7 em Comportamento no dia 05.01.2017

Não, nós não temos uma amizade perfeita.

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Quando falamos em cuidar da autoestima estamos falando em quebrar padrões, a busca incessante pela perfeição inatingível. Isso se aplica só ao corpo? Não, obvio que não. Em tempos nos quais muita gente busca compartilhar uma perfeita vida das redes sociais, a busca pelo perfeito se aplica a tudo: corpo, roupa, decoração de casa, casamento, namoro ou qualquer relação, seja familiar ou até mesmo de amizade. 

Se antes a família de margarina era coisa de comercial de TV, hoje ela se aplica às fotos do instagram. O problema é que por mais maravilhosas que sejam essas famílias, elas têm problemas reais, palpáveis, que muitas vezes nem cabem mesmo na rede social, mas talvez caiba a gente ter em mente que algo 100% perfeito não existe.

Longe de mim estar fazendo apologia para a gente começar a se contentar com pouco! De forma alguma, só quero buscar estabelecer um senso crítico real e alinhar expectativas com a realidade. 

Coisas perfeitas não existem e nós duas aqui somos mais uma prova real disso tudo. Acho que somos um “match” incrível, talvez eu e a Carla sejamos a melhor combinação que eu tenho com outro ser humano até hoje, mas isso não quer dizer que tenha sido sempre leve e fácil. Não mesmo.

Quantos comentários lindos sobre nossa amizade perfeita eu já li? Vários, mas isso não é real. Não existe amizade perfeita, existe talvez a perfeitamente imperfeita. rs

Nossa relação está em eterna construção como qualquer outra. Para nossa sorte, nossos egos nunca bateram de frente, sempre quisemos o reconhecimento para o Futi e não para uma ou a outra e isso nos salvou de umas boas confusões. Se era a Carla num projeto lindo eu estava na torcida, se era o oposto, vice versa. Nós duas sempre fomos do mesmo time e, no nosso caso, acredito que isso fez muita diferença até aqui. 

Nenhuma relação pode ser dada por garantida, assim como a saúde e até mesmo a autoestima. É um eterno trabalho de cuidado, se não até a melhor das amizades mingua. Infelizmente isso acontece o tempo todo.

A gente contou no post sobre a casa nova que em 2015 a gente se estranhou. Eu acho que eram os hormônios da Carla, ela acha que eu fiquei muito perdida e confusa quando terminei meu namoro. Fato é que nos vimos no pior cenário de todos esses anos, reclamando uma da outra, sem conseguirmos conversar como amigas. Eu achava que ela não estava interessada na minha vida e ela achava que eu não estava nem aí para a dela. Foram uns 4 meses assim e foi uma fase difícil, mas depois que acertamos nossos ponteiros, achamos engraçado que por mais difícil que tenha sido, separação ou afastamento nunca tinha sido uma opção para nenhuma das duas, no blog ou na vida.

O planejamento da chegada do Arthur foi nos trazendo de volta à parceria do trabalho e desde que ele nasceu estamos mais fortes do que nunca. O pequeno foi um presente em vários aspectos, esse foi um deles.

Acho que todo relacionamento muito sério tem altos e baixos e as vezes olhando pra grama do vizinho acabamos buscando por uma perfeição inatingível. Claro que não devemos ficar em relações abusivas, sem parceria ou sem amor. No entanto, o PERFEITO não existe. Então, as vezes só precisamos enxergar com mais carinho para aquilo que já temos e reaprendermos a cuidar de uma forma saudável daquela relação, seja na amizade, no amor ou na família. 

Ninguém é perfeito, nem você, nem a outra pessoa. 

Nossa amizade nunca foi a mais badalada, ela sempre foi mais calma e tranquila. Era simples, sem euforia, mas tinha o que precisava para começar com o pé direito: sinceridade, parceria, carinho e sintonia. E vendo em retrospectiva, acho que sempre nos demos muito valor. Eu ajudando a Carla a perder seus medos e a timidez, ela me ajudando com o português, a dislexia, o não talento pro design gráfico e afins. Nos ajudamos a ser muito mais seguras de nós mesmas nos últimos anos, uma colocando a outra pra cima e propondo um despertar de consciência.

Acredito que mesmo antes do Futi nós já éramos complementares, esse sempre foi o nosso segredo para uma relação de sucesso. O respeito por sermos diferentes, mesmo com valores muito parecidos, e a complementariedade.

Não sei se vou ser solteira para sempre, só sei que vou continuar desistindo de todo cara que não somar para mim. A Carla é o maior exemplo de que o perfeito não existe, mas existe algo que combina muito. O mundo pode cair na cabeça uma da outra, mas a gente vai estar ali, seja pra cuidar do bebê enquanto faz a mala, pra ajudar em um texto pro blog no meio da festa de ano novo ou apenas ouvir e dar a mão quando a situação for difícil.

Não somos melhores do que ninguém, mas somos cheias de sintonia. Gostamos de pessoas que falam bem de pessoas, gostamos de gente que trabalha bem, de gente que elogia, que ama e compartilha o que gosta. Gostamos de gostar das coisas, de fazer amigas, mas também aprendemos a nos preservar, juntas. 

Sinto que juntas podemos conquistar o mundo, separadas nem tanto.

Estamos em período de construção. Abrindo mão de verdades absolutas, nos sentindo mais seguras de nós mesmas e curtindo essa coisa maravilhosa que é ter 30 anos. Talvez seja ousadia falar isso, mas acho que a gente nunca esteve tão feliz.

Somos como qualquer dupla de melhores amigas só que com o agravante do trabalho. Tem dia que a gente se ama mais que tudo, tem hora que ficamos com raiva, damos dura uma na outra até o momento seguinte, onde decidimos que queremos viver juntas.

Compartilhar nossas qualidades e nossas fraquezas com vocês têm sido um diferencial que muita gente nota. Sendo assim, fiquei com vontade de falar sobre isso e dizer: não, não temos uma amizade perfeita, mas ajudamos a nos sentir mais seguras, nos jogamos pra cima e construimos juntas uma autoestima melhor pras duas.

Hoje eu não busco mais ter relações perfeitas, mas com certeza procuro o que soma e complementa, o que me permite ser eu mesma de forma leve e feliz.

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7 Comentários

  • RESPONDER
    Renata Castro
    05.01.2017 às 11:54

    Adorei a sinceridade do texto. Em tempos de redes sociais, a gente meio que sempre fica com a sensação da “grama do vizinho ser mais verde”! É bom ver textos que desmitificam isso e nos mostram a realidade de uma forma construtiva.

    Bjos

    • RESPONDER
      Joana
      05.01.2017 às 19:46

      Obrigada.

      Fomos criadas para achar a grama do vizinho mais verde, mas podemos reprogramar nossa mente para mudarmos o foco do pensamento. Quando nossa grama é a nossa única preocupação, é mais fácil deixar ela linda.

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    Lyanna
    05.01.2017 às 13:12

    Nenhum comentário edificante, eu só queria dar uma abraço coletivo nas duas e vocês são perfeitas nas suas imperfeições. Amo <3

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    Inês
    05.01.2017 às 16:52

    “Hoje eu não busco mais ter relações perfeitas, mas com certeza procuro o que soma e complementa, o que me permite ser eu mesma de forma leve e feliz.”
    Jo, reflexão sensata, real e generosa.
    Parabéns pelo texto, pela lucidez e por expor tão belamente o imperfeito. Vocês duas são sensacionais!
    Beijos,
    Inês

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    MARCELA DE VASCONCELLOS
    10.01.2017 às 18:23

    Que texto maravilhoso, caralho que lindeza. Me inspirou e me mostrou que eu tô no caminho certo com uma amiga com quem me estranhei muito no último ano. Somos amigas há 17 anos e muita coisa mudou, eu e ela também, mas isso não é indicador de que temos que nos estranhar, podemos não ser mais confidentes e nem termos mais tantas afinidades mas dá pra ser amiga em outros níveis, em nome dos velhos tempos, das famílias que se gostas, das amigas em comum e de, quem sabe, um futuro onde sejamos mais próximas de novo.

    Obrigada.

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