11 em Comportamento/ Reflexões/ Relacionamento no dia 01.06.2016

A falsa eficácia do jogo da conquista!

Minha postura sobre os jogos de conquista não é nova, todo mundo sabe que eu detesto ouvir frases como: você tem que se fazer difícil para ele se manter interessado. Se você for muito fácil, ele vai desistir. Se faça de difícil para ele querer.

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Nossa, não tem como alguém odiar mais essas frases do que eu.

O problema é que várias vezes, quando estou desconstruindo essas falsas verdades absolutas, acontece algo que me deixa na saia justa e quase faz com que eu perca a argumentação:  Os cases de sucesso.

Da menina que só transou depois de dezenas de encontros e o cara ficou super em cima. Da garota que visualizou a mensagem, não respondeu e ele ficou insistindo no contato. Da mulher que estava morrendo de vontade de aceitar o convite mas não foi pra se fazer de difícil e ele não partiu pra outra. Em meio a esses cases de APARENTE sucesso, eu já parei muito para pensar e não cheguei à nenhuma conclusão brilhante, no entanto, achei que valia dividir com vocês como tenho visto essa questão.

Não dormir com ele no primeiro encontro pode fazer com que ele não suma. Esperar 3 horas para responder a mensagem pode fazer com que ele fique mais curioso e queira ainda mais estar com você (por enquanto). Lembrar dele ou querer fazer uma piada interna e segurar essa vontade pode dar certo num primeiro momento, afinal, se você falar vai parecer que está marcando em cima demais. É isso? É esse tipo de exemplo e conselho que você quer perpetuar entre suas amigas?

Tenha vontade mas não faça nada a respeito? Seja passiva? Não se mexa para ele não desistir de você?

Eu não consigo sustentar essas ideias. Não mais. Evito responder no susto e tento controlar minha ansiedade para não ser intensa demais – sofro desse mal – mas não quero e não vou reprimir quem eu sou só para conseguir mais um convite pra sair do carinha da vez.

Odeio quando demonstro real desinteresse e o cara fica muito mais interessado. Detesto quando falo que não vai rolar e só então a pessoa resolve vestir a camisa de tentar me conquistar. Se eu estou indiferente é porque por algum motivo eu não estou mesmo interessada. Não é um jogo.

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No meu universo, não é não. Quando vejo o cara que levou um não me querendo ainda mais eu fico triste, porque significa que para parte dos homens essa história de se fazer de difícil cola. Só que cola por quanto tempo?

Esse jogo de tipos e aparências enganam homens e mulheres todos os dias. Pior, tenho a impressão que eles fazem com que muita gente legal perca tempo e sinta que precisa se vestir de personas distantes da sua essência para conquistar o que deseja. Que triste se achar obrigada a seduzir alguém fantasiada de um personagem. Que frustrante tentar se adequar ao valor da outra pessoa, ao invés de se ater ao seu. E que saco ter que provar toda hora que a sua resposta é genuína, não é um jogo.

Já vi a menina mais linda se fazer de difícil, descolar mais alguns encontros e depois ver o cara sumir. Idêntico àquela que acabou dormindo com o crush na primeira noite. A única diferença entre as duas situações é o tempo de duração e o número de encontros. Se o cara vai pular fora porque já conquistou o que queria, já bateu sua meta desejada ou algo dessa natureza, é uma benção divina que ele faça isso mais rápido e você não perca seu tempo!

“Não responde ele agora”. “Se você falar isso o cara vai sair correndo.” “Seja difícil” “Se você ligar ele vai te achar um saco”

Eu sou contra as frases feitas que doutrinam as mulheres a não dizerem o que sentem. Já ouvi algumas dessas tantas vezes. Até acho que ouvi muito mais do que precisava. E só consegui aprender com as minhas experiências que tudo depende do cara. Quando eu procurei me envolver mais profundamente com pessoas que não vinham carregadas de preconceito, ninguém saiu correndo.

Aliás, sabem quais foram as frases que mais ouvi desses paqueras? Que eu não tenho papas na língua (sempre com um sorriso junto) ou que eu sou muito espontânea (também em tom de elogio). Eu só fui eu mesma, diferente do que nos ensinam. Diferente do que esperam, afinal, eu não temi receber em nenhum momento um rótulo bobo, fosse ele qual fosse. E isso deixou muita gente impressionada.

A sociedade está tão viciada em joguinhos – e claro, a cultura machista ajuda nisso – que acho muito prejudicial continuar perpetuando-os. Infelizmente muitos homens cresceram com a ideia de que não é a mesma coisa de um sim tímido, que a menina que se faz de difícil é aquela que está pedindo para que corram atrás dela. Isso porque não estou querendo nem entrar no mérito extremo de casos que acontecem quando o não da mulher é entendido como sim pelo homem.

A partir do momento que eu me descolei dos tais “cases de sucesso” consegui perceber claramente que não era o comportamento da menina ou as atitudes que ela tomou no início do relacionamento que fizeram com que tudo desse certo. Os dois continuaram juntos porque rolou interesse mútuo, porque a máscara usada no joguinho inicial caiu e revelou pessoas que se curtiram mesmo depois de terem mostrado suas verdadeiras essências ou simplesmente porque era para ser.

Essa história de fazer jogo pode funcionar no início, mas não segura continuidade. Então proponho que lutemos contra jargões que nos levam a não responder o cara quando quisermos, a não dizer o que pensamos ou queremos. Claro que não estou incentivando que ninguém vá sair enfiando os pés pelas mãos, mas acho que não custa nada sermos nós mesmas sempre, né?

Beijos

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11 Comentários

  • RESPONDER
    João Magagnin
    02.06.2016 às 1:00

    Jo, sempre bato nessa tecla com os meus amigos, mas a cultura do machismo e da passividade estão tão arraigadas que acabamos cedendo “sem querer querendo” a essas situações, justamente por causa dos ditos “cases de sucesso”.

    No mundo dos relacionamentos, seja hétero ou gay, faltam pessoas que se desliguem dessa ideia do jogo, da criação de dificuldades sem existir uma sequer. Há de ser espontâneo num mundo onde vivemos tal e qual um romance adolescente.

    Acredito sim que a espontaneidade e a sinceridade levem além e consagrem relacionamentos, tornando-os duradouros ou no mínimo verdadeiros, do que uma dita dificuldade que leva a relacionamentos cheios de decepção, ansiedade e tristeza.

    Adorei seu texto e gostaria de dizer que concordo com todos os pontos. Continue assim, inspirando mais pessoas a serem livres como você. Te adoro! Bjss

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      Joana
      02.06.2016 às 2:28

      :) não sabia que isso não acontecia só no clichê do mundo hetero, que interessante.
      Adorei seu comentário João! <3
      De Mossoró para o mundo!

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    Carol Matias
    02.06.2016 às 10:27

    Jô, concordo demais com você. Já tive muito essa idéia de “ah não posso fazer isso” ou então “ah tenho que ignorar pra o cara se manter interessado”. Hoje em dia me guio muito pelas minhas vontades. Se quero falar eu falo, demonstro interesse, porque fico pensando: quantos caras legais deixei de conhecer simplesmente pra ficar com joguinho? Acho que quando os dois estão interessados de verdade vai acontecer, e que aconteça sem que a gente precise fingir ser algo que não somos.

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    Renata Castro
    02.06.2016 às 11:22

    Jô, concordo plenamente com você! Desteto fazer joguinhos! É claro que já sofri demais por isso, mas, hoje em dia, prefiro ser eu mesma, sendo sincera comigo e com os meus sentimentos. Viver a vida de forma leve, da forma que a gente quer não tem preço. Adoro o blog. Bjos.

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    Wal
    02.06.2016 às 11:41

    Eu já tô fora do mercado há muito tempo, mas quando estava solteira sofria muito por não seguir os padrões, sabe? Se queria tal menino eu dava em cima. Se ficasse com um e depois quisesse o amigo, ficava com o amigo. Era sincera, não me fazia de difícil (mas acabava atraindo um monte de garotos simplesmente por não estar interessada neles) e aí que muito garoto que eu queria ter algo mais sério me deixava de lado por eu não ser uma “garota para namorar”. E óbvio, eu sofria, mas continuava fiel à minha essência. Hoje eu sou casada com um homem maravilhoso que me ama do jeitinho que eu sou. Só que agora sou recriminada por sair com as amigas para a balada, viajar sozinha, dividir as tarefas de casa com meu marido (acreditem, muitas pessoas acham que isso é obrigação apenas da mulher), entre outras coisas. Com esse relato quero destacar que a cultura que coloca as mulheres em uma posição de submissão e controle está muito arraigada na nossa sociedade e é difícil demais remar contra a maré. Mas é possível. E libertador! Continue fiel a você, Jô! Essa é a chave da felicidade.

    Beijos

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    Bianca
    02.06.2016 às 13:02

    Eu também já estou fora do mercado a bastante tempo: sai de um relacionamento e fui de foguete pra outro! rs … Bom, o que eu penso é o seguinte: essa é uma abordagem primitiva! Era assim a não sei quantos ANOS atrás! Se antigamente funcionava, porque não continuar fazendo funcionar, né!? Outra coisa, a questão de jogo é justamente essa: não saber aonde vai terminar! Os jogos que conquista, ao meu ver, incrementam coisas naquele específico momento que faz a pessoa aos poucos mostrar quem ela é. Imagina se fosse tudo à lá Christian Grey e Anastasia, estilo contrato!? Ou então igual aquele filme que todo mundo fala a verdade! Ia ficar uma coisa tão sei lá… Bom, esse é meu ponto de vista! Claro que tudo que é novo assusta né, mas a mudança tá ai pra isso: ser aceita com o tempo :)

    Um beijo pra todas ;**

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    Caroline
    02.06.2016 às 15:42

    Eu ja recebi esse comentário..nossa, como vc é espontanea, mas em outro tom. A questão é… A gente tem que ser o que a gente é!!!! E sim, a sociedade machista coloca que mulher legal é mulher dificil, etc… E que o homem é quem decide o sim na hora da conquista. E que temos que ser escolhidas!
    É só lembrar que a gente escolhe tbm, que precisa ser mutuo. E que ser a gente é muito mais legal do que ficar repetindo joguinhos. ;)

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    Bia
    04.06.2016 às 13:38

    Nossa, que alívio ler isso! Estava saindo com uma pessoa, do nada ele sumiu, e tudo o que me disseram foi que eu “fui fácil” e “assustei ele”, só porque fiz o que quis. Muito bom saber que não sou só eu que acho que a gente tem que fazer o que tem vontade, e não fazer jogos! A vida já é complicada, se ele se desinteressou e sumiu, melhor pra mim ;)

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    Waleska
    04.06.2016 às 19:06

    Oi, Jo!
    Adoro seus textos.
    Eu sou bem assim, igualzinha a vc. Detesto os joguinhos e acho que as pessoas deviam ser mais espontâneas no hora de se relacionarem.
    Só que eu acabo sofrendo do mal do homem que prefere a mulher difícil. Poucas vezes, ignorar os jogos deu certo. Geralmente eles somem, não respondem mais, dizem que eu “fui rápido demais”. Hã??!!
    No fim das contas eu prefiro ficar aqui quietinha no meu canto do que me relacionar com caras que dão mais valor à isso do que à minha essência.

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    Amanda Braz
    06.06.2016 às 21:20

    Joana…
    Parabéns por tamanha sensatez e palavras tão bem postas! Texto e concepção de vida aprovadíssimos! Adoro seu BLOG! Aprecio originalidade SEM moderação! =) Um beijo e sucesso! Com carinho, Amanda.

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    Cristiano
    03.07.2016 às 8:12

    Bravo Jô!

    Porém a maioria segue esta linha. Até as que dizem “Não faço” fazem sim, e isto associado a outros aspectos me leva crer que a maioria não presta, que as boas pessoas são mínimas no meio de milhares que cruzamos todos os dias. Que raro porém grandioso quando encontramos e nos relacionamos com esta minoria.

    Abração! =D

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