1 em Autoestima/ Saúde no dia 29.04.2018

Micropigmentação da sobrancelha em um caso de Tricotilomania

Eu tardo, mas não falho! Atrasada, atrasadaaaa eu não estou porque abril ainda não acabou, mas considerando que prometi esse texto há algum tempo já chego pedindo desculpas!

Alguns de vocês devem se lembrar que outro dia invadi o instagram do Futi para mostrar meu encontro com a (linda e querida) Monica Pias em São Paulo. A Jo já falou muito dela por aqui então Monica não precisa de grandes introduções. O que precisa de introdução é o motivo pelo qual eu conheci a Monica.

Eu não lembro direito quando começou, mas eu sempre tive mania de mexer na sobrancelha. Mexer é piada, Mayara! Quis dizer arrancar os fios, um por um, com os dedos. É meio difícil falar sobre isso porque é algo que foge um pouco do meu controle. Não sei porque tenho, como começou e porque nunca parei.

Uma das piores “crises” foi no final de 2005, durante uma prova de Filosofia. Era minha última chance para passar de ano e eu tinha pânico só de cogitar ir para exame (não lembro direito, mas tinha a recuperação e se você não passava os professores decidiam se você repetia ou não). Segundo colegial, repetir e não passar para o terceiro não era opção na minha cabecinha de 16 anos. Foi péssimo, gente. Eu passei de ano, mas perdi metade das duas sobrancelhas. E naquela época eu era muito molequinha para saber que podia passar uma sombra, que tinha como tentar disfarçar. Então imaginem uma adolescente sem sobrancelha no meio de outros adolescentes. Pois é.

Depois dessa ocasião eu comecei a me perguntar o que era isso. E isso é um transtorno psicológico chamado tricotilomania. Eu conhecia uma pessoa que sofria da mesma coisa (meu pai), mas nunca tinha ligado lé com cré. Pode ser genético ou eu posso ter desenvolvido a mania ao ver ele arrancando cabelo desde que eu era pequena, mas o fato é que estava comigo e eu tinha que lidar. Foi difícil prestar atenção, mas eu consegui me policiar bem por alguns anos. Sempre tinha uma falha ou outra, mas nada que me fizesse sentir o que eu senti lá em 2005.

Até que veio 2017 e muita coisa aconteceu ao mesmo tempo. Nada tão sério como uma prova de filosofia (ha, ha! olha que ironia): só um namoro a distância, horas insanas de trabalho, uma inflamação na coluna, um término, muita terapia e uns detalhes que vocês já leram bastante por aqui.

Eu mal percebi, mas fui acabando com as minhas sobrancelhas já não muito cheias. Eu arranquei sem perceber. Um pouco por dia. E aí quando eu me dava conta, estava de frente pro espelho com raiva de mim mesma por ter feito aquilo. Mas é maior do que isso, gente. Hoje eu consigo entender que é uma mania e que não é só a força de vontade que vai me ajudar, muitas vezes a verdadeira ajuda vem de um profissional, não de frases motivacionais.

As pessoas mais próximas, que sabem disso, não deixam acontecer. Batem na minha mão, me alertam para o que está acontecendo, fazem algum barulho. Qualquer coisa que me faça sair do “transe”. Porque é mais ou menos isso mesmo. No fuuuuundo você sabe o que está fazendo, mas o prazer de sentir o pêlo entre os dedos e o prazer de sentir ele saindo da pele é muito maior (me senti escrevendo um conto erótico, mas ok, relevem). É difícil entender e é difícil de explicar, mas é muito fácil enxergar a consequência.

O que realmente importa é que ao me pegar nessa crise eu pude e estou dando mais atenção a isso. Trabalhando na terapia e vendo formas menos agressivas de parar. Ainda é tudo delicado pra mim e aos poucos vou entender melhor o tratamento, se precisar tomar algum remédio mais forte, beleza, bora lá! Porque agora eu posso estar super bem, mas nunca se sabe e eu não quero sentir o que eu sinto quando me vejo de frente pro espelho depois que o estrago foi feito.

E o que a micropigmentação tem a ver com isso? Não acho que é a cura! Mas olha, vou ser muito sincera, acho que eu fiquei tão feliz em ver as sobrancelhas cheinhas todo dia quando eu acordo que eu nem me atrevo a colocar a mão nelas.

Eu disfarçava as falhas super bem com sombra. E depois a falta de parte das sobrancelhas. Todo dia, no carro, indo pro trabalho, o ritual era o mesmo: sombra e pincel em mãos. Na real, até pra ir na padaria ou passear com o Oscar eu passava sombra. Ou usava óculos escuro pra ninguém ver que alguma coisa faltava no meu rosto. E é aqui que a Monica entra. Eu já estava cogitando a micropigmentação há algum tempo para não ser mais refém da sombra. Porque vamos lá: ir na piscina e acordar do lado do gatinho na manhã seguinte eram situações que me causavam pânico ao pensar que a sombra ia sair. Eu já deixei de entrar no mar porque estava sem a sombra na bolsinha de praia. Parece bobo, amigos. Mas não é. De alguma forma a falta de pêlos na sobrancelha me limitava, as vezes me paralisava e minhas amigas mais próximas sabiam disso.

E depois de conversar muito com a Jo sobre isso ano passado (especialmente sobre meu incômodo de “perder” a sobrancelha todo dia no banho) ela ligou lé com cré quando soube que a Monica passaria a atender alguns dias do mês em São Paulo. Falamos bastante, eu disse que apesar do saco cheio em ter que passar sombra toda hora, tinha receio de fazer algo mais permanente. E nós duas sabíamos que isso não resolveria a questão, mas só de pensar que eu ia deixar de ser tão refém da maquiagem, eu decidi me jogar com medo mesmo (lembram? meu lema de 2018!) e aceitei o convite da Jo e da Monica, que aqui em Sampa atende no Hair Concept.

micropigmentacao

Acredito de verdade que não devemos impor mais ditaduras da beleza para a mulher, mas, para mim, Mayara, foi muito libertador fazer a micro nesse contexto. Tem sido muito mais prático e não me preocupo mais de lavar o rosto e ficar sem sobrancelha. E não só isso: tem ajudado inclusive a me policiar e prestar mais atenção nos momentos de crise, tudo para manter muito lindão o presente que a Monica me deu com tanto cuidado e carinho.

Outros textos sobre micropigmentação:

1ª vez da micropigmentação da Jô em maio de 2015

Micropigmentação: sobre procedimentos que a Jô gosta de fazer, texto de 2017

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1 Comentário

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    Paola
    03.05.2018 às 10:45

    Oi meninas! Adorei ler o texto May! Só quem tem esse transtorno entende.. eu tenho um parecido (é da mesma família rsrs), se chama dermatilomania… ou skinpicking.. é o ato de fazer feridinhas e sempre coçar e arrancar as casquinhas (que se transformam em feridas enormes, que depois viram manchas eternas..) no corpo. Também não sei como começou, não sei pq eu faço.. é bem difícil, é um transtorno muito pouco divulgado e estudado no Brasil. Trato com psiquiatra, mas nas épocas de crise acordo com o lençol cheio de sangue.. gosto muito de ler o Futi e todo o discurso de aceitação do corpo, mas é bem difícil aceitar um corpo cheio de manchas, ou pior… nas crises, cheio de feridas.. as pessoas perguntam, fazem cara de nojo, evito usar saia (o que na verdade eu amo e acho lindo)… enfim, não é fácil.. fica aqui uma dica de pauta para algum post, por ser um assunto tão mal divulgado e que atinge muito mais pessoas (sendo 90% delas mulheres) que imaginamos. Bjocas

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