4 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 27.04.2017

Você entra em crise na TPM?

Durante minha adolescência a TPM não era algo que eu notava. Sentia uma cólica mas a vida naquela fase já era toda tão dramática que não havia um divisor claro de águas pra mim, era só mais um dia no drama de ser adolescente. 

Aos 19 eu comecei a tomar pílula e assim eu segui por praticamente 10 anos, até que por motivos já explicados nos posts do “Novário”, eu me tornei uma dessas pessoas que tem real pavor de anticoncepcional.

Com os hormônios, eu sentia sempre uma vontade de comer tudo que tinha pela frente no dia de menstruar, era desejo por carboidrato e doce de uma maneira geral, mas meu corpo era tão alterado que eu não tinha muita consciência das mudanças dele. Tudo vivia mascarado e por isso eu não conhecia as reais fases que eu passava. Se eu me desestabilizava emocionalmente eu nem notava. Hoje tudo é muito diferente e eu acho curioso como existem coisas que antes dos últimos dois anos passavam desapercebidas.

Nesse domingo eu estava me sentindo mais ou menos estranha, não estava entendendo. Com o tanto de feriados que tem tido por aqui, eu confesso que estava perdida no meu calendário e não me atentei para o óbvio: eu iria menstruar. 

Ilustração: Harriet Lee Merrion

Eu notei que tinha algo errado porque do nada parecia que eu só estava vendo defeitos em mim e estava muito incomodada comigo. Logo depois, quando comecei a conversar com uma amiga, comecei a chorar. Pronto, nessa hora caiu a ficha: eu estava de TPM, fui no calendário e batata! Mesmo o assunto sendo importante, aquela não seria a minha reação cotidiana. Eu me conheço e sei que não seria. Eu estava emocionalmente à flor da pele.

Me lembrei do Bruno, um rapaz inteligente que me deu aula particular de biologia durante o colégio. Ele cursava medicina na época e uma vez me explicou os motivos pelos quais a Tensão Pré Menstrual era mesmo uma confusão hormonal muito mais complicada do parecia. Esse mês isso fez mais sentido do que nunca.

Eu olhava para o espelho e a barriga, o braço e a bochecha pareciam maiores que os outros dias. Era a pele que estava doendo, incomodando e estourou mais que o habitual. Era uma sensação chata de que eu estava menos feliz, menos interessante e menos bonita, quando na verdade eu me sinto diferente disso em boa parte do tempo, como vocês bem sabem.

Tive extrema dificuldade de lidar comigo, com o que sentia, com minha imagem e meu corpo. Eu, que sempre tentei me enxergar com tanta clareza depois de ter começado a tratar os transtornos alimentares, me vi completamente fragilizada emocionalmente (não racionalmente). Eu genuinamente me enxergo de uma maneira bem mais amorosa e acolhedora atualmente, abraço o que há de melhor em mim e por isso, tudo que estava passando pela minha cabeça soava muito estranho. Definitivamente domingo foi um dia difícil, atípico.

Meu sobrepeso foi um problema maior, minha acne um fardo mais pesado e meu tratamento já não parecia uma escolha tão boa quanto nos outros dias. Eu não amo minha bochecha mais cheinha ou meu braço mais gordinho mas nunca foco nisso, sempre procuro o que tem de melhor em mim no momento. Sempre olho com amor para minha cintura, minhas pernas bonitas ou pra proporção do peito no conjunto geral, coisas que eu gosto em mim. Adoro me sentir gostosa, sempre olho pro que faz com que isso seja verdade. No domingo minha técnica de procurar o melhor não funcionou tão bem, tudo parecia muito incômodo, fora e dentro. 

Eu não sei vocês, mas nesse momento bateu um lapso de consciência de que a TPM pode mesmo desequilibrar um circuito equilibrado.

Foi aí que me deu uma vontade ENORME de perguntar pra vocês se ALGUÉM MAIS passa por isso! Se alguém mais tem dificuldade de manter a autoestima, a auto imagem ou a auto análise nos níveis habituais durante a TPM. Bateu um desejo enorme de saber se essa hiper sensibilidade também acontece com outras pessoas durante um ou dois dias do mês. 

Num primeiro momento fiquei me sentindo meio doida. Depois pensei: ué, por que você se sente doida, Joana? São seus hormônios, eles vão oscilar sempre nesse dia e por enquanto a melhor coisa que você pode fazer é aprender a lidar com isso. Fiquei com vontade de tentar manter a calma, deixar a dor sair, chorar o quanto quisesse…  Porque no dia seguinte tudo iria acordar melhor e foi exatamente isso que aconteceu. Acho que só buscando viver em paz comigo, conectada com meu corpo, eu pude perceber o quanto essa mudança de hormônios pode ser pesada para algumas mulheres.

Quando percebi o que estava acontecendo procurei trazer pra consciência que em parte tudo aquilo estava super dimensionado emocionalmente e que eu deveria analisar tudo em outro momento. Como meu racional se mantinha intacto, optei por tentar acalmar meu emocional, respeitando as sensações e não as silenciando. Como tento fazer quando estou tendo apenas um dia ruim, ou mais vulnerável. 

Na manhã seguinte eu me senti muito mais conectada comigo, meu racional e emocional pareciam alinhados novamente e minha percepção da imagem já estava voltando a sensação cotidiana de conforto. A insegurança e a fragilidade excessivas pareceram ter me deixado. Me senti aliviada, ao mesmo tempo mais consciente do quanto pode ser difícil manter a plena consciência em dias complicados, independente do motivo.

Acredito que a TPM não muda a qualidade de trabalho de nenhuma mulher, inclusive odeio o termo “trabalha que nem homem” porque no meu mundo as mulheres que conheço trabalham mais duro que muito homem e alcançam resultados incríveis. Muito do trabalho fica no campo da ação e da racionalidade, essa tensão me atingiu mais no campo do sentir, da emoção. No fim, eu tomaria uma decisão de trabalho baseada na minha razão, mas não sei se decidiria algo pessoal inspirada na minha emoção durante essa sensação estranha que vivi no dia que antecedeu essa menstruação.

Menstruar faz parte da essência do feminino e pra mim tem sido interessante aprender mais sobre isso, me tornando mais consciente das mudanças do meu corpo e dos meus hormônios. Parece que aos pouquinhos estou entendendo melhor o que ele me diz e o que ele demanda de mim, isso me deixa bastante otimista mesmo que não seja tão fácil lidar com tudo isso em meio a vida moderna.

Enfim, vocês passam por isso? Alguém aqui também se sente desconfortável durante a TPM? Um, dois ou três dias por mês são muito tempo se somarmos toda nossa vida, assim sendo achei importante falar sobre isso aqui. Quero aprender a lidar com meus hormônios sempre da maneira mais confortável, acolhedora e leve que eu conseguir.

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4 Comentários

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    Juliana
    28.04.2017 às 3:24

    Oi Joana. Passo todos os meses por isso, às vezes fico mais emotiva, incomodada, às vezes mais irritada também, alguns meses até um pouco depressiva. E só comecei a notar essas alterações próximo aos meus trinta anos. Controlo minha menstruação por um aplicativo, e quando me sinto estranha é certo que estou na Tpm. Não é fácil, mas qdo temos consciência do que está acontecendo conosco, fica mais fácil de ser racional e se confortar, pois isso não vai durar muito tempo. Obrigada por compartilhar sua experiência conosco. Gosto muito de seus textos.

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    Karina
    30.04.2017 às 8:59

    Oi Jo. Quando era adolescente tinha uma TPM horrorosa, transtorno de humor FORTE. Depois que comecei a tomar comprimido tudo cessou. Porém agora estou tentando engravidar e depois de 15 anos parei o comprimido. Que enorme diferença! A TPM não é tão forte quanto antes, mas esse mês me senti exatamente como você: abalada emocionalmente por coisas bobas. Pelo menos agora temos esses aplicativos que nos ajudam a saber se estamos nesse período crítico. Fica mais fácil de lidar. Beijos

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    Alicita Joana
    02.05.2017 às 8:15

    Oi, Jo! Acho que muitas mulheres passam por isso sim – mesmo aquelas que, como eu, tomam pílula. A minha ainda tem dosagens de hormônio diferentes durante o mês que é pra tentar dar uma equilibrada no ciclo.
    E como você, eu também super me estranho nesses dias de TPM. O que tava bom, passa a ficar ruim. É um cansaço. Uma cobrança. Se olhar no espelho e ver que a pele não tá tão boa. É começar a fazer drama, tempestade em copo d’água. Resolver tomar decisões baseadas nessa loucura hahahaah Ainda bem que nessa hora eu dou uma olhada na cartela e sei que vou ficar menstruada, então, hora de pisar no freio. Esse auto controle é fundamental pra evitar as paranoias. A gente que tá nesse processo de auto aceitação fica meio abalada mesmo. Mas sempre bom voltar às origens do amor próprio. Espero que as próximas TPMs sejam bastante conscientes e que você se questione menos e se ame mais! De resto, é bom sentir. Mergulhar nas emoções. Li isso há alguns anos e considero uma forma interessante de encarar a vida. Conhecer nossos sentimentos. Mesmo os piores. Isso nos deixa mais preparados para lidar com eles, em como melhorar, em como deixar a tristeza ir embora depois de ter sentido ela dentro da gente.
    Enfim! Acho que é isso. Saudades!

    E um beijo pra você : )

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    Maíra
    02.05.2017 às 12:34

    É engraçado né. Eu parei de tomar pilula a quase um ano ( nesse meio tempo eu voltei por uns 4 meses para tomar roacutan), e hoje eu consigo perceber certinho a fase da TPM, a fase fértil.
    Eu percebo que fico BEM INCHADA, com a pele meio gelada, sem vida… Humor zero, sem paciência, muito chorosa, e me achando o cocô do cavalo DOENTE do bandido kkkkkkk
    Mas em compensação, quando to no período fértil, parece que tem um holofote e um ventilador na minha cara o dia todo, tipo propaganda de shampoo! Me sinto capaz, fisicamente forte, tonificada, maravilhosona mesmo.

    Essa era a vantagem da pílula: poder controlar a tpm.
    É mto chato você estar na época de algo bem legal (uma festa, uma viagem, etc), querendo estar bem em todos os sentidos (físico, emocional), mas não conseguir controlar esse sentimento de chateação todo que vem com a tpm.

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