3 em Comportamento no dia 28.12.2016

Menina você é corajosa, mas…

Ultimamente eu li vários comentários aqui e no insta falando da minha CORAGEM. Engraçado como essa foi uma palavra bastante repetida pra mim (por leitoras, amigas e conhecidas) no último ano.

Toda vez que falam que sou corajosa, invariavelmente eu penso: Eu me sinto corajosa, mas não por isso. Não por expor a minha história, isso é apenas a consequência de como me sinto, um reflexo.

Não me acho corajosa porque posto sobre minha história, porque relato meus amores ou desamores através de pautas parcialmente pessoais. Apenas uso minhas ferramentas para levar minhas ideias. Eu amo compartilhar e gerar questionamentos através do meu processo de autoconhecimento. As vezes me questiono se é bom ser tão autorreferente, outras vezes acho que esse é meu maior trunfo, minha melhor sacada. A forma como minha verdade passa e chega na tela do celular ou computador das outras pessoas muitas vezes é mais transparente do que eu gostaria, mas não acho isso negativo. 

Mostrar meu corpo, tentar quebrar padrões e expor a gordofobia é parte do que vivo hoje! Não me sinto corajosa pra isso, me sinto segura. Confio em quem eu sou, na minha verdade, no meu corpo e na minha mente. Me conheço melhor e por isso faço escolhas melhores pra mim. Claro que nada disso está 100% resolvido e nem aconteceu do dia para a noite, são muitos anos em um processo de evolução e nele eu continuo.

A verdade é que me sinto tão confortável sendo essa versão de mim que mostrar uma dobra, uma curva, uma gordura, um maiô ou uma lingerie já não é mais um problema. Não é uma questão a ser escondida.

Ah, mas se o cara não te quiser por isso? Azar o dele. E se alguma menina achar que é apologia à gordura? O discurso não foi bem interpretado. E se parecer mimimi? É, mudar a forma de pensar não é mesmo muito fácil, por isso muita desconstrução parece mesmo chatice, só que o mundo não está chato, ele está se transformando num lugar mais justo porque algumas pessoas estão dispostas a mudar e isso é bom. 

Ser livre é poder escolher. Você pode querer mudar, mas pode fazer isso respeitando quem você é hoje. Não deixando para gostar de você amanhã, quando estiver numa nova condição. Gostar de quem eu sou aqui e agora é além de uma questão de coragem, é uma busca por estar segura de mim.

Eu me acho corajosa por muitas coisas. Por ser mulher no mundo de hoje, por não temer homens, por lutar contra minhas crenças limitantes e por estar sempre em desconstrução. No entanto não me acho corajosa por falar do meu corpo, da minha autoestima e do meu aprendizado no blog. Não me acho corajosa porque já falei de sexo oral, já mostrei meu vibrador, já conversei sobre minhas fraquezas ou expus minhas vulnerabilidades como mulher.  Aqui tento me expor como sou, as vezes segura, as vezes insegura, imperfeita como todo mundo.

Sabe quando me senti corajosa? Quando tive que terminar com o cara que eu gostava, quando deixei aquele emprego seguro de carteira assinada ou quando viajei sozinha pela primeira vez. Quando sou firme escolhendo meu racional, quando meu emocional quer me pregar uma peça. Coragem é o que eu tento respirar quando subo uma escada apertada e me sinto claustrofóbica, tento manter a calma e ter certeza que virá um ambiente aberto em seguida (as vezes funciona, as vezes não). Tenho coragem quando admito que não consigo cumprir uma tarefa, saber a hora de não passar dos seus limites também demanda valentia.

Escolher o inesperado é algo para pessoas realmente corajosas (e também seguras).  

Quase sempre eu preciso de coragem em momentos que não dizem respeito ao futi, aos posts ou à expectativa de vocês. Eu preciso de coragem pra mudar meus padrões que me fazem mal, pra enxergar meus defeitos mais graves e pra sustentar decisões conflituosas que preciso tomar. As vezes até mesmo seguir com fé num momento difícil é uma decisão corajosa. 

Para o que você leu aqui ou viu numa foto de biquini no Instagram, saiba que não foi preciso coragem. Para isso foi preciso segurança, o que vem acontecendo de uma forma bem legal. No entanto no início foi preciso ter coragem de me sentir segura! E se posso influenciar nessa jornada, por que não compartilhar a minha história?

Faço muitos votos de continuar me sentindo cada dia mais segura de quem eu sou em 2017, além de procurar seguir vivendo sem medo de enxergar o novo. Com coragem, com certeza, mas também muito segura.

Beijos

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3 Comentários

  • RESPONDER
    Camilla Estima
    28.12.2016 às 21:14

    Maravilhosaaaaaaaa

  • RESPONDER
    Gigi
    29.12.2016 às 10:45

    Ola jô, eu te entendo, porque eu sinto a mesma coisa, estou em transição capilar e durante quase oito anos eu alisei os cabelos, ai quando decidi voltar ao natural eu tinha certeza do que queria me senti segura, fiz o bc e me olhei no espelho e disse pra mim mesma: nossa que gata, pra mim ta lindo e isso basta, várias pessoas me perguntaram oque o meu namorado acho, e eu respondi: ele ama ter uma namorada com personalidade, o cabelo é meu, eu tenho que gostar primeiro, acho que as pessoas se frustram pois lá no fundo ficam esperando a aprovação dos outros, acho que precisamos ser curados interiormente, sabe, depois que eu passei a depositar minhas expectativas, em quem pode resolver de verdade as coisas que eu não posso, Deus, minha vida ficou mais leve, mais linda.

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    barbara Ferreira Cavalcante
    29.12.2016 às 13:41

    Amo seus Textos!! nunca comentei, mas amo e sempre leio!

    Bjos e feliz 2017

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