1 em Autoconhecimento/ Comportamento/ Destaque/ Futi em NYC no dia 28.11.2017

O dia que meu olho voltou a brilhar

Já contei por aqui o quanto a vida novaiorquina não tem nada daquilo que romantizamos ao vermos filmes, séries e músicas sobre a cidade. Contei também como eu levei um tombo ao entender que a minha realidade era bem diferente do que eu sonhava.

Um dos meus principais tombos se deu por causa dela, a moda. Lembro muito bem quando eu decidi focar nessa área quase no final do meu curso de Design. Meus olhos brilharam como nunca antes. Um ano antes de me formar comecei a mudar escolhas de cursos na faculdade e decidi fazer do meu projeto final uma coleção de estampas.

Assim que me formei, tracei um plano de vir para Nova York fazer uma pós graduação no FIT. Achei o curso que queria fazer, preenchi todos os formulários, fiz o Toefl, consegui a nota para entrar no curso, fui para Nova York só para pegar a papelada, fui na palestra agendada para falar sobre as inscrições mas….não aconteceu. Outros planos se tornaram prioridade e deixei essa ideia de lado.

Aquele momento que você realmente respira moda e arte quando anda pela rua e se depara com esses outdoors pintados à mão. Quem não conhece o trabalho da Colossal, que fez esse da Gucci que eu tirei a foto, precisa dar uma olhada! Eu sempre fico fascinada.

Um ano depois de formada, já trabalhando com design de estampas, o Futi nasceu com um propósito: nos botar em contato com a galera da moda para ver se a gente conseguia se inserir no mercado. Trabalhamos com marcas que sempre admiramos, fomos à incontáveis desfiles (inclusive internacionais, inclusive aqui em Nova York!), festas, vimos de perto sapatos serem feitos, bolsas serem criadas, conhecemos pessoas incríveis que nem nos nossos sonhos pensamos que cruzaríamos. E o olho brilhando continuou lá, mas um brilho um pouco mais cansado. Alguns anos vivendo diretamente os bastidores e descobrindo verdades inconvenientes pode dar uma desanimada mesmo, é normal.

Cheguei em NY e não nego que a primeira coisa que pensei foi, novamente, MODA. Essa é uma cidade onde tendências são criadas, coleções são lançadas, as vitrines mais exuberantes do mundo são montadas, exposições acontecem, os principais nomes moram (ou têm um apartamento) aqui. É óbvio que eu seria engolida por ela sem nem pensar.

Mas não.

Eu não me atentei que a vida de mãe me engoliria de uma tal forma que eu me perderia de mim mesma. Foi 1 ano dedicado integralmente ao Arthur, dividindo todo o trabalho que é cuidar de criança e casa apenas com o pai. 1 ano onde eu morei em Nova York e contei nos dedos os momentos que me trouxeram a verdadeira empolgação de morar aqui. 1 ano onde o brilho nos olhos que eu tinha em relação à moda sumiu porque eu não tinha tempo de apreciá-la, estudá-la e até mesmo admirá-la. Logo onde, né? Que ironia.

Até que semana passada eu fui convidada para participar de um passeio guiado pelo Soho (obrigada, @dig_ny). Aceitei o convite porque eu achei que um dia diferente me faria bem, mas confesso que achei que ia ser aqueles passeios clichês, com lojas que todo mundo já conhece.

A proposta da tour, conduzida pela personal stylist Marcia Crivorot, era justamente nos levar em lugares menos convencionais cuja experiência de compra fosse diferenciada (se vocês quiserem, posso contar melhor sobre isso em outro post). Entrar em contato com aquele cenário pulsante, cheio de novidades e inovações foi uma das melhores coisas que eu fiz por mim nesse 1 ano e meio aqui. Ver que as coisas estavam acontecendo apesar da minha ausência e sentir a paixão dela ao contar das marcas, mostrar detalhes, contar curiosidades e nos apresentar tanta coisa bacana foi acalentador.

Terminei o dia leve, feliz, me sentindo eu novamente e com os olhos cheios daquele mesmo brilho forte e reluzente que eu tinha em 2008. Com a criatividade pulsando e a cabeça à mil (mas de um jeito bom). Foi um fôlego necessário para poder voltar à vida normal de mãe/blogueira/dona de casa – que foi intensamente caótica nos dias que se seguiram, já que teve feriado (ou seja, filho sem aulas) e marido viajando, tudo de uma vez só. As vezes a gente tem que fazer isso para voltar aos eixos, e eu agradeço por não ter negado esse convite.

Dá para notar a minha cara de “aqui é o meu lugar”? Porque para mim transpareceu nessa foto hahaha

Eu não sou mais a Carla com os mesmos sonhos de 10 anos atrás, nem com os mesmos objetivos, mas ter reencontrado a Nova York que eu imaginava desde que cheguei aqui – nem que fosse apenas por 1 dia – foi maravilhoso.

Gostou? Você pode gostar também desses!

1 Comentário

  • RESPONDER
    Schai Jesus
    28.11.2017 às 13:14

    Que bacana, fiquei encantanda por essa foto, mais ainda sabendo o ” por trás das câmeras” dela hehehe 💙

  • Deixe uma resposta