4 em Autoconhecimento/ Convidadas/ Destaque no dia 31.07.2017

Quando o basta vem de dentro

Sou uma pessoa de muitos amigos. Mas ultimamente, percebi que no meu ciclo de amizades existiam pessoas das quais eu era amiga mas elas não eram minhas amigas de volta. Uma em especial. One way friendship. Equação nada equilibrada.

Eu sentia um desconforto há tempos, mas pensava: “ok! Deixa para lá. Se a pessoa não tem a mesma consideração por mim, tudo bem.” Cada um é diferente e a disponibilidade dela pode não ser a mesma da minha. E eu relevava. A pessoa demandava muito de mim. Queria tudo, recebia tudo e sempre que eu precisava de algo, eu não recebia nada. Durante anos enterrei as provas de desconsideração para baixo do tapete: As humilhações em ambiente de trabalho, o jeito de empurrar uma falha dela para mim, o descumprimento de acordos de projetos de vida importantes, etc… E eu engolia tudo.

ilustra: Amélie Fontaine

Um belo dia, discutimos publicamente por causa de uma bobagem. Uma discordância em relação a um filme. A pessoa gostou do blockbuster, eu não. Discordei da opinião dela como quem discorda de um amigo ao sair do cinema: “Eu gostei, achei um grande filme”. “Eu não, acho que é um filme super nada”. O final da conversa, na minha imaginação, seria: “Ok, então vamos tomar um chope e falar mais sobre isso?” Mas, o que se seguiu foi um festival de agressões e diminuições por parte dela em relação a mim como se a minha opinião fosse menor, inferior.

A surpresa da agressão me desconstruiu mais uma vez. Chorei, me senti pequena, DE NOVO, como em muitos momentos desta relação.

Eis que no dia seguinte eu mudei. A pessoa me procurou, como se nada tivesse acontecido, como sempre. Acontece que eu detectei no meu corpo uma falta de espaço para aquela relação. Não era minha cabeça dizendo “faz alguma coisa. Sai fora desta relação. Mostra que você ficou chateada. Vingue-se”. Não. Era uma falta de espaço física e explícita por parte de cada célula do meu corpo. Eu mudei.

Não foi uma mudança de uma hora para outra. De um dia para o outro. Não foi forçado. O que acontece é que há anos eu me trabalho. Faço análise, procuro me conectar com o que eu sinto e decifrar minhas ações e reações. Eu passei por um processo de mudança que inclui todos os estágios que uma transformação real e profunda.

Acompanho demais o trabalho da nutricionista Camilla Estima e fazendo uma livre metáfora, é mais ou menos o que ela fala sobre as dietas malucas. Você pode até emagrecer seguindo uma dieta louca, mas quanto desta mudança tem a ver com você, com o seu corpo, com a sua conexão com a comida? Tem jeito de ser uma mudança duradoura? Muito provavelmente, não. A nutricionista sempre fala para a gente tentar ver qual é o tamanho da nossa fome para saber o quanto a gente deve comer. Bom, acho que entendi a minha “Fome”, as necessidades do meu corpo e das minhas emoções em relação à pessoa que estou me referindo. E agora, minha fome em relação à ela é zero. Então, obrigada, mas não obrigada. Fim de uma relação que não me fazia bem. E segue a vida.

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4 Comentários

  • RESPONDER
    Flávia Gonçalves
    01.08.2017 às 1:08

    Parabéns pelo amadurecimento!

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    Rosangela
    04.08.2017 às 9:35

    Muito bem! É dificil sair destas pessoas vampiras que só sugam. Mais quando sai é maravilhoso né.

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    Tami
    04.08.2017 às 12:41

    Gostei do texto! E de como vc saiu da situação. Eu to passando por algo similar, exceto que a pessoa não exige nada de mim. Assim, já fomos grandes amigas e a distância, tempo, vida, objetivos nos afastaram. Ainda gosto dela, mas acredito que goste de quem ela era naquela época, assim como ela gosta de mim pelo que eu era na época… Até tentamos nos ver, tal, mas sinto que o meu empenho é um pouco maior do que o dela. Conversei com uma amiga em comum a respeito que tem a mesma sensação: que ela realmente não está lá. E além dela não estar lá, ela não se permite ser outra pessoa. O esforço dela em me ver é cada dia menor, sempre tem dificuldades, mas ao mesmo tempo, ela se cobra e se martiriza muito por nao conseguir. Comentei com essa amiga em comum que eu pararia para pensar se vale a pena ainda. E ela, sábia como só ela, disse que a questão não é de valer a pena e sim, de alinhar as minhas expectativas. Talvez eu não queira alguém ao meu lado que não consiga contar….. fico encucada em como as pessoas podem se enganar tanto com elas mesmas… fico triste pela nossa amizade, mas é a vida, né?

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    Renata Castro
    10.08.2017 às 9:30

    Parabéns pelo texto e pelo aprendizado!!

    Às vezes a gente tenta continuar “forçando” a relação porque ainda gosta da pessoa… mas, no fundo, não tem mais nada a ver. Até porque, deve haver reciprocidade nos relacionamentos. Nesses casos, deixar ir é a melhor coisa a fazer… No meu caso, foi como se eu tivesse tirado uma nuvem negra da minha vida, que só sugava as minhas boas energias e não me proporcionava nada de bom em troca.

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