21 em maternidade no dia 28.07.2016

#babynofuti: se virando com bebê em Nova York

Quando estava prestes a me mudar para cá, comecei a ficar muito ansiosa com um detalhe: como eu ia me virar em Nova York com o Arthur, um bebê que estaria com quase 6 meses?

Desde que ele nasceu, tirando o primeiro mês que o pediatra me pediu para evitar sair de casa, eu e Bernardo botamos na nossa cabeça que não deixaríamos de fazer nada por causa do Arthur. Claro que durante a semana a babá, que estava com a gente desde que ele tinha 1 semana, quebrava o nosso galho, mas durante a noite e nos fins de semana, decidimos que o Arthur iria para onde a gente fosse.

Desde que ele foi liberado para sair de casa nós passamos a levá-lo para shopping e restaurante, basicamente os dois programas que se tem para fazer em São Paulo. rs Se queríamos sair para jantar e não tinha como a babá ficar, a gente escolhia um restaurante que fosse tranquilo de encaixar um carrinho e levávamos o Arthur dormindo. E foi assim que ele passou a frequentar almoços, jantares, churrascos e afins.

Mesmo assim, quando me peguei pensando que a partir do momento que eu pisasse em Nova York seríamos apenas nós 3 – e o Jack, claro – me bateu um certo desespero. Será que eu ia conseguir me virar sem babá? Será que eu ia dar conta de sair com ele sozinha? Será que eu ia conseguir pegar metrô com carrinho de bebê? Será que conseguiria levá-lo para vários restaurantes que eu estava louca para ir? Muitos serás para pouca Carla.

Lembro que pesquisei muito sobre isso, mas não achei muitos posts que pudessem me deixar aliviada ou preparada para tamanha experiência. Então, já que não tem muita coisa sobre isso na internet, achei que poderia fazer.

Transporte:

East River Ferry, uma das maneiras mais fáceis de chegar em Manhattan por Williamsburg com carrinho de bebê - e a viagem é linda!

East River Ferry, uma das maneiras mais fáceis de chegar em Manhattan por Williamsburg com carrinho de bebê – e a viagem ainda por cima é linda!

Para começar, uma frase de esperança: é muito fácil andar por NY com um carrinho de bebê, muito mais fácil do que eu esperava pelo menos. Praticamente todas as calçadas são bem largas, sem muitos buracos e têm um espaço que nivela com o asfalto para facilitar a acessibilidade na hora de atravessar. Se antes de ter filho andar pela cidade já era meu passatempo preferido, hoje em dia eu valorizo mais ainda meus passeios já que nunca reparei nesses detalhes antes.

Em compensação, metrô e ônibus são mais complicados. Eu jurava que essa parte seria bem mais fácil, mas infelizmente levei um susto. Ônibus eu nem me arrisco porque você precisa fechar o carrinho para andar nele, e sozinha com um bebê de colo isso é humanamente impossível. Já no metrô, me choquei em constatar que em toda Manhattan só tem 30 estações com elevador, sendo que nas poucas vezes que usei já aconteceu de pegar elevador enguiçado ou em manutenção. Outra coisa que me deixou receosa é a hora do rush, que obviamente eu tento evitar mas já aconteceu de eu pegar o metrô lotado em um sábado à tarde e termos que fechar o carrinho para entrar. Até hoje eu não tive coragem de me aventurar sozinha com o Arthur no metrô por causa disso.

A minha sorte é que bem perto da minha casa fica a East River Ferry, a barca que anda pelo East River que tem pontos em Manhattan tanto na 34th ou no Pier 11, perto da Wall Street. Por ela também dá para chegar no D.U.M.B.O. Como ela é espaçosa, é muito tranquilo viajar com bebê e carrinho. Aliás, usei ela no meu primeiro bate perna sozinha em Manhattan e foi tudo muito fácil.

Lojas e restaurantes:

No Sociale, um restaurante em Brooklyn Heights. Tivemos que deixar o carrinho estacionado do lado de fora, mas levamos a cadeira (eles ofereceram cadeirão, mas quando levamos a nossa a gente prefere usá-la) e ele ficou com a gente na mesa. :)

No Sociale, um restaurante em Brooklyn Heights. Tivemos que deixar o carrinho estacionado do lado de fora, mas levamos a cadeira (eles ofereceram cadeirão, mas quando levamos a nossa a gente prefere usá-la) e ele ficou com a gente na mesa. :)

Quase todos os estabelecimentos têm entrada para deficientes. As vezes é por uma rampa na lateral do local, as vezes uma das portas tem um botão do lado que fax com que elas abram automaticamente e também tive que aprender a me virar a abrir e fechar portas com um carrinho. Alguns lugares também têm um doorman para ajudar nesse tipo de tarefa que parece simples mas exige toda uma noção de timing e destreza na hora de manusear o carrinho, mas todas as vezes que eu tive alguma dificuldade apareceu alguém para me ajudar. Acho que de todos os bairros que eu já fui, o menos acessível até agora foi o Soho. Muitas lojas com escada na frente e calçada apertada.

Alguns restaurantes são menores e as mesas são mais juntas, o que dificulta na hora de levar o carrinho junto, nesses casos eles pedem para você deixá-lo estacionado em algum canto e oferecem um cadeirão. Até hoje só aconteceu isso em uns 3 lugares, geralmente é tudo bem espaçoso e ninguém implica muito com isso.

O maior problema que eu encontrei é banheiro de restaurante. A maioria é bem pequena, não cabe um carrinho e nem tem trocador. Se você estiver sozinha, tem que segurar o xixi e se precisar trocar o bebê, vai ter que aprender a fazer isso no carrinho. rs  Em compensação todas as lojas de departamento e locais públicos têm banheiros para deficientes. A maioria também tem trocador.

Alguns lugares que eu já fui e achei tranquilíssimos de ir com bebê: Saks, Bergdorf Goodman, Apple Store, Macy’s, Uniqlo da 5th Avenue, High Line, Central Park Zoo.

Ah, e claro que nossos horários mudaram completamente. Hoje em dia nós saímos com o Arthur para almoçar ou, no máximo, um jantar mais cedo lá pelas 18/18:30 (quem diria, Carla, quem diria).

Pediatra:

Eu já sabia que aqui as coisas eram um pouco diferentes. Até existem pediatras particulares (que costumam ser bem caros e sem plano de saúde), mas a grande maioria das pessoas levam seus filhos na clínica pediátrica mais perto de casa. A que eu fui tem 5 médicos para fazer as consultas e algumas enfermeiras que ficam 24 horas de plantão.

Uma coisa que eu curti muito, mas não sei se é de praxe foi a praticidade. Me inscrevi no site deles e imediatamente me pediram para mandar todo o histórico médico do Arthur traduzido, a caderneta de vacinas e uma foto da minha carteirinha do plano. As informações ficam no sistema de forma que qualquer profissional que me atenda saiba tudo que foi feito com o bebê. Eu curti bastante esse método!

Muita gente me alertou que os médicos são meio frios e não dão muito espaço para paranoias. Bem, eu não sei se dei sorte ou se é porque eu já estava acostumada com um pediatra que desde o começo não me deixou ter muitas caraminholas na cabeça, mas a médica que nos atendeu foi uma fofa, respondeu todas as perguntas que eu fiz (incluindo as idiotas hehe) e quando deu a vacina que ele precisava tomar, explicou direitinho todos os possíveis sintomas que ele poderia ter. Claro que não tenho o celular dela para ligar a qualquer hora, mas saber que tenho um lugar legal e que eu posso chegar em 5 minutos caso algo aconteça me deixa tão tranquila quanto ter um telefone.

A vida de mãe full time:

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Achei que seria bem mais difícil, principalmente por causa do fato de eu ter tido uma babá que me ajudava durante a semana e me deixava mais livre para fazer as minhas coisas.

É muito trabalhoso, não vou negar. Principalmente agora que o Arthur aprendeu a engatinhar, tenta pegar o Jack de 15 em 15 minutos (o Jack sai correndo, claro) e está começando a querer se apoiar em coisas para tentar ficar em pé. Mas não está sendo a dificuldade que eu pensei que seria.

Sim, as vezes eu acho a rotina bem maçante e confesso que ainda acho estranho ver que eu não tenho mais a liberdade que eu tinha quando estava no Brasil. Como tudo é um processo de adaptação, se antes eu saía para bater perna sozinha, agora eu saio com o Arthur e isso tem sido um dos meus passatempos preferidos. Eu saio da rotina de casa, vejo gente, vejo coisas, passo o dia fora e quando chegamos, ele já está pronto para tomar banho, mamar e dormir. Quando percebo, acabou o dia e nem senti! Tudo bem que estar em Nova York, uma cidade cheia de coisas para se ver e se fazer, ajuda e muito. E ter chegado no verão também, apesar de ter uma brinquedoteca no meu prédio para quando estiver frio.

Acho que eu me preparei tanto psicologicamente para essa mudança que eu acabei aceitando ela de forma mais natural do que eu imaginava, mas o fato do Bernardo chegar beeem mais cedo em casa é um item fundamental para a minha sanidade mental. Desse jeito consigo ir na minha academia e ter um tempinho para mim à noite. Imagino que eu não estaria lidando tão bem se ao invés de chegar 17:30/18, ele chegasse nos horários do Brasil, isso é, praticamente qualquer hora a partir das 22h. Outra coisa que eu senti é que eu e Bernardo estamos mais unidos que nunca com essa experiência, o que me surpreendeu muito positivamente.

A única coisa que eu ainda não me acostumei realmente é em relação à trabalho. Dou graças a Deus que o blog existe pois ele me ajuda a deixar a cabeça cheia de ideias, me dá muito prazer e me faz sentir útil e produtiva, mas ainda não consegui estabelecer uma rotina.

Acho que é isso, né? Em breve vou postando mais à medida que eu for pegando dicas, mas quem quiser me dar algumas, estou aceitando! :)

Beijos

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21 Comentários

  • RESPONDER
    Monique
    28.07.2016 às 9:49

    Post muito legal e completo! Parabéns pela sua forma descomplicada de levar a maternidade, amo seus posts sobre esse tema!

    beijo

  • RESPONDER
    Paloma
    28.07.2016 às 10:24

    Me contrata pra ser au pair aii ! hahaha
    Adorei o sistema da clinica pra ter todas as informações do bebê. Muito prático e eficiente. :)
    Beijos e tudo de bom nessa nova rotina

  • RESPONDER
    Nathalia T.
    28.07.2016 às 10:29

    Oi Carla!
    Muito legal ver como você vive a maternidade. Eu penso exatamente como você e acho que o filho não pode ser impedidor dos pais fazerem as coisas. Claro, muito fácil pra mim falar dado que eu não tenho filho, mas ver que pessoas conseguem seguir essa linha é bem legal e motivador!

    Parabéns e continue postando esse fofucho no snap, adoooooro!

    Beijos

  • RESPONDER
    Nathalia T.
    28.07.2016 às 10:29

    Oi Carla!
    Muito legal ver como você vive a maternidade. Eu penso exatamente como você e acho que o filho não pode ser impedidor dos pais fazerem as coisas. Claro, muito fácil pra mim falar dado que eu não tenho filho, mas ver que pessoas conseguem seguir essa linha é bem legal e motivador!

    Parabéns e continue postando esse fofucho no snap, adoooooro!

    Beijos

  • RESPONDER
    LUANA
    28.07.2016 às 13:36

    ADOREI!
    Mas como vc fez quando vc foi assistir “sleep no more”??
    Vc contratou uma babysitter?
    Adoro os seus posts.

    • RESPONDER
      Carla
      28.07.2016 às 15:23

      Oi, Luana! Obrigada! Sim, quando não tem jeito, a gente chama!

  • RESPONDER
    Sandra Luz
    28.07.2016 às 14:16

    Carla, preciso dizer que Arthur é um dos bebês mais fofos que eu já vi!!!
    Gente, não aguento esses olhinhos puxadinhos, essa bochecha gostosa e a carinha sempre sorridente!! Que delícia!!
    Beijos

  • RESPONDER
    Bianca
    28.07.2016 às 14:17

    Acho sempre complicado isso de usar o banheiro para deficientes. A maioria dos cadeirantes tem incontinência urinária e é o único banheiro que eles podem usar por causa da cadeira, então acho ruim ocupar o local com uma tarefa demorada, que é uma troca de fralda.

    Não sei que opção facilitaria a todos, mas se as pessoas já usam os banheiros para deficientes físicos para “ir rapidinho” e já os atrapalha, imagina para algo mais demorado. =/

    • RESPONDER
      Carla
      28.07.2016 às 15:21

      Bianca, quando eu estou sozinha eu evito usar banheiro de deficientes ao máximo, mas com carrinho de bebê eu não tenho outra opção. Ou melhor, eu poderia ser meio doida e pedir para alguma desconhecida ficar olhando o Arthur para mim, né, mas obviamente não farei isso. A Macy’s por exemplo, tem banheiro familia, com trocador e espaço para a mãe ir no banheiro sem problemas, mas a maior parte das vezes só em banheiro de deficiente mesmo. Em relação ao trocador, muitos ficam do lado de fora mas tem muitos do lado de dentro mesmo. Infelizmente não posso fazer nada!

  • RESPONDER
    Beatriz
    28.07.2016 às 15:08

    Amo o post! Engraçado que ontem eu iria fazer um comentário no IG pedindo um post desse para Carla!!!
    Tenho bebê de 2 meses. Estou em licença maternidade até dezembro e me identifico muiiiito c a maneira da Ca encarar a maternidade!!! Bjosss

  • RESPONDER
    Mariana Pedrini Uebek
    28.07.2016 às 18:41

    Carla! Não vejo a hora de conhecer vcs! No @nytkids eu conto sobre como tem sido morar aqui em NYC com as gêmeas de um ano! Essa quetão da rotina pega mesmo! Adoro ir na Equinox, usar o Kids Club deles me ajuda muito!
    Tem uma perto da sua casa?!
    Bj bj

    • RESPONDER
      Carla
      29.07.2016 às 0:20

      Também não vejo a hora, Mari! Tem sim, mas eu uso a academia do prédio! :)

  • RESPONDER
    Mariana
    28.07.2016 às 19:04

    E essa questão do banheiro é complicada!!! Imaginem eu com duas!
    Sufoco
    Bj

  • RESPONDER
    Mary
    28.07.2016 às 20:28

    Estou adorando acompanhar suas aventuras em NY! Espero que continue dando tudo certo e que voce tenha muita história pra contar pra gente! Um beijo!

    • RESPONDER
      Carla
      29.07.2016 às 0:19

      Obrigada, Mary! Também espero! Beijos!

  • RESPONDER
    Leila
    28.07.2016 às 23:35

    Carla, pegar bus com um bebê não é humanamente impossível, ok? Dá trabalho? Com certeza, mas faz parte… Menos drama!

    • RESPONDER
      Carla
      29.07.2016 às 0:18

      Então me dá a dica, porque ainda não tenho ideia como fechar um carrinho com um bebê de colo. Faço o que? Deixo o Arthur no chão enquanto eu fecho e abro o carrinho? Entrego ele para uma pessoa desconhecida?
      Eu hein, o humanamente impossível foi só força de expressão, não precisa ser grosseira.

    • RESPONDER
      mariana
      29.07.2016 às 0:45

      Eu tb nunca me animei a pegar Bus com bebê, Ca! Pelo que eu li, é o mais complicado mesmo!

    • RESPONDER
      Leila
      02.08.2016 às 22:26

      Carla, me desculpe? Não quis ser grosseira…
      Mas a dica seria colocar ele amarrado em vc! Ando bastante de bus, aqui na minha cidade preciso pegar um + metrô para chegar em Madrid! Tenho 2 bebês e é questão de tentar… Com certeza as 2 opções q vc deu são inviáveis, mas já me ajudaram a fechar o carrinho, por exemplo, me ajudaram a carregar a bolsa, as pessoas são educadas quando se tem um bebê! Boa sorte!

  • RESPONDER
    Tatiane
    29.07.2016 às 8:33

    Oi Carla,
    já pensou em usar um sling para passear com o bebê? Acho que em algumas situações, facilitaria a sua vida.

  • RESPONDER
    danielle
    29.07.2016 às 17:47

    Carla,
    O Arthur está cada dia mais lindo!!!
    Minha cunhada morou um tempo em Londres com bebê pequeno e disse que andava de ônibus e metrô com ele de carrinho, ela me falou que sempre saía com ele de carrinho e levava o sling para usar quando precisasse fechar o carrinho, disse que não tinha como sair só com o sling porque a coluna dela não aguentava e que no inverno a criança tem que ficar no carrinho para se proteger do frio.
    Beijos

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