0 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 28.11.2016

E quando você não conseguir?

Ontem voltei do retiro e foram 3 dias sem conexão de internet, sem contato com o mundo exterior e muita coisa pra pensar.  Por mais estranho que possa parecer minhas fichas não caíram ainda. Dessa vez tudo foi muito diferente, diferente do tipo difícil. Tudo que eu costumo fazer super bem foi mais complicado dessa vez.

A trilha que eu tiro de letra? Subi respirando mal e com dor no joelho. A noite que eu durmo super bem? Foi cheia de pesadelos. A conexão com a natureza que eu sempre fiz naturalmente? Dessa vez não aconteceu. O processo de gratidão sempre tão genuíno? Não rolou. Minha conexão espiritual? Pegou, mas com interferência.

Como escrever uma linda legenda ou um textão inspirador? Impossível. Quando me peguei lidando com tantas frustrações eu tive que parar, respirar fundo e acolher com amorosidade o que estava acontecendo. 

Esse foi minha sexta viagem com a escola e foi a mais complexa delas, talvez a mais profunda também. A menos leve e mais densa para ser digerida. Várias coisas boas aconteceram, mas dessa vez as frustrações falaram mais alto.

matutuInicialmente me deu uma certa angústia tudo estar saindo de forma tão diferente do previsto por mim, das minhas habituais expectativas. Ainda mais nesse fim de semana, que tinham muitas coisas das quais eu precisava me libertar. Pessoas que não estavam mais me fazendo bem, histórias das quais eu precisava me desligar e crenças que me limitam, que cortam minhas asas e eventualmente me impedem de chegar onde eu quero ir.

Não me arrependi de ter ido, de forma alguma. Durante o banho de cachoeira que tomei sexta-feira eu me senti liberta de muitas das coisas que eu precisava me desprender. Só por esse momento toda a viagem e suas dificuldades já valeriam a pena. Eu chorei, eu ri e agradeci aquele momentinho mágico, no meio de tanta tensão interna.

Na estrada, no caminho de volta, me peguei pensando e entendendo que boa parte do que foi difícil também foi uma oportunidade para eu mudar e crescer. As vezes são as coisas duras que nos ajudam a modificar aquilo que não está mais legal. Foi nessa hora que me peguei praticando o acolhimento de qual tanto falo. Acolhi que dessa vez não voltei zen, acolhi que não vou ser sempre boa ou perfeita, não vou agradar a todos e muito menos vou atender sempre as minhas expectativas, que dirá as dos outros.

E tá tudo bem. 

Entendi que pra viver o que eu desejo hoje eu preciso me sentir mais segura e esse processo de construir minha autoestima e meu amor próprio tem me ajudado a encontrar essa segurança dentro de mim.

Não adianta bancar a boazinha espiritualizada, porque isso é alimentar uma persona que não condiz com a realidade. A verdade é que sou de carne osso como todo mundo, tentando sempre tirar o melhor dos aprendizados e situações. Acredito que o processo, mesmo mais dolorido está resultando em crescimento, em passos importantes com destino a eterna busca do autoconhecimento.

É frustrante ver a mente dominar o meu processo de sentir? Com certeza, mas faz parte. A vida é feita se fases, de ciclos e frustrações fazem parte do meio do caminho. Travar uma briga comigo mesma por conta disso não estava ajudando, então resolvi mudar de estratégia.

É curioso como criamos expectativa até para nossa espiritualidade e imersão de autoconhecimento. Esperamos que vamos sempre nos comportar de um jeito e na verdade não existe esse controle, nem essa estabilidade. Existe a falsa sensação de que tudo é perene, até coisas tão intangíveis.

As vezes a gente nem consegue ver o que está acontecendo, mas nada como uma palavra amiga para nos ajudar a enxergar aquela verdade que a gente não tá conseguindo ver naquele momento. Uma amiga que te coloca pra cima, um familiar que te faz sentir segura, um mantra que você fale pra você ou qualquer coisa que faça você se conectar com sua essência pode ajudar. Pra mim, essas coisas me ajudam a me sentir forte. São ferramentas que me ajudam, por mais que não solucionem a questão.

Ontem me peguei agradecendo a um grande amigo por ser minha tecla SAP. Por me ajudar frente as minhas inseguranças a ver o que estava acontecendo a minha volta. A tranquilidade que senti ali me fez bem. Me fez sentir que todo aquele processo de dificuldade foi importante, por mais que eu ainda não entenda tudo que eu vivi. 

Assim, por caminhos tortos comecei a achar que mesmo esse processo difícil foi engrandecedor de alguma forma. Inclusive ao aceitar e acolher minhas falhas.

O incomodo também pode ser transformador, as vezes a gente só precisa de uma mão amiga para enxergar o lado bom da situação. À medida que a gente vai se desconstruindo e desconstruindo as nossas crenças a vida vai se transformando a nossa volta, no meu caso acho que pra melhor.

Seria hipócrita eu negar que prefiro fazer todo esse processo de aprofundamento de forma mais pacifica e leve, mas entender que isso acontece e não me culpar por isso é parte importante do processo ao qual me submeti nesse final de semana.

Sempre volto de retiros cheia de posts, planos, pensamentos, dessa vez não foi assim. Pelo visto eu precisava trabalhar outras coisas nesse momento.

Não foi leve, não foi fácil, mas está tudo do lado certo.

Faz parte do processo de ampliação de consciência passar por isso. Como diz minha terapeuta: é importante acolhermos nossa sombra com amorosidade, nos conhecer é enxergar todos os nossos lados. Nossa arrogância, nossa inveja, nossa raiva ou qualquer coisa que desperte um lado que nem sempre a gente gosta de ver.

Ampliar a consciência é enxergar o que a gente não via antes. 

Para mim é entendendo nosso lado escuro que aprendemos a vibrar nosso lado de luz. E talvez sejam as tarefas mais complexas que nos levam ao maior crescimento.

Então respondendo as perguntas mais comuns desde que cheguei: não, não foi tão gostoso dessa vez, mas está tudo certo. Faz parte do aprendizado que eu estou buscando e o meu processo não poderia ser diferente agora.

Acredito que na minha vida tudo acontece exatamente como tem que ser. 

Beijos

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