1 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 28.05.2018

Não foi o botox, emagrecimento ou alisamento que me deu autoestima

Já acreditei que mudanças na minha imagem eram as principais responsáveis pela minha autoestima. Hoje entendo que não foram procedimentos estéticos, mudanças no corpo ou ter um namorado que me tornaram verdadeiramente confiante. Consigo enxergar que autoestima é muito mais do que mudar algo para atender as demandas do padrão de beleza ou se comportar com um tipo de atitude esperada.

O que me ajudou a desenvolver uma autoestima verdadeira foi uma outra palavra com o mesmo prefixo: autoconhecimento. Foi um novo olhar sobre mim que mudou tudo à minha volta e que refletiu dentro e fora. Foi me conhecendo que me tornei meu próprio padrão de referência.

Tive problemas graves com autoestima dos 11 aos 28 anos, e de forma indireta foi graças à eles que eu procurei ajuda. Fui ao psiquiatra em meados de 2008, sem ele não teria chegado na terapia naquele ano e me reconectado comigo. Talvez eu fosse mais uma que passaria a vida sofrendo com transtornos alimentares, talvez eu “só” seguiria infeliz, ainda bem que o meu destino foi outro.

Ter adoecido e ido para a terapia salvou minha vida, me despertou de uma desconexão onde eu tentava viver apenas de acordo com o que esperavam de mim. Tudo que passei me possibilitou uma jornada de autoconhecimento linda, que por muitas e muitas vezes me fez e me faz conhecer a sensação de plenitude que a felicidade traz. 

Me conhecer me tirou do piloto automático e me permitiu que eu pudesse entrar em contato verdadeiramente com quem eu sou. Gosto tanto de quem tenho me tornado que não mudaria nada na minha história, mas com certeza usarei meu exemplo para que outras mulheres despertem dessas crenças que só as aprisionam.

O que trouxe felicidade genuína pra mim não foi emagrecer, tampouco ser blogueira, conhecer o mundo, fazer um procedimento estético, uma bolsa Chanel ou ter mais de 100 mil seguidores no instagram (orgânicos, vale frisar, ainda mais em tempo de compras de seguidores cada vez mais sofisticadas). Gosto de tudo isso, mas não foi nada disso que me ajudou. O que me trouxe felicidade mesmo foi o despertar de consciência. 

Muitos acham que compramos autoestima mudando o corpo, fazendo dietas muito radicais, plásticas, procedimentos externos definitivos ou qualquer modismo do tipo. Essas coisas podem nos ajudar a nos sentirmos mais incluídas nesse padrão estético tão excludente, mas na verdade, não ajudam a desenvolver autoestima em si. Podemos nos sentir mais aceitas pelo outro, mais adequadas, mas não passa muito disso.

Desenvolvemos estima por aquela transformação, mas o que as pessoas não costumam contar é que isso não vai adiantar muito se nossa insegurança for um padrão de funcionamento constante. Vamos sair de um procedimento pra outro e enquanto depositarmos toda a autoestima na nossa imagem, o processo de mudança será sempre superficial, e nunca vai ser suficiente.

Nem todo mundo deseja se aprofundar no desenvolvimento de estima por si mesma, até mesmo porque dói. Essa mudança demanda desconstruir muitas crenças que aprendemos desde pequenas, isso não é fácil pra ninguém. Podemos mudar tudo fora e continuar sem uma autoestima verdadeira. Entraremos nos padrões de beleza? Sim, mas o vazio vai continuar ou reaparecer em várias esferas da nossa vida se colocarmos tudo na conta da aparência. Desenvolver autoestima muda nossa forma de se relacionar a dois, em família e no trabalho, nos dá segurança de tal forma que mesmo sem mudar nada na gente, conseguimos nos olhar com mais amor e acolhimento. Reflete em tudo, até na estética.

Foto: @adrianacarolinafotografia

Foto: @adrianacarolinafotografia

Para nós do #paposobreautoestima, o verdadeiro segredo para uma vida mais feliz, com um olhar amoroso e acolhedor, é sentir CONFIANÇA de ser quem se é.

Muitas vezes não é o corpo que muda, é o olhar sobre o corpo que muda e assim se torna possível e mais fácil amar o corpo. No meu corpo mais magro eu tinha uma autoestima muito baixa, vivia me sentindo inadequada e acreditando que não era magra o suficiente. Emagrecer naquele momento me deu um passe um pouco mais livre para o padrão de beleza, mas eu seguia procurando defeitos, nunca era suficiente e para completar, para o mercado da moda nenhum sacrifício bastava. Eu era magra e não sabia, não enxergava. Eu não brilhava, eu era infeliz e depositava tudo na imagem.

Acreditava que quando a magreza fosse suficiente, eu realizaria meus sonhos, mas além disso não ser verdade, esse dia nunca chegava. Eu achava que meu sonho era ser magra, escrevi isso em todos os meus diários, ano a ano, mas na verdade eu queria realizar muitas coisas e achava que precisava ser magra para ser digna de tudo que eu queria. Realizei boa parte desses sonhos sem emagrecer uma grama, porque essas eram apenas crenças limitantes que eu alimentava.

Editorial-Jo-1

[ na foto uma menina de 70 quilos que não se enxergava magra, tentando pertencer a todo custo e sofrendo por inadequação. Bulimia, compulsão alimentar e disformia eram os transtornos alimentares vigentes. Eu era infeliz e doente e nem sabia. ]

Na terapia busquei ver o que tinha de errado comigo e finalmente entendi que eu usava a comida como objeto de auto tortura e não sabia. Até entrei no processo de autoconhecimento justamente para resolver o motivo de eu não conseguir emagrecer. Graças a Deus o tiro saiu pela culatra. Nesse processo comecei a me conhecer e a mudar minha vida.

Eu estava perdendo tanto tempo tentando ser o que esperavam de mim que eu perdia diariamente a oportunidade de me conhecer, de descobrir quem eu era de verdade.

Os anos foram passando e minha terapeuta transpessoal foi me mostrando que: muito do que me incomodava nos outros era sobre mim. Comecei a enxergar melhor as projeções que eu fazia e assim, me conhecer foi um desdobramento natural – ainda que meio dolorido – afinal nem todo dia é fácil enxergar nossas sombras. Aos poucos fui percebendo que o preço de ser o que queriam que eu fosse era caro demais pra se pagar, porque isso implicava em não confiar em mim.

foto: @adrianacarolinafotografia

foto: @adrianacarolinafotografia

Quanto mais a gente se conhece, menos a gente se compara. Assim, falar levianamente da vida alheia, mais conhecido como fofocar, vai perdendo o sentido. Quanto menos a gente se conecta com as questões do outro, mais tempo temos para focar na nossa vida, nossos sonhos e objetivos. Criar autoestima também me trouxe isso, assim aplicar empatia de forma verdadeira e menos julgadora foi se tornando mais natural.

Toda a inveja e melindre que eu sentia de algumas pessoas que me incomodavam foram perdendo a força, porque consegui cuidar do que era sobre mim, não sobre elas. Eu deixava de cuidar do meu jardim para acompanhar o dos outros, comparando o meu com do de pessoas que sequer tinham os mesmos sonhos que eu. Abrir mão desse processo de comparação foi uma das partes mais empoderadoras de todo meu processo. Passei a desenvolver estima/ amor/ carinho pelo que eu tinha de melhor. Eu comecei a gastar meu tempo cuidando de mim, não mais me comparando. Sintonizei na minha própria frequência e assim me conhecer foi possível.

foto: Pedro Mena

foto: Pedro Mena |@menaphotography

Autoestima é um tipo de iluminador invisível que a gente nota só de olhar, é um brilho que vem de dentro, que se expande da beleza ao comportamento, ela tem tudo a ver com autoconhecimento.

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1 Comentário

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    Sulamara Moreira
    29.05.2018 às 0:54

    Aos 14 eu acreditava que seria feliz quando fosse magra. Consegui perdi 10, depoia 20, depois 30 kg.. Fiquei magra. Cheia de elogios, felicitações, vc está tao linda, quanta forca de vontade. Mas eu nao eatava feliz e continuei a emagrecer desesperada, swm entender pq a recwita da felicidade nao funcionava comigo. Cheguei a pesar 38kg de pele, osso e a fase mais infeliz da minha vida. Tratamento, antidepressivos, bulimia, compulsão, engorda, emagrece. Foram anos de uma batalha cruel e injusta contra mim mesma. Entender que meu corpo era um guerreiro e que eu nao podia vivee me odiando daquele jeito foi o primeiro passo pra me conectar comigo mesma. Ver o seu processo, Joana, me faz revisitar a minha história e olhar com carinho pro meu. E fico feiz demais que as meninas de 14 anos de hoje possam ter referências diferentes das que eu tive. Talvez elas nao precisem perder tanto tempo se odiando antes de entender que se amar é o primeiro passo para vivermos livres e felizes sendo quem somos no corpo que habitamos.

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