16 em Comportamento/ maternidade no dia 18.06.2018

Para as mães de dois (ou mais) filhos

Queria contar uma coisa aqui: vocês são minhas heroínas. Sério.  Toda vez que cruzo com uma mulher que está com um filho de 2/3 anos no patinete e outro no carrinho, eu admiro. Toda vez que vejo uma mãe passeando por aí com carrinho duplo – e sentado nele pode ter gêmeos ou filhos de idades diferentes – eu admiro. Toda vez que vejo uma grávida com outro filho correndo por aí, eu admiro. Na turma da escolinha do Arthur, praticamente todas as mães ou estão grávidas ou têm filhos com menos de um ano. Eu e mais uma mãe (de uma turma de 10 crianças) somos as exceções.

Não estou dizendo que já me decidi por deixar o Arthur sendo filho único para sempre. Mas toda vez que olho tudo que já passamos e conquistamos, fico me questionando se gostaria de passar por tudo isso de novo. A maior parte das vezes a minha resposta é não, ou melhor, ainda não. Será que eu daria conta de perder essa minha liberdade recém conquistada (por mais que sejam apenas algumas horas por dia, é uma liberdade rs)? Ainda não. Será que eu conseguiria dar conta de duas crianças sem ter família por perto, sem ter uma ajuda extra nas tarefas de casa? Até conseguiria, mas não gostaria. Ainda não. Será que eu gostaria de perder o tempo que finalmente estou conseguindo ter com meu marido para que a gente precise dividir para conquistar? Ainda não. Mas esse texto não é sobre mim, é sobre mães com mais filhos.

tirinha-antes-depois-filhos

Tenho amigas que dizem ter optado por engravidar em anos próximos para se livrarem logo da função gravidez/bebês/filhos pequenos e “fecharem a fábrica”. Que preferiram ficar mais ou menos uns 5 anos dedicadas à esse mundo do que ficar em um entra e sai de licença maternidade e incertezas sobre o mercado de trabalho. Outras que engravidaram por acidente. Não sei qual foi seu caso, mas não importa como o novo integrante da família surgiu, você continua sendo minha heroína.

Admiro como você conseguiu passar novamente pela fase do puerpério. Se na primeira vez essa é uma fase de renascimento e redescobrimento, muitas vezes de introspecção e um sentimento de nostalgia, com dois filhos não tem como ter isso novamente. Não sei como você consegue.

Admiro como você consegue se desdobrar em mais uma para suprir as necessidades de duas pessoinhas diferentes. Até imagino que deve ser mais fácil com o segundo filho depois que você já passou pela experiência uma vez. Sei também que muitos cuidados e medos que temos com o primogênito não acontece com o segundo. Mesmo assim, não sei como você consegue.

Admiro como você consegue administrar o ciúme da criança mais velha. Principalmente se ela tem por volta dos 2 ou 3 anos, aquela idade que é o ápice do egoísmo e do egocentrismo, onde tudo é dela. Um irmão ou irmã nessa altura da vida deve ser ótimo para ensinar que a vida não gira em torno do seu umbigo, mas não estou falando da perspectiva da criança aqui. Sei que a mãe de dois (ou mais) aprende na marra e em um curso intensivo a ter um jogo de cintura digno de diplomata em zona de guerra. Mais uma vez, não sei como você consegue.

Admiro sua destreza em conseguir sair com todos os filhos na rua, ou no restaurante ou até mesmo para o parque. Eu, com um, já quase morro em uma saída com o patinete, ou para o supermercado. Hoje em dia ando na rua tão alerta que chego a ficar com o pescoço rígido de tanta tensão, e já aconteceu (mais de uma vez) de eu sair da loja com alguma roupa ou brinquedo jogado no carrinho em um momento de distração e eu ter que voltar morrendo de vergonha de devolver o item “roubado”. Imagina com dois? De novo, não sei como consegue.

Admiro também o casal que passa a ter que usar a estratégia de dividir para conquistar (a conquista, no caso, é uma janela de duas horas de descanso depois que as crianças foram dormir). Se aqui em casa a gente faz um rodízio para que todo mundo consiga descansar mais cedo ou dormir até tarde pelo menos alguns dias da semana, com dois filhos não existe essa possibilidade. Com três ou mais, então, não sei nem como soluciona. Não sei como consegue – e meus parabéns para o casal.

Imagino que muitas que lerão esse texto devem estar pensando: “mas a verdade é que eu não consigo. Eu estou acabada, cansada, desgastada, por vezes arrependida”. Todas nós, independente da quantidade de filhos, temos nosso momento “me tira daqui” e nosso momento “poderia ter mais uns 5“. Talvez você precise se doar mais do que gostaria, talvez tenha que fazer mais concessões do que imaginava, talvez você sinta falta da simplicidade da vida com apenas uma criança. Mas nada disso tira o fato que você consegue. E por isso eu só posso dizer, parabéns. <3

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16 Comentários

  • RESPONDER
    Luciana Real
    18.06.2018 às 11:05

    Muito bom ser heroína de alguém adulto! Peraí, deixa eu curtir um pouco………..kkkkkk
    Com um de 4 e uma de 1 ano tenho me sentindo a melhor e a pior das mães diariamente…
    Não dou conta, não consigo, não curto o trabalho interminável …mas compensa e vamos indo um dia após o outro
    Beijos, obrigada pela admiração!! hehehe

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      Carla Paredes
      18.06.2018 às 22:24

      estamos aqui! :)

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    Tamy
    18.06.2018 às 12:16

    hahahahahahaha obrigada, obrigada! Junto-me ao coro: não consigo, não dou conta. Sábado agora marido precisou trabalhar e eu consegui escovar os dentes às 15h! Mas fatos sejam ditos: na minha experiencia, o puerpério foi mais light pq nem da tempo de pensar mto…. e vc lê mto melhor o segundo, se frustra menos pq já espera o pior… não, não conseguimos controlar o ciume do mais velho, mas aprende ainda mais sobre ciumes sobre nós mesmas… pois tem que dar o exemplo…. e saímos todos pro supermercado, pro restaurante sim… e tenho certeza que vc tb consegue. Eu decidi ter o segundo pra minha mais velha ter um irmão, pra falar mal dos pais e dividir as incertezas! na minha opinião, é um dos melhores presentes que eu poderia dar pra ela. =)

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      Carla Paredes
      18.06.2018 às 22:23

      eu sou filha única, acho que para mim é mais fácil pensar em ficar só no primeiro mesmo! haha

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    Rosana A Rocco
    18.06.2018 às 15:00

    kkkkkkkkk É amiga, no meu caso eu estava pensando exatamente igual a você! Não queria abrir mão da minha recém conquistada felicidade, eis que Deus mandou meu 2º filho que nascerá exatamente daqui a 1 mês. Certamente eu não vou ter um puerpério igual ao da Clarinha, pq justamente, existe ela do lado de fora já me demonstrando sinais de ciúmes do novo integrante da família, já demonstrando carência da mamãe, já me pedindo pra ficar juntinho dela….em contra partida, Cadu nascerá de uma mãe mais experimente, mais calma, mais tranquila que já sabe resolver todas as pendengas de recém nascido…cada um se beneficiou/beneficiará da mamãe aqui. A frase que mais me consola é que tudo se ajeita, a gente se adapta a nova rotina com o 2º membro da família. Acho que no final o saldo será positivo, pois crescerão juntos, amigos, parceiros…Beijosss

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      Carla Paredes
      18.06.2018 às 22:22

      Ah, amiga, eu tenho certeza que vai ser ótimo para a Clarinha. <3

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    Rosana A Rocco
    18.06.2018 às 15:01

    Ops “recém conquista liberdade” kkkkkk. Felicidade eu já tenho de sobra! rsrs

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    Giza Gaspar
    18.06.2018 às 21:16

    A gente não dá conta, partindo das nossas altas expectativas mas alguns momentos fazem essa loucura diária de ser mãe de dois bebeios (mais velho com 3 anos e mais novo com 1 ano) valer a pena. Olhando pra trás, acho que faria tudo de novo. Tem valido a pena demais ❤️.

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      Carla Paredes
      18.06.2018 às 22:22

      Ah, com certeza vale a pena! rsrs O problema é ter coragem para dar esse passo, eu não tenho por enquanto, e nem sei se terei. rsr

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    Sabrina
    19.06.2018 às 0:24

    Carla.. eu demorei 8 anos para ter o 2º😊 … minha opinião: tudo igual, se tivessem 2,3 ou 10 anos de diferença. Com o 2º é tão mais fácil… ficamos “sabidas” rsrsrs… o meu pequeno tem 8 e a moça quase 17😳 estamos numa liberdade gostosa, mas experimentando a liberdade da mais velha! Nunca é fácil, mas te digo: é bom demais e não imagino o que eu seria sem essa vida. Obs. Moro no interior, com meus pais a uma quadra de distância da minha casa, sei que isso facilita sim! Entendo teu caso, longe dos teus familiares… beijão!

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    Christy
    20.06.2018 às 9:53

    Tenho um de 6 anos, maravilhoso, muito amado e querido, mas faço terapia há três anos desde que a dúvida sobre ter outro bateu com força. A maternidade para mim foi a perda da inocência. Nessas horas eu também só penso na minha mãe, que teve três. Uma salva de palmas para todas essas guerreiras, mas eu, a cada dia que passa, fortaleço a decisão de ficar como estou e espero que, um dia, também tenha algum reconhecimento das outras pessoas. E aí vem a reflexão: se a opção por apenas um já me traz um certo desconforto pelos julgamentos que sofro, imagina quem não quer ter nenhum… Então, uma salva de palmas a nós também, acho que merecemos respeito por conhecermos nossos próprios limites.

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      Carla ROMERO
      20.06.2018 às 12:30

      Eu ainda não tenho certeza, mas sei que caso eu escolha ficar apenas em um, vai ser uma decisão muito certa dos meus próprios limites, como vc mesma falou.

      Achoq ue todas as mulheres merecem palmas, porque a verdade é que independente de nossas escolhas, seremos sempre julgadas. :(

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        Christy
        21.06.2018 às 8:27

        Verdade. Triste realidade. Mas ainda bem que agora temos mais espaço para discussão e estamos ganhando pouco a pouco mais apoio para resistirmos a tantas imposições. Feliz em ter conhecido o blog de vocês, parabéns pelo trabalho!

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    Camila Valeriano
    20.06.2018 às 12:40

    Não sou mãe, mas no início desse ano fiquei com 2 filhos de uma prima (com 7 e 4 anos) e mesmo eles sendo independentes para várias coisas e sequer ter saído de casa com eles, eu dei os parabéns para minha prima. Passei a enxergá-la de uma outra forma. Também tive a certeza que um filho é o suficiente para ter a experiência da maternidade HAHAAHAH

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    Lu
    23.06.2018 às 15:30

    Oi Carla, tenho dois filhos uma de 5 e um menino de 9 meses.
    Acho que as pessoas tem que parar de falar que o segundo é mais fácil, ou se falar, deixar claro que é só no quesito experiência. Mas as vezes nem a experiência torna essa jornada de mãe mais fácil. As pessoas sempre me falaram e perguntam afirmando:- ah mas o segundo é mais fácil né. Não, não é. Pra vc mãe que tem 1 e pensa no segundo, mas que já dá conta de 1 sozinha e terá que dar conta de dois sozinha tbm, não é mais fácil. No primeiro vc passa noites acordadas, mas quando o bebe dorme de dia vc pode deixar td e ir dormir (caso não trabalhe fora), com dois não tem isso. O bebe dorme e vc tem o mais velho pra cuidar. Acredito que é mais fácil para quem tem filho adolescente ou para quem tem conta com ajuda. Eu conto só com meu marido e ele faz muito tbm, mas trabalha das 7 as 19. Claro que essa exaustão não diminui meu amor pelo segundo e um pensamento que sempre carrego comigo é: podemos nos arrepender de NÃO termos tido um filho, mas nunca vamos nos arrepender de tê-los.

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      Carla Paredes
      26.06.2018 às 12:53

      Eu acho que é mais fácil no sentido de que não teremos mais muitos medos que tivemos no primeiro. Eu, pelo menos, olho para trás hoje e vejo tanta preocupação que eu tinha e que não fazia sentido. rsrs Mas no quesito equílibrio de pratinhos, MUITO MAIS DIFÍCIL!

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