2 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 14.12.2017

Desafios de 2017: o tal medo da rejeição!

Sou a primeira a defender que o que nos incomoda muito no outro ou em alguma situação diz respeito a algo em nós, algo mal resolvido ou reprimido no inconsciente. Acredito nisso e por essa razão me esforço para pegar as situações delicadas em que me vejo julgando, rotulando ou me incomodando para me conhecer, busco naquela situação o que me incomoda tanto, o que de mim tem ali. Não é fácil, eu faço isso com ajuda profissional e nem sempre gosto do que encontro. Então volto para aquela premissa: se conhecer, conhecer sua sombra e sua luz não é uma tarefa fácil. Mesmo assim, quando a gente faz ela verdadeiramente, de um jeito ou de outro a nossa vida MUDA. É quase que inevitável, é sempre libertador, seja para melhorar algo ou apenas para aceitar alguma faceta que antes preferia fingir que não existia. Já descobri cada coisa curiosa, que no fim eu ri, um dia contarei uma delas pra vocês.

Sempre que começo a me incomodar com algum julgamento alheio minha terapeuta me pergunta a razão daquilo me incomodar tanto. Em um primeiro momento solto frases meio clichês, alegando injustiça ou dizendo que não é verdade. Ela sempre me dá aquele soco no estômago me perguntando: se não é verdade, por que te incomoda tanto? Pronto, aí começamos uma jornada nas entrelinhas, no não dito, nas minhas questões da infância, nas expectativas da vida ou  nas projeções que não são tão realistas assim.

Claro que isso não quer dizer que sou igual a pessoas que não admiro, mas em alguns momentos projeto nelas questões que são minhas, é muito interessante usar disso para fazer uma jornada de autoconhecimento. Em algum momento você esquece do incomodo e foca no novo aprendizado sobre a questão. Quanto mais vim fazendo esse exercício nos últimos anos, menos comparei minha carreira com a de outras pessoas, menos questionei se a outra menina era mais magra ou bonita e me coloquei menos em cheque, parei de achar que todos os defeitos do mundo estavam em mim. Quanto mais estudei e fiz terapia, mais me conheci e mais segura (do que sou e do que não sou) eu fui ficando. Aos poucos aprendi que a grama do vizinho não é assim tão mais verde quanto parece e quando ela é, costuma custar um preço que as vezes eu não pagaria.

Quando o assunto é algum julgamento leviano (ou não) que fazem sobre mim eu me deparo com alguns padrões de comportamento. Quando consigo ligar o dane-se é ótimo, mas quando é algo que toca em alguma ferida ou vem de alguém que amo, a coisa fica um pouco mais complicada, e lá vou eu desdobrar os acontecimentos até tirar um aprendizado que acalme minha mente (tão) agitada, que tem mania de entender tudo.

Nessas horas me pergunto o porquê me incomodo de alguma forma  já que não sou aquilo, várias vezes chego a alternativas repetidas: Ou parte de mim acredita em parte daquilo, as vezes presa num padrão inseguro antigo ou volto a dar de cara com a minha velha arrogância (já não tão reprimida) de querer fazer algo tão “perfeito” capaz de agradar a todos. Eu sei, é muita audácia a minha buscar algo que sequer existe. Posso estudar, me embasar, dar meu melhor e não serei unânime. Por diversas vezes, em variadas situações,  trabalhei essa questão em 2017.

Perder o medo do julgamento me libertou em várias das esferas da minha vida (não todas ainda, obviamente). Quanto menos me importo com o que irão pensar, mais foco no que realmente sou, sinto ou penso. Vivo de forma mais segura a minha essência quando não tenho medo do que irão falar. Seria lindo se eu conseguisse aplicar esse aprendizado em tudo? Seria, mas as coisas acontecem por etapas (ainda bem, senão eu surtava!!!!).

Em 2017 eu precisei trabalhar com esse desprendimento do julgamento alheio nas vísceras no quesito trabalho (no corpo acho que fui trabalhando antes). Sabia que um projeto como o nosso não agradaria a todos, mas acho que fui inocente nas expectativas de unanimidade. Claro que eu sabia que algumas críticas seriam muito verdadeiras (ainda que precisemos optar por seguir no nosso caminho/ instinto), sabia que algumas das coisas que diriam seriam “injustas” e mais sobre o outro do que sobre a gente. Tudo isso aconteceu. Teve quem criticasse por achar que estamos fazendo apologia à obesidade, teve gente que criticou nosso senso de oportunidade de falar disso agora (acredito que os 18 meses anteriores nos quais falamos de autoestima, autoconhecimento e relacionamento já demonstra que a gente vinha nessa jornada, nem que seja por inconsciente coletivo. Eu acho que nos apropriamos de uma oportunidade que criamos pra nós, não o contrário, mas vida que segue) e muito mais. Esses são só alguns dos exemplos com os quais me deparei visando gente querendo invalidar o nosso processo, alguns com pontos mais coesos e outros com menos.

Foi no meio de tudo isso que tive que trabalhar meu senso de justiça apurado (libriana, né mores) e precisei aprender que eu não iria nem convencer, nem agradar a todos. Muita gente simplesmente não gosta de mim ou do discurso. Faz parte. No meio de diversas conclusões eu descobri o óbvio novamente: EU NUNCA SERIA UNANIME. Precisei trabalhar essa vontade proveniente desse meu momento arrogante, vou continuar fazendo meu melhor, mas agradar a todos não dá. Em vários momentos aprendi isso de uma forma não tão leve, mas tudo fez parte.

Foi ai que outro conjunto de palavras importante entrou na história: tá tudo bem. 

Afinal, está tudo bem não ser unânime. Está tudo bem não agradar a todos. Está tudo bem não ser perfeita ou decepcionar alguém. Isso é parte da existência. A gente vive tão presa em formatos de padrões de perfeição que nem notamos que tentamos ser perfeitas pra família, pra o trabalho, pra o relacionamento amoroso, pras amigas ou pra os seguidores do instagram, mas a verdade é que tal coisa chamada perfeição não existe. Por isso, está tudo bem quebrar paradigmas que nos obrigavam a procurar por tal estilo de vida.

Os padrões de beleza, de comportamento esperados das mulheres, das mães, de formato de trabalho ou de relacionamento certo que a sociedade aprova só nos colocam entre as barras de uma jaula coletiva, com vícios e doenças coletivas. Podemos escolher viver nesse contexto ou situação, podemos até gostar de todos esses padrões, mas tomar consciência deles é uma forma de tornar essa forma de vida consciente e não mais tão imposta .

Quando a gente expande a consciência, passamos a enxergar bem mais do que uma lista justa de verdades e mentiras absolutas. Passamos a ver mais quem somos e não quem querem que sejamos, assim, aos poucos vamos ficando mais seguras de nossa essência, do nosso propósito e o peso das palavras, críticas ou julgamentos externos vão perdendo a força. Ainda que usemos tais situações como alavancas para refletirmos e nos conhecermos, com a ciência de que não é sobre nós.

Aos poucos fui perdendo o medo da rejeição ao meu corpo e a minha imagem, aos poucos fui me dando a possibilidade de me enxergar de verdade.

Unanimidade não existe, esse é um bom mantra. 

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2 Comentários

  • RESPONDER
    15.12.2017 às 11:20

    Você é uma inspiração Jô. Cada vez que leio seus textos, mais percebo como estou presa à padrões que não me trazem e nem me dizem nada. Principalmente em relação a relacionamentos. Minhas altas expectativas em relação ao outro me prejudicam demais e não me deixam relaxar e curtir o processo. Na verdade percebi hoje, com seu texto, que tenho medo de ser rejeitada, de não fazer falta, sabe? Por isso não me permito me jogar de cabeça assumindo todos os riscos, inclusive o de ser rejeitada mesmo, porque não rsrs? E pelo mesmo motivo também não me permito receber as boas surpresas que podem surgir. Perceber isso é difícil mas, no fundo auto-conhecimento doe, mas muda sua vida! Continuo na batalha…Beijos e obrigada

  • RESPONDER
    Karlinha
    18.12.2017 às 16:35

    Joana, que texto perfeito!
    Me identifiquei em – quase – tudo! Sei bem que preciso procurar ajuda nesses mesmos quesitos que expusesse, mas tenho sérias dificuldades de lidar com quaisquer coisas que saiam do meu controle… Incluindo minhas fraquezas.
    Obrigada por abrir teu coração dessa forma!
    Beijos com carinho, da amiga e também libriana,
    Karla

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