0 em Destaque no dia 03.04.2018

Eu não tenho o que vestir

Que atire a primeira pedra quem nunca disse isso. E pior, com o guarda-roupas cheio do que? De roupas, claro!

Então, como isso é possível?

Fácil. A gente é criada recebendo a informação de que, para sermos lindas, confiantes, competentes – bota aí todos os adjetivos desejáveis possíveis – a gente precisa ter tudo o que é lançado a cada temporada.

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Afinal, a moda funciona ciclicamente, e se não comprarmos com uma certa frequência, ela não se alimenta.

Nada de errado com isso, afinal, nenhum negócio se sustenta se os clientes comprarem uma vez só e fim. O problema é como a gente tem sido incentivada a consumir, ligando consumo a algo extremamente feminino (“como assim, você é mulher e não gosta de fazer compras?”), como se fosse a solução dos nossos problemas.

Aliás, vale mencionar que boa parte desses problemas foram criados pela sociedade.

  • Não tem namorado? Errou feio, errou rude. Compre para se redimir e conseguir um.
  • Não é gostosa o “””suficiente”””? Compre para consertar isso.
  • Quer ser aceita? Compre.

Afinal, você não precisa de autoestima. Você precisa ter uma bota amarela de plástico até a coxa e de salto fino, que é a mais nova tendência. Aí, todos os seus problemas estarão resolvidos.

Ou seja, além de dizerem pra gente tudo o que a gente tem que ser/ter pra se encaixar no padrão que NUNCA será alcançado, a indústria também diz pra gente que sim, você pode alcançar esse padrão! Mas, pra isso, você precisa comprar as roupas inspiradas na última NYFW.

Muita gente sabe que esse não é caminho, mas mesmo assim a gente cai nessa pegadinha, pois somos levadas a comprar para preencher um vazio que não existiria se não fossem as tantas cobranças e expectativas que depositam (depositamos, vamos ser responsáveis pelos nossos atos) sobre a gente.

E aí é que mora o problema. É por isso que 99% das mulheres que eu atendo têm um guarda-roupas lotado e nada pra vestir – porque muitas dessas compras foram feitas sem pensar, sem levar em consideração o que elas gostavam e/ou precisavam naquele momento, apenas para preencher um vazio que poderia ter sido preenchido com uma coisa simples, linda e de graça: autoestima.

Quando dizemos “não” para um “must have” porque entendemos que aquela peça não tem nada a ver com o que somos, com a nossa rotina e com as mensagens que a gente quer transmitir, nos sentimos seguras, autoconfiantes.

E confiar nas nossas decisões (seja a de comprar, a de não comprar, a de guardar dinheiro pra comprar depois com mais calma e certeza, etc.) é um baita exercício de autoestima que a gente nem se dá conta do quão poderoso é.

Por isso, meu conselho é: antes de comprar, pense. “Tem a ver comigo, com a minha vida/rotina, meus gostos pessoais, cabe no meu corpo de hoje e no meu bolso?” Se a resposta for não para qualquer uma dessas perguntas, vá dar uma volta, respirar ar puro, tomar um café, pensar na grana e o que você poderia fazer com ela se não comprar aquela peça. Não deixe nenhuma pressão te levar a decidir, faça isso de forma consciente, tomando pra si a responsabilidade dessa decisão. Aliás, tomar responsabilidade pelos seus atos e decisões também é exercitar a autoestima, pois te deixa segura de que aquela era a melhor decisão que você poderia ter tomado naquele momento.

Então, antes de sacar o cartão da bolsa e comprar algo que você não sabe se precisa/gosta/quer, decida por si, de forma responsável e consciente. Tenho certeza de que a sensação de armário cheio e pouca opção vai ficar cada vez menos frequente na sua vida ;-)

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