6 em Comportamento/ Destaque/ maternidade no dia 25.04.2017

Eu preciso mesmo ser mãe? Isso tem que ser meu sonho?

Dizem que ser mãe é padecer no paraíso, com todo respeito eu duvido. Acho que isso é uma frase romantizada para “dizer que vai valer a pena” no final. Admiro para caramba uma mulher que se propõe a ser mãe e a dar seu melhor na criação de uma criança.  Ser mãe ou pai é um desafio, sempre foi, mas recentemente esse desafio me parece ainda maior. Talvez eu ache isso porque estou entrando na idade onde muitas pessoas próximas a mim estão engravidando e tendo filhos, não sei. Só sei que mesmo ninguém me cobrando, eu acabo sentindo essa pressão de alguma forma e esse assunto me fez pensar sobre algumas coisas.

Eu admiro muito mulheres que têm o dom visceral de ser mãe, ou encontram nesse caminho a maior missão e propósito que existe no seu coração. Eu posso vir a ser mãe um dia, ou não, mas duvido muito que eu tenha esse conteúdo vibrando tanto na minha essência, de forma tão visceral e preenchedora. Sei que daria meu melhor e que tudo se transforma à nossa volta, mas ter isso pulsando tanto dentro de si, sem a sensação de estar perdendo nada, genuinamente completa, é diferente. Eu não me vejo assim e está tudo bem, muitas mulheres são mães e não se veem assim também.

Enquanto essa parte da minha vida permanece uma incógnita, eu vou satisfazendo o provável “instinto materno” com meu afilhado gostoso….

Acho que se eu fosse mãe minha carreira iria continuar sendo importante, minha vontade de viajar também, alguns ajustes teriam de ser feitos, mas não viraria do dia pra noite a pessoa mais altruísta do mundo. Essa expectativa viria seguida de frustração no meu caso. Minha mãe é de um jeito, eu de outro, a Carla é de outro (e inclusive passou e ainda passa por essas questões que eu penso que teria) e todas somos ótimas, cada uma a sua maneira. Eu olho a minha mãe e vejo que ela encarou a maternidade como missão e propósito. Eu vejo a Carla e percebo que ela sempre quis que a maternidade fosse um acréscimo na sua vida, sem se anular na medida do possível. E eu me vejo no meio do caminho: será mesmo que eu preciso ter esse sonho que claramente me demandará tanto? 

De vez em quando num acesso de fofura minha mãe me diz que o dia em que eu nasci foi um dos dias mais felizes da vida dela. Ela queria muito me ter, então eu imagino que tenha sido mágico mesmo. Curioso que quando ela tinha minha idade o sonho dela era esse: me ter um dia. O meu não é. Meus sonhos envolvem meu trabalho, destinos diferentes ou até mesmo um grande amor. Para ela foi mágico, era pura expectativa, pra mim é assustador. Definitivamente não acho que tenha que ser mágico pra toda mulher. Precisamos parar de colocar todo mundo no mesmo saco. 

A verdade é que mesmo não sonhando em ter filhos eu não estou fechada para nada. Sei que posso mudar de ideia, inclusive quero cuidar de preservar minha fertilidade por isso, mas independente de sonhar ou não com a maternidade, ver a Carla e seus posts me faz acreditar que mesmo eu não tendo nascido com essa vocação eu posso querer fazer isso. Sem me anular, sem mudar meus sonhos e deixar de ser quem eu sou. Porque existem variados tipos de boas mães e independente de quais forem os meus sonhos, eu não precisarei deixar de ser eu mesma.

Sem dúvida, pra mim que nunca tive na maternidade um objetivo de vida, sempre foi difícil pensar que se um dia eu escolhesse viver isso, eu teria que abrir mão de tudo que eu desejo fazer, plantar, colher e realizar ainda nessa vida.

….ou com a minha sobrinha fofa demais!

A maternidade poderá vir a ser um desejo na minha vida, mas acho que ser em mãe tempo integral jamais vai ser uma vocação pra mim, por mais que eu ache bonito e respeite as mulheres que escolhem esse caminho. Tudo tem a ver com os sonhos de cada uma, precisamos parar para refletir e respeitar quem pensa diferente da gente. Sem diminuir a outra mulher que fez escolhas distintas ou pensa diferente da gente. Não existe um tipo certo de mulher e nem um tipo certo de mãe, por isso não julgar é tão importante. Agora eu mesma vou responder a pergunta que me fiz no título: não, eu não preciso ser e nem sonhar em ser mãe. E nem você. E tá tudo bem.

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6 Comentários

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    Paula Pimentel
    25.04.2017 às 13:03

    Jo, me sentia igual você. Meu sonho nunca foi ser mãe, mas não era algo que eu excluía. Apenas não estava na minha lista de prioridades.

    Até conhecer meu marido. As coisas mudaram ali. E nasceu ali a vontade de ter uma familia. E tô aqui esperando o segundo…rs.

    Mas só pra esclarecer, os bebês não impedem de viajar, não impedem a carreira. É tudo questão de adaptações. Fizemos e estamos fazendo. E por estamos quanto estamos indo bem.

    Isso tudo pra dizer que, pode ser que um dia a vontade apareça, ou não. Super normal. Super te entendo.

    Beijos!

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      Joana
      25.04.2017 às 13:38

      Que legal seu relato Paula.
      Falo sempre isso aqui em casa, não tenho esse sonho e se eu for sozinha ou encontrar alguém que já tem filhos isso pode não ser uma questão e um objetivo pra mim, mas tenho plena consciência que conhecendo alguém que faça sentido, pode ser que tudo mude, pela vontade de ter uma família.

      Desde que eu sou muito pequena eu digo que vou adotar uma criança, então o mundo de possibilidades está aberto pra mim. Em todas as esferas, só acho que tem que ser como foi contigo, numa situação em que da uma vontade na pessoa, no casal e não pra atender a uma lista de pré requisitos…

      Quanto a viajar, eu sei que dá, mas por um bom tempo as prioridades serão diferentes e tem que se preparar pra isso. Não é do mesmo jeito. A Carla não pode aceitar uma viagem do blog correndo, ela sempre terá que analisar a situação do Arthur por exemplo, então acho que com certeza dá, mas de um jeito diferente e essa nova maneira tem que ser algo que a pessoa passa a escolher em paz. Coisa que hoje, no meu contexto atual, não sei se faria.

      Quanto a carreira eu acho que varia MUITO do perfil do trabalho da pessoa, tenho amigas com filhos que levam a vida mais ou menos como antes e gente que não, então eu acho que varia muito de tudo, de todo contexto. Do tipo de trabalho, do tipo de empresa, de tudo. A própria Carla voltou a trabalhar super rápido, então tudo depende muito do caminho escolhido.

      O que me faz crer que tem que ser um plano bem pensado e feito com a maior vontade, ainda que o perfil da mãe não seja o do grande sonho, acho que tudo tem que ser feito com MUITA vontade, porque é incrível, mas também é trabalhoso.

      O que não anula o lado mágico da coisa, meu afilhado é um dos maiores presentes que eu tenho na vida. Quero poder estar com ele sempre e ajudar a mostrar um mundo muito especial pra ele. Tudo tem dois lados nessa equação.

      Adorei seu comentário. :)

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    Andréia
    25.04.2017 às 14:54

    Me identifiquei muito com esse post. As pessoas cobram demais da gente sem se importarem com nossas particularidades.

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    Mariana
    25.04.2017 às 16:51

    Olá Paula
    Gostei muito do seu texto.
    Pessoalmente por anos eu não pensava em ter filhos. Simplesmente não encaixava no projeto de vida que eu projetava para mim!
    Aos poucos minha cabeça mudou, afinal mudamos sempre em tantos aspectos, não é?
    Passei a me imaginar com filho (s) e especialmente na felicidade que uma cria me trará.

    É claro que o pacote completo não é só um mar de rosas, então também me esforço para pensar nas dificuldades de gestão, criação, gestão maternidade x emprego x relacionamento x cuidar da casa x financeira…

    E sendo muito honesta, quando comparo as dificuldades e as felicidades, acho que será muito bom ter um filho, criar! :)

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    Cris
    25.04.2017 às 22:53

    Concordo muito! Essas cobranças são muito chatas e inconvenientes… até porque todo mundo cobra um bebê mas quem acorda madrugadas a fio por meses são os pais. Quem paga creche cara são os pais. Quem acaba deixando a carreira em segundo plano por algum tempo são os pais (as mães, principalmente), quem carrega 9 meses e vê os hormônios bombando é a mãe. Quem passa os finais de semana ainda mais exaustos que quando estão no escritório são os pais. Enfim, ter filho não é simples e muda, sim, a nossa vida. Meu bebê está com 11 meses e ainda acorda várias vezes, todas as noites pra mamar. Viajar sem ele não é uma opção. Nunca estive tão cansada! Mas eu vou te falar que nunca me senti tão realizada e feliz. É como se a vida passasse a ter mais sentido, um sentimento indescritível! O Daniel foi o melhor acontecimento da minha vida. Ele foi desejado e planejado. Mas a realidade da maternidade você só conhece vivendo. Cada mãe é unica e nem a gente mesma sabe que tipo de mãe será antes de ter um filho. A maternidade nos ensina a julgar menos e a ser mais empática. Eu achava esse papo de cama compartilhada um horror… até ter um filho que acorda a noite toda e eu não aguentar mais levantar de hora em hora. Cá está meu bebê na minha cama… enfim, eu poderia passar horas escrevendo sobre essa escolha de ser mãe. Tão pessoal e que não deveria ter tanta intromissão.

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    Karin Tuani Nascimento
    26.04.2017 às 11:42

    Amei, amei e ameeeei!
    Por um tempo pensei que meu sonho seria mãe mas com o tempo eu percebi que não é pra mim, pode ser que eu mude de ideia mas eu tenho tantos planos, tanto sonhos que não consigo pensar nisso tudo com um filho.
    Parece egoismo e talvez seja mesmo mas é a minha vida, eu posso escolher não é?
    É isso que as pessoas tem que entender.

    Amei o seu post mesmo.

    Um beijão no coração!

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