0 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 02.04.2018

Faça bom uso do privilégio magro, não seja apenas militante de sofá!

Traduzido livremente por Carla Paredes que  me mostrou esse texto do instagram @dothehotpants. Postamos o mesmo no nosso instagram @futilidades, mas não achamos que era o suficiente. Sentimos que precisávamos falar sobre isso em todos os lugares. 

@futilidades

Se alguma imagem equivale a mil palavras, é essa da campanha da @nunude_official.
Com privilégio vem a responsabilidade. Especificamente o privilégio magro, não é apenas sobre apoiar as gordas e as mulheres curvilíneas online.

É sobre discutir a gordofobia com amigos que estão sacaneando o corpo de alguém. É chamar atenção dos familiares quando estão discutindo o corpo de alguém na mesa de jantar. É perguntar por que não tem uma parte plus size na sua loja favorita. É pedir para a sua academia retirar qualquer sinal gordofóbico que está do lado do seu aparelho preferido (no nosso caso, diria que seria alertar os professores a não serem gordofóbicos e nem achar que todo mundo só está ali com o único intuito de emagrecer). É conversar com o recursos humanos do seu trabalho quando brincadeiras sobre perda de peso começar a acontecer no seu trabalho. É usar seu privilégio para falar em espaços e situações que não são seguras (ou confortáveis) para certos tipos de corpos.

Muitas seguidoras têm ansiedade ou têm transtornos alimentares e falar com pessoas pode ser aterrorizante. Mas tem formas menos confrontadoras para lidar com o sistema opressor também!

Um seriado só escalou atores magros? Mande um tweet para os produtores! Algum aplicativo que você usa só mostra fotos de pessoas magras? Mande um e-mail para os desenvolvedores! O metrô que você usa permite anúncios gordofóbicos? Comece uma petição para combater isso! Você tem um dinheiro extra sobrando? Apoie financeiramente causas e organizações que estão trabalhando duro para criar ambientes seguros para todos os tipos de corpos.

Vamos fazer com que as ideias que pregamos online sejam postas em prática no mundo real também. Vamos fazer com que mulheres de todos os tipos de corpos saibam que quem tem privilégios está realmente lutando por elas. Vamos realmente apoiar outras mulheres.

Você pode seguir todos os perfis do mundo, e isso irá te ajudar a aceitar e ver todos os tipos de corpos como bonitos, mas para fazer uma mudança sistêmica a gente precisa mudar e questionar o status quo do mundo real também.

Deixo aqui meu desabafo também:

Ontem eu e Carla resolvemos que traríamos esse texto do instagram traduzido para o blog, mas não foi o bastante. Precisei colocar no instgaram também, afinal essa imagem causa mesmo uma reflexão, mais do que mil palavras juntas. Fiquei com vontade de fazer um shooting assim para o #paposobreautoestima, mulheres incentivando e impulsionando mulheres, levando em conta privilégios variados. Fazer bom uso de seus privilégios, dar lugar de fala, praticar empatia e buscar ajudar no processo de desconstrução do mundo a nossa volta deveria ser uma tarefa de todas nós. 

Eu entendi meu privilégio branco convivendo com minha amiga Maraísa Fidelis (do blog @blzinterior), desde que essa ficha caiu eu tento ao máximo desconstruir racismos enraizados, já fiz isso num date, já fiz isso em família, já fiz isso em piquenique e não quero flores por isso não. Sempre que conseguimos trazemos uma mulher negra pra falar de sua história aqui e tento ao máximo divulgar o tema, livros e perfis que podem ajudar nesse processo tão exaustivo que é lutar contra o racismo. É tarefa de todos. É o certo a ser feito. Eu não quero e não vou ser ativista apenas de rede social. Eu quero falar em todos os lugares e fazer o máximo que eu puder para mudar as coisas, o mesmo se estende a outras questões, umas mais outras menos sensíveis pra mim, mas todas importantes e relevantes pro #paposobreautoestima.

Na geração do “feminismo lacreany” é muito fácil nos transformarmos em ativistas de sofá que consideram que o seu papel na luta é fazer um textão viralizado no facebook, isso precisa sair da rede social e se espalhar. Precisa entrar na nossa casa, na casa de quem amamos, precisa ao menos causar uma reflexão sobre o assunto. Outro perfil comum é aquela que acha linda a desconstrução, comenta, coloca emoji, mas uma hora depois tá ensinando um comportamento alimentar que é um super gatilho para um episódio de compulsão alimentar, anorexia ou bulimia na sua rede social. Se valendo da inconsciencia para fazer apenas o que dá vontade. Precisamos avisar a essas pessoas que elas estão fazendo um desserviço. Ouço muita gente questionar blogueiras por comportamentos que Camilla Estima sinalizou nesse post, agora quantas pararam e escreveram uma DM pra essa blogueira? Quantas enviaram um link como esse que explica o problema? Precisamos agir, no meu ponto de vista com o máximo de amorosidade que conseguirmos, pra não afastar a outra pessoa, mas trazer pra perto. Mostrar que estamos todo dia usando a palavra gorda da forma errada, como eu escrevi nesse texto para a Glamour Brasil. Deixando claro que não podemos viver fazendo gatilhos de transtorno alimentar só porque acreditamos piamente que a saúde é uma justificativa plausível para gordofobia ou uma pressão estética pesada, pra isso tem esse texto aqui da Paola.

Precisamos mostrar para nossos familiares que pode existir uma nova maneira de pensar, precisamos sinalizar que eles podem ser como quiserem, mas nem por isso podem oprimir de forma preconceituosa as mulheres com corpos diferentes do que eles julgam bonitos ou corretos. Precisamos lembrar que magreza não é sinônimo de saúde quando levamos em conta o transtorno alimentar e que o índice de meninas com esses problemas é enorme NO MUNDO TODO. Aos poucos precisamos ensinar que é um risco muito grande a saúde mental das pessoas ficar comentando o corpo do outro, outro texto importante que rolou aqui. 

Está na moda falar da desconstrução do padrão estético imposto, mas precisamos falar sobre isso não por um modismo, mas porque ACREDITAMOS GENUINAMENTE que iremos criar mulheres mais livres em uma sociedade mais desconstruídas. Com a beleza sendo um valor tão exigido da mulher fica pesado buscar isso a qualquer custo, com apenas uma forma tida como correta. Como se apenas uma forma de beleza fosse socialmente reconhecida. Precisamos falar sobre se conhecer, se sentir segura, sobre desenvolver estima por si mesma e não se engane, essa pressão adoece mulheres DENTRO e FORA desse padrão. Sem contar que muitas vezes a que você considera perfeita só sabe enumerar defeitos nela, se comparando com outras. Então é uma luta por todas, pelas gordas que sofrem preconceitos inimagináveis e precisam de nós, mas também por também por toda mulher que você conhece e ama, que muitas vezes vemos vivendo uma experiência totalmente depreciativa com seus próprios corpos, sendo prisioneiras de uma crença que escolhemos acreditar porque nos foi ensinado.

Precisamos todas juntas lutar contra isso e endossar perfis bacanas nas redes sociais não é o melhor que podemos fazer, é só o começo.

Precisamos nos informar e aos poucos abraçar a desconstrução, não se engane, ela é para todas.

 

Textos importantes para você ler e se questionar:

E a gente achava que eram só as blogueiras fitness ::: Camila Estima PHD em nutrição, especializada em comportamento alimentar.

Mas elas estão apenas compartilhando um estilo de vida……..será mesmo? ::: Camila Estima PHD em nutrição, especializada em comportamento alimentar.

Preocupação com saúde vs. gordofobia ::::: Nutricionista especializada em Comportamento alimentar, dona da página @naosouexposicao.

Pare de dizer que você se sente gorda: gordura não é sentimento. :::: Joana Cannabrava (eu mesma) para Glamour Brasil.

O peso dos outros. ::::: Camila Estima PHD em nutrição, especializada em comportamento alimentar.

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