2 em Comportamento/ feminismo/ Juliana Ali no dia 30.11.2016

feminismo: apoio, opinião e protagonismo

< A nossa amiga Ju Ali fez aquele texto sobre pessoas com medo de se dizerem feministas. Ela explicou com muito cuidado como a coisa funciona e hoje voltou aqui pra falar de um tema bem polêmico pra gente. Justamente por isso pedimos pra ela vir explicar pra nós (e pra vocês) como funcionam essas 3 palavras na atualidade. Vamos ver como ela define apoio, opinião e protagonismo? >>

Foi uma discussão muito produtiva com as duas criaturas maravilindas que criaram esse blog amado que me inspirou a escrever o texto a seguir para vocês, leitoras do Futi.

Eu e Jo, conversando, notamos que existe uma grande dúvida sobre os conceitos de APOIO, OPINIÃO e PROTAGONISMO rolando por aí. E não é pra menos, porque afinal são assuntos que tem sido discutidos pra caramba ultimamente nesse mundão. E são assuntos bacanas e importantíssimos.
Então bora falar a respeito? <3

O que iniciou tudo foi que eu disse que acho que quem não é mãe não pode OPINAR na minha maternidade. Sou mãe de dois filhos (lindos, claro ahaah). Afirmei categoricamente que não quero pitaco de quem não sabe o que é estar na minha pele.  E ainda completei dizendo que acho que isso vale para boy falando de feminismo, para branco falando de negro, para hétero falando de LGBT, pra magro falando de gordo e assim por diante. Existe algo chamado lugar de fala (também conhecido como protagonismo) que deve ser respeitado, nunca roubado.

A princípio as meninas me acharam radical, “calma Ju, mas um conselho é bom e tals, não vamos excluir as amigas que não tem filhos”. E ainda, outro comentário que faz todo o sentido: “Mas Ju, eu apoio a luta dos negros, não posso expressar isso? Tenho que me calar e não dizer minha opinião?”. Foi aí que entrou a questão do apoio X opinião X protagonismo.

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Todo mundo quer APOIO, e qualquer um pode dar esse apoio. Apoio é completamente diferente de opinião e de protagonismo. O apoio é uma palavra amiga, é um incentivo, é aquela coisa “vai que vai, tamo junto, tô do seu lado, você é o máximo, força miga”. Isso qualquer um pode – e deve – expressar em prol de qualquer outro. E ninguém precisa pedir: faça isso quando sentir vontade. Quem não é mãe pode dar às mães, os manos podem dar às minas, os brancos podem dar aos negros, os héteros podem dar aos LGBTs. Apoiar é legal, sempre.

Aí vem a OPINIÃO, que é beeeem diferente. Porque opinião implica em juízo de valor. Opinião é aquela coisa “ai amiga, mas como teu filho é malcriado”. Ou aquele macho que diz “ai, mulé, mas você é muito radical com esse feminismo, até parece que existe cultura do estupro”. Sacou? Claro que a opinião também pode ser positiva, mas AINDA ASSIM é perigosa. Porque como você vai opinar sobre algo que não é de sua vivência? Como você pode saber? “Ah, mas eu vi minha mãe criar meu irmão mais novo”. “Ah, mas eu sou babá há 20 anos”. “Ah, mas meu irmão é gay”. Não importa. Observar não é vivenciar. É muito fácil falar quando não é com você. É aquele velho ditado ‘Falar de mim é fácil, difícil é ser eu’. Então, cuidado. Opinião tem uma regra básica: Só dar quando for solicitada. Ou, claro, quando você vive o que está falando.

Porque é aí que entra o tal do PROTAGONISMO. Veja, em geral, quem pede protagonismo (que nada mais é do que estar no papel principal) dentro de determinado assunto é justamente quem nunca o tem. Mulheres dificilmente conseguiram ser protagonistas na história delas mesmas. Mães, menos ainda. Negros, nem se fala. E LGBTs, deficientes, gordos… Não dá para tirarmos o protagonismo de quem não apenas nunca o teve, como ainda por cima SEMPRE FOI DONO DELE pra começar. Ou seja: deixe o negro falar pelo negro, a mãe falar pela mãe, a mulher falar pela mulher e assim vai. Escute. Preste atenção. Se coloque na posição de quem aprende. Acima de tudo, nunca julgue, nunca diga “no seu lugar eu faria…”. Porque, afinal, se você não é um deles, você não sabe, realmente, o que é ser eles e o que faria no lugar deles. 

E não se sinta “abandonado”, “de lado”, “de fora”, “silenciado”, porque isso é uma bobagem. Você está dentro do que pode estar dentro, e fora do que tem que estar fora mesmo, e isso vale pra geral. Te garanto que o aprendizado que vem desse observar é maravilhoso. Pratico ele todo dia. Adoro. Recomendo. É rico, é feliz, é respeitoso e contribui para um mundo mais justo.

Beijo com amor, da Ju Ali <3

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A gente fica feliz que a Ju veio aqui contribuir no futi, temos bastante coisa em que pensar sobre o tema né?

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2 Comentários

  • RESPONDER
    Rosana
    30.11.2016 às 19:11

    Ju
    Te amodoro pacas!!!!
    Tô contigo Ju!!! Você é linda, inteligente, habilidosa e sensata, acima de tudo!!!
    Só podemos falar do que passamos, do que somos e temos uma vaga ideia do que os outros passam e são pelo que os outros nos dizem e só podemos apoiar e dar conselhos quando nos são solicitados, quando a pessoa esta disposta e aberta a ouvir
    bjs as 3!

  • RESPONDER
    Isabella
    01.12.2016 às 14:57

    Texto simplesmente maravilhoso!
    Pela primeira vez consegui entender sem questionar o porque de não “poder opinar” sobre o que não vivenciamos!! Tentarei colocar em prática a partir de agora!!

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