe em mim deu pulos de alegria. Imagina, eu estava vestindo aquela marca que eu achava que só meninas descoladas e incríveis usavam!

Só esqueci de mencionar que naquela época eu também achava que para ser digna de uma lingerie Marcyn com Capricho eu precisava ser que nem aquela modelo. Magra, cabelos lisos, olhos claros, o típico padrão de beleza que as pré adolescentes da minha geração tinham como exemplo do que era o ideal. Hoje eu vejo que fiz bem de não ter tentado entrar no mundo das dietas malucas e da loucura para chegar em um corpo perfeito. Mas só depois de ter percebido e analisado a minha satisfação em estar usando a marca, que me caiu a ficha que eu passei anos da minha vida me convencendo que eu não era suficiente para uma peça de vestuário, que eu não tinha como ser descolada porque eu não tinha corpo para isso.

A culpa não é da Marcyn, que fique claro. Naquela época não existia a conversa de auto aceitação ou até mesmo de adequação. O padrão da mulher magra e com traços europeus como exemplo de beleza estava em todos os lugares, do comercial de shampoo à propaganda de lingerie, de Malhação à boneca Barbie. E era um fato inquestionável.

19 anos se passaram de lá para cá, a revista Capricho não está mais nas bancas, mas a linha com a Marcyn ainda existe. E quando vi as fotos da campanha passando pela timeline, meu coração se encheu de alegria ao ver que as meninas de 13, 14, 15 anos de hoje em dia estão muito mais bem representadas do que a minha geração jamais esteve.

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Calcinhas Marcyn Capricho | Sutiãs Marcyn Capricho 

Sim, o padrão eurocêntrico ainda existe, mas não precisa ser o único padrão de beleza, e é se deparando com campanhas como essa pelas redes sociais que a gente mostra para as adolescentes que elas podem ter cabelo colorido, trançado ou liso, peito grande ou pequeno, e até mesmo gordurinhas, estrias e celulites independente do seu peso na balança ou número do manequim.

E agora, falando nas peças, muitas ainda são bem parecidas com as que eu via na revista lá em 99, até porque a modelagem da linha adolescente sempre respeitou muito o conforto e o corpo de seu público alvo. Existem modelos divertidos (que eu tinha aos montes quando tinha meus 14 anos, inclusive), estampados – e até segunda feira elas estão a partir de 40% de desconto!

Quem tem filhas nessa faixa de idade em casa ou quem convive com adolescentes, vem comigo e mostra essa campanha para elas. Abra o debate sobre representatividade e sobre individualidade, sobre não precisar se adequar a nenhum padrão para ser feliz, se amar e se sentir incrível em sua própria pele. A gente sabe bem como essa fase não é fácil e é cheia de inseguranças, mas talvez, com exemplos assim, as adolescentes de hoje cresçam com mais facilidade de achar seu amor próprio.

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