0 em Comportamento no dia 17.08.2016

Rio 2016 e a representatividade: Judô é (muito) coisa de menina!

Quando eu era criança quase todas as minhas amigas eram vaidosas, gostavam de rosa e de balé, dançavam de forma graciosa e eram delicadas. Eu já era aquela que amava os bichos, gostava da fazenda, terra, gado, cavalo, cachorro e gato. Eu derrubava tudo, não havia sutileza na arte de me movimentar. Brincava de Barbie na mesma proporção que encarava os soldadinhos do meu irmão, ou os campeonatos de botão do meu pai. Por mais que sustentasse o fato de que eu era diferente, no fundo sempre tentei me encaixar. No caminho do jazz e do ballet, tudo que encontrei foi frustração.

ballet

Bailarina pra mim era só se fosse fantasia de carnaval!

Tentando me ajudar a aceitar as diferenças minha mãe sempre apoiou a fazer qualquer esporte. Foi assim que sem nenhuma menina na turma iniciante, eu quis fazer Judô. Da onde eu tirei essa ideia? Simples: da representatividade.

Por mais que na turma do meu irmão não tivesse nenhuma menina, eu via mulheres na turma da noite. Se haviam mulheres na turma da noite era claro, porém não muito incentivado, que meninas também podiam fazer aquela aula tão divertida.

Minha mãe conta que numa dessas de levar e buscar o Pedro, a professora dele (sim, também tinha esse pulo do gato) sempre perguntava quando eu ia começar. Um dia eu cheguei em casa e pedi para entrar na aula. Meus pais em momento algum questionaram ser ou não ser coisa de menina, acho que eles só queriam que eu gostasse de algum esporte. rs

judoca

Eu gostei dos menos óbvios: Vôlei, GRD e Judô, mas não era muito boa em nada disso. Mesmo assim eu consegui ficar um bom tempo neles e aprender algumas coisas que pareciam saudáveis para uma criança que estava aprendendo a conviver com outras.

Aí entra outra coisa engraçada, assim que eu entrei na sala outras meninas entraram. Fiquei muito pouco tempo sendo a única menina. Tinha uma garota que era fera e já estava planejando entrar há algum tempo, mas tiveram outras duas da minha sala que entraram em seguida, depois que nos viram lá. É engraçado como as vezes é preciso uma ou duas pra quebrar o paradigma.

Hoje eu acredito que não seja mais assim. Quer maior representatividade do que a Rafaela e a Mayra, com suas respectivas medalhas de ouro e bronze olímpicos? Eu tive a oportunidade de ver as duas agora – a Skol me convidou para os melhores lugares da vida – e eu não podia levar ninguém que não fosse meu pai, que sempre acompanhou todos os mundiais de judô com a gente pela televisão.

Aqui em casa a torcida era toda da Sarah, que dessa vez não ganhou medalha. Fomos todos ver a Rafaela e ainda tive a oportunidade de ver a Mayra. O maior orgulho disso tudo é entender que lutar é coisa de menina, sempre foi. O esporte é coisa pra pessoas, não pra gêneros.

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Eu realizei o sonho de ver o Judô nos jogos Olímpicos, eu vi a representatividade ser escancarada para o mundo e revivi uma série de momentos da infância que não imaginei que fosse possível.

Esse esporte que ensina tanto sobre ética, comportamento, convivência e determinação é hoje motivo de muito orgulho pro Brasil. São 3 medalhas e muitos aprendizados sobre cair e levantar.

Se você não prestava atenção nele, talvez seja a hora de o fazer. :)

Eu estou amando ver que essa Olimpíada é das meninas, é dos ginastas, é de todo mundo que não era necessariamente óbvio. Vamos mostrar que lugar de mulher é onde ela quiser através do esporte, da garra e dos sonhos realizados.

Beijos

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Obrigada Skol e Coca Cola pelos incríveis ingressos de Judô

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