8 em Comportamento/ crônicas/ Relacionamento no dia 07.12.2016

18 meses depois…

ela

Há 18 meses ela descobriu que era boa em uma coisa que nunca pensou: terminar relações (das mais variadas naturezas). Descobriu à duras penas, afinal foi abrindo mão de uma bonita história de 6 anos que se viu mergulhando num processo interno de auto descoberta. No total foram 4 finais e uma conclusão.

Quem era a pessoa que estava ali de frente pro espelho? Uma menina que voltou de uma viagem se achando tão poderosa que o mundo havia parecido ter ficado pequeno pra ela. Ela não conseguia mais voltar para os sonhos de antes. A ideia de casar e ter filhos com o grande amor de juventude já não fazia sentido e por mais duro que fosse, precisava abrir mão dele, abrir mão dos planos juntos e mergulhar nas profundezas de si mesma.

Ela é foda. Não foda de boa, foda de complexa. Ela não pode fazer caminhos simples e objetivos, aprender de primeira ou mesmo aceitar as coisas como elas são. Quando ela entendeu que o problema não estava no seu namoro, muito menos nos seus sonhos, mas sim na sua relação consigo mesma… Aí ferrou! Nessa hora ela quis tentar tudo que podia pra provar de forma empírica que com sua autoestima no lugar, nada seria impossível. Ela provou.

Qual foi a primeira coisa que aconteceu? Depois de um tempo de “luto” ela conheceu um cara muito bacana. O que ela fez? Na falta de familiaridade com a fase da paquera… Sufocou o cara. Que obviamente não era pra ser, mas foi estranho ela entender que mesmo tudo sendo tão legal, ele não estava assim tão afim. No entanto, isso pouco importa porque em alguns encontros ele a ajudou a enxergar muita coisa em si mesma de novo, sem falar que foi importante quebrar uns paradigmas bobos que ela carregava consigo.

Depois disso foram alguns meses viajando o mundo, se divertindo e tendo dates de todos os tipos, línguas e países. Quando tudo estava mesmo uma grande farra, o possível inesperado aconteceu. O cara que preenchia todos os pré requisitos da lista apareceu. Interessante, brilhante e lindo. Racionalmente valia a tentativa, emocionalmente tinha algo bom, mas sua intuição dizia que ele não conseguia se entregar de verdade. Eles se falavam todo dia, as férias podiam ser um plano conjunto, mas não era algo fofo como deveria ser. Parece que mais uma vez a intuição estava certa. Foi preciso saber a hora de recuar e mesmo que os primeiros meses tenham muito sido gostosos, as coisas não fluíram da forma natural que ela gostaria.

Aí nessa hora aconteceu o clichê, por que né? Não podia existir clichê maior do que o cara muito bacana, o primeiro do texto, cruzar com ela na rua. Esse foi o único nesse tempo que desistiu dela, e não o contrário. Isso nunca foi um problema, mas era engraçado porque ela não sabia lidar.A velha arte do desencontro só serviu para ela descobrir que tinha um problema no seu relacionamento sem rótulo, que nessa altura já durava 5 meses.

Ela precisou entender que precisava seguir em frente, mesmo gostando dele. Não podia mais ficar presa numa relação sem entrega. Gostar tinha virado um fardo no qual ela insistia.  O tempo voou e foi preciso abrir mão dele. Nessa hora lá foi ela colocar o coração na costureira.  Ela gostou dele, muito mesmo, mas não podia se contentar com pouco. Foi melhor deixar doer e contar aqui a beleza da curta história deles dois. Tipo de texto que arrancou lágrimas da autora. É meio engraçado porque até hoje uma de suas grandes amigas acha que eles só erraram no momento. Já ela não se permite apegar nesse tipo de ideia.

Nessa hora provavelmente você pensou: finalmente essa menina vai sossegar o facho e se colocar como prioridade! Tirar a paquera da conta, parar de flertar e cuidar de si mesma.  Não, não foi dessa vez que ela separou um tempo pra ficar com ela mesma. Enquanto suas fichas caiam, até mesmo com relação a sua autoestima, ela conheceu um cara que se vendia como um perfeito príncipe encantado! Ela queria ficar sozinha, mas ele parecia tanto trazer a cura, que ela ignorou seus instintos e deixou ele se aproximar. Bonzinho, até demais ele foi ganhando espaço. Enganou quase todas as suas amigas, menos uma. Uma delas sempre soube que tinha algo errado, ele dizia tudo que era possível pra vender uma perfeição que não existe. Mais uma vez a persona não sustentou a entrega e mais uma vez a relação ficou superficial.

Confiar na sua intuição? que nada, ela racionalizou o amor, ou seja, deu errado.

No fim dessa história que durou um tempinho. Ou você fica por ficar e apenas se diverte, ou você faz direito, fluindo, evoluindo com naturalidade e sentimento, como toda relação a dois deveria ser. Pra ele, ela não tinha tempo, e ele perdeu a oportunidade de pularem juntos em queda livre.

Quando ela encerrou tudo e achou que seu tempo finalmente havia chegado, ela viveu a maior paixão da sua vida. Que enredo louco, eu sei. No final dos seus 29 anos, o tempo parou. Com essa história ela aprendeu que conseguiria dizer eu te amo primeiro, que o que tem que ser flui, acontece naturalmente sem discussões filosóficas ou medo de se entregar, que se contentar com pouco era mesmo uma furada e que ela esperaria mil vidas para viver novamente um amor como esse. Ela finalmente retomou seus parâmetros e viu que uma paixão só é gostosa se vivida a dois, sem medo.

Mas como essa história não acaba antes antes de um tempo só pra ela, podemos dizer que a alegria durou pouco. Esse relacionamento foi divido entre dois tempos: no primeiro ela ganhou, no segundo os dois perderam. Perder alguém que você gosta é difícil por si só, perder para uma circustância impensável é mesmo uma paulada. Desistir dele foi uma das tarefas mais complexas que ela já precisou fazer, foi um pseudo conto de fadas sem final feliz. Pelo menos dessa vez não se arrastou, 3 meses depois a história já tinha começo, meio e fim.

Arrependimentos? Seria hipócrita dizer que ela não tem um ou outro, mas de tudo isso que ela viveu alguns aprendizados mudaram sua vida. No meio de tantas histórias e confusões, ela ganhou novos parâmetros. Pena que precisou de alguns meses e professores diferentes para matérias distintas. rs

Agora ela cansou de procurar e de tentar. Se tem que fazer força para fluir já não é o que ela sonhou pra si. Agora não tem aplicativo, não tem paquera e nem tem ninguém. E o melhor? Tá tudo bem.

Finalmente o coração cicatrizou e o tempo é todo dela, do seu trabalho, sua saúde e a sua única prioridade é cuidar de si.

É a primeira vez que ficar sozinha não se mistura com solidão, que a carência não impulsiona instintos de procurar alguém. É a primeira vez que a procura pelo grande amor da vida se tornou insignificante, porque ele sempre esteve ali, o grande amor da vida dela sempre foi o amor próprio, ela só não sabia ainda.

Esse texto pertence a tag de crônicas do blog | Joana Cannabrava

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Conforme contamos aqui, a tag de crônicas não tem nenhuma obrigação de refletir histórias verdadeiras, nossas ou recentes. Ela é inspirada em sentimentos reais e muitas vezes floreada com a imaginação.

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8 Comentários

  • RESPONDER
    Wal
    07.12.2016 às 15:33

    Maravilhoso, Jô! Auto-conhecimento a gente vê por aqui. ;)

    Beijos!

    • RESPONDER
      Joana
      10.12.2016 às 11:52

      Obrigada Wal
      ❤️ a ideia é essa

  • RESPONDER
    Maria Rita Xavier
    08.12.2016 às 13:28

    Jó, não sei se vc lembra, mas vc conversou comigo e outras meninas no evento da Amaro do barra shopping um tempo atrás sobre isso. Consegui até reconhecer algumas das histórias que vc cita no texto e fiquei super me achando uma amiga íntima.
    Fico feliz que vc esteja feliz, continuo na torcida de que continue assim.

    • RESPONDER
      Joana
      10.12.2016 às 11:51

      Eu já falei com vocês, é normal sentir assim!
      Quem lê tudo que eu escrevo aqui sabe mais do meu processo do que muita amiga, é super natural sentir assim! ☺️

      Obrigada pela torcida, ela me ajuda a não desanimar

  • RESPONDER
    Mayara Tuelher
    09.12.2016 às 7:52

    “Agora ela cansou de procurar e de tentar. Se tem que fazer força para fluir já não é o que ela sonhou pra si. Agora não tem aplicativo, não tem paquera e nem tem ninguém. E o melhor? Tá tudo bem.”

    Quer coisa melhor!?

    Adoreeeei!

    • RESPONDER
      Joana
      10.12.2016 às 11:50

      Pois é, não quero coisa melhor não! Hahaha

  • RESPONDER
    Juliana de Paula
    13.12.2016 às 11:27

    Um dos teus melhores textos Jo! Uma certeza de 2016: muito aprendizado! Bjsss

  • RESPONDER
    ju
    24.03.2017 às 14:28

    Q lindo! aprendendo muito por aqui.
    Meus 32 anos me deixaram meio “zen”.. to em busca desse auto conhecimento. Ja descobri q sou ansiosa, nervosa, teimosa. Mas tb que sou amorosa, descanso em Deus sobre diversos assuntos, e tb consigo abrir mao de alguns conceitos.. ou seja.. bipolar.. kkkkkk… a loca! Essa louca sou eu e tenho procurado me amar e aceitar como sou.. ser feliz desse jeitinho. Seguindo e vivendo a vida em busca de saber mais de mim e de quem ta por perto.
    Parabéns pelo texto Joana.

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