4 em #paposobremulheres/ Autoestima/ Relacionamento no dia 04.03.2018

Papo sobre mulheres: Sobre deixar ir… e recomeçar.

Eu nunca fui o tipo de pessoa entusiasta de grandes aventuras, paixões avassaladoras, tampouco me deixava levar pelas emoções. Bom, não que eu me lembre. Ao contrário disso, sempre tive uma vida incrivelmente pacata dentro da minha zona de conforto, muito provavelmente pelas minhas referências familiares e principalmente pelas minhas escolhas. Somos condicionadas pelo meio, mas são nossas atitudes que definem o rumo da nossa vida. Confesso que no dia em que eu me apoderei dessa consciência o meu mundo desabou… ou melhor, mudou!

Aos 18 anos eu comecei meu primeiro relacionamento sério (e duradouro). Me lembro do dia em que fui avisada que estava namorando. Não houve pedido, não houve questionamentos, não houve nada além de uma comunicação. Acatei. Após um longo ano de encontros e desencontros, lá estávamos nós, amando. Tentei me jogar de cabeça, viver a tal da paixão, me empenhei, dei tudo de mim e mais um pouco. Na verdade dei muito mais. Fui feliz e triste. Na época achava que era tudo normal, afinal, um dos primeiros ensinamentos que nos é passado é o de que não dá pra ter tudo na vida. Então tá. Até então havia me contentado com essa máxima.

eu não queria te perder (então eu me perdi)

eu não queria te perder (então eu me perdi) | ilustra: melody hansen

Vesti a camisa dele por mais de 10 anos, vivi os sonhos dele, apoiei os projetos dele, me adequei a vida dele, comprei o barulho dele. Até ai tava tudo certo! O problema vem agora: me anulei por ele e me perdi de mim. Em dado momento, que já nem me lembro quando, eu não tinha ninguém pra vestir a minha camisa, pra viver os meus sonhos, para apoiar os meus projetos, porque nem eu acreditava mais neles. Perdi minhas referências, minha confiança e minha autoestima. Arrisco dizer que, junto com elas, também foi embora a minha identidade. 

Passados alguns anos eu estava infeliz. Meu mundo idealizado estava desmoronando. Mas eu não aceitava aquela “derrota”. Lutei muito. Lutei sozinha. Me acomodei em um estilo de vida que não me agradava. Me sujeitei a situações emocionalmente comprometedoras. Lutei até não ter mais forças, nem vontade. Uma hora cansa. E cansou.

Por muito tempo me senti fraca por não conseguir reagir. Por não conseguir pular fora e romper aquele padrão adoecido. Todas as vezes que eu tentava, era tomada por um sentimento de culpa, que me colocava novamente naquele mesmo lugar morno. Já não era amor. Não como deveria ser, ou melhor, como se esperaria que fosse. Era dependência emocional, era costume, era rotina. Era orgulho. Era tédio. Era tóxico.

Em uma conversa entre amigas, ouvi de uma delas “não importa de quem foi a iniciativa, nada é unilateral”. Talvez eu tenha fantasiado uma realidade que não existia. Talvez eu estivesse agindo por meio de um ego ferido. E, provavelmente, por diversas vezes, tenha ingressado em um processo de boicote daquele relacionamento que no fundo eu sabia que já estava no respirador. Eu levei o “pé na bunda”.

Foi um processo. Um processo longo e doloroso. Talvez o mais difícil de tudo tenha sido enxergar os fatos. Tão difícil quanto assumir que as coisas não saíram de acordo com o planejado, e que a intuição já havia alertado uma centena de vezes antes. Difícil voltar a estaca zero. Mais complicado ainda é se deixar para trás para se refazer, agora com novos gostos, novas referências, com um jeitinho mais espontâneo e não condicionado a nada, nem ninguém. Difícil viver para si mesma depois de tanto tempo, mas libertador. Não é mágica. Exige paciência e um mergulho em si, um processo de autoconhecimento e auto suporte. Exigiu terapia, das mais variadas.

olhe para isso de outra forma

olhe para isso de outra forma | ilustra: melody hansen

Mas aí chega o dia em que você acorda diferente. É o dia que a chave vira, que o luto acaba, a dor ameniza e a vida segue. Mas ela não segue arrastada, ela segue cheia de amor próprio e isso é capaz de preencher qualquer vazio que o fim de um relacionamento possa ter deixado. Acredite!

O universo está sempre disposto a nos proporcionar o melhor e quando a gente assume o nosso lugar no mundo, a nossa identidade, quando a gente toma as rédeas da nossa vida e acredita no nosso potencial, a gente recebe tudo que está sendo enviado para a nossa felicidade. É nesse momento que a vida muda, que novas oportunidades se abrem, novas pessoas se aproximam, novas paixões acontecem. Sim, acontecem! Lembram que eu disse que não era entusiasta de grandes aventuras e paixões avassaladoras? Então, a gente muda mesmo. É nesse momento que a vida ganha cor e que você sente que tudo que aconteceu até então foi só pra te preparar para aquele infinito de possibilidades que falam por ai…

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4 Comentários

  • RESPONDER
    Margareth Andrade
    04.03.2018 às 16:18

    O tal pé na bunda é sofrido é doido até a gente entender que foi libertação!

    • RESPONDER
      Joana
      04.03.2018 às 17:34

      EXATAMENTE.
      Até entender que ali começa o resto da nossa vida, uma vida muito melhor.

  • RESPONDER
    Vivian Leite
    04.03.2018 às 17:17

    Texto maravilhoso e cheio de sensibilidade! queria poder curtir umas 20 vezes! Parabéns ao Futi por trazer esse texto tão feliz e de uma pessoa tão maravilhosa como é Carol! Amei!

    • RESPONDER
      Joana
      04.03.2018 às 17:34

      Não poderia concordar mais.
      Carol sempre é presente indiretamente, foi incrível poder trazer ela de forma tão direta.

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