0 em #paposobremulheres/ Comportamento no dia 17.03.2018

Papo Sobre Mulheres: Sororidade na internet

Quando as meninas me pediram para escrever aqui eu pensei comigo mesma, ai ai…Não é o meu forte, eu gosto mesmo é de falar em vídeo, no palco, enfim…escrever não é mesmo a minha praia. Mas depois que eu li o que as outras meninas tinham escrito aqui no blog, eu aprendi, cresci, e mais uma vez percebi que não é como eu escrevo, e sim sobre dividir algo meu para que alguém lendo possa se identificar e possa dizer: não estou sozinha! E é sobre isso que quero falar, essa sororidade linda que encontrei na internet e que mudou minha vida.

Não cresci com mídia social, nem na época em que eu trabalhava na televisão. Sou da época da cartinha e recebi várias que me apoiavam e me elevaram em uma época tão gostosa da minha vida. Quando deixei tudo para trás e vim para Nova York atrás da minha história, deixei de lado tudo isso de como as pessoas reagiam à mim e o que elas pensavam. Porém um dia, 4 meses depois de ter minha primeira filha, eis que assistindo uma entrevista em um blog de moda vejo alguém comentar “a Fabiana Saba ficou uma gorda e foi morar na America”. Ainda sensível do começo da maternidade e insegura comigo mesma, deixei aquilo me abalar, mas era só o começo. Descobri que na internet todo mundo podia dar sua opinião, o que é uma coisa maravilhosa, mas tem muita gente que confunde mal educação e falta de empatia com sinceridade.

Durante alguns anos tive problemas com minha autoestima. Depois de duas filhas e ganhar muito peso nos olhos das pessoas do mundo fashion, ouvi besteira de quem deveria ter ignorado, acreditei que não deveria usar mais certas roupas, biquinis, que deveria me esconder, fingindo ser aquele meu novo estilo. Por vezes deixei de entrar na piscina com minhas filhas com medo de me expor perto de alguns “amigos”, deixei de curtir uma noite com o marido porque nada cabia então não ia mais sair, enfim, minha briga com o espelho se espalhou para o meu dia a dia. Essa falta de amor próprio nos tira não só a nossa verdadeira beleza, mas também nossa força e nos deixa exaustas.

Foi então, no meio dos comentários maldosos (sim, muitas pessoas vinham nas minhas páginas com comentários indignados por eu ter “me largado” e engordado tanto) que eu comecei a encontrar mulheres maravilhosas e corajosas que se expunham para ajudar outras mulheres a se encontrarem. Mulheres que contavam suas histórias, que dividiam suas dores sobre peso, maternidade real e tantas outras coisas com o simples intuito de ajudar outras mulheres! Soube então que não era a internet que estava errada, era eu que não tinha ainda achado tantos anjos que estão espalhados por ela. Parei de seguir quem me fazia mal – dessa vez sem julgar, simplesmente porque não agregava mais – e comecei a ouvir e ler o que tantas outras mulheres tinham a dizer.

Nas suas histórias, eu me encontrei. Fiz as pazes com a menina no espelho e finalmente enxerguei sua beleza, ri e chorei com minhas novas irmãs. E não eram so as blogueiras, mas também as mulheres que me deixavam comentários compartilhando suas próprias jornadas. Assim, vi que a empatia vinda de um grupo diverso de mulheres – magras, gordas, trans, lésbicas, negras, brancas, asiáticas – era o segredo da nossa união, pois também nas nossas diferenças podemos crescer juntas – basta ouvir com coração aberto e sem julgamentos.

Depois da minha mudança, eu decidi que queria fazer parte desse grupo e até, quem sabe, inspirar alguém ou chamar para me acompanhar no caminho do auto descobrimento. Ainda estou caminhando, mas me sinto forte e amparada por essas mulheres que seguem comigo, que lutam, que querem como eu chegar na paz de se amar, mas não sozinhas, sempre juntas. Quero deixar aqui marcada a minha gratidão e quis aproveitar o espaço para sugerir alguns desses perfis, e pedir para que vocês façam o mesmo no comentário, pode ser?

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