1 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 31.05.2017

Para sempre 21? Não, obrigada :)

Outro dia vi uma amiga postando no Facebook que “enquanto algumas mulheres eram para sempre 21, ela estava orgulhosa por ser uma feliz 30”. Em inglês, claro, para fazer a brincadeira com a marca Forever 21. Gostei tanto da frase que até printei e botei na pasta de inspirações, mas depois fiquei pensando.

Eu, aos 21.

Meus 21 anos foram bem legais, não acho que eu possa reclamar muito deles. Eu estava uns 12 kg mais magra, tinha acabado de realizar o sonho da redução de seios, pela primeira vez em anos estava comprando roupas para usar sem sutiã e biquinis tomara que caia. Estava me sentindo mais linda do que nunca (mesmo nunca tendo sido a magrinha da turma), terminando a faculdade e feliz com a direção que eu estava tomando, namorando, viajando, enfim, despreocupada. A vida aparentemente perfeita, né? Pois é, eu realmente não tenho nada do que reclamar dos meus 21 anos. Aí voltei para o hoje e pensei, será que eu queria ter para sempre 21?

Vou falar para vocês que eu também me surpreendi com a minha própria resposta: um bom e sonoro NÃO.

Me surpreendi porque volta e meia me pego encarando os perrengues normais de uma vida com filho e morando em outro país e pensando como a minha vida era fácil e maravilhosa. Como era gostoso estar perto de todos os amigos e poder sair com eles toda a semana se eu quisesse. De estar perto dos meus pais. Como eu reclamava de barriga cheia e como eu tinha tempo para tudo. Como era tranquilo só me preocupar com estudos, trabalhos e academia.

Aí eu parei para lembrar que se eu tivesse para sempre 21, eu estaria eternamente em aulas com meninas que me faziam sentir insegura só por estarem ali, sendo lindas e estilosas, enquanto eu ia pra faculdade sem nenhum estilo definido. Infinitamente eu estaria tentando entrar em um mercado de trabalho em que toda entrevista fazia com que eu duvidasse da minha capacidade. Eu nunca me sentia boa o suficiente ou adequada o suficiente para aquelas vagas (e também porque sempre ficava muito nervosa em entrevistas, era péssima com isso). Eu continuaria com medo de falar inglês com outras pessoas, por medo de soar ridícula ou falar algo errado. Eu continuaria não vendo minhas amigas com frequência, porque naquela época eu não sabia conciliar namoro e amizades. Aliás, eu deixaria de ter amigos incríveis que eu só faria depois, com 26, 27 anos.

Se para sempre 21 eu tivesse, eu não teria ido para São Paulo, tampouco estaria morando em Nova York, tendo a possibilidade de melhorar meu inglês, de me desinibir para falar com outras pessoas, de fazer novos amigos. Imaginem, eu não teria o filho lindo, maravilhoso e incrível que eu tenho. Que me dá trabalho, sim, mas que me faz amadurecer a cada dia. Eu não viajaria para destinos tão memoráveis como a Tailândia, o Camboja, o Vietnã, Dubai, Grécia, Londres ou Holanda. Eu não faria minha pós ou teria esse blog. Ou o #paposobreautoestima!

Minha vida com 21 anos era muito boa apesar dos (que eu considerava) pesares na época. Mas não conseguiria trocar as facilidades de antes ou um corpo 12 kg mais magro e mais jovem pelo o que eu tenho agora. Claro que hoje está mais complicado, amadurecer machuca todo santo dia e recentemente eu tenho sentido isso mais do que nunca. A saudade parece que abre um buraco no coração até de quem, assim como eu, sempre se vangloriou por saber lidar com a distância. Ver que seu corpo não é mais o mesmo de quase 10 anos atrás as vezes frustra. Mas imaginem ter para sempre 21 e passar uma vida inteira sem novas oportunidades e experiências, com as mesmas inseguranças e com a mesma cabeça? Não, obrigada. :)

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1 Comentário

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    Cacá
    01.06.2017 às 15:32

    Nossa, que legal! Fez eu parar para pensar e sinto-me da mesma forma! Não trocaria os 31 anos pelos 21. Não trocaria tudo que conquistei e vivi. E certamente os 30 são a melhor fase da vida. :)

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